Psicologa Organizacional

6 de março de 2015

Síndrome de Burnout: Nível de Conhecimento entre Profissionais da Educação





O significado da palavra “Burnout” em português é algo parecido com “perder o fogo”, “perder a energia”, ou “queimar-se completamente” (MONTEIRO; SOARES, 2009, p. 5). Os profissionais acometidos por esta síndrome perdem todo o desejo e a alegria de trabalhar, sentem-se “apagados” e vazios.
Segundo Maslach e Jackson (1981 apud, FERNANDES; OLIVEIRA G.; OLIVEIRA S., 2012), a Síndrome de Burnout ocorre com maior frequência em profissionais que lidam com pessoas em seu trabalho, como enfermeiros, médicos, professores, etc., e que exerçam a tarefa de “cuidar”. Esse tipo de cuidado estabelece entre o profissional e o paciente/cliente uma “relação de atenção direta, contínua e altamente emocional” (FERNANDES; OLIVEIRA G.; OLIVEIRA S., 2012, p. 1). Profissionais com grandes cargas de trabalho e grande responsabilidade também estão na lista dos mais atingidos pelo Burnout, pois o trabalho faz com que eles renunciem o tão necessário tempo para o lazer. Porém é importante ressaltar que nenhum trabalhador está imune a essa patologia (CHISTE et al, 2012).
Assim sendo, a Síndrome de Burnout é uma consequência do estresse relacionado ao trabalho (CHISTE et al, 2012). Ela é uma resposta ao estresse laboral crônico (CODO, 2002 apud, MONTEIRO; SOARES, 2009), ou seja, quando o estresse acumulado chega ao auge. Porém existem diferenças entre o Burnout e o estresse. Codo (2002 apud, MONTEIRO; SOARES, 2009) diz que Burnout é uma experiência subjetiva, com atitudes negativas voltadas ao trabalhoJá o estresse é um esgotamento pessoal que pode não ter relação com o trabalho. Porém o estresse ocupacional favorece o indivíduo a obter a Síndrome de Burnout (FRANÇA, 1999 apud, MONTEIRO; SOARES, 2009).
Esta doença possui vários sintomas, porém existe uma classificação dos três principais, que são: exaustão emocional, despersonalização e falta ou diminuição da realização profissional (MASLACH; JACKSON, 1981 apud, SILVA; CARLOTTO, 2003). A exaustão emocional é quando “os trabalhadores sentem que não podem se entregar mais” (SILVA; CARLOTTO, 2003 p. 146), ou seja, é a falta de energia, sobrecarga emocional, sensação de esgotamento emocional e físico (CHISTE et al, 2012). A despersonalização pode ser entendida como “o desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas e de distanciamento para as pessoas destinatárias do trabalho” (SILVA; CARLOTTO, 2003 p. 146). Já a falta ou a diminuição da realização profissional “faz com que os trabalhadores se sintam descontentes consigo mesmos e insatisfeitos com os resultados de seu trabalho” (SILVA; CARLOTTO, 2003 p. 146).
As causas do Burnout são consideradas por Benevides-Pereira (2004 apud, CHISTE et al, 2012), multifatoriais, ou seja, existem vários fatores que influenciam no surgimento e evolução da doença. A maioria das causas estão relacionadas ao ambiente de trabalho, às exigências e tensões sofridas na profissão, a fatores individuais, organizacionais e sociais (CARLOTTO, 2002 apud CHISTE et al, 2012). Esses fatores podem facilitar o processo do estresse ocupacional, que pode dar lugar, futuramente à Síndrome de Burnout (CHISTE et al, 2012).
O surgimento do Burnout é lento, cumulativo e torna-se cada vez mais severo, por isso sua evolução pode levar anos. Por ele não surgir de repente, é difícil percebê-lo cedo (MONTEIRO; SOARES, 2009). Dessa maneira, muitos brasileiros são portadores do Burnout, porém não sabem identificá-lo, pois falta-lhes o conhecimento acerca desta patologia (CHISTE et al, 2012).
O diagnóstico da síndrome é feito através de vários métodos, como “observação, entrevistas, pesquisa de sintomas, relatos de pessoas próximas, verificação dos comportamentos no trabalho, e principalmente utilização de escalas validadas do Burnout, como a escala de Maslach” (MONTEIRO; SOARES, 2009 p. 8). Nesta escala verifica-se o nível de exaustão emocional, envolvimento pessoal no trabalho e despersonalização.
