Quem sou eu?
Não gosto de caber em rótulos.
Sou psicólogo, porque acredito que
ouvir alguém é uma das formas mais profundas de amar.
Sou filósofo, porque as respostas
definitivas quase sempre empobrecem as grandes perguntas.
Sou sociólogo, porque nenhum ser
humano existe sozinho; somos filhos da história, da cultura, das relações e dos
encontros.
Sou teólogo, porque, para mim, Deus
não é uma hipótese acadêmica. É presença. É fundamento. É esperança.
Sou letrólogo, porque as palavras
constroem pontes, curam feridas, despertam consciências e, às vezes, salvam
vidas.
Mas, acima de tudo, sou professor por
vocação.
Ensinar nunca foi apenas transmitir
conhecimento. Sempre foi aprender enquanto ensino, crescer enquanto caminho e
descobrir que cada aluno também é um mestre disfarçado.
Amo ouvir pessoas.
Cada história é um universo. Cada
lágrima possui uma gramática. Cada sorriso guarda um capítulo que ninguém mais
consegue escrever.
Continuo acreditando que o ser humano
pode evoluir.
Não porque seja perfeito, mas porque
é capaz de reconhecer seus erros, recomeçar e reinventar a própria existência.
Creio que Deus existe.
Não porque eu consiga explicá-Lo
completamente, mas porque a vida seria pequena demais sem a possibilidade do
eterno.
Creio que o amor é um dos pilares da
existência humana.
Ele não elimina a dor, mas dá sentido
ao sofrimento. Não impede a queda, mas ensina a levantar.
E a fé...
A fé é o porto seguro quando todas as
bússolas deixam de funcionar.
Entre todas as realizações da minha
vida, poucas se comparam ao privilégio de ser pai.
Pedro e Augusto Freitas não são
apenas meus filhos.
São orações que ganharam nome, rosto,
abraço e voz.
Quanto aos meus relacionamentos...
Amei cada pessoa à minha maneira.
Nem sempre acertei. Nem sempre fui
compreendido. Mas posso dizer, com serenidade, que entreguei o melhor que eu
sabia oferecer em cada tempo da minha vida.
A vida?
Não é um problema a ser resolvido.
É um mistério a ser vivido, um dia de
cada vez.
O futuro?
Não tenho pressa de alcançá-lo.
Estou ocupado vivendo o presente,
porque, quando ele chegar, também será chamado de hoje.
O passado?
Não desejo morar nele.
Prefiro transformá-lo em professor.
O perdão é um doce remédio para a
alma.
Ele não muda os fatos, mas muda quem
escolhe continuar vivendo.
A morte?
Não é inimiga da vida.
É parte dela.
Talvez seja justamente por saber que
somos finitos que aprendemos a valorizar o tempo, os afetos e os abraços.
E o prazer?
É uma das mais belas expressões da
existência humana quando vivido com responsabilidade, respeito e consciência.
No fim das contas, continuo sendo
apenas um aprendiz.
Alguém que acredita que pensar é um
ato de coragem, amar é um ato de fé, ensinar é um ato de esperança e viver é a
maior filosofia de todas.
Acimarley Freitas