Psicologa Organizacional

1 de março de 2026

 


O EU ATUALIZANTE NA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA: FUNDAMENTOS TEÓRICOS E INTERFACES COM A ESCUTA NA PRODUÇÃO BRASILEIRA

 

 

A Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), desenvolvida por Carl Rogers, fundamenta-se na concepção de que o ser humano possui uma tendência inata ao crescimento, à autonomia e à realização de suas potencialidades. Tal princípio, denominado tendência atualizante, constitui o núcleo motivacional da teoria rogeriana e sustenta a compreensão do que pode ser denominado eu atualizante, expressão que designa o movimento contínuo de desenvolvimento do self em direção à maior congruência e integração experiencial.

Na perspectiva rogeriana, o eu não é uma entidade fixa, mas um processo dinâmico de organização da experiência. O desenvolvimento do eu atualizante ocorre em contextos relacionais que favoreçam condições facilitadoras, especialmente empatia, consideração positiva incondicional e congruência.

No Brasil, a consolidação da ACP foi significativamente ampliada por autores como Mauro Amatuzzi, Virginia Moreira e Adriano Holanda, que aprofundaram a compreensão fenomenológica da experiência e da escuta clínica. Além disso, pesquisadores brasileiros que trabalham o conceito de escuta psicológica têm contribuído para a articulação entre teoria e prática clínica, reconhecendo a escuta como elemento estruturante do processo de atualização do eu.

Dessa forma, este estudo propõe analisar o conceito de eu atualizante na ACP, articulando-o às contribuições da produção científica brasileira acerca da escuta psicológica.

 

Analisar o conceito de eu atualizante na Abordagem Centrada na Pessoa, destacando suas implicações clínicas e sua relação com o conceito de escuta na produção teórica brasileira.

Descrever a tendência atualizante e sua relação com a constituição do self na teoria rogeriana; Examinar as condições facilitadoras do desenvolvimento do eu atualizante; Discutir as contribuições de autores brasileiros sobre a escuta como elemento promotor da atualização do eu.

 

O aprofundamento do conceito de eu atualizante apresenta relevância teórica e prática, pois permite compreender os fundamentos da mudança terapêutica na ACP. Em um contexto clínico marcado por demandas complexas e crescente sofrimento psíquico, torna-se imprescindível resgatar fundamentos que sustentem intervenções éticas e centradas na experiência do cliente.

No cenário brasileiro, a ampliação da escuta clínica como prática fundamentada em bases fenomenológicas e humanistas reforça a necessidade de integrar o conceito de atualização do eu às especificidades culturais e sociais do país. Assim, este estudo justifica-se pela contribuição à formação acadêmica e à qualificação da prática clínica em Psicologia.

 

Trata-se de pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter exploratório-descritivo. Foram analisadas obras clássicas de Carl Rogers, bem como produções de autores brasileiros reconhecidos na Psicologia Humanista e na discussão sobre escuta clínica.

As referências foram selecionadas com base em relevância acadêmica, circulação científica e consonância com a temática proposta, observando-se as diretrizes da ABNT NBR 6023:2018 para apresentação das referências e o sistema autor-data conforme ABNT NBR 10520:2023.

 

Tendência atualizante e constituição do eu

 

Segundo Carl Rogers (1951/1992), todo organismo possui uma tendência inerente à atualização, definida como impulso direcional para desenvolver capacidades e manter ou aprimorar o organismo. Essa tendência constitui a base do funcionamento psicológico saudável.

O eu, nesse contexto, emerge como uma configuração organizada de percepções acerca de si mesmo. Quando a experiência vivida é simbolizada de forma adequada à consciência, ocorre maior congruência entre experiência e autoconceito. O eu atualizante representa, portanto, o processo no qual o indivíduo se permite integrar experiências antes negadas ou distorcidas, ampliando sua autenticidade.

A incongruência surge quando experiências ameaçadoras ao autoconceito são negadas ou distorcidas, gerando ansiedade e desorganização interna. A função do contexto terapêutico consiste em oferecer condições facilitadoras para que o indivíduo possa reorganizar seu campo experiencial.

 

Escuta e atualização do eu na produção brasileira

 

No Brasil, Mauro Amatuzzi destaca que a escuta autêntica possibilita ao sujeito reconhecer sentidos implícitos em sua vivência, favorecendo o movimento de atualização. Para o autor, a escuta não é mera técnica, mas atitude fenomenológica de abertura à experiência do outro.

Virginia Moreira amplia essa compreensão ao integrar fundamentos fenomenológicos existenciais à ACP, ressaltando que o eu se constitui na relação e na historicidade do sujeito.

