Psicologa Organizacional

31 de janeiro de 2015

HISTÓRIA DA LOUCURA






       Seja ela chamada de furor, mania, delírio, fúria, frenesi ou alienação, seja o insano designado por um termo popular (doido, pancada, degringolado, maluco, biruta, tantã), a loucura sempre foi considerada como o outro da razão. Extravagância, perda do juízo, perturbação do pensamento, divagação do espírito, domínio das paixões, tais são as imagens dessa doença que atinge os homens desde a noite dos tempos e cuja origem é buscada ora na magia (possessão demoníaca ou divina), ora no cérebro ou nos humores (medicina hipocrática), ora, ainda, nos movimentos da alma (psicologia). Foi com Descartes e a famosa primeira frase das Meditações que se concretizou, no século XVII, a idéia de que a loucura talvez fosse inerente ao próprio pensamento: “E como poderia eu negar que estas mãos e este corpo são meus, a não ser que me compare àqueles insensatos cujo cérebro é tão perturbado e ofuscado pelos negros vapores da bile, que eles constantemente asseguram ser reis, quando são muito pobres, estar vestidos de ouro e púrpura, quando estão nus, ou imaginam ser cântaros ou ter um corpo de vidro? Mas, qual! Eles são loucos, e eu não seria menos extravagante se me pautasse por seus exemplos.”
       Há três maneiras de pensar o fenômeno da loucura desde que ela foi arrancada do universo da magia ou da religião: a primeira consiste em introduzi-la no quadro nosológico construído pelo saber psiquiátrico e considerá-la uma psicose (paranóia, esquizofrenia, psicose maníaco-depressiva [transtorno bipolar do humor]); a segunda visa elaborar uma antropologia de suas diferentes manifestações de acordo com as culturas (etnopsiquiatria, etnopsicanálise, sociologia, psiquiatria transcultural); a terceira, finalmente, propõe abordar a questão pelo ângulo de uma escuta transferencial da fala, do desejo ou da vivência do louco (psiquiatria dinâmica, análise existencial, fenomenologia, psicanálise, antipsiquiatria).
       De fato, essas três maneiras de conceber a loucura sempre se cruzaram. É difícil, com efeito, conceber a verdade da loucura independentemente da razão que a pensa, mesmo que essa verdade ultrapasse a razão. E, se a psicanálise nasceu de um grande desejo de tratar e curar as doenças nervosas, ela sempre se implantou, ao mesmo tempo, no campo do tratamento da loucura, numa reação contra o niilismo terapêutico de uma psiquiatria mais preocupada em classificar entidades clínicas do que em escutar o sofrimento dos enfermos. Testemunho disso, se necessário, foi a experiência princeps de Eugen Bleuler, em Zurique.

II – A LOUCURA DA PRÉ-HISTÓRIA   Estudos de tribos primitivas permitiram que se observassem os primórdios de vários conceitos atualmente utilizados em Psiquiatria. Evidenciaram a influência modificadora da cultura sobre expressões sintomatológicas das psicopatologias. Assim, permitiram esclarecer as deficiências de certas explicações teóricas do comportamento humano que, embora se pretendessem universais, carregavam marcas dos padrões de uma determinada cultura e de um determinado período.
       O homem primitivo atribuía todas as doenças à ação de forças externas ao corpo humano, forças sobrenaturais como os maus espíritos, os bruxos, os demônios, os deuses. Essas explicações demonológicas eram particularmente usadas para explicar doenças que afetavam a conduta, ou seja, as doenças mentais. Talvez o sonho com o retorno dos mortos e as lembranças de ameaças, pedidos e afeições destes tenham encorajado a crença na influência do além. A observação de comportamentos insensatos, destituídos de sentido, impertinentes e destrutivos de indivíduos delirantes, bem como a apreensão causada por ataques convulsivos e o esforço para explicar o fenômeno podem ter fortalecido o conceito de possessão demoníaca como causa das mudanças peculiares ou assustadoras no comportamento percebidas por familiares.
       Acredita-se que nos tempos pré-históricos, as pessoas com distúrbios de comportamento eram atendidas em rituais tribais ou simplesmente abandonadas à própria sorte.