O profissional, ao perceber sintomas semelhantes aos da Síndrome de Burnout, deve procurar um atendimento psicoterapêutico, pois o tratamento da doença é essencialmente feita com psicólogo (JBEILI, 2008 apud, CHISTE et al, 2012). Além do acompanhamento individual, Carlotto (2009 apud, CHISTE et al, 2012) afirma que é importante haver um acompanhamento e tratamento juntamente com a empresa onde esse profissional atua, para que haja a diminuição dos fatores estressantes que acarretam a doença.
Atualmente, as empresas estão em um contexto de evolução e globalização, onde se exige cada vez mais dos funcionários. O cenário do trabalho dentro delas tem mudado constantemente com a entrada de novas tecnologias. Por esta razão as empresas,
[...] buscam trabalhadores qualificados para exercerem suas funções de acordo com as tecnologias, e para tanto estes trabalhadores necessitam estar atentos ao mundo globalizado para conseguir acompanhar o contexto contemporâneo, podendo estar vulnerável ou desenvolver a síndrome (CHISTE et al, 2012 p. 1).
Voltando-se para a área da educação, pode-se dizer que esta situação não é diferente dentro das escolas, onde os professores também sofrem o efeito desta globalização e evolução. É através do acesso rápido e fácil a informações, das tecnologias de comunicação e da constante exposição das pessoas nas redes sociais, que o professor é desafiado em seu papel de educador, onde ele passa a ter que lidar com novas situações a cada momento e onde é constantemente afetado pela mídia que diz ser ele o responsável pelo comportamento dos jovens. (FERNANDES; OLIVEIRA, L. S.; OLIVEIRA, S. M.; 2012). O professor, neste papel de educador, “é para seus alunos uma referência, um exemplo nas suas atitudes, no seu caráter, na maneira de tratar o próximo” (SILVA; CARLOTTO, 2003 p. 145).
Além do fator “tecnologia e globalização”, vários outros fatores favorecem o surgimento do Burnout em professores. Um deles é o fato de suas tarefas não se restringirem apenas ao período em que está em sala de aula, mas a necessidade que eles possuem de preparar aulas e provas, participar de reuniões, fazer diários, entre outras atividades que só são executadas em horários extras (FERNANDES; OLIVEIRA, L. S.; OLIVEIRA, S. M.; 2012). Outro fator importante é a dicotomia entre o trabalho prescrito pelo sistema e exigido pela sociedade, da realidade dos docentes. O professor se depara em seu dia-a-dia com um trabalho muito diferente do idealizado, gerando assim uma crise da identidade docente, um mal-estar docente e sofrimento psíquico (MONTEIRO; SOARES, 2009).
Ainda há muitos outros fatores que contribuem para a propagação da síndrome entre os professores, como baixa remuneração, salas de aula superlotadas, altas cargas horárias, falta de recursos didáticos, falta de compreensão e reconhecimento por parte dos superiores e dos pais, mau comportamento dos alunos, etc (SILVA; CARLOTTO, 2003).
Assim, percebe-se que o ambiente de trabalho e a pressão que os docentes sofrem têm afetado sua saúde psíquica e emocional. O magistério já é, atualmente, uma das profissões de alto risco de incidência do Burnout, pois para os profissionais desta classe a severidade da síndrome é maior (SILVA; CARLOTTO, 2003). O professor, que segundo Carlotto (2002 apud MONTEIRO; SOARES, 2009), é a “pessoa que professa fé e fidelidade aos princípios da instituição e se doa sacerdotalmente aos alunos”, quando acometido pelo Burnout, passa a querer se distanciar destes  alunos, abandonar a docência, sente-se desajustado, incapaz, insatisfeito, culpado pelo insucesso da educação, esgotado, desmotivado, perde o entusiasmo e deseja as férias intensamente (MONTEIRO; SOARES, 2009), sente-se distante dos colegas de trabalho e suas ações tornam-se impessoais e sem afetividade.
