Psicologa Organizacional

21 de setembro de 2025

 





Há profeta no Brasil?

 

Eis a pergunta que ecoa nos céus e deve estremecer os altares da terra.

 

Sim, o Brasil experimentou um mover: entre 1998 e 2002 a chama do avivamento se acendeu, e em apenas duas décadas vimos o número dos evangélicos saltar de 8% para mais de 30% da população. Uma multidão, um crescimento sem precedentes, um sopro de Deus sobre esta nação!

 

Mas em meio a essa explosão, algo grave também aconteceu:

Altares foram transformados em palanques.

Púlpitos se tornaram vitrines de poder.

Homens que antes proclamavam a santidade de Cristo agora negociam Sua Palavra por cargos, influência e favores.

 

E assim, a pergunta se levanta como fogo: cadê os profetas?

Onde estão aqueles que não se vendem?

Onde estão os que não temem perder posição?

Onde estão os que anunciam arrependimento, santidade e a Cruz, mesmo que isso lhes custe a vida?

 

Ó Igreja Evangélica do Brasil, lembra-te do teu princípio!

Olha para a Cruz — não para partidos, não para os reinos passageiros dos homens. Na Cruz há libertação, na Cruz há verdade, na Cruz está o poder que muda a história!

 

Liberta, Senhor, os líderes desta nação de todo espírito de Saduceu, Zelote, Fariseu e Mercenário que mercadejam o Teu Evangelho.

Arranca do meio de nós a corrupção travestida de religiosidade.

Aviva, Senhor, a Tua obra no meio dos anos!

 

Porque o verdadeiro avivamento não é número, não é denominação, não é poder humano. O verdadeiro avivamento é arrependimento, é santidade, é quebrantamento diante do Cordeiro que foi morto.

 

E eu te digo, ó Igreja: se não houver profeta que se levante no Brasil, as pedras clamarão!

Mas o Senhor ainda busca corações puros, vozes que não se dobraram a Baal, homens e mulheres que irão proclamar: “Assim diz o Senhor!”

 

O tempo é agora.

Arrepende-te, Igreja.

Volta para a Cruz.

E deixa o fogo do Espírito queimar novamente em santidade e verdade.

 

 

ALZEMBERG DE JESUS FREITAS

 

Apóstolo da Fé


 



UMA ANÁLISE DE "O CONTO DA ILHA DESCONHECIDA" DE JOSÉ SARAMAGO SOB A PERSPECTIVA DA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA

 

RESUMO

 

O presente artigo propõe uma leitura crítica do livro "O Conto da Ilha Desconhecida", de José Saramago, à luz da Abordagem Centrada na Pessoa, de Carl Rogers, articulando conceitos de subjetividade, empatia, aceitação incondicional, além das relações entre o Eu real e o Eu ideal, autoestima e ressignificação. Com base em fragmentos retirados da obra, a análise ressalta o movimento dos personagens em direção à autocompreensão e à autonomia existencial, demonstrando a força da subjetividade na constituição do projeto de vida.

 

INTRODUÇÃO

 

"O Conto da Ilha Desconhecida", publicado em 1997, constitui uma narrativa alegórica na qual Saramago reflete sobre o eterno desejo humano de busca e autodescoberta. Sob a ótica da Abordagem Centrada na Pessoa de Carl Rogers, é possível explorar, de modo aprofundado, as nuances da subjetividade humana manifestas na obra, relacionando-as à formação do Eu, aos desafios entre o Eu real e o Eu ideal, e aos processos de ressignificação presentes nos caminhos dos personagens.

 

SUJEITIVIDADE HUMANA E A BUSCA EXISTENCIAL

 

A subjetividade, conceito fundamental tanto na Psicologia quanto na Filosofia, adquire contornos sutis na obra ao aproximar o leitor dos anseios e inquietudes do protagonista: o homem que pede ao rei um barco para buscar a "ilha desconhecida do mapa". Sua busca metafórica por um território inexplorado reflete o movimento humano em direção ao autoconhecimento e à realização de potencialidades, elementos centrais no pensamento de Rogers, conforme o princípio da tendência à atualização.

 

A narrativa expõe, por meio de diálogos internos e interações, a tensão entre o desejo inovador; o Eu ideal, e os limites impostos pela realidade, o Eu real. Segundo Rogers (1959), o distanciamento entre esses Eus é fonte de insatisfação e sofrimento, enquanto seu alinhamento está relacionado à congruência e ao bem-estar.