Adriano Holanda enfatiza a importância da escuta clínica como espaço intersubjetivo de validação da experiência, no qual o cliente pode reorganizar significados e promover crescimento psicológico.

Assim, a literatura brasileira converge ao reconhecer que a escuta empática e não julgadora constitui condição essencial para o florescimento do eu atualizante.

 

A análise teórica evidencia que o eu atualizante não deve ser compreendido como estado idealizado de perfeição, mas como processo contínuo de integração experiencial. A atualização do eu ocorre quando o indivíduo encontra ambientes relacionais que favoreçam autenticidade e aceitação.

As contribuições brasileiras ampliam a teoria rogeriana ao enfatizar dimensões culturais e contextuais da escuta, reconhecendo que a experiência humana é atravessada por fatores históricos e sociais. A escuta clínica, nesse sentido, configura-se como prática ética e política, ao legitimar a subjetividade do cliente.

Observa-se que o fortalecimento do eu atualizante depende menos de intervenções diretivas e mais da qualidade da relação terapêutica, corroborando a hipótese central da ACP acerca das condições necessárias e suficientes para a mudança terapêutica.

 

Conclui-se que o conceito de eu atualizante constitui elemento fundamental da Abordagem Centrada na Pessoa, representando o movimento intrínseco de desenvolvimento e integração do self.

A produção teórica brasileira reforça a centralidade da escuta como condição facilitadora desse processo, ampliando a compreensão da ACP no contexto sociocultural nacional.

Desse modo, reafirma-se que a prática clínica fundamentada na empatia, congruência e consideração positiva incondicional favorece a emergência de um eu mais integrado, autêntico e aberto à experiência.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AMATUZZI, Mauro Martins. O resgate da fala autêntica. Campinas: Papirus, 1989.

 

HOLANDA, Adriano Furtado. Fenomenologia e psicologia: diálogos e possibilidades. Curitiba: Juruá, 2014.

 

MOREIRA, Virginia. Psicopatologia crítica. São Paulo: Escuta, 2012.

 

ROGERS, Carl R. Terapia centrada no cliente. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

 

ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

 

ROGERS, Carl R. Um jeito de ser. São Paulo: EPU, 1983.

 

(Referências organizadas conforme ABNT NBR 6023:2018.)

 

 


O SELF SEGUNDO A ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA: CONTRIBUIÇÕES TEÓRICAS E INTERFACES COM O CONCEITO DE ESCUTA NA PSICOLOGIA BRASILEIRA

 

A compreensão do conceito de self ocupa posição central na teoria da personalidade desenvolvida por Carl Rogers, fundador da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). Para o autor, o self constitui-se como uma organização perceptual fluida e dinâmica, formada a partir das experiências vividas pelo organismo, especialmente aquelas simbolizadas na consciência. Essa organização estrutura a maneira como o indivíduo percebe a si mesmo e se relaciona com o mundo, influenciando diretamente seus processos de ajustamento psicológico.

No contexto contemporâneo da Psicologia brasileira, o estudo do self, articulado ao conceito de escuta, ganha relevância diante das demandas clínicas que exigem intervenções pautadas na ética, na empatia e na compreensão fenomenológica da experiência subjetiva. Autores brasileiros como Rogério Paes de Barros, Mauro Amatuzzi e José Célio Freire têm contribuído significativamente para a consolidação da escuta como instrumento técnico e atitude fundamental no exercício clínico, dialogando com os pressupostos rogerianos.

Dessa forma, investigar o conceito de self segundo a ACP e suas interfaces com a prática da escuta psicológica no cenário brasileiro configura-se como relevante aporte teórico e prático para a formação e atuação do psicólogo clínico.

Analisar o conceito de self na Abordagem Centrada na Pessoa, articulando-o com as contribuições de teóricos brasileiros acerca do conceito de escuta no contexto da prática psicológica.

Descrever a concepção de self segundo a teoria de Carl Rogers; Identificar a relação entre self, experiência e tendência atualizante na ACP;  Discutir as contribuições de autores brasileiros para a compreensão da escuta como elemento estruturante do desenvolvimento do self.

 

O estudo do self na perspectiva rogeriana apresenta relevância científica e social, uma vez que fundamenta práticas clínicas centradas na valorização da subjetividade e na promoção da autonomia do indivíduo. Em um cenário marcado por crescente sofrimento psíquico, torna-se imprescindível compreender como a escuta qualificada pode favorecer processos de reorganização do self e ampliação da consciência experiencial.

No Brasil, a consolidação da Psicologia Humanista e da ACP tem sido fortalecida por produções acadêmicas que reafirmam a centralidade da escuta empática como condição facilitadora de crescimento pessoal. Assim, esta investigação justifica-se pela necessidade de integrar fundamentos teóricos clássicos com contribuições contemporâneas da produção científica nacional.

