Psicologa Organizacional
21 de abril de 2015
As Contribuições Humanistas, Fenomenológicas e Existenciais à Pratica da Psicoterapia
Falar
de uma maneira geral das contribuições das abordagens fenomenológicas,
humanistas e existenciais à psicoterapia é uma atividade complexa, tal a
diversidade de teorias advindas dessas. Este texto buscará falar apenas de
maneira superficial destas filosofias e apresentará a base de sua contribuição
à psicoterapia.
A
psicoterapia moderna começou a ser praticada na forma da psicanálise. Freud, médico neurologista, traz sua
influência médica para seu método e buscando, pelo menos no início, a cura das
neuroses através da fala. Logo após, a psicanálise apresentou várias
dissidências, Adler, Jung, Ferenzci, etc, e a perspectiva psicanalítica foi
ampliada.
Paralelo
à psicanálise, desenvolvia-se o Behaviorismo, criado por Watson e desenvolvido
por Skinner. O behaviorismo se caracterizou pelo estudo do ser humano através
do seu comportamento. Então, enquanto a psicanálise buscava entender o homem
pela via do inconsciente, o behaviorismo o buscava por meio de comportamentos
e, logo, começou a ensaiar sua prática clínica.
No
mesmo período, surgem as filosofias fenomenológicas e existenciais. Primeiro,
Husserl propunha a volta ao fenômeno como ele aparece e, depois, Heidegger que
busca aplicar a fenomenologia à existência. Influenciado pela fenomenologia,
surge, no século XX, o movimento existencialista [01] na Europa, tendo como
grandes expoentes Sartre e Camus, que enfatizavam a liberdade, angústia e o
absurdo da existência humana.
Essa
filosofia adentrou o campo da psicologia. Sartre propôs a psicanálise
existencial, que teria como base a busca pelo projeto original de cada homem, e
Heidegger ajudou a desenvolver a Danseinsanálise, que tem como base sua
filosofia. A filosofia existencial focava sua crítica à psicanálise, afirmando
que esta negava ou limitava a característica essencial do homem, sua liberdade.
Portanto,
para o campo da psicoterapia, tal filosofia trouxe a visão do homem como livre
e, logo, responsável por suas escolhas e, em um nível mais profundo, criar a si
mesmo. Com isso, se afastou de qualquer tentativa de enquadramento do ser
humano.
As psicoterapias de base fenomenológicas,
humanistas e existenciais buscam entender o homem através de si mesmo, das suas
angústias, sentimentos, motivações e sentidos que atribuem a sua vida. Trazem,
no cerne de sua filosofia, a ideia de um homem construtor de sua história dentro
de suas possibilidades e nunca determinado a priori.
Logo,
o terapeuta, que tem tais filosofias como suas bases teóricas, não se prende na
busca de explicações casuísticas para o comportamento do cliente e sim, em uma
atuação libertária, que vá contribuir para que o cliente recrie seu modo de
ser.
Para
tal, estas abordagens têm um grande foco na relação terapeuta-cliente.
Diferentemente da Psicanálise e Terapia Cognitivo-Comportamental, a relação
terapêutica é vista como um encontro existencial entre duas pessoas, com o
terapeuta estando disponível emocionalmente e autêntico para estar com o
cliente, uma relação EU-TU e não EU-ISSO.
Os
termos EU-TU e EU-ISSO veem da filosofia dialógica de Buber [02]. Para entender
bem a diferença da relação proposta nesse modo de psicoterapia, é interessante
falar, mesmo que rapidamente, da filosofia de Buber, que é muito evocada por
psicólogos humanistas e existenciais. Buber dividia as relações entre pessoas
em dois tipos; EU-TU e o EU-ISSO. Na relação dialógica EU-ISSO, o ser humano
usa o outro ser humano como um instrumento para chegar a determinado fim e, na
relação EU-TU, a própria relação é o fim, como o homem se relacionado
dialogicamente com Outra, tendo base à inclusão da totalidade, mutualidade e
alteridade.
Por
fim, é importante ressaltar que existem importantes diferenças entre a
filosofia humanista e a filosofia existencial. Ainda, é amplo o corpo de
terapias que tem como base ou se denominam; humanista, existencial ou
humanista-existencial, ex; Abordagem Centrada na Pessoa, Gestalt-Terapia,
Danseinsanálise, Terapia Vivencial, Psicanálise Existencial, entre outras, cada
uma tendo características próprias e também havendo divergências importantes
entre elas, tanto na prática, como na própria leitura que fazem das filosofias.
17 de abril de 2015
Depressão na adolescência não é frescura; conheça 11 sinais
Segundo a OMS, a
depressão é o principal problema de saúde entre adolescentes.
Já está em fase de
teste um exame laboratorial para diagnosticar a depressão. O recurso será
especialmente útil para constatar a doença em adolescentes que, algumas vezes,
não têm os sintomas levados a sério pela família, porque os sinais que dão são
confundidos com alterações de comportamento comuns nessa fase.
