Psicologa Organizacional

6 de maio de 2026

 


Não é coisa de louco: uma conversa que pode mudar tudo

 

Outro dia, sentado no consultório, entre um atendimento e outro, me peguei pensando nas histórias que nunca chegaram até mim.

Sim… histórias que ficaram do lado de fora.
Histórias interrompidas por um pensamento silencioso:
“Psicólogo não é pra mim.”

E eu confesso… isso sempre me inquieta.

Sou Acimarley Freitas, psicólogo, e hoje quero conversar com você não como especialista distante, mas como alguém que escuta, todos os dias, o peso que muita gente carrega sozinha… por acreditar em ideias que nem sempre são verdadeiras.

Vivemos na era da informação.
Mas, curiosamente, também vivemos na era dos equívocos bem vestidos de verdade.

Quantas vezes você já ouviu, ou até pensou, que psicoterapia é “coisa de gente fraca”?
Ou que “quem vai ao psicólogo é porque está louco”?
Ou ainda: “eu dou conta sozinho”?

E talvez a mais perigosa de todas:
“não está tão ruim assim…”

A questão é que a dor não precisa gritar para ser legítima.

No silêncio da rotina, muita gente vai aprendendo a engolir sentimentos. Vai adiando conversas internas. Vai sobrevivendo… quando poderia estar vivendo com mais leveza.

E aqui vai uma verdade simples, mas libertadora:
ir ao psicólogo não é um sinal de fraqueza, é um ato de coragem.

Coragem de olhar para dentro.
Coragem de se escutar de verdade.
Coragem de admitir que, às vezes, a gente precisa de ajuda para organizar o que sente.

Outro mito comum é imaginar que o psicólogo vai dar conselhos prontos, como quem entrega respostas numa bandeja.


Mas não… a psicoterapia não é sobre isso.

Ela é um espaço.


Um encontro.


Um lugar onde você pode ser quem é, sem máscaras, sem julgamentos, sem precisar parecer forte o tempo todo.

Na Abordagem Centrada na Pessoa, que guia meu trabalho, acreditamos que você já carrega dentro de si recursos valiosos.


A terapia não cria você… ela revela você.

E talvez seja por isso que tanta gente tem medo.
Porque se encontrar… nem sempre é confortável.

Mas é transformador.

 

Outro dia, um cliente me disse:
“Eu achava que vir aqui era sinal de que eu tinha perdido o controle… hoje percebo que foi a primeira vez que comecei a assumir ele.”

 

E essa frase ficou.

Porque, no fundo, o maior mito sobre a psicoterapia…
é pensar que ela é sobre fraqueza.

Quando, na verdade, ela é sobre verdade.

Sobre se permitir sentir.


Sobre entender suas escolhas.


Sobre ressignificar dores.


Sobre aprender a viver com mais consciência.

E eu te pergunto, com respeito e sinceridade:

 

quantas decisões você tem tomado baseado em mitos… e não naquilo que você realmente precisa?

Talvez você não precise esperar “ficar pior”.
Talvez você não precise dar conta de tudo sozinho.
Talvez você só precise… começar.

A psicoterapia não é um fim.


É um caminho.

E, quem sabe, o primeiro passo não seja resolver tudo…
mas apenas permitir-se conversar.

 



Entre Alianças, Ausências e Liberdade: Confissões de Quem Aprendeu a Ser “À Toa”



Já fui solteiro.
Já fui casado.
Já fui divorciado.
E hoje… sou “à toa”.

Mas não se engane com a leveza dessa expressão.
Ser “à toa”, para mim, não é ausência de propósito — é presença de consciência.

Na juventude da solteirice, havia um mundo inteiro pulsando diante de mim. Liberdade com gosto de novidade. Madrugadas que pareciam eternas, risos que ecoavam sem compromisso, decisões tomadas no impulso de quem ainda não conhecia o peso das consequências. Ser solteiro é, ao mesmo tempo, um voo e uma vertigem. A gente experimenta o doce da autonomia… e, às vezes, o amargo da solidão silenciosa que chega sem avisar.

Depois, fui casado.
Ah… o casamento.

