Psicologa Organizacional

13 de agosto de 2026



Amo meus filhos, mas odeio ser mãe

 

Há frases que assustam porque parecem não combinar com aquilo que aprendemos a chamar de amor.

 

“Amo meus filhos, mas odeio ser mãe.”

 

Quando uma mulher pronuncia essa frase, quase sempre existe alguém pronto para julgá-la. Afinal, fomos ensinados a imaginar que a maternidade deveria ser sinônimo de realização, plenitude, entrega, instinto e felicidade permanente. A mãe deveria amar sem limites, cuidar sem reclamar, suportar sem se cansar e sorrir mesmo quando estivesse exausta.

 

Mas o ser humano não é feito de sentimentos puros.

 

Somos feitos de contradições.

 

E talvez uma das tarefas mais difíceis da existência seja aprender que sentimentos aparentemente opostos podem morar na mesma casa.

 

Uma mãe pode amar profundamente seus filhos e, ao mesmo tempo, sentir raiva da rotina, do excesso de responsabilidades, da perda de liberdade, da cobrança social, da solidão, do cansaço e da sensação de ter deixado partes de si mesma pelo caminho.

 

Ela pode olhar para uma criança dormindo e sentir uma ternura indescritível.

 

E, algumas horas antes, ter pensado:

 

“Eu não aguento mais.”

 

Isso não necessariamente é falta de amor.

 

Às vezes, é excesso de peso.

 

O amor não elimina a ambivalência

 

A Psicologia há muito tempo nos ensina que os afetos humanos são mais complexos do que as categorias “bom” e “ruim”.

 

Donald Winnicott, ao falar da experiência materna, rompeu com a fantasia da mãe perfeita. A própria ideia de uma “mãe suficientemente boa” já contém uma provocação: a criança não precisa de uma mãe idealizada, mas de uma pessoa real, limitada, humana, capaz de cuidar e também de reconhecer seus próprios limites.

 

A maternidade, portanto, não transforma uma mulher em santa.

 

Ela continua sendo mulher.

 

Continua tendo desejos, projetos, necessidades, frustrações, sexualidade, cansaço, sonhos, raiva, medo e necessidade de silêncio.

 

Carl Rogers nos ajudaria a olhar para essa experiência sem começar pelo julgamento. Antes de perguntar “que tipo de mãe pensa assim?”, talvez fosse necessário perguntar:

 

“Como é viver dentro dessa mulher?”

 

Essa pergunta muda tudo.

 

Porque, quando alguém consegue dizer “eu amo meus filhos, mas odeio ser mãe”, talvez esteja tentando comunicar algo muito mais profundo:

 

“Eu amo meus filhos, mas não estou suportando a maneira como estou vivendo a maternidade.”

 

E existe uma diferença enorme entre essas duas afirmações.

 

A sociedade também fabrica a culpa

 

A Sociologia nos permite ampliar o olhar.

 

A maternidade não acontece no vazio. Ela acontece dentro de uma sociedade que distribui papéis, expectativas e responsabilidades.

 

Durante séculos, muitas culturas ensinaram que cuidar seria naturalmente uma tarefa feminina. A mulher deveria administrar a casa, acompanhar os filhos, organizar a rotina, lembrar das consultas, preparar refeições, administrar emoções, conciliar trabalho e família e, ainda por cima, parecer feliz.

 

Quando alguma coisa dá errado, frequentemente a pergunta é:

 

“Cadê a mãe?”

 

Poucas vezes perguntamos:

 

“Cadê a rede de apoio?”

 

“Como está dividida a responsabilidade?”

 

“Quanto essa mulher dorme?”

 

“Quem cuida de quem cuida?”

 

É aqui que o problema deixa de ser exclusivamente individual.

 

Uma mulher pode estar sofrendo não porque “não nasceu para ser mãe”, mas porque está tentando cumprir sozinha uma função que deveria ser compartilhada por família, comunidade, políticas públicas e sociedade.

 

O sociólogo poderia nos lembrar que aquilo que parece uma experiência exclusivamente privada também pode possuir raízes sociais.