"A ausência de
comprovação do diagnóstico por meio de um exame laboratorial faz com que muita
gente não entenda a depressão como uma doença do cérebro", diz o
psiquiatra Miguel Angelo Boarati, coordenador do Programa de Transtornos
Afetivos na Infância e Adolescência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das
Clínicas da USP (Universidade de São Paulo). "Por desconhecimento ou
preconceito, as pessoas julgam que jovens deprimidos têm falta de vontade de
melhorar ou não querem reagir."
A descoberta de um
exame capaz de diagnosticar a depressão foi anunciada em setembro de 2014 por
um grupo de pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos.
Segundo o estudo, publicado no periódico especializado "Translational
Psychiatry", é possível identificar a doença por meio de marcadores
biológicos encontrados no sangue. Foram examinados 64 voluntários e os
resultados foram promissores. Agora, os autores se preparam para uma segunda
fase de testes: a ideia é validar o achado com uma população maior de
pacientes.
Muitos portadores de
depressão enfrentam preconceito dentro da própria família, segundo Silvana
Martani, psicóloga do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, e
organizadora do livro "Manual Teen" (Editora Wak). "É muito
comum que o adolescente deprimido ouça frases do tipo: 'você está chorando de
barriga cheia' ou 'você não tem problemas, não tem motivos para estar
triste'", fala a especialista.
Doença
mais frequente na adolescência
Desvalorizar o
sofrimento do adolescente é a pior atitude que a família pode adotar. "A depressão,
como qualquer outra doença, deve ser tratada com seriedade, nenhuma queixa
persistente pode ser desvalorizada", afirma a psicóloga
Silvana.
De acordo com um
relatório divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), em maio de 2014, a depressão é o principal problema de saúde
entre os adolescentes, fator diretamente relacionado ao suicídio, uma das
três maiores causas de morte na faixa etária de dez a 19 anos, juntamente com
acidentes de trânsito e o vírus da Aids.
"Dois terços dos
suicídios são cometidos por adolescentes que estavam clinicamente deprimidos",
diz a psicóloga Luiza de Lima Braga, que pesquisou o comportamento suicida em
adolescentes em seu trabalho de mestrado pela UFRGS (Universidade Federal do
Rio Grande do Sul).
O suicídio pode ser a
consequência mais grave de um quadro depressivo não tratado adequadamente, mas
não é a única. "A depressão na
infância e na adolescência é duradoura e afeta múltiplas funções, causando
significativos danos psicossociais", declara Luiza.
"Segundo um estudo
americano (o "Los Angeles Epidemiologic Catchment Area Project"), 25%
dos adultos com depressão relataram o primeiro episódio da doença antes dos 18
anos", afirma a psiquiatra Sônia Maria Motta Palma, professora da
Universidade de Santo Amaro e uma das autoras do "Manual de Atenção à
Saúde do Adolescente", da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. Por isso, diante de alterações de
comportamento e sinais de depressão, os pais devem investigar o que está
ocorrendo e, se necessário, buscar ajuda médica e psicológica.
Envolvimento
da família
O tratamento da
depressão na adolescência é, em geral, multidisciplinar. "As melhores opções de conduta associam o
uso de antidepressivos, receitados por um psiquiatra, com apoio psicoterápico e
acompanhamento à família. Orientar a escola também é importante, para que o jovem
não tenha perdas acadêmicas durante o tratamento", diz César de
Moraes, especialista em psiquiatria infantil e professor da PUC (Pontifícia
Universidade Católica) de Campinas.
Nem todos os casos
requerem medicação, mas é fundamental o envolvimento dos familiares. "Os
pais devem acompanhar de perto o tratamento, seguir as orientações dadas pelos
profissionais envolvidos, não julgar ou criticar o filho por estar deprimido e,
se necessário, realizar mudanças no ambiente familiar", diz o psiquiatra
Miguel Angelo Boarati.
Segundo o Boarati, os
conflitos em família, as cobranças por desempenho em múltiplas tarefas e a
falta de diálogo em casa podem ser gatilhos que desencadeiam a depressão nos
adolescentes.
Sinais
da depressão
Vários comportamentos
relacionados à depressão podem ocorrer em algum momento da adolescência. Por
isso, os especialistas esclarecem que é preciso considerar a intensidade e a
frequência desses sinais e analisá-los dentro de um contexto mais amplo,
avaliando o estado geral do adolescente. Saiba mais sobre eles a seguir.
1
- Humor depressivo
O adolescente parece
não sentir alegria ou prazer de viver. Mostra-se melancólico, entediado,
indisposto e sem esperança. Tem baixa autoestima e pode apresentar crises de
choro sem razão aparente.
2
– Apatia
Às vezes, é confundida
com preguiça. O adolescente demonstra falta de energia, cansaço frequente e
perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas.
3
- Isolamento social
Os adolescentes
deprimidos tendem a se isolar de amigos e familiares.
4 - Irritabilidade e
instabilidade
Mau humor, descontrole
emocional e explosões de raiva podem fazer parte do quadro depressivo.
5
- Alteração do ritmo de sono
O adolescente pode
dormir mais ou menos do que de costume. Também são comuns episódios de insônia.