Uma construção diária entre o amor e o atrito. Entre o “nós” e o “eu”. Há beleza em dividir a vida — no café compartilhado, nos planos traçados a dois, na sensação de ter um porto seguro. Mas há também os desencontros, os silêncios mal interpretados, as expectativas não ditas que se tornam cobranças. Casar é aprender que amar não basta… é preciso sustentar, dialogar, ceder, crescer. E nem sempre estamos prontos para isso.

Então, fui divorciado.
E o divórcio… é um tipo peculiar de espelho.

Ele nos obriga a encarar o que fomos, o que não fomos e o que jamais seremos naquela história. Há dor, há ruptura, há um certo luto pelo que poderia ter sido. Mas também há libertação. Um recomeço que chega tímido, pedindo licença, enquanto a gente tenta reorganizar os pedaços da própria identidade.

E hoje… sou “à toa”.

Acordo, trabalho, ganho meu dinheiro, organizo minhas coisas, cuido de mim. Rio sozinho, penso demais, às vezes me perco em lembranças que aquecem… outras que ainda apertam. Olho para trás e, confesso, dou risada. Não de deboche, mas de entendimento. Como quem finalmente compreende a própria história.

Há momentos de saudade, sim.
Mas há, sobretudo, uma pergunta que ecoa:
quanto tempo eu perdi tentando caber em expectativas que não eram minhas?

Ser “à toa” é, para mim, um estilo de vida que muitos não compreendem.
É viver em paz com a própria rotina.
É não precisar provar nada a ninguém.
É escolher o silêncio quando o mundo exige barulho.
É ter liberdade sem culpa e companhia sem dependência.

Curiosamente, muitos olham e não entendem.
Confundem paz com vazio.
Independência com solidão.
Escolha com fuga.

Mas há uma diferença profunda entre estar perdido… e estar livre.

Hoje, eu não fujo da vida.
Eu a encaro — com menos pressa, menos ilusão e mais verdade.

E talvez o maior desafio não seja casar, divorciar ou permanecer solteiro.
O maior desafio é este:

em qual dessas versões de si mesmo você está vivendo… por escolha, e não por medo?

Porque, no fim, não é sobre o estado civil.
É sobre o estado de consciência.

E você…
tem vivido por decisão… ou apenas tem acontecido para si mesmo?

 

29 de abril de 2026

 




Mãe: nome que não se divide

 

Por Acimarley Freitas – Psicólogo Clínico

 

Foi uma perícia psicológica, mais uma entre tantas que fazem parte da minha rotina profissional. Ainda assim, como tantas outras vezes, aquele encontro carregava algo de singular. Era uma jovem senhora de 43 anos, moradora do interior desse Brasil tão vasto e, por vezes, tão desafiador. Havia em seu olhar uma mistura de cansaço e dignidade, como quem já enfrentou muito, mas decidiu continuar.

 

Durante a entrevista, sua fala fluía com naturalidade. Em meio à sua narrativa, ela sorriu e disse, quase com leveza: “É, Acimarley… eu sou mãe solo”. A expressão, dita de forma simples, teve em mim um efeito profundo. Não passou despercebida,  atravessou. Com cuidado, perguntei o que significava, para ela, ser uma mãe solo.

 

Ela então explicou: era mãe solteira. Disse que foi mãe, pai, provedora, educadora. Que trabalhou muito para criar o filho. Reconheceu que a sociedade costuma julgar mulheres como ela, mas afirmou, com uma serenidade que impressionava: “Eu sou uma mãe solo e sou feliz”.

 

Seguimos com o processo, como exige a técnica e a ética profissional. Ao final, fiz o encaminhamento necessário. No entanto, mesmo após o término da perícia, aquela fala permaneceu em mim. Ao longo do dia, a expressão “mãe solo” ecoava, como um convite silencioso à reflexão.

 

Passei a pensar nos caminhos que aquela mulher percorreu. Nos desafios enfrentados, muitos deles invisíveis aos olhos alheios. Nas dificuldades financeiras, nas escolhas difíceis, nas noites em que talvez tenha precisado ser forte mesmo estando cansada. Pensei também na ausência de escuta que tantas mulheres vivem, julgadas antes de serem compreendidas, rotuladas antes de serem acolhidas.