 

O presente estudo caracteriza-se como pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e natureza exploratória. Foram analisadas obras clássicas de Carl Rogers, bem como produções científicas de autores brasileiros reconhecidos na área da Psicologia Humanista e da prática da escuta clínica.

A seleção das fontes considerou publicações indexadas, livros acadêmicos e artigos científicos que abordam o conceito de self e a escuta psicológica, priorizando materiais alinhados às normas vigentes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT NBR 6023:2018).

 

O conceito de self na Abordagem Centrada na Pessoa

 

Para Carl Rogers (1951/1992), o self refere-se a uma configuração organizada de percepções que o indivíduo tem de si mesmo, incluindo características, valores e relações. Trata-se de uma estrutura fenomenológica que emerge da interação entre o organismo e o ambiente.

O autor distingue entre o self real (experiencial) e o self ideal, sendo que a incongruência entre essas dimensões pode gerar sofrimento psicológico. A tendência atualizante, conceito central da ACP, representa a força motivacional inerente ao organismo humano para desenvolver suas potencialidades. Quando o indivíduo encontra um ambiente facilitador  caracterizado por empatia, consideração positiva incondicional e congruência ocorre maior integração do self.

 

A escuta como condição facilitadora do desenvolvimento do self

 

No contexto brasileiro, Mauro Amatuzzi enfatiza que a escuta fenomenológica possibilita ao sujeito reconhecer e simbolizar sua experiência, favorecendo a ampliação da consciência e a reorganização do self.

De modo semelhante, José Célio Freire destaca que a escuta clínica, quando pautada na empatia e na suspensão de julgamentos, cria um espaço intersubjetivo que legitima a experiência do cliente, promovendo crescimento psicológico.

Essas contribuições dialogam diretamente com a proposição rogeriana de que a mudança terapêutica ocorre quando o indivíduo se sente profundamente compreendido em sua experiência interna.

 

A análise do conceito de self na ACP evidencia que sua constituição não ocorre de forma isolada, mas em permanente relação com o outro. A escuta, nesse contexto, não se reduz a uma técnica, mas configura-se como atitude ética e epistemológica.

Os autores brasileiros revisados ampliam a compreensão rogeriana ao enfatizar a dimensão cultural e relacional da escuta no cenário nacional, reconhecendo que o desenvolvimento do self está imerso em contextos históricos e sociais específicos.

Observa-se que a incongruência, entendida como discrepância entre experiência e autoconceito, pode ser atenuada por meio de uma escuta que favoreça a simbolização adequada das vivências. Assim, a prática clínica fundamentada na ACP reafirma a centralidade da relação terapêutica como espaço privilegiado de transformação.

 

Conclui-se que o conceito de self, segundo Carl Rogers, constitui elemento estruturante da Abordagem Centrada na Pessoa, estando intrinsecamente relacionado à qualidade das relações interpessoais vivenciadas pelo indivíduo.

As contribuições de teóricos brasileiros reforçam a importância da escuta como condição facilitadora do crescimento psicológico, ampliando o entendimento da ACP no contexto nacional.

Dessa forma, o estudo reafirma que a prática clínica orientada pela escuta empática e pela consideração positiva incondicional favorece a integração do self, promovendo maior autenticidade e congruência existencial.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AMATUZZI, Mauro Martins. O resgate da fala autêntica. Campinas: Papirus, 1989.

 

FREIRE, José Célio. A escuta clínica e a ética do cuidado. Fortaleza: Edições UFC, 2002.

 

ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

 

ROGERS, Carl R. Terapia centrada no cliente. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

 

ROGERS, Carl R. Um jeito de ser. São Paulo: EPU, 1983.

 

(Organizado conforme ABNT NBR 6023:2018.)

 


ESCUTA NO SETTING TERAPÊUTICO SEGUNDO A ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA

 

 

A escuta constitui elemento estruturante do processo psicoterapêutico, especialmente no âmbito da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), desenvolvida por Carl Rogers. Nesse referencial teórico, a escuta ultrapassa a dimensão técnica e instrumental, configurando-se como atitude relacional fundamentada na empatia, na consideração positiva incondicional e na congruência do terapeuta.

 

No setting terapêutico, a escuta é compreendida como condição facilitadora do desenvolvimento da tendência atualizante, conceito central da teoria rogeriana, possibilitando ao cliente ampliar a consciência de sua experiência imediata e reorganizar seu self. Assim, o processo terapêutico não se estrutura a partir de interpretações diretivas, mas da criação de um clima psicológico favorável ao crescimento pessoal.