III – A LOUCURA NA ANTIGUIDADE
       A Antigüidade é o período que abrange o desenvolvimento das antigas civilizações orientais e clássicas (egípcia, mesopotâmica, hebraica, persa e principalmente greco-romana), terminando com a queda do Império Romano do Ocidente. Na Grécia e na Roma antigas, os loucos gozavam de certo grau de “extraterritorialidade”: não existiam procedimentos e espaços sociais destinados especificamente a eles. Os de famílias mais abastadas eram mantidos em suas residências, com a atenção de acompanhantes. Já os pobres circulavam livremente pelas ruas, tendo sua subsistência garantida pela caridade pública ou pela realização de trabalhos simples para particulares. A loucura era experimentada em “estado livre”, no convívio com toda a sociedade, que freqüentemente considerava as crises de agitação, manifestações de cunho sobrenatural, decorrentes de possessões demoníacas, e não resultantes de doenças mentais.
       A atenção aos loucos era diluída porque, por um lado, havia um pequeno número de indivíduos que hoje chamaríamos de doentes mentais e estes, como o restante da população, tinham uma baixa expectativa de vida; para outros, a loucura era conceituada com base nos aspectos exteriores, no comportamento diretamente observável do indivíduo __ principalmente quando este se traduzia em embaraço para a família ou para a comunidade. Isso não significa que sociedades da Antiguidade fossem benevolentes em relação aos loucos, pois há inúmeros relatos históricos de violências aplicadas na época, como flagelação, acorrentamento, prisão etc.
       O indivíduo louco ou insano era visto como um problema privado ou familiar, não como problema social. Por isso, o poder público só interferia quando a loucura envolvia assuntos ligados ao Direito, como invalidação ou anulação de casamentos por enlouquecimento de um dos cônjuges ou proteção patrimonial de insanos perdulários.

IV – A LOUCURA NA IDADE MÉDIA
       A Idade Média é um imenso intervalo de tempo entre a Antigüidade Clássica e a Idade Moderna ou modernidade. Alguns historiadores situam seu início entre o ataque dos bárbaros a Roma, após a morte de Teodósio (395 d.C.) e a tomada de Roma por Alarico (410 d.C.). Termina em torno de 1453, ano da tomada de Constantinopla pelos turcos.
        Nesse período, sob a influência do cristianismo, acreditava-se que o mundo era um todo organizado de acordo com os desígnios de Deus. Por isso, tudo e todos obedeciam à ordem divina. Os insanos, assim como os retardados e os miseráveis, eram considerados parte da sociedade e o principal alvo da caridade dos mais abastados, que assim procuravam expiar seus pecados.
Os doentes mentais eram chamados de insanos, “lunáticos” (do latim luna = Lua, pois acreditava-se que a mente das pessoas era influenciada pelas fases da lua) ou “pecadores” (do latim peccatu = pecado, indicando a transgressão de qualquer preceito religioso  ou a existência de certos defeitos ou vícios nos indivíduos).
A doença mental era decorrente de uma relação defeituosa entre o homem e a divindade, um castigo por faltas morais e pecados cometidos, ou provocada pela penetração de um espírito maligno no organismo do indivíduo ou, ainda, pela evasão da alma do corpo da pessoa.
Ainda assim, os loucos desfrutavam de relativa liberdade de ir e vir: suas famílias confiavam na caridade alheia para garantir a sobrevivência de seus filhos e aceitavam seus impulsos e características peculiares como expressão da vontade de Deus. Muitas vezes, esses “insanos”, “lunáticos” ou “pecadores” eram submetidos a rituais religiosos de exorcismo ou adorcismo.  Os padres, beatos, “homens santos” e membros da nobreza que praticavam esses rituais não agiam com crueldade física.
       Doentes com distúrbios mentais mais graves ou mais agressivos eram flagelados, acorrentados, escorraçados, submetidos a jejuns prolongados, sob a alegação de estarem “possuídos pelos demônios”. Podiam até ser queimados, por serem considerados feiticeiros. No final da Idade Média, vários indivíduos de comportamento “desviante”, de loucos a contestadores, foram assim perseguidos, julgados e queimados vivos nas fogueiras da Santa Inquisição.