6
- Alteração no apetite
Perder a vontade de
comer é o mais frequente, mas pode haver, também, aumento de apetite, sobretudo
por alimentos doces. Perda ou ganho de peso significativo em pouco tempo podem
estar associados.
7
- Dificuldade de concentração
Frequentemente está
associada à queda no rendimento escolar. Em alguns casos, o jovem depressivo
abandona os estudos.
8
- Uso de drogas
Muitas vezes,
resultante de tentativas de automedicação para alívio do sofrimento causado
pela doença.
9
– Automutilação
Em situações de extremo
sofrimento, alguns adolescentes podem adotar um comportamento autodestrutivo,
cortando-se ou queimando-se. Provocar dor física é uma forma de tentar tirar o foco da
dor emocional.
10
- Comportamento de risco
O flerte com o perigo
pode ser uma forma de combater a apatia. Andar distraidamente no meio de
avenidas movimentadas, praticar esportes radicais sem cuidados de segurança ou
mesmo fazer sexo sem proteção podem ser formas de buscar emoções fortes.
11
- Pensamentos suicidas
São comuns ideias
mórbidas e tentativas de suicídio.
15 de abril de 2015
Os jovens e os dilemas da sexualidade
Escolher por
quais caminhos seguir e que decisões tomar é difícil em qualquer fase da
vida. Durante a juventude tomar decisões
e fazer escolhas são grandes tormentos, gerando dúvidas e conflitos. Quando o
assunto é a sexualidade as dúvidas parecem ser ainda maiores.
O
comportamento do jovem mudou nos últimos anos, a sexualidade é vista de maneira
bastante banalizada, assim como também os relacionamentos afetivos. A aparente
liberdade gera conflito, principalmente entre os jovens que estão vivendo um
momento de transição entre a adolescência e a vida adulta.
Seguir os
valores herdados da família, ou assumir o comportamento adotado pelo grupo?
Essa segundo Ana Cláudia Bortolozzi Maia, professora do departamento de
Psicologia da Unesp de Bauru é uma dúvida muito freqüente entre os jovens. Ela
ressalta que para se sentirem inseridos no grupo, os jovens adotam
comportamentos, como consumir bebidas alcoólicas e drogas ou assumir
determinados comportamentos sexuais, sem estarem de fato conscientes dessas
atitudes e, portanto, preparados para as possíveis conseqüências dessas
escolhas. É preciso refletir sempre os “porquês” das nossas atitudes, especialmente
quando elas exigem responsabilidades pessoais e sociais.
Atualmente,
os jovens estão iniciando a vida sexual mais cedo. A sexualidade tem sido
discutida de forma mais “aberta”, nos discursos pessoais, nos meios de comunicação,
na literatura e artes. Entretanto, segundo a professora Ana Cláudia, essa
aparente “liberdade sexual” não torna as pessoas mais “livres”, pois ainda há
bastante repressão e preconceito sobre o assunto. Além disso, as regras de como
devemos nos comportar sexualmente prevalecem em todos os discursos, o que torna
uma questão velada de repressão.
Ela cita a
questão da virgindade feminina, que antes era supervalorizada e hoje é vista
como um problema para muitas meninas. Muitas garotas iniciam a vida sexual de
forma precipitada, mais para responder a uma exigência do grupo do que a uma
escolha pessoal, o que as tornam menos propensas a assumir as responsabilidades
que uma vida sexual ativa requer. Ana Cláudia
explica que essa cobrança do grupo, também é vista como um tipo de repressão,
pois parece que hoje as pessoas perderam a possibilidade de assumir ‘ser’ ou
‘não ser’ virgem, diante da cobrança do grupo social. Outro exemplo diz
respeito às cobranças exigidas ao papel feminino. Atualmente, cobra-se da
mulher a entrada no mercado de trabalho, e por conseqüência isso pode resultar
em uma maior autonomia. Mas, apesar disso, ainda hoje é exigido também da mulher que ela se
case, tenha filhos e seja uma boa mãe.
Ter que se casar ou ter filhos parecem condições inerentes à felicidade
pessoal. A mulher que tem uma opção de vida diferente dessa é vista como
infeliz.
Outro
exemplo ainda, diz respeito aos relacionamentos amorosos. Na década de 80 surge
a expressão “ficar com”. Essa expressão representa uma nova condição de
relacionamento em que as pessoas irão manter contatos físicos e afetivos
durante um curto tempo, sem que isso signifique um vínculo duradouro. O “ficar
com”, apesar de aparentar uma grande liberdade sexual está repleto de regras.
Essas regras dependem do grupo social (idade, classe social e educacional) e
momento histórico. Ana Cláudia considera esse comportamento um avanço nas
relações afetivas, pois acredita que há uma maior possibilidade de escolher
parceiros e de experimentar as sensações prazerosas do toque com o outro, sem
que esse relacionamento necessariamente leve ao “casamento”. Isso, para ela, é
um fator importante no desenvolvimento afetivo do jovem. No entanto, alerta
para uma possível banalização das relações, quando jovens ficam com “usando o outro
como objeto”, o que muitas vezes pode provocar frustrações para
ambas as partes envolvidas.