 

E então, em meio a essas reflexões, algo se reorganizou dentro de mim. Questionei, em silêncio: “Mãe solo?”. E a resposta veio quase como uma constatação simples, porém profunda: não. Mãe.

 

Porque, no fundo, não existem categorias capazes de definir o que é ser mãe. Os rótulos:  solteira, casada, viúva, adotiva são construções sociais que tentam organizar realidades complexas. Mas a experiência de maternar ultrapassa essas classificações. Ela é inteira, atravessada por cuidado, presença, renúncia e amor.

 

Talvez o que falte, muitas vezes, seja disposição para escutar essas histórias com mais humanidade. Para reconhecer que, por trás de cada termo, existe uma vida marcada por escolhas, lutas e afetos que não cabem em definições simplistas.

 

Naquele dia, eu realizei uma perícia psicológica. Mas, para além do procedimento técnico, vivi um encontro que me convidou a rever conceitos e ampliar meu olhar. Desde então, algo em mim passou a compreender com mais profundidade que, quando falamos de amor, especialmente o amor de uma mãe, não há categorias que deem conta.

 

Existe, simplesmente, mãe.


 


Eu preciso da falta

 

Por Acimarley Freitas, Psicólogo Clínico

 

Há dias em que tudo parece estar no lugar.

 

O diploma na parede, o trabalho conquistado, os títulos que chegaram com esforço graduação, mestrado, talvez até um doutorado. Há também os afetos: a pessoa amada, os vínculos familiares, as amizades que sustentam. As viagens feitas, os bens adquiridos, os planos realizados. Tudo isso compõe aquilo que, por muito tempo, chamamos de “projeto de vida”.

 

E, ainda assim… algo falta.

 

Não é uma falta concreta, daquelas que conseguimos nomear com precisão. Não é necessariamente a ausência de dinheiro, de amor ou de oportunidades. É uma sensação mais sutil, quase silenciosa, mas profundamente presente. Uma espécie de vazio que não grita, mas também não se cala.

 

E então surgem as perguntas:

“Por que me sinto assim, se tenho tudo?”

“Será que me falta fé?”

“Será que estou sendo ingrato?”

 

Mas talvez… talvez a questão não seja eliminar essa falta.

 

Talvez seja compreendê-la.

 

Ao longo da minha caminhada como psicólogo, e também como alguém que sente, que vive e que busca, tenho aprendido que essa sensação não é um defeito da existência. Pelo contrário, ela é parte essencial dela.

 

A falta não é apenas ausência.

A falta é movimento.

 

Na perspectiva da psicologia, especialmente em diálogos com a psicanálise, compreendemos que o ser humano é marcado por um desejo que nunca se satisfaz completamente. Não porque algo esteja errado, mas porque é justamente esse “não preenchimento total” que nos impulsiona a continuar. Se estivéssemos plenamente completos, não haveria motivo para caminhar, sonhar, criar ou amar.

 

Na filosofia, essa inquietação também aparece como condição humana. Somos seres inacabados, em constante construção. E, na teologia, essa falta muitas vezes é interpretada como um espaço onde o transcendente se insinua não como um vazio a ser eliminado, mas como um convite à busca de sentido.

 

Percebe?

 

Aquilo que você chama de “falta” pode ser, na verdade, o que te mantém vivo por dentro.

 

É ela que te faz levantar em dias difíceis.

É ela que te move a buscar algo além do que já conquistou.

É ela que te lembra, de forma sutil, que a vida não é um ponto de chegada, mas um caminho em constante transformação.

 

O problema não está em sentir a falta.

O sofrimento começa quando acreditamos que não deveríamos senti-la.

 

Quando tentamos preenchê-la a qualquer custo.

Quando nos culpamos por ela.

Quando a interpretamos como fracasso.

 

Mas e se, ao invés disso, você pudesse olhar para essa sensação com mais gentileza?

 

E se você pudesse dizer a si mesmo:

Isso que sinto faz parte de ser humano.”

 

A falta não precisa ser sua inimiga.