 

No contexto brasileiro, autores como Maria Lúcia Tiellet Nunes, José Célio Freire e Jorge Ponciano Ribeiro têm contribuído para a consolidação da ACP e para a reflexão sobre a escuta clínica como fenômeno ético, intersubjetivo e transformador. Além disso, teóricos como Paulo Freire ampliam a compreensão da escuta enquanto ato dialógico e humanizador, ainda que em campo epistemológico distinto da psicoterapia.

 

Diante desse panorama, torna-se relevante investigar a escuta no setting terapêutico sob a perspectiva da ACP, articulando fundamentos teóricos clássicos e contribuições contemporâneas brasileiras.

 

Analisar o conceito e a função da escuta no setting terapêutico segundo a Abordagem Centrada na Pessoa.

Descrever os fundamentos teóricos da escuta na perspectiva de Carl Rogers; Identificar contribuições de teóricos brasileiros acerca da escuta clínica; Discutir as implicações éticas e técnicas da escuta no processo psicoterapêutico centrado na pessoa.

 

A escuta, embora amplamente mencionada na literatura psicológica, muitas vezes é reduzida a habilidade comunicacional, desconsiderando sua dimensão ontológica e relacional. Na ACP, ela constitui condição essencial para a mudança terapêutica, sendo considerada um dos pilares do encontro clínico.

A relevância deste estudo reside na necessidade de aprofundar a compreensão da escuta como atitude facilitadora do crescimento humano, especialmente no contexto brasileiro, onde a formação clínica demanda fundamentação teórica consistente e alinhada às diretrizes éticas da profissão.

 

Trata-se de pesquisa de natureza qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, realizada por meio de revisão bibliográfica. Foram analisadas obras clássicas de Carl Rogers, bem como produções de teóricos brasileiros da Abordagem Centrada na Pessoa e autores que discutem o conceito de escuta no campo das ciências humanas.

A seleção do material considerou relevância acadêmica, reconhecimento científico e alinhamento com a temática proposta, conforme preconiza a NBR 6023/2018 da ABNT.

 

Para Rogers (1957; 1961), a mudança terapêutica ocorre quando o terapeuta oferece três condições necessárias e suficientes: empatia, consideração positiva incondicional e congruência. A escuta empática consiste na capacidade de perceber o mundo interno do cliente como se fosse o próprio, sem, contudo, perder a condição de “como se”.

A empatia, nesse contexto, não se reduz à compreensão intelectual, mas implica ressonância afetiva e presença autêntica. A escuta, portanto, torna-se instrumento de validação da experiência subjetiva do cliente, favorecendo a integração do self.

Ribeiro (1998) enfatiza que a escuta na ACP exige suspensão de julgamentos e abertura fenomenológica, permitindo que o cliente encontre sentido em sua própria narrativa. Nunes (2004) destaca que o setting terapêutico centrado na pessoa constitui espaço de segurança psicológica, no qual a escuta promove reorganização interna e fortalecimento da autonomia.

Sob perspectiva dialógica, Paulo Freire (1996) compreende a escuta como atitude ética fundamental ao encontro humano, defendendo que ninguém educa ninguém, mas todos se educam em comunhão. Embora em contexto pedagógico, essa compreensão dialoga com o pressuposto rogeriano de horizontalidade na relação terapêutica.

 

A análise teórica evidencia que a escuta, na ACP, não pode ser compreendida como técnica isolada, mas como expressão de uma postura existencial do terapeuta. Diferentemente de abordagens interpretativas ou diretivas, a escuta centrada na pessoa prioriza a experiência subjetiva do cliente como fonte legítima de conhecimento.

Autores brasileiros reforçam a importância de contextualizar a escuta na realidade sociocultural do país, reconhecendo desigualdades, atravessamentos históricos e dimensões éticas do cuidado psicológico. Assim, a escuta torna-se instrumento de promoção de dignidade e autonomia.

Observa-se que, ao proporcionar ambiente facilitador, a escuta favorece processos de autoexploração, redução de incongruências e ampliação da consciência emocional.

 

Conclui-se que a escuta, no setting terapêutico segundo a Abordagem Centrada na Pessoa, configura-se como condição essencial para o processo de mudança psicológica. Fundamentada na empatia, na aceitação incondicional e na congruência, ela possibilita a atualização das potencialidades humanas.

As contribuições de teóricos brasileiros ampliam a compreensão da escuta como prática ética, contextualizada e comprometida com a promoção da autonomia.

Assim, reafirma-se que a escuta, mais do que procedimento técnico, constitui atitude relacional transformadora, sustentando o encontro terapêutico e favorecendo o crescimento pessoal.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

NUNES, Maria Lúcia Tiellet. A relação terapêutica na abordagem centrada na pessoa. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.