V – A IDADE MODERNA E A SEGREGAÇÃO
       A idade moderna inicia-se com a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1493 e termina com a Revolução Francesa de 1789.
       A partir do século XIV as instituições e as idéias da época feudal começaram a apresentar sinais de decadência. Iniciava-se então a fase conhecida como Renascimento ou Renascença, em que a filosofia escolástica e religiosa medieval foi substituída por uma retomada do pensamento e da cultura greco-latina nas artes, na literatura e nas ciências. Isso significou a retomada de princípios racionalistas na observação e descrição das doenças mentais, em oposição ao misticismo religioso.
       Com o final do feudalismo, que caracterizou a Idade Média, e o desenvolvimento do mercantilismo, iniciou-se um processo de acelerada formação de cidades, com o início da concentração de população. Por volta do século XVII problemas sociais e sanitários começaram a afligir as cidades que, cada vez mais populosas e afastadas das fontes de abastecimento, vêem os gêneros alimentícios encarecer e crescer o número de mendigos. Surge a mentalidade materialista, tipicamente burguesa, e novos valores se impõem, substituindo a prática da caridade pública.
       A situação para os doentes mentais já havia sido agravada a partir do século XVI porque, em meio às mudanças provocadas pela Reforma protestante, mosteiros e igrejas deixaram de abrigar os insanos nas casas de caridade e asilos seculares. Os doentes mentais violentos, não violentos, não podendo permanecer nas ruas das cidades, foram trancados em celas e masmorras de prisões.
       Nesse período, pobres e loucos, passaram a ser vistos como desocupados e como séria ameaça a toda a sociedade. Como não trabalhavam e não produziam riquezas, eram considerados marginais e improdutivos, não podendo compartilhar o espaço dessa nova sociedade. O fato de a doença mental não ser uma enfermidade apenas orgânica dificultava ainda mais uma mudança de concepção sobre os loucos que, considerados doentes de “alma”, eram vistos como uma ameaça a toda a humanidade.
       Para eliminar a pobreza, as cidades passaram a expulsar os mendigos. Os loucos, que vagavam em relativa liberdade pelas propriedades e vilas medievais, auxiliados pela caridade pública, passaram a ser considerados responsabilidade privada de suas famílias, a quem cabia mantê-los. Para os doentes mentais e os miseráveis sem família, o isolamento.
       Surgiram então os hospitais gerais, instalados nos antigos leprosários, já que a lepra epidêmica praticamente desaparecera da Europa. Nesses hospitais eram internados não só os loucos, mas toda a população marginalizada pelos padrões da época.
       Mesmo durante o renascimento, a “demonologia” ainda inspirou os piores excessos nessas instituições. Os mais inofensivos saíam às ruas para pedir esmolas e alguns executavam pequenos serviços para os mais afortunados, mas os insanos que se rebelavam contra o aprisionamento eram submetidos a procedimentos cruéis, como ingestão excessiva de purgantes, flagelamentos e sangrias. Como tais “tratamentos” obviamente os tornavam mais agressivos, eram acorrentados em terríveis masmorras, junto a bandidos e assassinos, como animais.
       Henrique VIII, rei da Inglaterra de 1509 a 1547 e fundador do anglicanismo, tentou remediar a situação e criou, em Londres, o Hospital Bethlehem, um asilo exclusivo para lunáticos ou insanos. No entanto, ali eles continuaram a ser maltratados.
       Muitas resistências tiveram de ser vencidas para que se aceitasse a idéia de que feiticeiras, bruxos, magos e “possuídos” pudessem estar sofrendo de uma doença mental. Essa mudança de perspectiva em relação aos doentes mentais foi sendo construída com o passar do tempo, com a contribuição da Reforma religiosa e a formulação dos princípios de “Liberdade Individual” que marcaram a passagem da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. Só então a Psiquiatria se estabeleceu como ciência na França. Porém, apesar de a psiquiatria passar a ser considerada uma ciência médica e de os indivíduos portadores de patologias serem vistos como “alienados”, a proposta de tratamento continuava a ser o isolamento em celas ou cubículos, com os doentes quase sempre acorrentados.

VI – A CONTEMPORANEIDADE
       O início do século XX foi caracterizado como um momento de reação à nosografia que vinha se constituindo. A chamada nosografia clássica havia avançado nas descrições das doenças mentais (monomanias, mania de perseguição, psicoses periódicas ou maníaco-depressivas, demência precoce etc.) como “doenças essenciais”. Bleuler, Meyer e outros psiquiatras, entretanto, propuseram outra abordagem, considerando as doenças mentais síndromes semiológicas ou evolutivas que indicam etiologias diversas. Para eles, portanto, a tipicidade de estrutura e evolução dessas síndromes só poderia ser assimilada a uma especificidade absoluta da natureza.
       A superposição de conceitos e suas manifestações gerou dois grandes movimentos no começo do século:
1.  A afirmação de concepções psicogênicas ou psicodinâmicas que paulatinamente se sobrepuseram ao enfoque orgânico e anatomopatológico. As descobertas fundamentais da estrutura do inconsciente e de seu papel patogênico, feitas por Freud, revolucionaram a psiquiatria clássica ou Kraepeliana.
2.  O estabelecimento da psiquiatria dinâmica que, tendo por eixo a descoberta do inconsciente, faz uma interpretação mais dinâmica do papel da atividade psíquica na formação dos quadros clínicos. Na verdade, os primórdios dessa corrente foram lançados por volta de 1775 em Ellenberg por Mesmer, que, em seus trabalhos sobre o magnetismo animal, já destacava a idéia de “doenças nervosas causadas por um fluido”. O termo “fluido” tinha, à época, o significado que hoje é dado a “espírito”, pelo espiritismo, e a “sugestão”, pelo hipnotismo.