Ela pode ser sua orientadora.

 

Ela não te diminui, ela te direciona.

 

Talvez você não precise correr para preencher esse espaço agora.

Talvez precise apenas escutá-lo.

 

Porque, no fundo, a grande verdade da vida é essa: não somos feitos para a completude estática, mas para o movimento contínuo do vir a ser.

 

E, de alguma forma paradoxal, é justamente a falta que nos permite continuar.

 

✨ Se esse texto falou ao seu coração, compartilhe com alguém que também precise escutar isso hoje.

💬 Se quiser conversar sobre isso, estou por aqui.

🙏 Que Deus continue guiando os seus passos com amor e propósito.

 

 

 

Referências Bibliográficas

 

BAUMAN, Zygmunt. Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

 

FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. Petrópolis: Vozes, 2008.

 

FREUD, Sigmund. O Mal-Estar na Civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

 

LACAN, Jacques. O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

 

ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

 

MAY, Rollo. O Homem à Procura de Si Mesmo. Rio de Janeiro: Vozes, 1982.

 

AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Paulus, 2017.


28 de abril de 2026

 



Infância, abandono parental e formação do conceito de amor: implicações para o desenvolvimento da personalidade e dos vínculos afetivos à luz da Abordagem Centrada na Pessoa e de abordagens correlatas

 

O presente estudo tem como objetivo analisar os impactos do abandono parental na infância sobre a formação da personalidade e, especialmente, sobre a construção do conceito de amor ao longo da vida. Parte-se da compreensão de que crianças que vivenciam a ausência de figuras parentais significativas, ainda que posteriormente recebam cuidado de responsáveis substitutos, elaboram suas experiências afetivas de maneira singular, o que repercute diretamente na forma como desenvolvem seus vínculos interpessoais. Fundamentado na Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), proposta por Carl Rogers, e dialogando com outras abordagens psicológicas, como a teoria do apego e a psicanálise, este estudo adota uma metodologia qualitativa de natureza bibliográfica, com base em autores nacionais e internacionais de relevância. Os achados indicam que o abandono parental pode gerar marcas profundas na estrutura do self, influenciando a forma como o indivíduo percebe, oferece e recebe amor, repercutindo em suas relações afetivas ao longo da vida. Ainda assim, observa-se que a presença de vínculos reparadores e de contextos terapêuticos facilitadores pode favorecer a ressignificação dessas vivências.

A infância constitui um período fundamental para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social do indivíduo, sendo nesse estágio que se estabelecem as primeiras relações de apego, responsáveis por moldar a forma como a criança percebe a si mesma, ao outro e ao mundo. Nesse sentido, o abandono parental configura-se como uma experiência potencialmente traumática, capaz de impactar significativamente a formação da personalidade e a construção de vínculos afetivos ao longo da vida. Embora muitas crianças em situação de abandono venham a ser acolhidas por responsáveis substitutos, que lhes oferecem cuidado, proteção e afeto, permanece uma lacuna subjetiva relacionada à ausência das figuras parentais originais. Tal lacuna pode influenciar diretamente a forma como o indivíduo compreenderá o amor, bem como suas expectativas e comportamentos em relacionamentos futuros, como namoro, casamento, relações familiares e amizades. Assim, o presente estudo busca analisar, à luz da Abordagem Centrada na Pessoa e de outras perspectivas teóricas da psicologia, como se dá a construção do conceito de amor em indivíduos que vivenciaram o abandono parental na infância, considerando suas implicações para o desenvolvimento da personalidade e das relações interpessoais.

Nesse contexto, o objetivo geral deste trabalho consiste em analisar os efeitos do abandono parental na infância sobre a formação da personalidade e a construção do conceito de amor, enquanto, de forma específica, busca-se compreender o papel das primeiras relações afetivas no desenvolvimento da personalidade, investigar os impactos do abandono na estrutura psíquica, analisar a constituição do conceito de amor nesses sujeitos, discutir as repercussões dessas vivências nos relacionamentos ao longo da vida e identificar possibilidades de ressignificação por meio de vínculos reparadores e processos terapêuticos.