RIBEIRO, Jorge Ponciano. Abordagem centrada na pessoa: teoria e prática. São Paulo: Summus, 1998.

ROGERS, Carl. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1961.

8 de outubro de 2025

 


Autoestima na Abordagem Centrada na Pessoa de Carl Rogers: Fundações, Reflexões e Perspectivas no Contexto Brasileiro

Resumo

A autoestima constitui um constructo central no campo da psicologia contemporânea, ocupando posição de destaque em discussões que envolvem saúde mental, desenvolvimento humano e qualidade das relações sociais. Esse conceito, amplamente explorado em diversas abordagens teóricas, recebe contornos próprios na Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), desenvolvida por Carl Rogers, na qual desponta como resultado da valorização pessoal, autenticidade existencial, aceitação incondicional positiva e experiência congruente do self. Este artigo aprofunda a compreensão da autoestima sob a ótica rogeriana, dialogando com os principais aportes teóricos internacionais e brasileiros, com ênfase em autores que investigaram as interfaces entre autoestima, relações interpessoais e contexto sociocultural. Também são discutidas as contribuições da ACP para os contextos clínico, educacional e institucional no Brasil, visando colaborar para uma visão holística e contextualizada do amadurecimento psicológico e do florescimento humano.


Introdução

A autoestima é reconhecida como variável fundamental no desenvolvimento psíquico do indivíduo, influenciando desde os primeiros vínculos estabelecidos na infância até a maneira como adultos se relacionam consigo mesmos e com o ambiente ao longo da vida (Branden, 2003; Rodrigues & Pich, 2004; Hutz, 2014). Definida usualmente como o valor e respeito que o indivíduo atribui a si, suas raízes, funções e impactos extrapolam o domínio da psicologia individual, abrangendo áreas interdisciplinares como a saúde pública, a educação, o direito e a gestão institucional.

No campo da psicologia humanista, Carl Rogers inaugurou um novo paradigma de estudo da personalidade, centrado no potencial desenvolvimentista do ser humano e na capacidade intrínseca de autotransformação. A autoestima, nesse contexto, emerge não apenas como o sentimento subjetivo de autovalor, mas como manifestação da congruência entre as experiências internas, as vivências afetivas e a autoimagem, constituindo-se num dos pilares do funcionamento psicológico saudável.

O objetivo deste artigo é apresentar uma análise aprofundada do conceito de autoestima a partir da Abordagem Centrada na Pessoa, articulando fundamentos teóricos, revisões da literatura nacional e internacional e aplicações práticas no contexto brasileiro, com destaque para a produção científica da ACP no país. Busca-se, assim, colaborar para o avanço do conhecimento técnico-científico nessa temática, oferecendo subsídios para pesquisadores, profissionais da saúde mental e educadores comprometidos com o desenvolvimento integral do sujeito.


Referencial Teórico

1. Abordagem Centrada na Pessoa: Fundamentos Históricos e Epistemológicos

A Abordagem Centrada na Pessoa, concebida por Carl Ransom Rogers (1902-1987), representa uma das mais influentes perspectivas dentro da psicologia humanista. Diferente das teorias psicanalíticas e comportamentais, a ACP defende que o ser humano possui uma tendência inata, denominada tendência atualizante, que o impele à realização de seu potencial máximo, ao crescimento psicológico e à autonomia (ROGERS, 1951).

Para Rogers, todo o processo terapêutico — e, por extrapolação, todo ambiente facilitador, seja ele educacional, familiar ou organizacional — deve se organizar ao redor de três condições básicas para promover a mudança construtiva e o desenvolvimento saudável: empatia, autenticidade (congruência) e aceitação positiva incondicional. Essas condições não excluem o sofrimento nem negam a presença de dificuldades, mas fomentam um campo relacional onde a expressão genuína do self se torna possível e encorajada.

2. Self, Autoestima e Congruência

O conceito de self é central à ACP, referindo-se ao conjunto de percepções e valores que o indivíduo constrói sobre si próprio, ao longo de sua existência, a partir das experiências vividas e das interações com o meio. Conforme definido por Rogers (1959), o self é dinâmico, sempre em processo de reinterpretação.

A autoestima, nesse sentido, resulta do alinhamento entre o self-real e o self-ideal, ou seja, entre a experiência imediata e a avaliação subjetiva de quem se é e de quem se gostaria de ser. Quanto menor a discrepância entre esses dois pólos, maior tende a ser a autoestima, pois o sujeito reconhece, valida e valoriza sua própria existência, mesmo diante de imperfeições e limitações.