Ao acometer um profissional da educação, o Burnout traz consequências não só a este, mas também ao ambiente educacional onde este professor presta seus serviços, interferindo na obtenção dos objetivos pedagógicos, pois este profissional desenvolve um processo de alienação, desumanização e apatia (SILVA; CARLOTTO, 2003). Ou seja, o Burnout traz sofrimento ao professor, aos colegas de trabalho, aos alunos, à escola, ao ensino e até aos familiares do doente, pois em consequência dos sintomas causados pela doença, o profissional pode desenvolver depressão, frustração e até dependência de drogas (CHISTE et al, 2012).
A síndrome de Burnout não é nova. Segundo França (1987, apud SÁ; LEMOS, 2009), encontra-se relatos semelhantes a essa síndrome há mais de vinte anos. Entretanto, atualmente os professores sabem pouco ou nada sobre ela. Fato este confirmado através da pesquisa de Sá e Lemos (2009), que em uma entrevista realizada com trinta e três professores da cidade de Cascavel – PR constatou-se que 51% deles não conheciam nada sobre a doença ou nunca tinham ouvido falar sobre ela.
Outro fato relevante demonstrado através desta pesquisa é que 100% dos docentes entrevistados apontaram ter pelo menos um dos sintomas associados à doença e, exatamente o mesmo percentual, concordou ao afirmar que a indisciplina e o desinteresse dos alunos em relação à aprendizagem é um potencial desencadeador do estresse crônico (SÁ; LEMOS, 2009).
Dos trinta e três entrevistados, 96% concordaram que este estresse crônico leva ao Burnout e que o ambiente de trabalho também favorece o aparecimento desta síndrome, além de 85% afirmar que aguarda ansiosamente o término do dia de trabalho (SÁ; LEMOS, 2009).
Outra pesquisa considerável é a de Fernandes, Oliveira G. e Oliveira S. (2012), que através de uma amostra de trinta e oito professores do município de Barbalha – CE demonstrou um resultado interessante sobre a questão da mudança de profissão, onde 68,4% dos professores disseram preferir manter-se na docência e apenas 26,3% tem o desejo de mudar de profissão. Os outros 5,3% não responderam este item.
Uma pesquisa realizada por Monteiro e Soares (2009) em Teresina – PI, que abordou vinte e seis professores, possui uma pergunta semelhante  à  pesquisa citada acima, de Fernandes, Oliveira G. e Oliveira S., em relação à profissão. Na pesquisa de Monteiro e Soares se é perguntado acerca da satisfação em ser professor, onde 50% dos docentes consideram-se pouco satisfeitos, 42% satisfeitos e 8% insatisfeitos.
Outra pesquisa que remete à mesma questão sobre a mudança de profissão é a de Silva e Carlotto (2003), onde 56,7% das trinta professoras entrevistadas não citaram a intenção em trocar de profissão e 64,5% dos professores também não demonstraram tal desejo. Esta mesma pesquisa trouxe um resultado notável em relação à remuneração dos docentes, onde 90% das mulheres afirmaram que seu salário é apenas um complemento na renda familiar e 32,3% dos homens afirmaram a mesma realidade.
Outro resultado significativo da pesquisa de Silva e Carlotto é em relação ao estresse, onde 83,3% das mulheres disseram sentir que sua profissão causa-lhes estresse  e  67,7%  dos  homens  responderam  que  a  atividade  que  exercem  é estressante.  Os  autores  perceberam  através  das  análises  dos  resultados  duas condições propiciadoras ao surgimento do Burnout, eles notaram que “quanto mais elevada a idade e o tempo de profissão docente, maior a tendência de elevação do nível de desgaste emocional no trabalho” e “quanto maior o exercício profissional, menor é o sentimento de realização no trabalho” (SILVA; CARLOTTO, 2003 p.149).
O objetivo do  presente  estudo  foi  verificar  o  nível  de  conhecimento  dos professores da cidade de Jaru – RO sobre a Síndrome de Burnout; explanar o conceito, os sintomas, as causas, as consequências e o tratamento desta patologia; ressaltar a prevalência  da  Síndrome de Burnout em profissionais  da educação; analisar  os  resultados  da  pesquisa,  observando  os  fatores  apontados  pelos professores  como  mais  estressantes  e  observar,  através  das  respostas  dos entrevistados, sintomas que podem estar associados com o Burnout.