 

O sofrimento individual, muitas vezes, carrega marcas coletivas.

 

A Filosofia pergunta: quem disse que a maternidade deveria ser assim?

 

A Filosofia tem uma pergunta incômoda:

 

Quem escreveu o roteiro que estamos tentando seguir?

 

Quem determinou que uma boa mãe não pode desejar ficar sozinha?

 

Quem decidiu que amor verdadeiro não pode coexistir com irritação?

 

Quem decretou que cuidar significa desaparecer?

 

Talvez Simone de Beauvoir nos ajudasse a perceber que muitos papéis atribuídos às mulheres não são simplesmente “naturais”; são também construções históricas e culturais.

 

E talvez Sócrates nos lembrasse da importância de examinar aquilo que recebemos como verdade.

 

Se uma mulher diz:

 

“Eu amo meus filhos, mas odeio ser mãe”,

 

talvez a primeira atitude filosófica não seja condená-la.

 

Talvez seja perguntar:

 

O que exatamente ela chama de “ser mãe”?

 

Ela odeia os filhos?

 

Ou odeia não ter tempo para si?

 

Odeia cuidar?

 

Ou odeia cuidar sozinha?

 

Odeia a maternidade?

 

Ou odeia a expectativa de ser perfeita?

 

Odeia seus filhos?

 

Ou está simplesmente cansada?

 

Entre uma pergunta e outra existe um universo psicológico inteiro.

 

E a Teologia?

 

A Teologia também precisa aprender a lidar com a humanidade sem transformar toda contradição em pecado.

 

A Bíblia nunca apresentou seres humanos emocionalmente lineares.

 

Elias teve medo.

 

Davi chorou.

 

Jó questionou.

 

Jeremias lamentou.

 

Jesus, diante da dor, também experimentou angústia.

 

As Escrituras não escondem a dimensão vulnerável da existência.

 

Talvez porque a fé não seja a negação da humanidade.

 

Talvez seja justamente a possibilidade de encontrar sentido dentro dela.

 

Amar não significa nunca sentir raiva.

 

Ter fé não significa nunca questionar.

 

Ser mãe não significa nunca desejar fugir.

 

A maturidade espiritual talvez esteja menos em esconder sentimentos e mais em aprender a atravessá-los sem permitir que eles destruam aquilo que amamos.

 

Porque sentimento não é sentença.

 

Sentir não é necessariamente escolher.

 

Pensar não é necessariamente fazer.

 

Ter raiva não significa agredir.

 

Desejar silêncio não significa abandonar.

 

Sentir-se cansada não significa ser uma mãe ruim.

 

Mas também precisamos ter responsabilidade: quando o sofrimento é intenso, persistente e começa a comprometer o cuidado, a segurança, os vínculos ou a própria vida da mulher, não devemos romantizá-lo.

 

É preciso pedir ajuda.

 

O mistério dos afetos humanos

 

Talvez seja aqui que a linguagem encontre seus próprios limites.

 

A palavra “amor” parece pequena demais para explicar tudo aquilo que sentimos.

 

Amamos e nos irritamos.

 

Desejamos proximidade e, às vezes, precisamos de distância.

 

Queremos cuidar e, simultaneamente, queremos ser cuidados.

 

Sentimos gratidão e cansaço.

 

Ternura e raiva.

 

Orgulho e culpa.

 

Presença e vontade de desaparecer por algumas horas.

 

O ser humano é paradoxal.

 

E a literatura sempre soube disso.

 

Fernando Pessoa escreveu que o poeta é um fingidor, não porque necessariamente minta, mas porque a experiência humana é complexa demais para caber numa única expressão.

 

Talvez a maternidade também seja assim.

 

Existem mães felizes.

 

Existem mães exaustas.

 

Existem mães arrependidas.

 

Existem mães apaixonadas pelos filhos e profundamente frustradas com a própria experiência materna.

 

Existem mães que encontraram na maternidade um sentido.

 

E existem mulheres que amam seus filhos, mas sentem que perderam uma parte de si mesmas depois que se tornaram mães.

 

Tudo isso pode coexistir.

 

É normal?

 

A palavra “normal” precisa ser usada com cuidado.