Paralelamente, entretanto, desenvolveram-se também as teorias de cunho heredobiológico da loucura, isto é, que associavam a doença mental à constituição biológica – de caráter hereditário – do indivíduo. Isso ocorreu num período de intensificação dos processos migratórios, que acentuou a discriminação e a segregação racial. E a psiquiatria muitas vezes foi usada como instrumento de marginalização dos imigrantes: vale lembrar que, em 1893, 67% dos internados no Hospital de Worcester, nos Estados Unidos, eram estrangeiros. Essa tendência perde terreno a partir do final da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
Sigmund Freud (1853-1939) é considerado o pai da teoria psicanalítica por ter descoberto que o homem possui um inconsciente e que este tem manifestações próprias que podem ser utilizadas no tratamento psiquiátrico. Ele descobriu ainda a sexualidade infantil e como sua experiência se apresenta nas disfunções sexuais adultas. Os discípulos e sucessores de Freud, sobretudo Karl Abraham, Melanie Klein e seus alunos, foram os primeiros a elaborar uma clínica da loucura. Jacques Lacan, por seu lado, foi o único dentre os herdeiros de Freud a realizar uma verdadeira reflexão filosófica sobre o estatuto da loucura. Desde 1932, preconizou em sua tese que o saber psiquiátrico fosse repensado segundo o modelo do inconsciente freudiano e, em 1946, comentou a famosa frase das Meditações, sustentando que a fundação do pensamento moderno por Descartes não excluía o fenômeno da loucura.
No campo da Psicanálise destacam-se outros nomes importantes, como os de Adler, Ericsson, Jung e Meyer. Suas contribuições foram essenciais para que os estudiosos das doenças mentais passassem a ver o homem de um ponto de vista holístico, lançando mão dos avanços efetuados por outras ciências, como a Neurologia, a Psicologia, a Sociologia e a Antropologia.
       Por volta de 1960, a generalização da farmacologia no tratamento das doenças mentais pôs fim à nosografia oriunda de Kraepelin e à abordagem freudo-bleuleriana, substituindo o manicômio pela camisa-de-força química, a clínica pelo diagnóstico comportamental e a escuta do sujeito pela “tecnologização” dos corpos. Daí o esfacelamento do vínculo dialético e crítica que unia as três antigas maneiras de pensar a loucura. É dessa crise e dessa ruptura que dá conta o livro de Michel Foucault (1926-1984) intitulado História da loucura na idade clássica. Este livro não pretendeu fazer a história dos loucos ao lado das pessoas sensatas, perante elas, nem tampouco a história da razão em sua oposição à loucura. Tratava-se de escrever a história da separação incessante, mas sempre modificada entre elas. Partindo dessa idéia de separação, Foucault produziu a separação entre a desrazão e a loucura, entre a loucura ameaçadora e a loucura domesticada, entre uma consciência crítica (onde a loucura se transforma em doença) e uma consciência trágica (onde ela se abre para a criação, como em Goya, Van Gogh ou Artaud), e separação interna, enfim, no cogito cartesiano, onde a loucura é excluída do pensamento no momento em que deixa de por em perigo os direitos deste último.
       Nesse contexto, Franco Basaglia, médico e psiquiatra, precursor do movimento de reforma psiquiátrica italiano conhecido como Psiquiatria Democrática, no ano de 1961 assumiu a direção do Hospital Psiquiátrico de Gorizia, iniciando mudanças com o objetivo de transformá-lo em uma comunidade terapêutica. Sua primeira atitude foi melhorar as condições de hospedaria e o cuidado técnico aos internos em Gorizia.
       Porém, à medida que se defrontava com a miséria humana criada pelas condições do hospital, percebia que uma simples humanização deste não seria suficiente. Ele notou que eram necessárias transformações profundas tanto no modelo de assistência psiquiátrica quanto nas relações entre a sociedade e a loucura.
       Basaglia criticava a postura tradicional da cultura médica, que transformava o indivíduo e seu corpo em meros objetos de intervenção clínica. No campo das relações entre a sociedade e a loucura, ele assumia uma posição crítica para com a psiquiatria clássica e hospitalar, por esta se centrar no princípio do isolamento do louco (a internação como modelo de tratamento), sendo, portanto excludente e repressora.
       Após a leitura da obra do filósofo francês Michel Foucault História da Loucura na Idade Clássica, Basaglia formulou a “negação da psiquiatria” como discurso e prática hegemônicos sobre a loucura. Ele não pretendia acabar com a psiquiatria, mas considerava que apenas a psiquiatria não era capaz de dar conta do fenômeno complexo que é a loucura.
       O sujeito acometido da loucura, para ele, possui outras necessidades que a prática psiquiátrica não daria conta. Basaglia denunciou também o que seria o “duplo da doença mental”, ou seja, tudo o que se sobrepunha à doença propriamente dita, como resultado do processo de institucionalização a que eram submetidos os loucos no hospital, ou manicômio.
       A partir de 1970, quando foi nomeado diretor do Hospital Provincial na cidade de Trieste, iniciou o processo de fechamento daquele hospital psiquiátrico.
       Em Trieste ele promoveu a substituição do tratamento hospitalar e manicomial por uma rede territorial de atendimento, da qual faziam parte serviços de atenção comunitários, emergências psiquiátricas em hospital geral, cooperativas de trabalho protegido, centros de convivência e moradias assistidas (chamadas por ele de “grupos-apartamento”) para os loucos.
       No ano de 1973, a Organização Mundial de Saúde (OMS) credenciou o Serviço Psiquiátrico de Trieste como principal referência mundial para uma reformulação da assistência em saúde mental.
       Franco Basaglia esteve algumas vezes no Brasil realizando seminários e conferências. Suas idéias se constituíram em algumas das principais influências para o movimento pela Reforma Psiquiátrica no país.
       Precipitando o declínio da psiquiatria clássica por um ato “psiquiatricida”, como diria Henri Ey, o livro de Michel Foucault, História da Loucura na Idade Clássica, abriu caminho para uma nova abordagem historiográfica da loucura, cujo impacto podemos avaliar pela acolhida negativa que ele recebeu e pelas múltiplas resistências que suscitou. Ele foi, sem sombra de dúvida, o ponto de partida para uma inversão de perspectiva entre a razão e a loucura, a qual foi levada em conta na quase totalidade dos trabalhos posteriores sobre o assunto, fossem eles foucaultianos ou não. Entretanto, essa abordagem não surtiu nenhum efeito no tratamento psiquiátrico da loucura, que evolui cada vez mais, nos dias de hoje, para um niilismo terapêutico e um organicismo comparáveis aos que Freud combateu cem anos atrás.