O jovem do
século XXI é visto como livre, bem informado, “antenado” com os acontecimentos,
mas as pesquisas mostram que quando o
assunto é sexo há muitas dúvidas e conflitos. Desde dúvidas específicas
sobre questões biológicas, como as doenças sexualmente transmissíveis, até
conflitos sobre os valores e as atitudes que devem tomar em determinadas
situações.
Apesar de iniciarem a vida sexual mais
cedo, os jovens não têm informações e orientações suficientes. A mídia, salvo exceções, contribui
para a desinformação sobre sexo e a deturpação de valores. A superbanalização
de assuntos relacionados à sexualidade e das relações afetivas gera dúvidas e
atitudes precipitadas. Isso pode levar muitos jovens a se relacionarem de forma
conflituosa com os outros e também com a própria sexualidade.
Existe
muita preocupação por parte dos jovens em entrar em um padrão. Tanto meninas
quando meninos, ainda reproduzem o comportamento machista de anos atrás. Para a professora Ana Cláudia as garotas
ainda sonham com um “príncipe encantado” (que seja um bom partido: fiel e bem
sucedido na vida) e os garotos com uma “bela princesa” (que seja adequada aos
padrões de beleza física, com indícios de uma futura boa dona de casa e mãe de
família, mesmo que possa almejar o mercado de trabalho). Essas expectativas
retratam determinadas características, que só reproduzem a repressão e o
machismo, que atualmente se encontra mascarado. Os jovens, de maneira geral,
ainda se preocupam em seguir padrões de comportamento. Ana Cláudia ressalta que
ainda que sociedade imponha um certo tipo de comportamento sexual e afetivo
considerado normal, o que dever ser levado em conta é o bem estar de cada um.
Enfim, hoje existe uma aparente liberdade sexual. Ao mesmo
tempo em que as pessoas são, em comparações há anos anteriores, mais livres
para fazer escolhas no campo afetivo e sexual, ainda há muita cobrança por
parte da sociedade, e esta cobrança acaba sendo internalizada, e assim as
pessoas acabam assumindo comportamentos e valores adotados pela maioria.
Apesar da necessária
identificação com o grupo, para que nos reconheçamos no outro, todos nós temos
as nossas individualidades que devem ser respeitadas.
Devemos
refletir que nossas atitudes refletem nossa história pessoal de educação
sexual, repleta de valores e concepções. Parece arriscado assumir
comportamentos apenas para seguir os padrões, por considera-los certos, sem
refletir sobre eles. Seria melhor se vivêssemos de acordo com nossos valores,
mas sempre tendo consciência das
responsabilidades das escolhas que fazemos, não só durante a juventude, mas
ao longo de toda a vida. Você já pensou sobre isso?
14 de abril de 2015
Pensamentos e Discussões Cognitivas Sobre a Fisiologia do Envelhecimento Sexual do Casal
Sempre
acreditei que a sexualidade permanece como se não um aspecto vital na vida humana,
mas também, como um fator muito importante, mesmo que na idade avançada dos
seres humanos, e é mais significativa na vida dos homens do que das mulheres, é
claro... Crenças a parte, preconiza-se que a sexualidade é uma opção que pode
ser individual, mas sempre recomenda-se para o casal, que eles, entre outras
coisas, possam sim, acreditar nisso e exercê-la, independentemente da história
sexual prévia, das oportunidades e do estado geral atual da saúde do
casal.
Por
que digo isso? Por que acredito, independentemente se o casal estará, digamos
“turbinados” e ou “estimulados” por esse ou aquele medicamento, o que importa é
a senescência, ou seja, é uma época em que as perturbações metabólicas têm
reduzida capacidade de adaptação, principalmente nos territórios endócrinos,
que controlam clinicamente os sistemas biológicos e os estados psicológicos que
estabelecem e potencializam as crenças, as vontades, os desejos e as fantasias.
Sem contar é claro as questões do amor romântico, que acredito serem também
fundamentais para a continuidade, a afetividade, o desejo e a prática da
sexualidade entre as pessoas, mesmo de idades já avançadas.
Penso
também, que embora não haja necessariamente as evidências de que as
concentrações dos principais hormônios estejam alteradas com o passar da idade,
os sistemas orgânicos que os utilizam têm um equilíbrio precário e estão
constantemente buscando novos pontos de equilíbrio para manterem sua regulação.
Assim,
com o avançar da idade existem significantes alterações na produção de
hormônios, no seu metabolismo e principalmente no seu mecanismo de ação,
modificando assim, tanto a quantidade, quanto a qualidade das relações sexuais
do casal.
Algumas
dessas alterações podem exercer um papel importante na fisiopatologia da
senescência, como a dinâmica hipofisária, a fisiologia adrenal e tireoidiana, a
homeostasia glicêmica, a função reprodutiva e o metabolismo do cálcio. A partir
dos 40 - 50 anos, qualquer teste endócrino dependerá muito do estado
nutricional, da presença ou não de alguma disfunção coexistente e o como está o
relacionamento afetivo em geral.