 

Sentir ambivalência na maternidade é uma experiência humana possível e não transforma automaticamente uma mulher em alguém doente ou inadequado.

 

Mas “ser possível” não significa que todo sofrimento deva ser simplesmente suportado.

 

É preciso compreender sua intensidade, frequência, contexto e consequências.

 

É diferente dizer:

 

“Estou exausta e, às vezes, odeio essa rotina.”

 

de dizer:

 

“Não consigo mais estabelecer vínculo com meu filho, não encontro sentido na vida e tenho pensamentos persistentes de machucá-lo ou desaparecer.”

 

São experiências que exigem leituras e cuidados diferentes.

 

Por isso, a Psicologia Clínica não deveria entrar nessa história carregando um martelo para bater o carimbo de “normal” ou “anormal”.

 

Ela entra com escuta.

 

Com presença.

 

Com acolhimento.

 

Com responsabilidade.

 

E, principalmente, com perguntas.

 

A clínica não condena o afeto; ela o compreende

 

Na clínica psicológica, não precisamos começar dizendo:

 

“Você não pode sentir isso.”

 

Podemos começar dizendo:

 

“Vamos tentar compreender isso.”

 

Porque aquilo que é empurrado para a sombra frequentemente retorna de formas mais dolorosas.

 

A mulher que não pode dizer “estou cansada” talvez diga através do corpo.

 

A que não pode admitir raiva talvez transforme a raiva em culpa.

 

A que acredita precisar ser perfeita talvez viva permanentemente fracassando diante de um ideal impossível.

 

A que não encontra espaço para si pode começar a desejar desaparecer.

 

A Psicologia Clínica escuta, acolhe, provoca e ajuda a ressignificar.

 

Não para ensinar a mulher a amar aquilo que ela não consegue amar.

 

Mas para ajudá-la a compreender o que existe por trás daquilo que sente.

 

Talvez exista luto pela antiga identidade.

 

Talvez exista solidão.

 

Talvez exista sobrecarga.

 

Talvez exista uma história familiar marcada por modelos de maternidade dolorosos.

 

Talvez exista depressão, ansiedade ou outro sofrimento psíquico que precise de avaliação profissional.

 

Talvez exista simplesmente uma mulher que precisa, pela primeira vez, poder dizer:

 

“Eu também preciso de alguém cuidando de mim.”

 

Entre o amor e o limite

 

Talvez uma das maiores violências contra a maternidade seja transformar o amor em obrigação de perfeição.

 

Filhos não precisam de mães perfeitas.

 

Precisam de adultos suficientemente disponíveis, responsáveis, afetivos e capazes de reconhecer seus limites e reparar seus erros.

 

Uma mãe pode errar.

 

Pode pedir desculpas.

 

Pode precisar de ajuda.

 

Pode dizer “hoje não estou bem”.

 

Pode precisar de algumas horas sozinha.

 

Pode amar os filhos e desejar uma vida que não seja exclusivamente definida pela maternidade.

 

Isso não diminui necessariamente seu amor.

 

Talvez apenas devolva a ela uma coisa que jamais deveria ter perdido:

 

a condição de ser pessoa.

 

Porque antes de ser mãe, existe uma mulher.

 

E antes de ser mulher, existe um ser humano.

 

Com história.

 

Com desejos.

 

Com feridas.

 

Com sonhos.

 

Com contradições.

 

Com uma subjetividade que não desaparece quando nasce um filho.

 

Talvez a pergunta precise mudar

 

Talvez não devêssemos perguntar:

 

“Como uma mãe pode dizer que ama os filhos e odeia ser mãe?”

 

Talvez devêssemos perguntar:

 

“O que está acontecendo na vida dessa mulher para que amar seus filhos esteja convivendo com tanto sofrimento?”

 

Essa pergunta não absolve nem condena.

 

Ela compreende.

 

E compreender não significa concordar com tudo.

 

Compreender significa procurar a raiz antes de julgar o fruto.

 

A Psicologia nos ensina a escutar.

 

A Sociologia nos ensina a enxergar as estruturas.