Autor: Marco Antonio Gasparetto


30 de janeiro de 2015

UMA VISÃO PSICOLÓGICA DO SEXO




Mais do que uma questão puramente física. O sexo está associado também a sentimentos de amor, carinho e amizade; necessidades de proteção e conquista, além da construção de uma família.

O sentimento de amor que está associado ao sexo é, para a maioria das pessoas, uma das principais razões da existência. Concomitantemente, a ausência ou a perda deste sentimento é responsável por grande parte da tristeza humana, podendo gerar problemas psicossomáticos. Inversamente, a prática de sexo pode ser favorável no combate à depressão e ao estresse. Inclusive algumas pesquisas já confirmaram que a prática de sexo pode dá uma qualidade de vida melhor, sensação de bem -estar e longevidade.

As mulheres são psicologicamente mais suscetíveis que os homens por diversos fatores. Um deles é o prazer sexual que em muitas gera frustração. Isto porque o caminho para alcançar o orgasmo em relação ao homem é mais longo e delicado. E isso não está ligado diretamente ao ponto G como muitos pensam. Até porque esta hipótese que até pouco tempo era uma certeza já foi contestada por alguns especialistas que afirmam ser um mito. Então qual é a explicação para que muitas mulheres não consigam alcançar o ápice do prazer?