2. Metodologia
2.1 Participantes
Participaram desta pesquisa, de forma voluntária, 20 professores de três escolas públicas, escolhidas aleatoriamente, da cidade de Jaru – RO. Não foi relevante para a pesquisa a idade e o tempo de docência dos profissionais, nem mesmo a faixa etária com a qual trabalham, pois o objetivo era somente verificar o nível de conhecimento da Síndrome de Burnout em uma amostra dos professores de uma maneira geral.
2.2 Material
Foi utilizado para obtenção dos dados um questionário (ANEXO) com perguntas abertas (subjetivas) e perguntas fechadas (objetivas) que foi aplicado em grupo, mas respondido individualmente.
2.3 Procedimento
A primeira escola a ser visitada foi a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Olga Dellaia onde foi apresentado à direção da escola a pesquisa e o seu objetivo. Havendo aceitação em participar, foi realizada a mesma apresentação aos professores, incluindo o questionário. Logo em seguida, foi solicitada a participação voluntária de sete professores.
A segunda escola foi a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Capitão Silvio de Farias, onde foram realizados os mesmos procedimentos  da escola anterior, solicitando também a participação de sete professores.
A terceira e última escola foi a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Plácido de Castro, onde os mesmos procedimentos foram aplicados, solicitando, porém, a participação de apenas seis professores, para que a quantidade de participantes não ultrapasse 20.