Preconiza-se
que talvez vários estudos, como também, médicos e pacientes frequentemente
interpretam mal as alterações sexuais que são normais na vida das pessoas mais
velhas. Por exemplo, na maioria das mulheres, isso inclui a diminuição de
secreção de hormônios, a diminuição da libido, o aumento do tempo e da
estimulação para atingir excitação, a pouca lubrificação vaginal e é claro a
diminuição do interesse pela sexualidade, sem contar é claro, como estarão os
seus estados psicossociais vigentes.
Com
relação aos homens, ocorre entre outros fatores, a perda da ereção, diminuição
do volume ejaculado, rápida detumescência após o coito, um prolongado período
refratário antes de se conseguir nova ereção, diminuição da secreção de
hormônio e também (em menor escala) a diminuição sim do interesse por sexo em
geral.
Estes
achados normais em pessoas de mais idade, aliados a problemas médicos ou
psicológicos, podem precipitar como já dito, principalmente apatia sexual
(mulheres) e disfunções eréteis e mesmo impotência (homens). Este desempenho
está na dependência direta dos níveis hormonais séricos, principalmente de
Progesterona, Testosterona, Gonadotrofinas e Prolactina.
Por
outro lado, na maioria das vezes, a maioria destes pacientes têm erroneamente
em mente, que sexo está apenas ligado à função reprodutiva e religiosa, e têm a
visão holística de que sexo é vital também para sua saúde, nas relações
interpessoais e no senso de integridade (culturalmente falando)... E que,
qualquer alteração no desempenho e frequência, resulta em dificuldades de se
comunicarem, atitudes conflitantes, embaraços e queixas sexuais e afetivas em
geral.
Um
estudo de Weizman e Hart (1987); em que investigaram o comportamento sexual de
muitos homens e mulheres sadios, com idades que variavam de 35 a 65 anos; eles
observaram que, mesmo sendo todos casados, fisicamente sadios e sem problemas
psicológicos ou maritais, as pessoas apresentaram queixas como impotência,
atividades masturbatórias e menor atividade sexual.
Logo,
isto indica há esse ver, que o interesse sexual continuava presente nestes
pacientes do referido estudo, mas a forma de expressão sexual variava desde o
desejo e o coito ativo, até o prazer auto-erótico das fantasias e da
masturbação. Ocorreram também, relatos de histórias de ataques cardíacos,
incontinência urinária, uso de sedativos e ou medicação psiquiátrica
concomitantemente.
As
disfunções sexuais apresentam assim, alta prevalência entre as pessoas de mais
idade e é frequentemente considerada uma consequência inevitável da idade, mas
para mim, isso é um erro e ou pelo menos muito simplório de se diagnosticar
como apenas essa a causa; explico... Para determinar se outros fatores se
relacionam ou se associam a esse declínio das funções sexuais, deveríamos
sempre também destacar e investigar outros fatores de extrema importância,
como, as relações físicas práticas e significantes, o estado de saúde
hereditário e geral, diabetes mellitus e os episódios de incontinência
urinária. Portanto, embora que mesmo que já sabido que as disfunções sexuais
aumentem com a idade, elas estão sim, frequentemente relacionadas também com
outros estados mórbidos do que e apenas relacionada simplesmente com a idade.
Preconiza-se
que os pacientes mais idosos têm muitas agressões à sua sexualidade. Nossa
cultura frequentemente desencoraja o interesse não só sexual dos mais velhos,
mas também em muitos casos os relacionamentos afetivos em geral (namorar para
que?).
Outro
dado, as alterações do envelhecimento, os efeitos de doenças crônicas ou ainda
as medicações em geral, podem contribuir negativamente tanto física como
psicologicamente no desempenho sexual. As emoções e o stress nas relações das
pessoas mais velhas podem levar até há transtornos psicológicos e cognitivos
mais graves, aumentando aí sim, o declínio sexual em geral. Erros na apreciação
desses fatores psicológicos podem resultar em tratamento inapropriado e piorar
ainda mais o sofrimento dos pacientes.
A
literatura médica demonstra em vários estudos e pesquisas que pacientes que
sofreram infarto do miocárdio e sofrem de problemas circulatórios apresentam
disfunções eréteis, devido além das causas orgânicas, medo e crenças
infundadas, de que a volta às atividades sexuais possam redundar um novo
episódio isquêmico.
Segundo
Vitiello (1987); hoje, em nosso meio, as mulheres têm uma expectativa de vida
em torno de 65 anos e como a faixa etária em que se interrompem as menstruações
se situa em torno de 45 anos, um terço da vida feminina transcorre após a
menopausa. É chamada por muitas pessoas terceira idade, que é digamos muito
ainda esquecida, mal tratada, marginalizada, vítima de piadas de mau gosto e
seus relacionamentos afetivos e sexuais, quando existem são ridicularizados,
chegando-se a dizer em várias “rodas de conversas” que existem três sexos: sexo
masculino, sexo feminino e... Sexagenário.