Segundo Oswaldo Rodrigues Júnior, psicólogo e terapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade; a explicação para a dificuldade que algumas mulheres têm para atingirem o orgasmo pode estar no passado."(...) o problema é, de longe, muito mais psicológico. O pouco aprendizado e a falta da vivência sexual e erótica são as causas dessa anorgasmia feminina”, afirma. Isso porque a cultura machista que imperou por muitos anos e que ainda impera em algumas sociedades mostrava que a sexualidade era um meio exclusivo de reprodução humana e, para reproduzir, a mulher não precisava gostar de sexo, nem ter prazer. “Ainda hoje, as meninas e as adolescentes não são incentivadas a valorizarem a expressão e o prazer sexual. Tocar-se, conhecer o corpo como fonte de prazer são elementos contrários a muitas ideologias, políticas e religiões”, reconhece. “Com a falta do aprendizado nas duas primeiras décadas de vida, a mulher chega à idade adulta sem compreender o que fazer para produzir e facilitar orgasmos. Já com o homem, a experiência de vida é contrária, pois ele sempre será estimulado a vivenciar situações eróticas”, afirma o especialista.

Outro fator que impede a mulher de sentir o prazer sexual é o tabu da masturbação, vista como algo proibido e pecaminoso por alguns culturas e religiões. E para a psicologia e a sexologia o ato de não se masturbar, é visto como um preconceito. Já que para alcançar o orgasmo, a mulher precisa se sentir bem com sua sexualidade ( e não necessariamente com seu corpo) e conseguir estabelecer as sensações de prazer (psicologicamente) com o corpo. A relação sexual é tão psicológica que “se a mulher começa a crer que não precisa gostar de sexo, vai viver uma vida sem precisar dele”, sustenta Rodrigues Júnior.

A busca pelo orgasmo pode ser dificultada quando a autoestima está muito baixa. E não é só ficar preocupada demais se o parceiro vai reparar nas estrias ou nas celulites, pois o fator também pode ser outro: as genitálias. Embora as anomalias perceptíveis no órgão reprodutor feminino são raras. Há mulheres que mesmo não apresentando nenhuma anomalia se preocupam muito sobre o aspecto de suas genitálias e não conseguem atingir o ápice de uma relação sexual. E a melhor maneira de lidar com esse entrave é a autoaceitação. Ao se aceitar a mulher passa a pensar sobre sexo de modo mais positivo e a enxergar menos obstáculos que a impedem de ter uma sensação prazerosa. Conhecer o próprio corpo é o primeiro passo, sem medo. Conversar com o parceiro, controlar o medo e ansiedade são outros fatores que reduzem os transtornos causados pela situação mal resolvida com o sexo.

Ainda falando sobre fatores psicológicos que podem estar relacionados com o sexo. Existe também a questão das afinidades e de interesses em comuns, que possam sustentar uma relação mais duradoura. A semelhança de idades faz parte desta questão, bem como a semelhança de formação cultural e nível socioeconômico  Freud levantava a hipótese de que grande parte dos relacionamentos amorosos seria baseada em uma idealização das características do parceiro. O convívio é que revelaria o que seria idealização e o que seria realidade nessa caracterização do parceiro e, baseado nessa análise, seria decidido o sucesso ou não da relação. Pesquisas indicam que os filmes românticos tendem a criar uma imagem distorcida das relações amorosas, gerando uma idealização que, geralmente, não se concretiza nas relações reais, o que pode gerar frustração.

Outro fator a ser analisado são os gritos, gemidos, sussurros e palavreados obscenos durante a relação sexual, supostamente denotando excitação sexual. Porém estudos recentes indicam que, na maioria das vezes, tal comportamento não reflete real excitação sexual, mas apenas o desejo de estimular sexualmente o parceiro. Portanto, achar que a mulher está realmente excitada ao fazer isso também é um mito. Visto que isso na maioria da vezes, não passa de um fator psicológico em busca de um estímulo que possa ser prazeroso a outra pessoa.

Como de fato acontece nos filmes pornôs, sendo um exemplo disso.


Fonte: Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

29 de janeiro de 2015

COMO ESTUDAR



Existem vários alunos que são bons, participam das aulas, fazem trabalhos bem feitos e os entrega no dia marcado pelo professor, que estudam para as provas, mas que nem sempre atingem as notas desejadas nas mesmas.

