Garçom
Lá está ele…
Pronto a servir.
Olhar atento,
gentileza no falar,
sabedoria silenciosa
de quem aprendeu a observar.
Com educação orienta,
sem jamais invadir.
Não força presença,
mas sabe existir.
Cliente indeciso,
ele percebe no olhar.
Uma dica delicada
consegue entregar.
Há algo curioso em seu dom:
escuta o que ninguém diz.
Lê silêncios nas mesas,
sorrisos por um triz.
Agilidade é seu lema,
mas sensibilidade também.
Enquanto leva pedidos,
carrega histórias além.
Ouve risos, discussões,
confissões ao telefone,
amores começando,
corações sem nome.
Às vezes é destratado,
outras vezes nem é visto.
Como se servir pessoas
fosse algo automático e previsto.
Mas ainda assim permanece.
Na ética do servir,
segue firme entre bandejas,
mesmo cansado de sorrir.
Já serviu tanta gente
que às vezes esqueceu de si.
Esqueceu que também possui sonhos,
medos guardados aqui.
Há dias em que uma gorjeta
vale o almoço do mês.
Outros… vale apenas
a sensação de escassez.
Mesmo assim ele continua.
Passos rápidos pelo salão.
Enquanto o mundo se alimenta,
ele disfarça a exaustão.
Talvez a vida tenha dessas ironias:
quem mais acolhe,
muitas vezes quase nunca
recebe companhia.
Essa é minha homenagem
a todos os garçons.
Aos que servem café,
esperança
e atenção.
E no meio de tantos pedidos,
talvez esteja faltando uma pergunta simples,
mas profundamente humana:
— Garçom… qual é o seu nome?
Por Acimarley Freitas