A
sexualidade dos mais idosos passa a ser considerada até como uma indecência,
texto esse dito principalmente pelos mais conservadores e religiosos. Mas não é
só a sociedade, as instituições e a família que exercem pressão sobre a
sexualidade dos idosos. As próprias pessoas quando chegam a essa idade se
consideram e acreditam serem assexuadas e assim permanecem.
Essa
postura se deve à ignorância e crenças infundadas sobre o assunto, porque a
sexualidade pode ser exercida sim e plenamente em qualquer idade, pois, com o
passar do tempo e dos anos muitos de nós poderíamos e deveríamos pensar em
qualidade e não apenas e quantidade das e nas nossas relações afetivas.
Acredito
também, baseado em minhas pesquisas e leituras na área, que as alterações que a
idade impõe aos idosos são: uma diminuição normal da libido e dos hormônios,
ereções mais demoradas e curtas, pressão ejaculatória menor, menor volume do
ejaculado, vaginismo, mais rápida detumescência e maior período refratário
entre as ereções, menor lubrificação nas mulheres, etc... Em suma, não há
necessariamente razão a priori para os idosos abandonarem sua atividade sexual,
mesmo se estiverem apresentando algumas dessas características.
O
sexo pode ser tão gratificante como na juventude ou na idade adulta, acredito
que é também uma questão de adaptação... Explico: Desde que a revolução sexual
começou, após a 2ª Guerra Mundial, o sexo deixou em parte de ser pecado, de ser
sujo, passando a ser mais frequente dentro do casamento, não apenas com fins
procriativos.
Hoje
em dia, com bem mais igualdades entre os sexos, principalmente as mulheres
rejeitam qualquer censura e propõe o direito lídimo de uma educação sexual
desde as escolas, onde o sexo é apresentado como natural, fisiológico e
saudável. Ou seja, a “nova moral” permite a prática do sexo sem tantos
inocentes, sem muitas vítimas, sem prejuízos para os parceiros e uma nova
consciência de paternidade responsável. Mas, ainda assim, as exigências do
desempenho sexual tem efeitos danosos para ambos os sexos.
Isto
tudo resulta, em que os homens passem a ter a obrigação de satisfazer a
parceira, o que cria um grau de ansiedade crescente e com o passar da idade as
deficiências ou a queda do desempenho se tornam muito frequentes também para os
mais novos já nos dias de hoje.
No
caso das mulheres, por sua vez, buscam atingir mais o orgasmo que atualmente
ainda só ocorre em metade das relações, e de várias formas aumentam também as
relações fóbicas, se martirizando na busca de obtê-lo a todo custo e acaba
desenvolvendo também uma ansiedade por si mesma inibidora, além é claro das
questões de medo de perder o parceiro.
Para
piorar a situação as mídias eletrônicas estão repletas de mensagens que
exploram os corpos sexualmente, levando ao hábito e a uma busca constante de
novas formas de erotização. Alie-se a tudo isto a ignorância (falta de
conhecimento) e as deficientes técnicas sexuais, temos principalmente nos
homens idosos, um aumento das disfunções sexuais reportadas.
Segundo
Lewis (1989); as mulheres tem ainda hoje uma maior expectativa de vida, em
geral elas são no mínimo alguns anos mais jovem que os homens, que morrem antes
e, então elas, perdendo parceiro passam a tem poucas chances de se casar e se
relacionar novamente. Quando o faz, tem problemas com a família, com a
previdência social, com a comunidade religiosa, com as amigas e consigo mesma
para se adaptar ao novo parceiro e a nova vida sexual.
Segundo
CAVALCANTI e CAVALCANTI (1987); os atos fisiológicos que constituem as
respostas sexuais humanas são filogeneticamente determinados. Todos os seres
humanos herdam em parte a capacidade de libido, excitação e orgasmo
(fisiologicamente falando) e esta sequência é chamada de funcional; porém se há
um bloqueio e ou uma patologia em uma ou em várias etapas desta sucessão, os
seres humanos são equivocadamente considerados (as) disfuncionais.
Logo,
preconiza-se que se o organismo é normal e a estimulação sexual efetiva, elas
quase sempre levarão a uma resposta sexual fisiológica inevitável; sem contar
com todas as questões emocionais e afetivas envolvidas. Mas nem todos os seres
humanos tem a mesma potencialidade para responder sexualmente e é necessária
uma série de fatores como disponibilidade de tempo, parceiro (a), local,
condições de saúde, fantasias, etc., para se obter resposta realmente eficaz e
satisfatória.
Nas
sociedades antigas, tradicionais e machistas, as mulheres ficam como que à
disposição dos seus parceiros para ter relações sexuais, mesmo que não esteja
ardendo de vontade e de desejo. Portanto, temos que ter um estímulo capaz de
eliciar uma resposta após certa latência, porém, se os estímulos forem
repetitivos, a latência aumenta, o limiar aumenta e a fadiga se instala.
Deve-se esperar a recuperação física para se obter novamente respostas; ou
ainda nos meus estudos de casos, um pouco mais de educação e respeito para com
as parceiras.