 

“É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não sairmos de nós.” (SARAMAGO, 1997, p. 32).

 

Esse fragmento ressalta a importância do olhar distanciado sobre a própria existência, condição necessária à autoressignificação.

 

PERSONAGENS PRINCIPAIS E O PROCESSO DE MUDANÇA

 

No núcleo da narrativa estão dois personagens: o homem do barco e a mulher da limpeza. O homem representa o sujeito inquieto e reflexivo, enquanto a mulher simboliza a aceitação e a espontaneidade, catalisando, pela sua presença e escuta, o processo de mudança do outro.

 

A empatia, conceito central na abordagem rogeriana, é manifesta na capacidade da mulher de acolher o projeto do homem com respeito e colaboração, validando seus anseios e angústias:

 

“A mulher da limpeza disse, Eu vou contigo, porque sempre desejei ver uma ilha desconhecida.” (SARAMAGO, 1997, p. 48)

 

A partir desse momento, ambos estabelecem um diálogo pautado pela escuta ativa e pela ausência de julgamento, condições essenciais para o crescimento psicológico, segundo Rogers (1961).

 

EMPATIA, ACEITAÇÃO INCONDICIONAL E (RE)CONSTRUÇÃO DO EU

 

A relação entre os protagonistas exemplifica o ambiente facilitador idealizado por Rogers: ambiente permeado por empatia, aceitação incondicional positiva e autenticidade. A mulher não impõe obstáculos aos sonhos do homem; antes, legitima seus sentimentos e projetos, proporcionando-lhe o espaço necessário para reconstruir seu Eu real em direção ao Eu ideal.

 

A autoestima e o sentimento de valor pessoal crescem à medida que o homem reconhece, na relação, um espaço para expressar sua vulnerabilidade e incertezas, conforme exemplificado:

 

“O homem sorriu, sentindo-se aceito de uma forma que nunca antes experimentara.” (adaptado de SARAMAGO, 1997)

 

Este ambiente de aceitação incondicional possibilita a ressignificação do passado e das expectativas de futuro, tornando-se um catalisador para a tomada de decisões autônomas e responsáveis.

 

RESSIGNIFICAÇÃO E AUTONOMIA

 

No desenrolar da narrativa, observa-se um processo contínuo de ressignificação. A ilha desconhecida, mais do que uma metáfora geográfica, simboliza o espaço interno de possibilidades, reafirmando o valor da subjetividade e da experiência pessoal. O reconhecimento desse espaço pelo protagonista demonstra o movimento rogeriano de integração dos conteúdos conscientes e inconscientes e a busca pela autonomia.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Em "O Conto da Ilha Desconhecida", José Saramago constrói uma narrativa que, sob a luz da Abordagem Centrada na Pessoa, evidencia com vigor a potencialidade transformadora da subjetividade, do apoio empático e da aceitação incondicional. Ao favorecer a congruência entre Eu real e Eu ideal, a relação dialógica entre os personagens permite não apenas a ressignificação de trajetórias, mas também a elevação da autoestima e a emergência de projetos autênticos de vida.

 

REFERÊNCIAS

 

- ROGERS, Carl R. **Tornar-se pessoa: um ponto de vista sobre a psicoterapia**. São Paulo: Martins Fontes, 1977.

- ROGERS, Carl R. **A abordagem centrada no cliente**. São Paulo: Martins Fontes, 1983.

- SARAMAGO, José. **O conto da ilha desconhecida**. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

- BARROS, D. D.; MOREIRA, V. da S. **A subjetividade como tarefa: contribuições da Abordagem Centrada na Pessoa**. Psicologia em Revista, v. 18, n. 2, p. 309-326, 2012.

 


Ética e cidadania: desafios contemporâneos na formação do indivíduo

 

A temática da ética e da cidadania ganha cada vez mais relevância diante dos desafios contemporâneos que se impõem à sociedade. Em um cenário marcado por mudanças aceleradas, pluralidade cultural e complexidade nas relações humanas, a formação do indivíduo exige uma reflexão profunda sobre valores éticos e o exercício da cidadania. Nesse contexto, o papel da educação se mostra central para preparar sujeitos críticos e conscientes de suas responsabilidades sociais.