Isso acontece por vários motivos: talvez o estudante esteja deixando para rever a matéria apenas um dia antes da prova e dessa forma não consegue, por falta de tempo, esclarecer as dúvidas com o professor ou mesmo com um colega; muita matéria sem fazer, acumulada, como tarefas de casa e exercícios extras para reforçar o aprendizado do conteúdo; conversas na sala de aula são um dos fatores que mais prejudicam, pois o aluno perde as explicações do professor e depois não conseguirá aprender a matéria sozinho; perder a concentração na aula, deixando o pensamento longe, preocupado com assuntos que não são da escola; dentre vários outros.

É importante que o aluno perceba, descubra quais as formas de estudar que mais lhe ajude a fixar os conteúdos. Elas podem ser através da fala, onde o aluno tem a necessidade de ler em voz alta; repetir essa a fala, na hora da escrita, ao fazer os exercícios; da visão, somente com a leitura silenciosa; pela escrita, além de ler o aluno precisa registrar o conteúdo graficamente – isso pode acontecer fazendo-se pequenos textos de resumo ou mesmo esquemas que são mais práticos; através da associação do conteúdo com exemplos do cotidiano do aluno, ou seja, fazer ligação com sua própria vida.

Quando o estudante consegue identificar quais as melhores maneiras de memorizar os conteúdos escolares passa a estudar melhor, percebe que o resultado de seu trabalho passa a aparecer, melhorando sua autoestima e motivação. Dessa forma procura se esforçar a cada dia, através da credibilidade adquirida por seus esforços.

Quem ainda não conseguiu identificar as melhores formas para obter bons resultados nas notas escolares, pode ainda procurar um profissional da área, especificamente um psicopedagogo, a fim de que este lhe auxilie nessas descobertas.

O importante é procurar segurança naquilo que faz e não deixar ir em vão todos os seus esforços diante do processo de aprendizagem.


25 de janeiro de 2015

REJEITANDO A MENTIRA



 “Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros. ” Ef. 4.25

       A mentira é um pecado muito comum na sociedade e está também ficando comum na Igreja. Existem pessoas que pensam que não conseguirão viver sem mentir. A mentira é um método covarde de não encarar a realidade.
       A mentira é um princípio que vai contra o que Deus planejou para seus filhos.
       A mentira é uma porta aberta para a entrada de seres espirituais na vida da pessoa que acarretarão em maldições.
       Leiamos João 8.44.  “Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira” . A mentira é o oposto a verdade. Uma das provas da conversão é deixar de mentir. Cl. 3.9 “não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos ”.  O destino do mentiroso é o lago de fogo. Ap. 21.8 “Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte. ”.  Deus abomina a mentira. Pv. 12.22. “Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor; mas os que praticam a verdade são o seu deleite ”. Conseqüências da mentira.  A mentira corrompe os homens. Mt. 15.18-20. “Mas o que sai da boca procede do coração; e é isso o que contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos, isso não o contamina. ”. Apresenta um relacionamento entre o homem e Satanás.  A mentira procede do Diabo, e ao proferir mentiras o homem acaba se associando ao inimigo.  Deus não tem compromisso com o mentiroso. Ap. 22.15. “Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo o que ama e pratica a mentira”.  A mentira causa danos irreparáveis. A mentira cauteriza a mente do mentiroso.  A mentira vicia com muita facilidade e conduz a outra... O Senhor nos ordena a rejeitar a mentira em todas as suas formas: a) Falso testemunho b) engano  c) hipocrisia  d) fingimento  e) exagero  f) calunia  g) desonestidade  h) fraude.
* rejeitemos das nossas vidas todo tipo de mentira
 Como se libertar da mentira?  Se arrepender, rejeitar a mentira, ter a determinação no coração em obedecer a Deus em verdade. Toda mentira é pecado e deve ser devidamente confessada. Jesus é o nosso exemplo por excelência. 1 Pe. 2.21-22. “Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas. Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano ”. linguagem. Viva. v. 22 diz.” Ele nunca pecou, nunca disse uma mentira”. Jesus nos advertiu. Vejamos Mt. 5.37 “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o que passa daí, vem do Maligno ” .  O povo de Deus deve aborrecer a mentira. Guarde-se da mentira. Pv. 30.8 “afasta de mim a falsidade e a mentira ”.

       A mentira é uma deformação do caráter que necessita de restauração e libertação através do poder da Palavra e do sangue de Jesus Cristo.
       Uma pessoa que tem o habito de mentir recebe como prêmio o descrédito.
       Na cidade Santa, a nova Jerusalém, não entrará nada contaminado, nem enganador nem nenhuma espécie de profano.
       Salmo 101.07. “O que usa de fraude não habitará em minha casa; o que profere mentiras não estará firme perante os meus olhos ”.
       Colosenses 3.9 “não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos”.