Com os questionários respondidos, foram analisadas cada questão, suas frequências e respostas. A seguir, apresenta-se o resultado em forma descritiva e algumas tabelas. Os resultados foram utilizados para a conclusão do trabalho em questão.
3. Resultados
Os dados demonstraram que 70% dos participantes não sabem o que é a Síndrome de Burnout e nunca ouviram falar sobre ela, enquanto 30% responderam que a conhecia, onde apenas um não soube explicar de forma correta o que a síndrome significava. Os participantes que afirmaram conhecer o Burnout, ao serem questionados sobre o que sabiam sobre ele, utilizaram, coincidentemente, vários termos iguais, como pode ser observado na Tabela 1. Destes 30%, alguns citaram relações com a área mental e psíquicas e todos citaram as palavras “profissional, trabalho ou laboral” em suas respostas.
Tabela 1 – Percentual dos termos iguais utilizados pelos professores
Termos Utilizados
%
Esgotamento Profissional
60%
Esgotamento Físico
40%
Depressão
40%
Estresse Profissional
40%
Fonte: Dados coletados pela pesquisa de campo
Quando perguntado se a síndrome tinha relação com o estresse laboral, 35% relataram que sim, 20% disseram que não e os outros 45% não souberam responder, afirmando não terem conhecimento algum sobre a Síndrome de Burnout.
Diante da questão sobre exaustão emocional, 70% disseram não sentir-se exaustos, enquanto 20% responderam que às vezes percebem esta exaustão, 5% mais ou menos, pois se sente desestimulado e desmotivado e os outros 5% não souberam responder. A maioria que respondeu não sentir o emocional exausto alegou ter ainda muito a oferecer ao outro e serem capazes disso.