A metodologia adotada caracteriza-se como qualitativa, de natureza bibliográfica, fundamentada na análise de livros, artigos científicos e publicações acadêmicas. Foram utilizados autores de relevância nas áreas da psicologia humanista, psicanálise e teoria do apego, tais como John Bowlby, Donald Winnicott, além de contribuições nacionais como Mauro Martins Amatuzzi, Ana Mercês Bahia Bock e Luís Cláudio Figueiredo. A análise foi realizada por meio de leitura crítica e interpretação teórica, buscando integrar diferentes perspectivas sobre o desenvolvimento emocional e relacional.

A relevância deste estudo justifica-se pela necessidade de compreender os efeitos do abandono parental na infância, especialmente no contexto da prática clínica. Em uma sociedade marcada por rupturas familiares e múltiplas configurações de cuidado, torna-se fundamental investigar como essas experiências iniciais influenciam a vida emocional dos indivíduos. Assim, amplia-se o olhar sobre o desenvolvimento humano, considerando tanto os impactos das vivências adversas quanto as possibilidades de transformação e crescimento.

No campo teórico, John Bowlby destaca que os vínculos estabelecidos na infância com figuras cuidadoras são fundamentais para o desenvolvimento emocional saudável, sendo que sua ausência ou inconsistência pode gerar padrões de apego inseguros, influenciando negativamente a capacidade de estabelecer relações afetivas estáveis. Na perspectiva psicanalítica, Donald Winnicott enfatiza a importância de um ambiente suficientemente bom para o desenvolvimento do self, sendo que falhas nesse ambiente, como no abandono, podem comprometer a integração psíquica e a confiança no outro; contudo, o autor reconhece a possibilidade de experiências reparadoras ao longo da vida.

Por sua vez, a Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers, compreende o ser humano como dotado de uma tendência atualizante, isto é, uma capacidade inata de crescimento e realização. Entretanto, experiências de rejeição e abandono podem gerar incongruência entre o self real e o self ideal, distorcendo o conceito de amor, que passa a ser associado à dor, à perda ou à insegurança. Nessa direção, autores brasileiros como Mauro Martins Amatuzzi e Ana Mercês Bahia Bock reforçam que o amor é uma construção relacional, desenvolvida nas interações humanas. Assim, indivíduos que vivenciaram o abandono podem apresentar dificuldades em confiar, se entregar ou manter vínculos duradouros, ainda que exista um desejo profundo de serem amados.

Entretanto, é fundamental destacar que a presença de vínculos afetivos posteriores, como aqueles estabelecidos com responsáveis substitutos, amigos ou parceiros, pode atuar como fator de proteção e reparação. Além disso, o processo psicoterapêutico, especialmente quando fundamentado na Abordagem Centrada na Pessoa, pode oferecer um espaço seguro de escuta empática, aceitação incondicional e autenticidade, favorecendo a ressignificação das experiências e a reconstrução do conceito de amor.

Diante do exposto, conclui-se que o abandono parental na infância exerce influência significativa sobre a formação da personalidade e a construção do conceito de amor. Ainda que cuidadores substitutos possam oferecer suporte emocional, a ausência das figuras parentais originais pode deixar marcas subjetivas que se manifestam nos relacionamentos ao longo da vida. Contudo, à luz da Abordagem Centrada na Pessoa, reconhece-se que o indivíduo possui potencial para ressignificar suas experiências e desenvolver formas mais saudáveis de amar e se relacionar. Para isso, torna-se essencial a presença de vínculos empáticos, autênticos e acolhedores, tanto no contexto social quanto no terapêutico, promovendo, assim, crescimento, integração e autonomia.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AMATUZZI, Mauro Martins. O resgate da fala autêntica. Campinas: Papirus, 2001.

 

BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva, 2002.

 

BOWLBY, John. Apego e perda: apego. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

 

FIGUEIREDO, Luís Cláudio. Psicologia: uma introdução. São Paulo: EDUC, 1991.

 

ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1961.

 

ROGERS, Carl R. Um jeito de ser. São Paulo: EPU, 1983.

 

WINNICOTT, Donald W. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artmed, 1983.