 

A ética, entendida como o conjunto de princípios que orientam o comportamento humano, é fundamental para o convívio em sociedade. A construção ética não ocorre de modo espontâneo, mas é fruto de um processo que se inicia no ambiente familiar, se intensifica nas instituições de ensino e se estende por toda a vida. A escola, especialmente, assume uma função primordial ao proporcionar momentos de reflexão coletiva, promovendo o respeito ao outro, a solidariedade e o diálogo como práticas cotidianas.

 

Já a cidadania ultrapassa a mera condição de pertencimento a um Estado, abrangendo a participação ativa nos processos sociais, políticos e culturais. Ser cidadão implica agir de forma ética, respeitando direitos e cumprindo deveres, lutando pela inclusão e justiça social. O desafio contemporâneo reside em formar sujeitos capazes de analisar criticamente as estruturas sociais, identificar desigualdades e atuar em prol de uma sociedade mais equânime.

 

Entretanto, esse processo de formação enfrenta obstáculos significativos, como a influência de fake news, discursos de ódio e a crescente intolerância nas redes sociais. Soma-se a isso a crise de valores morais, muitas vezes substituídos pelo individualismo e pela busca desenfreada por sucesso pessoal. Diante dessas dificuldades, cabe à educação atuar como instrumento de transformação social, promovendo debates filosóficos, atividades de reflexão ética e projetos de participação comunitária.

 

Portanto, a formação ética e cidadã é indispensável para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo. Investir na reflexão filosófica, na promoção de valores humanistas e no exercício consciente da cidadania constitui uma estratégia fundamental para construir uma sociedade mais justa, tolerante e solidária. Apenas assim será possível preparar indivíduos aptos não apenas a enfrentar as complexidades do presente, mas também a contribuir para um futuro mais digno para todos.

 

 

Acimarley Freitas

 




O Papel da Filosofia na Formação do Cidadão Crítico

 

A Filosofia, como área de conhecimento fundamental, desempenha um papel formativo essencial na construção de uma sociedade democrática, crítica e reflexiva. Ao considerar a importância do ensino filosófico no âmbito da Licenciatura, destaca-se sua contribuição para o desenvolvimento do pensamento autônomo, da argumentação lógica e do exercício pleno da cidadania. Mais do que um conteúdo curricular, a Filosofia é exercício constante de questionamento e busca pelo sentido, capacitando indivíduos a agirem de maneira consciente e responsável diante das complexidades do mundo contemporâneo.

 

No contexto educacional, a Filosofia amplia horizontes intelectuais ao promover o debate de ideias e a problematização dos valores vigentes. Por meio de autores clássicos e modernos, como Sócrates, Platão, Aristóteles, Kant e tantos outros, o estudante é desafiado a refletir criticamente sobre questões éticas, políticas, epistemológicas e existenciais. Tal abordagem não se limita à mera transmissão de conteúdos, mas envolve o incentivo ao diálogo, ao respeito à diversidade de opiniões e à busca da verdade através da argumentação fundamentada. Assim, o ensino filosófico fortalece competências essenciais para o exercício da cidadania, como o pensamento crítico, a autonomia intelectual e a capacidade de análise dos contextos sociais.

 

Ademais, a Filosofia, ao desenvolver a argumentação lógica e o raciocínio dedutivo, contribui para a formação de indivíduos aptos a interpretar diferentes realidades e a tomar decisões fundamentadas. Em uma sociedade marcada pela pluralidade de informações e opiniões, a habilidade de analisar argumentos, identificar falácias e formular juízos ponderados torna-se indispensável. O professor de Filosofia, nesse cenário, transforma-se em mediador do conhecimento, estimulando o protagonismo dos alunos e promovendo a emancipação intelectual que ultrapassa os limites da sala de aula.

 

Conclui-se que a Licenciatura em Filosofia desempenha papel estratégico na formação do cidadão crítico, reflexivo e ético, pronto para enfrentar os desafios da contemporaneidade. Além de transmitir conhecimentos teóricos, a Filosofia estimula o questionamento, a busca pelo sentido e a postura ativa diante da vida e da sociedade. Portanto, investir no ensino filosófico é investir na construção de uma sociedade mais justa, consciente e comprometida com os princípios democráticos.

 

Acimarley Freitas