De modo oposto, ambientes marcados por condições de valorização — ou seja, por aceitação condicional, críticas recorrentes ou ausência de afeto — contribuem para o surgimento de incongruências internas, gerando sentimentos de inadequação, insegurança e baixa autoestima. Isso explica por que comportamentos narcisistas ou arrogantes, muitas vezes, estão vinculados a um self fragilizado e autoestima soterrada, funcionando como tentativas de compensação do vazio existencial (Rogers, 1961; Branden, 2003).

3. O Papel do Ambiente Facilitador

A construção da autoestima é fortemente influenciada pelos ambientes familiares, escolares e sociais nos quais o indivíduo está inserido. De acordo com Rodrigues & Pich (2004), ambientes facilitadores são aqueles que, à luz da ACP, oferecem espaço para o diálogo, para a expressão autêntica das emoções e para o respeito às diferenças individuais, promovendo o sentimento de pertencimento, o reconhecimento do valor pessoal e a autovalorização.

Rogers (1961) enfatiza que as relações pautadas pelos três pilares rogerianos favorecem o desenvolvimento de autoestima sólida e resiliente, com indivíduos mais propensos à aceitação de críticas construtivas, à flexibilidade diante das adversidades e ao exercício da empatia para com o outro. Esse modelo é extremamente relevante para o fortalecimento de vínculos familiares, a construção de laços escolares saudáveis e o estímulo ao protagonismo em espaços institucionais.


Discussão: Aproximações entre o Referencial Internacional e a Literatura Brasileira

A Psicologia Humanista e o Reconhecimento das Singularidades

Na literatura internacional, a autoestima tem sido objeto de amplo interesse, com destaque para autores como Nathaniel Branden (2003), que aponta a relação entre autoestima elevada e desempenho acadêmico, saúde psicológica e realização profissional. Tal perspectiva dialoga com a ACP, para a qual a autovalorização genuína é um recurso psicológico essencial ao enfrentamento dos desafios da vida adulta, ao exercício da autonomia e ao estabelecimento de relações interpessoais saudáveis.

No Brasil, psicólogos e educadores autores como Rodrigues & Pich (2004), Souza (2015), Leal (2015) e Hutz (2014) evidenciam que o contexto sociocultural nacional, marcado por desigualdade, preconceitos e instabilidades históricas, demanda atenção constante à promoção de autoestima, sobretudo junto a populações vulnerabilizadas. É imprescindível, nessas circunstâncias, pensar a autoestima para além do viés individualista, reconhecendo as nuances culturais, raciais, de gênero e classe que atravessam a construção do self brasileiro.

Interseções com Saúde Mental, Educação e Instituições

No contexto da saúde mental, inúmeros estudos reportam que níveis adequados de autoestima atuam como fatores de proteção frente a transtornos ansiosos, depressivos, alimentares, estados de estresse pós-traumático e risco suicida (Hutz, 2014; Branden, 2003). Em sentido oposto, a baixa autoestima pode funcionar como gatilho ou perpetuador de sintomas clínicos, afetando o desempenho social, acadêmico e laboral.

No âmbito educacional, a ACP contribui com práticas pedagógicas inclusivas, orientadas ao respeito mútuo, à liberdade de expressão e ao incentivo à autonomia dos aprendizes. Segundo Souza (2015), o fortalecimento da autoestima é condição para o desenvolvimento pleno das potencialidades dos alunos, impactando positivamente o rendimento escolar, a criatividade e a capacidade de lidar com frustrações, conflitos e desafios inerentes ao processo de aprendizagem.

Em instituições de cuidados, como hospitais, lares de acolhimento e comunidades terapêuticas, a implantação de práticas rogerianas corroboram para a ressignificação da experiência do adoecimento, da velhice ou da dependência química, oferecendo suporte emocional e restaurando dimensões identitárias frequentemente negligenciadas em modelos institucionais tradicionais (Rodrigues & Pich, 2004).


Autoestima Além do Individualismo: Aspectos Coletivos e Políticos

Um dos pontos de inovação na literatura brasileira centrada na pessoa é a ampliação do conceito de autoestima enquanto fenômeno relacional e coletivo. Tal perspectiva é fundamental no contexto de um país marcado pela diversidade étnico-cultural, pelas desigualdades sociais e pela pluralidade identitária (Leal, 2015).

Diante disso, a promoção da autoestima não pode ser vista apenas como responsabilidade do indivíduo, mas requer políticas públicas e práticas institucionais que favoreçam ambientes inclusivos, igualdade de oportunidades, prevenção de discriminações e promoção do respeito às singularidades. Isso implica, em termos práticos, desde o combate ao bullying nas escolas à criação de espaços de escuta e acolhimento nos serviços públicos de saúde, corroborando para o desenvolvimento integral do sujeito e da coletividade.