Ao serem questionados se frequentemente sentem-se distantes dos alunos, 75% responderam que não, muitos deles alegando que possuem relações próximas com os discentes e que gostam da companhia e conversa deles, 20% afirmaram que se sentem distantes dos alunos, tendo uma impressão de que não conseguem uma conexão com eles. Os outros 5% relataram que somente às vezes eles e os alunos estão distantes.
Sobre sentimentos e atitudes negativas em relação ao trabalho, 65% dos participantes relataram não observarem tal característica em si, 5% disseram que às vezes sentem e 30% afirmaram que sim, possuem sentimentos e atitudes negativas em relação ao trabalho, porém por culpa do “sistema”, por este possuir uma cobrança infundada e burocrática sobre os profissionais da educação, relato da maioria que respondeu sim a esta questão.
Voltando-se para si, diante da pergunta sobre descontentamento consigo mesmo, 70% dos professores alegaram estarem contentes, 15% descontentes, 10% às vezes e 5% afirmaram estar descontentes apenas monetariamente. Nesta questão foi solicitado que os participantes descrevessem o porquê de suas respostas. Assim, os que responderam não, disseram gostar do que faz e fazer o melhor, aqueles que responderam sim, alegaram a frustração de um sonho, e os que disseram às vezes, afirmaram que se cobram por pensar que poderiam ter feito mais e melhor.
A última questão aberta perguntava acerca da insatisfação diante dos resultados do trabalho. Era perguntado aos professores se eles sentiam-se insatisfeitos ao ver em que seu trabalho resultava, onde 45% responderam que “às vezes” sentiam insatisfação, 40% disseram que “não” e 15% responderam sem hesitar que “sim”, sentem-se totalmente insatisfeitos com os resultados de seu trabalho. Aos que responderam “sim” e “ás vezes”, foi perguntado o motivo da insatisfação, diante de várias sentenças citadas, as que mais apareceram estão apresentados na Tabela 2 com sua respectiva percentagem.

Tabela 2 – Percentual das sentenças mais citadas como motivo da insatisfação.
Motivo da insatisfação
%
Sentimento de poder ter feito mais
16,7%
Não conseguir atingir os objetivos
25%
Desvalorização profissional
25%
Desmotivação
16,7%
Desinteresse dos alunos
16,7%
Fonte: Dados coletados pela pesquisa de campo
Após as perguntas subjetivas, foi utilizado nesta pesquisa uma Escala de Likert, que pretendia medir o grau de concordância ou discordância dos professores diante da cada sentença. Onde CT significa concordo totalmente, CP concordo parcialmente, NA não concordo e nem discordo, DP discordo parcialmente e DT discordo totalmente. As respostas dos professores podem ser observadas na Tabela 3, a seguir.
Tabela 3 - Percentagem das respostas da escala de Likert.
SENTENÇAS
CT%
CP%
NA%
DP%
DT%
- Conto no relógio os minutos para a aula terminar
5%
25%
5%
20%
45%
- Perdi o entusiasmo inicial que tinha pela docência
15%
35%
5%
20%
25%
- O que mais me irrita são os alunos
0%
15%
5%
30%
50%
- O que mais me irrita é o salário
35%
15%
15%
20%
15%
- O que mais me irrita são os trabalhos em casa
0%
25%
0%
15%
60%
- Meu trabalho tem dado poucos resultados
40%
20%
20%
15%
5%
- Se a Síndrome de Burnout estiver relacionada ao estresse, acredito que posso estar acometido por ela.
10%
15%
5%
5%
65%
- O meu relacionamento com os colegas de trabalho é bom e agradável.
80%
10%
5%
0%
5%
- Tive doenças causadas pela minha profissão.
15%
0%
5%
0%
80%
Fonte: Dados coletados pela pesquisa de campo
4. Discussões e Conclusão
Através dos resultados apresentados pode-se observar que a maioria dos professores realmente não possui conhecimento algum sobre a Síndrome de Burnout, mesmo não sendo um fenômeno novo e estando cada vez mais explícito nos últimos 20 ou 30 anos. Estes dados, portanto, confirmam o que Sá e Lemos (2009 p. 2) diz:
“Burnout não é um fenômeno novo, o que talvez seja novo é o desafio dessa categoria profissional em identificar e declarar o estresse e o burnout sentidos. O professor conhece muito sobre o quê e como ensinar, mas pouco (...) sobre si mesmo”.