Ainda
é preciso distinguir duas outras situações: o hábito e a saciedade. No hábito,
como sabemos, os mesmos estímulos repetidos conduzem a uma familiaridade com a
situação e, portanto, levam ao desinteresse, “saciedade” e a indiferença. É o
que acontece com casais unidos há muito tempo, onde a rotina e a exposição do
mesmo estímulo sexual fazem com que os (as) parceiros (as) se tornem
inapetentes.
A
“saciedade”, a indiferença e o desinteresse se instalam quando o mesmo estímulo
(ou a fala dele) é apresentado repetitivamente, perdendo seu papel eliciador.
Não confundir com fadiga... As pessoas podem estar fatigadas e não saciados e
vice-versa. Uma única relação sexual pode deixar uma pessoa saciada e não
fatigada (relações repetidas).
Para
HELLINGA (1978); a Andropausa pode começar ainda na vida adulta devido à
hipofunção das células de Leydig, sem qualquer cronologia com a idade, como
acontece com a maioria das mulheres. A produção de Testosterona declina,
resultando num pico matinal inferior, valores inferiores a 300 ng/ml.
Os
sintomas são vagos e inespecíficos, dentro de um processo gradual de transição
de hipofunção até o aleydigismo, com diminuição da libido e da potência,
acompanhadas de fadiga aos exercícios (mesmo que leves) e decréscimo das
atividades mentais, principalmente atenção e memória. Pode se seguir anorexia,
nervosismo, cefaléias, irritabilidade, distúrbios gastrointestinais, distúrbios
de sono, extrassístoles, taquicardia, distúrbios vasomotores (ondas de calor),
depressão e alterações emocionais.
Os
diagnósticos, por muitas vezes suspeitados, devem ser confirmados; baixos
níveis de 17-Cetosteróides ou de Testosterona no plasma e na urina são
decisivos e uma boa resposta aos andrógenos de substituição é a última prova.
Porém, segundo este autor, devemos diferenciar a Andropausa do climatério
masculino. Ele chama de Andropausa se a deficiência primária está na Hipófise
ou no Hipotálamo, onde o LH está baixo ou ausente.
Por
outro lado, em outro momento, se as células de Leydig não respondem bem, o LH
tende a aumentar e os sintomas descritos tendem a se agravar. É o climatério
masculino. A ocorrência de Andropausa é muito mais freqüente do que a síndrome
climatérica bem definida, porém há uma tendência em se negligenciar a
existência de ambas e os pacientes serem encaminhados ao tratamento
psiquiátrico/psicológico. Não devemos negar a existência de fatores
psiquiátrico-psicológicos que, em parte, preenchem sim o seu papel em muitos
casos, porém em geral são secundários às causas orgânicas e fisiológicas
principais.
Acredito
que após tais estudos e leituras que a causa é diferente, porém a resultante é
a mesma, ou seja, a falta ou a deficiência de andrógenos. A avaliação da função
da célula de Leydig é feita em geral pelo radioimunoensaio de Testosterona e
LH.
Isto
tudo, conduz a outro problema, os efeitos colaterais da androgenoterapia que
podem causar carcinoma de próstata e repercussão sobre o coração e os vasos
sangüíneos levando à hipertensão e/ou arteriosclerose, tornando o ato sexual
perigoso para os homens mais idosos. Várias são as referências em estudos, de
morte durante o intercurso entre esses pacientes (morte heróica, foi a última).
Toda
energia reprimida deve ser utilizada na atividade sexual para que os indivíduos
gozem de perfeita saúde física e mental. Tanto que existe um ditado recorrente
de muitos estudiosos que dizem: “Quanto mais se faz sexo, mas se quer fazer e
melhor se sentem as pessoas, é um afrodisíaco”.
Preconiza-se
novamente outro ditado do meu pai, já falecido que dizia: “Que resta, portanto,
encontrar um (a) parceiro(a) interessante e interessado (a), para compartilhar
uma sexualidade plena”. Porém, como já mencionei anteriormente podem coexistir
inúmeras patologias nessa idade que irão agravar e complicar o quadro ou mesmo
serem diretamente responsáveis pela perda da sexualidade.
Agora,
outra pergunta: “Quais são os achados reais que a senescência impõe ao homem?”.
Os trabalhos de NOWAKOWSKI e SCHMIDT (1959) e DOEPFMER (1960); que evidenciam
que o peso e o volume dos Testículos diminuem ligeiramente em muitos homens. Em
níveis microscópicos se observam espessamentos das paredes dos túbulos
seminíferos com hialinização e fibrose gradual e com diminuição da atividade
espermatogênica. Porém, em muitos túbulos, a espermatogênese se mantém e de há
muito se sabe que a fertilidade pode estar presente aos 90 anos; mas, em geral,
20 a 30% dos indivíduos com mais de 60 anos são subférteis ou mesmo inférteis.
O
conteúdo de frutose seminal diminui a um terço do normal, o que evidencia um
declínio na função das células de Leydig, cujo número se reduz a 40% na maioria
dos casos, a partir dos 70 anos de idade, resultando em menor produção de
hormônios e menor excreção de 17-Cetosteróides. Este declínio da função
testicular devido ao envelhecimento pode ser primário (Testículo) ou secundário
(Hipófise) ou de ambos.