Aplicações Práticas: Psicoterapia, Educação e Contextos Institucionais

1. Psicoterapia Centrada na Pessoa

No setting clínico, o trabalho com autoestima baseia-se na oferta de um clima de aceitação, empatia e congruência por parte do terapeuta, possibilitando ao cliente explorar com segurança suas experiências emocionais, redefinir crenças negativas e desenvolver um sentido renovado de valor pessoal (Rogers, 1961).

Casos clínicos relatados por estudiosos da ACP no Brasil, como Silva & Moura (2017), demonstram que clientes apresentando quadros de insegurança, autodepreciação ou comportamentos autossabotadores podem se beneficiar significativamente deste modelo. Ao longo do processo terapêutico, é frequente observar o fortalecimento da autoestima, que se manifesta na ampliação da assertividade, na capacidade de delimitar fronteiras saudáveis e na disposição para assumir novos desafios pessoais e profissionais.

2. Ambientes Escolares e Práticas Pedagógicas

No ambiente educacional, professores que atuam de acordo com os referenciais da ACP contribuem significativamente para a construção da autoestima dos alunos. O estímulo à autonomia, ao pensamento crítico e à expressão livre das emoções permite o surgimento de sujeitos mais seguros, participativos e protagonistas de seu próprio processo de aprendizagem (Souza, 2015; Rodrigues & Pich, 2004).

Pesquisas apontam que ambientes escolares facilitadores ampliam não apenas o rendimento escolar, mas também a capacidade de resolução de conflitos, o fortalecimento do sentimento de pertencimento ao coletivo escolar e a prevenção a situações de violência, bullying e evasão. Nesse sentido, a autoestima é tanto um objetivo quanto uma ferramenta do processo pedagógico.

3. Instituições de Saúde, Assistência e Intervenção Social

Em hospitais, comunidades terapêuticas e centros de acolhimento, o fortalecimento da autoestima está vinculado à qualidade das relações estabelecidas entre profissionais e usuários. Práticas que valorizam a escuta, a transparência comunicacional e o respeito às vulnerabilidades individuais tornam-se centrais na revalorização dos sujeitos em situação de sofrimento psíquico, físico ou social.

No contexto da assistência social, estratégias inspiradas na ACP vêm sendo utilizadas para apoiar pessoas em situação de rua, dependentes químicos, vítimas de violência doméstica ou minorias discriminadas, favorecendo o resgate da autoestima, da dignidade e da capacidade de reinserção social (Leal, 2015; Silva & Moura, 2017).


Críticas e Limitações do Conceito de Autoestima na ACP

Embora a ACP seja reconhecida pela riqueza de seu aparato conceitual para promoção da autoestima, é importante salientar limitações apontadas por críticos contemporâneos e autores de outras abordagens. Algumas dessas questões incluem o risco de supervalorizar a experiência subjetiva, minimizar fatores estruturais que impactam o self (como desigualdade social, racismo, opressão de gênero), ou ainda de desconsiderar a complexidade dos processos inconscientes descritos pela psicanálise.

Autores como Leal (2015) e Safra (2012) atentam para a necessidade de integrar a perspectiva rogeriana com aportes de outras tradições teóricas, além de adaptar suas práticas à realidade sociocultural brasileira, com ênfase em práticas comunitárias, grupais e interventivas que considerem as múltiplas faces da exclusão, estigmatização e preconceito.


Considerações Finais

O constructo da autoestima, fundamentado na Abordagem Centrada na Pessoa, revela-se central para a promoção da saúde mental, do equilíbrio emocional e da realização existencial, com impactos evidentes nas esferas individual, coletiva e institucional. A valorização pessoal, mediada pela congruência, autenticidade e aceitação incondicional, é o eixo articulador do desenvolvimento humano pleno, superando visões reducionistas ou individualistas.

No contexto brasileiro, o diálogo entre a ACP e a produção teórica local mostra-se frutífero e inovador, especialmente à medida em que amplia o escopo conceitual para incorporar as dimensões coletivas, políticas e contextuais da autoestima. Assim, profissionais, pesquisadores e instituições encontram no legado de Carl Rogers e seus seguidores brasileiros um aporte robusto para o enfrentamento dos desafios contemporâneos e para a promoção do florescimento humano em sua totalidade.

Deste modo, fomentar ambientes facilitadores, apostar em práticas institucionais inclusivas e valorizar o autoconhecimento constituem caminhos essenciais para a consolidação de uma sociedade mais saudável, empática e democrática.