Os docentes que afirmam saber o que é a Síndrome de Burnout, na verdade não possuem conhecimento profundo, pois por mais que saibam que é uma síndrome relacionada com o âmbito profissional, muitos a relacionaram com a depressão, citando-a como um sintoma, sendo que o transtorno depressivo é apenas uma possível consequência do Burnout, como afirma Soares e Cunha (2007, apud CHISTE et al., 2012).
Sobre exaustão emocional, uma das dimensões do Burnout, notou-se que a grande parte dos professores não possui. Muitos deles afirmaram que ainda têm muito a oferecer aos seus alunos, fato este que confirma a ausência da exaustão, pois segundo vários autores como Monteiro e Soares (2009), Sá e Lemos (2009) e Silva e Carlotto (2003), a exaustão emocional é quando o profissional sente que não pode mais se entregar, não possui nada mais a oferecer ao outro e seus recursos emocionais esgotam.
Outra dimensão do Burnout é a despersonalização, caracterizada pelo desencadeamento de sentimentos e atitudes negativas relacionadas ao trabalho e distanciamento dos alunos e colegas de profissão (MONTEIRO; SOARES, 2009), onde foi demonstrado que a maioria dos profissionais entrevistados não observaram tais situações em si mesmo, alegando possuírem relacionamento agradável com os colegas de trabalho.
Por fim, a última dimensão do Burnout é a falta de realização profissional, que é classificada como um descontentamento consigo mesmo e insatisfação com os resultados de seu trabalho (SILVA; CARLOTTO, 2003), onde notou-se que a maioria dos professores estão contentes consigo mesmo e somente ás vezes sentem insatisfação referente aos resultados do seu trabalho, enquanto muitos responderam que não possuem tal sentimento. Porém, diante da escala de Likert a maioria dos entrevistados afirmou que o seu trabalho tem dado poucos resultados.
Diante desta mesma escala, pode-se constatar que os professores não contam os minutos para a aula terminar, que segundo Benevides e Pereira (2002, apud SÁ; LEMOS, 2009) esta atitude é um forte sintoma do BurnoutPorém, a maioria respondeu que perdeu o entusiasmo inicial que tinha pela docência, outra atitude forte como sintoma da síndrome.
Sobre o que mais causa irritação, os professores concordaram que não são nem os alunos e nem os trabalhos em casa os fatores mais irritantes, mas sim o salário que recebem, confirmando assim, o que Silva e Carlotto (2003 p. 145) dizem, que “o trabalho é geralmente realizado sob alguns fatores potencialmente estressores como baixos salários”.

Portanto, conclui-se que a amostra de professores entrevistados do município de Jaru – RO não apresentam sintomas da Síndrome de Burnout, apenas alguns deles demonstraram que podem estar acometidos pela doença de uma forma leve. Sendo ela uma séria patologia, é de grande relevância para os professores de Jaru- RO um maior conhecimento acerca do Burnout, mesmo sem apresentarem sintomas da doença. Pois, assim como afirmou Chiste et al. (2012 p. 2):
“Mediante a falta de conhecimento muitos brasileiros que são portadores da Burnout não sabem identificá-la, e por vezes não reconhecem que se trata de uma síndrome, permanecendo assim em constante estresse e exaustão no trabalho, sem buscar ajuda ou auxílio”.
Como citado acima, este não é o caso dos entrevistados nesta pesquisa, porém, mesmo estes necessitam de uma conscientização e melhor esclarecimento sobre a Síndrome de Burnout, pois como Codo (2002, apud MONTEIRO; SOARES, 2009 p. 9) afirmou: “burnout é um dos filhos deste novo tempo”.


