“Temos que permitir a
dor da morte, negá-la não leva a nada”
O assunto pode não ser dos melhores. Mas, bem ou mal, seja a
pessoa preta ou branca, pobre o rica, gorda ou magra ele faz parte da vida de
todo nós: estamos falando da morte. E
como se referir a morte sem esquecer a dor que ela trás para a gente,
principalmente quando perdemos um ente querido. Como e quando devemos contar
para as pessoas sobre a morte de alguém próximo?. As crianças dever ir ao
velório?.
Porque sofremos tanto
quando uma pessoa querida morre, mesmo sabendo que um dia todos morrerão?. Para responder estas e outras
perguntas o DIÁRIO entrevistou a psicóloga potiguar Milena Coutinho da Câmara,
especialista em psicologia hospitalar, com curso de psicoterapia do luto, pela
Universidade de São Paulo (USP).
Diário - Qualquer
pessoa pode participar das palestras?
Milena Coutinho da Câmara - Sim, mesmo crianças e
adolescentes. Vamos falar sobre vida e morte e os laços da existência, neste
primeiro momento. Também falarei sobre a criança diante da morte, reações do
luto patológico e a difícil tarefa de dar adeus. As palestras serão realizadas
à tarde, sempre as sábados...
Para você o que é a
morte?
A morte faz parte do desenvolvimento humano. É a última etapa
da vida em que todos nós chegaremos.
A morte deve ser vista
como algo natural?
Sim. A morte é um processo natural do ser humano. O problema
que a grande maioria das pessoas sabe que vai morrer ou, em estando vivo,
poderá perder entes queridos mas não está preparado para a morte
Como as pessoas podem
se preparar para a morte?
Um passo importante é começar a falar no assunto de forma
rotineira. Na roda de amigos, em casa, com os colegas de trabalho. No geral, as
pessoas não conversam sobre a morte, como um processo natural da vida. Falamos
da morte quando morre alguém conhecido. Os pais, por exemplo, conversam com os
filhos sobre vários assuntos, como sexo, por exemplo, mas, normalmente, não
conversam sobre a morte.
As pessoas estão
preparadas para a morte?
Não. Por mais que se saiba que é o fim de cada um, mas a
grande maioria não está preparada para a morte, nem enterrar as pessoas
queridas.
Por que?
A gente não inclui a morte na nossa vida. Interessante que
anteriormente as pessoas morriam em casa, na frente dos parentes. Neste
cenário, as crianças vivenciavam mais a morte. hoje, com a tecnologia as
pessoas morrem no hospital, portanto, distante dos parentes.
Por falar em criança
você acha que elas devem ir ao velório e enterro de alguém conhecido e a partir
de que idade?.
Acho que as crianças devem participar do ritual do velório e
enterro. Principalmente se for alguém mais próximo dela. Acho que não existe
uma idade ideal. É necessário que os pais ou responsáveis percebam se ela
suporta o volume de informação sobre a morte. Uma criança com 7,8, 10 anos já
sabe que as pessoas morrem. Não vejo motivo para que elas se ausente do
enterro. Mesmo que ela não queira ir, os pais devem conversar sobre a morte, a
partir dos questionamento da criança. Agora, não devemos nunca forçar uma
criança a ir ao velório sem vontade.
Porque sofremos tanto
quando alguém morre?
Existe uma coisa chamada vínculo. Quanto mais vínculo você
tem com o morto, mais dor será sentida. O
vínculo se inicia no útero entre mãe e filho. Este, sem dúvida, é um
dos vínculos mais fortes. Por isso, é tão doloroso perder uma mãe ou um filho.
Depois tem o apego, que é desenvolvido após o nascimento. Ainda tem a relação
do apego com satisfação, apego/satisfação e segurança. Quando você perde alguém
que lhe transmite tais sentimento, você sofre. É mais ou menos assim: aquela
pessoas fazia parte da minha vida. Ela foi embora e foi e deixou a sensação de
terem arrancado um pedaço de mim. Dói, dói muito.
A forma como a pessoa
morre influencia no tamanho da dor?
Sim. Existem fatores que dificultam a aceitação da morte. São
eles o tipo de morte, violenta ou não, brusca ou não. A idade do morto e o tipo
de vínculo também influenciam. Particulamente, pelas minhas experiências profissionais eu
acho que o luto mais difícil é do de mãe para filho.
Como fazer para aliviar
a dor?
A gente tem que pensar que a morte é um processo natural da
vida. Ela é inevitável. Temos de permitir a dor, negá-la não irá ajudar em
nada. É importante a participação das pessoas que têm vínculo com o morto no
ritual de despedida, que é o velório e enterro. As pessoas devem ir, chorar se
sentir vontade, conversar com o morto, se for o caso. Não é bom controlarmos as
nossas emoções, deixem elas fluírem naturalmente. O velório é o local permitido para vocês expressar a sua dor. Vá ao
velório, ao enterro e acompanhe até o fim.
Existem fases do luto?
De acordo com o psicólogo Rando, primeira existe a evitação,
depois a confrontação. Depois a reação, a recordação, acomodação e a transferência
do afeto para uma outra pessoa. É um processo natural que demora algum tempo
dependendo de cada um e do vínculo que a pessoa tem pelo morto.
Qual a melhor hora de
dar a notícia de morte e quem deve fazer isso?
Não existe uma hora adequada. A notícia deve ser dada
imediatamente a morte, por um médico, se o morto for a óbito no hospital.
Também pode ser dada por alguém da família ou com relação de amizade muito
próxima. Se for necessário medicar, que seja feito por um especialista.
Um médico pode ajudar a
superar a dor da morte de um querido?
É importante a ajuda. Um psicólogo pode ajudar a pessoa a
permitir a dor, sem culpa. Existem casos de luto patológico, que são pessoas
que vivem num eterno estado de luto, fazendo mal a ela mesma. Nós psicólogos
podemos ajudar através da terapia. Existem ainda o luto evitativo, onde a
pessoa tenta evitar a todo custo falar na morte de um querido. Ainda tem o luto
crônico e o atípico. Em todos os casos os psicólogos podem tratar.
FONTE: https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=18&cad=rja&uact=8&ved=0CEcQFjAHOAo&url=http%3A%2F%2Fwww.cerescaico.ufrn.br%2Fmneme%2Fpdf%2Fmneme6_10%2Fmneme%2Fmorte.doc&ei=NK9zVLCIK4G5oQTy9IGQBQ&usg=AFQjCNHkMeo3VsMdnlAwZjxsU6KLcfs7ZQ&sig2=i4xzYLrxGpz_m95nOcaBOA&bvm=bv.80185997,d.dGY
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