 

A Filosofia nos ensina a questionar as certezas.

 

A Teologia nos convida a olhar para a fragilidade humana sem abandonar a esperança.

 

E as Letras nos lembram que, às vezes, uma única frase carrega uma biblioteca inteira de dores.

 

“Amo meus filhos, mas odeio ser mãe.”

 

Talvez essa frase não seja uma declaração de ausência de amor.

 

Talvez seja um pedido de socorro disfarçado de confissão.

 

Talvez seja uma mulher tentando separar duas coisas que a sociedade colocou dentro da mesma palavra:

 

ser mãe e deixar de ser ela mesma.

 

E talvez a verdadeira transformação comece quando alguém finalmente se senta ao lado dela sem escândalo, sem sermão, sem condenação e pergunta:

 

“Eu estou aqui. Pode me contar. O que exatamente você está vivendo?”

 

Porque, às vezes, o caminho para ressignificar um afeto não começa tentando mudá-lo.

 

Começa tendo coragem de escutá-lo.

 

Acimarley Freitas

Psicólogo Clínico e professor


 


Toda Mulher Guarda um Universo que Não se Revela de Uma Só Vez

 

Há pessoas que passam pela vida como quem atravessa uma sala.

 

Chegam, olham, conversam, sorriem e vão embora.

 

E há mulheres.

 

Não porque sejam mais difíceis de compreender do que os homens, mas porque, muitas vezes, carregam dentro de si uma quantidade de histórias que não cabem naquilo que mostram.

 

Talvez por isso alguns homens olhem para uma mulher e pensem que precisam desvendá-la.

 

Como se ela fosse um enigma.

 

Como se houvesse uma resposta escondida em algum lugar.

 

Como se bastasse descobrir a combinação certa de palavras para abrir todas as portas.

 

Mas não é assim.

 

Uma mulher não é um mistério esperando por alguém que venha solucioná-la.

 

Ela é uma história acontecendo.

 

E histórias não se desvendam à força.

 

Leem-se.

 

Com paciência.

 

Com presença.

 

Com escuta.

 

Com respeito.

 

Há mulheres que aprenderam a sorrir enquanto choravam por dentro.

 

Outras se tornaram fortes porque a vida não lhes ofereceu muitas oportunidades para serem frágeis.

 

Há aquelas que parecem independentes, mas gostariam de encontrar alguém diante de quem não precisassem ser fortes o tempo inteiro.

 

Há mulheres que falam muito porque precisam ser ouvidas.

 

E há aquelas que se calam porque, em algum momento da vida, descobriram que ninguém realmente queria escutar.

 

Há mulheres que amam intensamente.

 

Outras aprenderam a amar com cuidado.

 

Algumas entregam o coração rapidamente.

 

Outras passaram tanto tempo reconstruindo os pedaços de si mesmas que agora observam antes de confiar.

 

E talvez exista uma coisa que muitos esquecem:

 

Cada mulher carrega uma história que começou muito antes de qualquer relacionamento.

 

Antes do namorado.

 

Antes do marido.

 

Antes dos filhos.

 

Antes da profissão.

 

Antes dos títulos.

 

Houve uma menina.

 

Uma menina que sonhou.

 

Que teve medo.

 

Que desejou ser aceita.

 

Que talvez tenha ouvido palavras que nunca deveria ter ouvido.

 

Que talvez tenha recebido abraços que ainda hoje moram em sua memória.

 

Que aprendeu, pouco a pouco, o significado de ser mulher em um mundo que tantas vezes tentou dizer a ela quem deveria ser.

 

Por isso, quando alguém encontra uma mulher, não encontra apenas o presente.

 

Encontra também memórias.

 

Experiências.

 

Feridas.

 

Desejos.

 

Esperanças.

 

Contradições.

 

E uma infinidade de coisas que não aparecem na primeira conversa.

 

É por isso que conhecer alguém exige tempo.

 

Não basta saber sua comida preferida.

 

Nem sua música.

 

Nem o lugar onde gosta de viajar.

 

Conhecer alguém é perceber o que acontece quando ela está triste.

 

É perceber como seus olhos mudam quando fala de algo que ama.