1 de março de 2015

Precursor da Grande Reforma



Jerônimo Savonarola

(1452-1498)
O povo de toda a Itália afluía, em número sempre crescente, a Florença. A famosa Duomo não mais comportava as enormes multidões. O pregador, Jerônimo Savonarola, abrasado com o fogo do Espírito Santo e sentindo a iminência do julgamento de Deus, trovejava contra o vício, o crime e a corrupção desenfreada na própria igreja. O povo abandonou a leitura das publicações torpes e mundanas, para ler os sermões do ardente pregador: deixou os cânticos das ruas, para cantar os hinos de Deus. Em Florença, as crianças fizeram procissões, coletando as máscaras carnavalescas, os livros obscenos e todos os objetos supérfluos que serviam à vaidade. Com isso formaram em praça pública uma pirâmide de vinte metros de altura e atearam-lhe fogo. Enquanto o monte ardia, o povo cantava hinos e os sinos da cidade dobravam em sinal de vitória.
Se o ambiente político fosse o mesmo que depois veio a ser na Alemanha, o intrépido e devoto Jerônimo Savonarola teria sido o instrumento usado para iniciar a Grande Reforma, em vez de Martinho Lutero. Apesar de tudo, Savonarola tornou-se um dos ousados e fiéis arautos para conduzir o povo à fonte pura e às verdades apostólicas registradas nas Sagradas Escrituras.
Jerônimo era o terceiro dos sete filhos da família. Nasceu de pais cultos e mundanos, mas de grande influência. Seu avô paterno era um famoso médico na corte do duque de Ferrara e os pais de Jerônimo planejavam que o filho ocupasse o lugar do avô. No colégio, era aluno esmerado. Mas os estudos da filosofia de Platão e de Aristóteles, deixaram-lhe a alma sequiosa. Foram, sem dúvida, os escritos de Tomaz de Aquino que mais o influenciaram (a não ser as próprias Escrituras) a entregar inteiramente o coração e a vida a Deus. Quando ainda menino, tinha o costume de orar e, ao crescer, o seu ardor em orar e jejuar aumentou. Passava horas seguidas em oração. A decadência da igreja, cheia de toda a qualidade de vício e pecado, o luxo e a ostentação dos ricos em contraste com a profunda pobreza dos pobres, magoavam-lhe o coração. Passava muito tempo sozinho, nos campos e à beira do rio Pó, em contemplação perante Deus, ora cantando, ora chorando, conforme os sentimentos que lhe ardiam no peito. Quando ainda jovem, Deus começou a falar-lhe em visões. A oração era a sua grande consolação; os degraus do altar, onde se prostrava horas a fio, ficavam repetidamente molhados de suas lágrimas.
Houve um tempo em que Jerônimo começou a namorar certa moça florentina. Mas quando ela mostrou ser desprezo alguém da sua orgulhosa família Strozzi, unir-se a alguém da família de Savonarola, Jerônimo abandonou para sempre a ideia de casar-se. Voltou a orar com crescente ardor. Enojado do mundo, desapontado acerca dos seus próprios anelos, sem achar uma pessoa compassiva a quem pudesse pedir conselhos, e cansado de presenciar injustiças e perversidades que o cercavam, coisas que não podia remediar, resolveu abraçar a vida monástica.
Ao apresentar-se no convento, não pediu o privilégio de se tornar monge, mas rogou que o aceitassem para fazer os serviços mais vis, da cozinha, da horta e do mosteiro. Na vida do claustro, Savonarola passava ainda mais tempo em oração, jejum e contemplação perante Deus. Sobrepujava todos os outros monges em humildade, sinceridade e obediência, sendo apontado para lecionar filosofia, posição que ocupou até sair do convento.
Depois de passar sete anos no mosteiro de Bolongna, frei (irmão) Jerônimo foi para o convento de São Marcos, em Florença. Grande foi o seu desapontamento ao ver que o povo florentino era tão depravado como o dos demais lugares. (Até então ainda não reconhecia que somente a fé em Deus salva o pecador.)
Ao completar um ano no convento de São Marcos, foi apontado instrutor dos noviciados e, por fim, designado pregador do mosteiro. Apesar de ter ao seu dispor uma excelente biblioteca, Savonarola utilizava-se mais e mais da Bíblia como seu livro de instrução.
Sentia cada vez mais o terror e a vingança do Dia do Senhor que se aproxima e, às vezes, entregava-se a trovejar do púlpito contra a impiedade do povo. Eram tão poucos os que assistiam às suas pregações, que Savonarola resolveu dedicar-se inteiramente à instrução dos noviciados. Contudo, como Moisés, não podia escapar à chamada de Deus!
Certo dia, ao dirigir-se a uma feira, viu, repentinamente, em visão, os céus abertos e passando perante seus olhos todas as calamidades que sobrevirão à igreja. Então lhe pareceu ouvir uma voz do Céu ordenando-lhe anunciar estas coisas ao povo.
Convicto de que a visão era do Senhor, começou novamente a pregar com voz de trovão. Sob a nova unção do Espírito Santo a sua condenação ao pecado era feita com tanto ímpeto, que muitos dos ouvintes depois andavam atordoados sem falar, nas ruas. Era coisa comum, durante seus sermões, homens e mulheres de todas as idades e de todas as classes romperem em veemente choro.
O ardor de Savonarola na oração aumentava dia após dia e sua fé crescia na mesma proporção. Frequentemente, ao orar, caía em êxtase. Certa vez, enquanto sentado no púlpito, sobreveio-lhe uma visão, durante a qual ficou imóvel por cinco horas, quando o seu rosto brilhava, e os ouvintes na igreja o contemplavam.
Em toda a parte onde Savonarola pregava, seus sermões contra o pecado produziam profundo terror. Os homens mais cultos começaram então a assistir às pregações em Florença; foi necessário realizar as reuniões na Duomo, famosa catedral, onde continuou a pregar durante oito anos. O povo se levantava à meia-noite e esperava na rua até a hora de abrir a catedral.
O corrupto regente de Florença, Lorenzo Medici, experimentou todas as formas: a bajulação, as peitas, as ameaças, e os rogos, para induzir Savonarola a desistir de pregar contra o pecado, e especialmente contra a perversidade do regente. Por fim, vendo que tudo era debalde, contratou o famoso pregador, Frei Mariano, para pregar contra Savonarola. Frei Mariano pregou um sermão, mas o povo não prestou atenção à sua eloquência e astúcia, e ele não ousou mais pregar.
Nessa altura, Savonarola profetizou que Lorenzo, o Papa e o rei de Nápoles morreriam dentro de um ano, e assim sucedeu.
Depois da morte de Lorenzo, Carlos VIII, da França, invadiu a Itália e a influência de Savonarola aumentou ainda mais. O povo abandonou a literatura torpe e mundana para ler os sermões do famoso pregador. Os ricos socorriam os pobres em vez de oprimi-los. Foi neste tempo que o povo fez a grande fogueira, na "piazza" de Florença e queimou grande quantidade de artigos usados para alimentar vícios e vaidade. Não cabia mais, na grande Duomo, o seu imenso auditório.
Contudo, o sucesso de Savonarola foi muito curto. O pregador foi ameaçado, excomungado e, por fim, no ano de 1498, por ordem do Papa, foi queimado em praça pública. Com as palavras: "O Senhor sofreu tanto por mim!", terminou a vida terrestre de um dos maiores e mais dedicados mártires de todos os tempos.

Apesar de ele continuar até a morte a sustentar muitos dos erros da Igreja Romana, ensinava que todos os que são realmente crentes estão na verdadeira Igreja. Alimentava continuamente a alma com a Palavra de Deus. As margens das páginas da sua Bíblia estão cheias de notas escritas enquanto meditava nas Escrituras. Conhecia uma grande parte da Bíblia de cor e podia abrir o livro instantaneamente e achar qualquer texto. Passava noites inteiras em oração e foram-lhe dadas revelações quando em êxtase, ou por visões. Seus livros sobre "A Humildade", "A Oração", "O Amor", etc., continuam a exercer grande influência sobre os homens. Destruíram o corpo desse precursor da Grande Reforma, mas não puderam apagar as verdades que Deus, por seu intermédio, gravou no coração do povo.

Fonte: Livro Heróis da Fé.

26 de fevereiro de 2015

PARA QUÊ SERVE UMA RELAÇÃO?






Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem corpo um do outro quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro ao médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.
Drauzio Varella

Fonte: http://www.mulherdeclasse.com.br/ParaQueServeUmaRelacao.htm