De próprio punho

Acimarley C. S. Freitas.

22 de janeiro de 2015

ESTRESSE NO TRABALHO/OCUPACIONAL



O estresse ocupacional é o conjunto de perturbações que caracterizam o desequilíbrio físico e psíquico e que ocorrem no ambiente de trabalho

O que é estresse ocupacional?

Sempre que tratamos da palavra ocupacional, estamos falando de trabalho, emprego, ocupação, fonte de renda e termos correlatos. Quando nos ocupamos em discutir as patologias da ocupação, uma das mais proeminentes é o estresse.

Compreende-se por estresse um conjunto de perturbações ou instabilidade psíquica e orgânica provocadas por diversos estímulos que vão desde a condição climática até as emoções e condições de trabalho. Na base da compreensão do conceito de estresse está o desequilíbrio, no caso, na relação entre trabalhador e ocupação. Entende-se, então, estresse ocupacional como o quadro de respostas pouco adequadas à estimulação física e emocional decorrente das exigências do ambiente de trabalho, das capacidades exigidas para realizá-lo e das condições do trabalhador. Em alguns casos, o estresse ocupacional não tratado pode gerar a síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento físico e psíquico em decorrência do trabalho.

O que pode desencadear o estresse ocupacional?

Existem muitos estímulos que podem desencadear o estresse, entre eles, estar exposto a condições como falta de recursos materiais, exigência física e psíquica superior ao que corresponde à função, ambientes de trabalho com problemas de relacionamento interpessoal ou que não garantam a saúde, o bem-estar e a segurança do trabalhador.

Quais são os principais tipos de estressores ocupacionais?

Alguns autores costumam dividir os estressores em três categorias: exigência de trabalho, incompatibilidade de papéis e condições materiais da ocupação. A exigência de trabalho pode ser um estressor ocupacional quando ultrapassa os níveis adequados para a manutenção da saúde do trabalhador, como longas jornadas, ritmo demasiadamente acelerado, turnos variáveis, horas extras etc. No caso da incompatibilidade de papéis, estamos tratando de questões organizacionais como a dificuldade de muitas empresas em ter boas descrições das atribuições e direitos de cada cargo, o que acaba impossibilitando o trabalhador de ter pleno domínio de suas funções e direitos. Por último, as condições materiais dizem respeito ao ambiente de trabalho: condições climáticas, de organização, iluminação, higiene e aspectos como a poluição visual e auditiva do local de trabalho.

Quais são os tratamentos possíveis?

Sempre que se trata de uma condição que não envolve apenas o adoecimento do indivíduo, mas a problemática de seu ambiente de trabalho e de suas atribuições, recomenda-se que as intervenções sejam feitas em três níveis diferentes: no nível primário, deve-se buscar reduzir os estímulos estressores, modificando o quanto for possível o ambiente de trabalho, buscando definir ocupações e direitos de cada trabalhador, como seus horários e funções. Já nesse nível, pode-se pensar em formas de acompanhamento psicológico, a partir do qual o sujeito pode ressignificar sua relação com o trabalho.

Em um segundo nível de atuação, deve-se buscar melhorar a resposta dos sujeitos ao ambiente de trabalho, com foco nos eventos estressores. Nesse sentido, as intervenções psicoterapêuticas buscam a compreensão e transformação da relação do sujeito com os estressores. Uma das formas comuns de atuação nesse sentido são as dinâmicas de grupo, as técnicas de relaxamento, meditação, acupuntura, psicoterapia etc. Vale ressaltar que, como são técnicas utilizadas quando o estresse ocupacional já está instalado, podem ser menos eficazes que as transformações sugeridas primariamente, isso porque não trabalham na fonte de estresse, mas em seus efeitos.

Por último está a atenção aos indivíduos acometidos da condição de estresse ocupacional que sofrem com os sintomas do desequilíbrio. Essa forma de atenção deve estar focada em reequilibrar o funcionamento físico e psicológico através da ação de equipes multidisciplinares, com terapeutas ocupacionais, psicólogos, médicos etc., que precisam constantemente destruir as barreiras do preconceito para adentrar o terreno das empresas, tornando-se possibilidade de aliança entre trabalho e saúde mental.

Fonte: http://www.brasilescola.com/psicologia/stress-ocupacional.htm