 

É compreender seus silêncios sem transformá-los imediatamente em acusações.

 

É saber que, algumas vezes, “está tudo bem” significa exatamente isso.

 

Mas, em outras, significa:

 

“Eu ainda não sei como explicar o que estou sentindo.”

 

E talvez amar seja justamente oferecer espaço para que a explicação possa nascer.

 

Porque algumas pessoas querem respostas imediatas.

 

Querem saber:

 

“Por que você está assim?”

 

“Por que mudou?”

 

“Por que está distante?”

 

“Por que não fala?”

 

Mas nem toda emoção chega organizada.

 

Existem sentimentos que precisam primeiro ser sentidos para depois serem compreendidos.

 

A Psicologia sabe disso.

 

A Filosofia também.

 

E a vida ensina diariamente.

 

O ser humano não é uma equação matemática.

 

Não existe uma fórmula capaz de explicar completamente alguém.

 

E talvez essa seja uma das belezas dos relacionamentos.

 

Nunca terminamos de conhecer verdadeiramente quem amamos.

 

Sempre existe uma nova camada.

 

Uma nova descoberta.

 

Um novo medo que aparece.

 

Um novo sonho que nasce.

 

Uma nova versão daquela pessoa que chega com o tempo.

 

É como observar o mar.

 

Podem passar anos olhando para ele e, ainda assim, nunca conhecerão todas as profundezas.

 

Com as pessoas acontece algo semelhante.

 

Há profundidades que não aparecem na superfície.

 

E há mulheres que passaram tanto tempo tentando sobreviver que ninguém percebeu o quanto gostariam, simplesmente, de poder descansar.

 

Descansar de agradar.

 

Descansar de provar.

 

Descansar de parecer forte.

 

Descansar da obrigação de estar sempre bonita, sempre disponível, sempre compreensiva, sempre pronta.

 

Talvez uma das formas mais bonitas de amar uma mulher seja permitir que ela seja humana.

 

Que tenha dias bons e ruins.

 

Que mude de opinião.

 

Que diga não.

 

Que estabeleça limites.

 

Que chore.

 

Que ria alto.

 

Que tenha medo.

 

Que seja contraditória.

 

Que seja inteira.

 

Porque amor não deveria ser uma tentativa de moldar alguém.

 

Amor deveria ser encontro.

 

E encontro verdadeiro não acontece quando uma pessoa tenta transformar a outra naquilo que gostaria que ela fosse.

 

Acontece quando duas pessoas conseguem dizer:

 

“Eu vejo você.”

 

Não apenas a aparência.

 

Não apenas o sorriso.

 

Não apenas aquilo que você oferece.

 

Eu vejo você.

 

Vejo sua história.

 

Vejo suas lutas.

 

Vejo suas imperfeições.

 

Vejo suas forças.

 

E, mesmo sem compreender tudo, escolho respeitar aquilo que ainda não conheço.

 

Talvez seja esse o verdadeiro mistério de uma mulher.

 

Não aquilo que ela esconde.

 

Mas aquilo que ainda está descobrindo sobre si mesma.

 

Porque ninguém chega ao fim da própria história completamente decifrado.

 

Nem homens.

 

Nem mulheres.

 

Somos todos territórios em construção.

 

Todos carregamos quartos dentro da alma onde nem nós mesmos entramos com frequência.

 

Por isso, talvez não precisem tentar desvendar uma mulher.

 

Caminhem ao lado dela.

 

Escutem.

 

Observem.

 

Perguntem.

 

Respeitem.

 

Tenham paciência.

 

Porque algumas das coisas mais bonitas que alguém pode descobrir sobre outra pessoa não aparecem quando se procura desesperadamente por respostas.

 

Aparecem quando existe confiança suficiente para que o outro finalmente diga:

 

“Agora posso mostrar quem sou.”

 

E quando isso acontece, talvez percebam que nunca estiveram diante de um mistério.

 

Estavam diante de um universo.

 

E universos não foram feitos para serem conquistados.

 

Foram feitos para serem contemplados, respeitados e conhecidos, pouco a pouco.

 

Acimarley Freitas