Referências

  • BRANDEN, N. (2003). Os seis pilares da autoestima. Rio de Janeiro: Ediouro.
  • HUTZ, C. S. (2014). Psicologia positiva e autoestima: uma visão contemporânea. Porto Alegre: Artmed.
  • LEAL, B. de S. (2015). Autoestima e práticas políticas: desafios na realidade social brasileira. Psicologia em Estudo, 20(2), 335-344.
  • ROGERS, C. R. (1951). Client-Centered Therapy: Its Current Practice, Implications and Theory. Boston: Houghton Mifflin.
  • ROGERS, C. R. (1959). A theory of therapy, personality, and interpersonal relationships, as developed in the client-centered framework. In: Koch, S. (Ed.). Psychology: A study of a science. New York: McGraw-Hill.
  • ROGERS, C. R. (1961). On Becoming a Person: A Therapist’s View of Psychotherapy. Boston: Houghton Mifflin.
  • RODRIGUES, M. C. C. de S., & PICH, S. (2004). A Abordagem Centrada na Pessoa e sua contribuição para a promoção da autoestima. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 5(1), 29-39.
  • SAFRA, G. (2012). Identidade e autoestima sob o prisma das relações sociais. Revista Psicologia USP, 23(1), 73-89.
  • SILVA, R. F., & MOURA, L. A. (2017). Psicoterapia centrada na pessoa e fortalecimento da autoestima: relato de casos brasileiros. Pensando Famílias, 21(2), 195-213.
  • SOUZA, H. P. de. (2015). Autoestima, vulnerabilidade e resiliência: reflexões na clínica centrada na pessoa. Psicologia e Saúde, 7(2), 45-54.

6 de outubro de 2025




A Caminhada como Cuidado:

Dê o Primeiro Passo pela Sua Saúde Mental

 

Por Acimarley Freitas – Psicólogo

 

Você já parou para refletir sobre como um ato simples como caminhar pode trazer impactos profundos para sua saúde mental? Em meio às pressões do cotidiano e ao aumento dos casos de ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais no Brasil, repensar nossos hábitos é um convite urgente ao autocuidado.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que a depressão já afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo, sendo uma das principais causas de incapacidade laboral. O Brasil se destaca negativamente nesse cenário: somos o país mais ansioso do mundo e um dos mais deprimidos das Américas (OMS, 2017). De acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), os atendimentos relacionados à saúde mental só crescem, sobrecarregando os serviços públicos e revelando uma necessidade de ações preventivas e integradas no dia a dia dos brasileiros.

 

Mas por que a caminhada pode ser uma estratégia tão eficaz? A ciência psicológica explica: caminhar regularmente estimula a produção de neurotransmissores como serotonina, dopamina e endorfina, substâncias diretamente envolvidas no bem-estar psicológico. Estudos apontam que exercícios leves, se praticados pelo menos 30 minutos, cinco vezes por semana, já têm efeito protetor contra sintomas de estresse, ansiedade e depressão (WHO, 2022).

 

Além do aspecto fisiológico, a caminhada proporciona um espaço para o autoconhecimento. É um momento legítimo para estar consigo mesmo, respirar fundo e observar o ambiente ao redor, ajudar a organizar pensamentos e sentimentos e criar uma pausa nos ruídos mentais. A abordagem centrada na pessoa, proposta pelo psicólogo Carl Rogers, valoriza justamente a autonomia e o poder de decisão do indivíduo sobre suas escolhas de cuidado e bem-estar. Caminhar é, assim, um gesto de respeito e escuta consigo mesmo.

 

Convido você a experimentar essa mudança: hoje mesmo, se possível, coloque um tênis confortável, escolha um trajeto e permita-se alguns minutos de caminhada. Não precisa ser um grande percurso – o que importa é dar o primeiro passo. Observe as sensações do seu corpo, os sons, aromas e pensamentos. Aos poucos, a caminhada pode se tornar uma poderosa aliada para regular emoções, diminuir os impactos do estresse e fortalecer sua mente para os desafios do dia a dia.

 

Pequenas mudanças sustentam grandes transformações. Sua saúde mental merece cuidado, e quem pode dar esse primeiro passo é você!

 

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Referências

- Organização Mundial da Saúde (OMS). Depressão e outros transtornos mentais comuns – Estimativas Globais e Regionais. Geneva, 2017. 

- Organização Mundial da Saúde (OMS). Guia sobre atividades físicas e comportamentos sedentários. 2022. 

- Ministério da Saúde (Brasil). Saúde Mental no SUS: cuidado em liberdade, defesa de direitos e rede de atenção psicossocial. Brasília, 2023. 

- Rogers, C. R. Tornar-se pessoa: fundamentos da abordagem centrada na pessoa. Martins Fontes, 2023.