As
alterações são na libido e na função erétil e, embora as maiorias dos homens
idosos mantenham-se interessados em sexo, menos de 15% referem atividade sexual
contínua, devido primariamente à disfunção erétil. Pois, já se sabe que a
ereção depende da interação completa entre sistema nervoso autônomo, sistema
cardiovascular e neurotransmissores locais como a acetilcolina, NO (óxido
nítrico) e o VIP (peptídeo intestinal vasoativo). O estímulo sexual aumenta o
influxo sangüíneo nos corpos cavernosos e restringe o seu efluxo, causando a
rigidez peniana.
Com
a idade, também diminuem os esteróides Gonadais, a velocidade de condução
nervosa e a complacência vascular, podendo qualquer uma delas interferir no
processo erétil. Então outros estudos em que os homens são submetidos a
programas de investigação com o Doppler e o teste da papaverina, fica claro e
surpreendentemente se encontrar fuga venosa em apenas 15% dos pacientes e
insuficiência arterial com indicação para próteses penianas em não mais que 12%
dos casos. Logo, em mais de 70% dos casos, aparentemente, a causa não é
vascular! Outra pergunta: “Pensa-se então em desordens neurológicas?”.
Segundo
SUGIYAMA (1989); o reflexo cremastérico pesquisado por um choque único aplicado
na região ventromedial da coxa ou no dorso do pênis demonstra claramente como
dirimir as dúvidas. Se houver lesão neurológica o reflexo tem latência
aumentada e pode se tornar ausente,
mesmo com estímulos fortes supra limiares. Para este autor, esta metodologia
favorece a localização das lesões medulares e permite minimizar o efeito da
córtex cerebral sobre o próprio reflexo.
Outro
estudo, temos ainda os relatos dos doutores CATALAN, HAWTON e DAY (1990); que
destacam que as disfunções sexuais devem ser focalizadas levando em conta que
1/3 dos homens e 18% das mulheres sofrem de problemas físicos, mais de 1/3 dos
casais têm problemas psiquiátricos/psicológicos e 2/3 dos casais têm problemas
maritais ou de relacionamento com os (as) parceiros (as), que contribuem para a
gênese das mesmas.
Encontramos
ainda referências a disfunções sexuais em pacientes que apresentaram acidentes
vasculares cerebrais, principalmente do hemisfério cerebral dominante,
hipertensos, doença de Peyronie, lepra, distrofia miotônica, uremia, diabéticos
(as) de longa data, portadores (as) de artrite reumatóide ou espondilite
anquilosante, infarto do miocárdio, queimaduras, hepatopatias crônicas,
operados de cânceres urológicos, operadas de mastectomias e cirurgias genitais,
pós-radioterapia de tumores de bexiga ou próstata, cirurgias abdominais ou
pélvicas, insuficiência respiratória, endocrinopatias, cardiopatias, o uso de
drogas e medicamentos.
Sendo
assim, podemos visualizar causas orgânicas e causas psicossociais, cujas
conseqüências podem ser de grande importância na sexualidade dos (as) pacientes
e ter reflexos sobre as reações do (a) parceiro (a) sexual, resultando em
efeitos nada desprezíveis sobre o (a) próprio paciente, redundando num ciclo
vicioso que mantém de forma direta ou indireta o problema existente ou, o que é
pior, induz a um agravamento da situação.
Consultando
a literatura recente sobre disfunções sexuais e patologias mais comuns, me
deparei com os trabalhos sobre pacientes hipertensos (as), diabéticos (as) ou
não, cuja doença vascular associada à neuropatia ou a problemas psicológicos,
se torna um desafio quanto ao seu tratamento, em ambos os sexos, pois os usos
de diuréticos, simpatolíticos e betabloqueadores se associam a disfunções
eréteis, impotência e diminuição da libido mais no sexo masculino. ZEMEL
(1988); estima entre 40 a 80% o índice de pacientes diabéticos (as) e hipertensos (as) com uma dessas disfunções
relatadas.
Outra
patologia extremamente comum de ser relacionada com as disfunções sexuais é o
acidente vascular cerebral. MONGA, LAWSON e INGLIS (1986); estudando mais de
100 pacientes (2/3 homens e 1/3 mulheres) com mais de 60 anos, referem
diminuição da libido em ambos os sexos. Os homens referem perda de ereção e da
ejaculação após o insulto cerebral e as mulheres se queixam de problemas
orgásticos e de lubrificação vaginal, 95% dos homens e 75% das mulheres estavam
satisfeitos com sua atividade sexual antes do acidente, enquanto após o mesmo,
somente 26% dos homens e 37% das mulheres diziam o mesmo. Todos relatam ter
medo que a atividade sexual altere a pressão arterial e precipite novo
acidente.
Outro
estudo pesquisado destaco COSLETT e HEILMAN (1986); que estudando pacientes com
acidentes vasculares nos hemisférios direito - dominante - e esquerdo, referem
a prevalência das lesões à direita sobre as disfunções - (9/12) para apenas
(1/4) à esquerda, o que corresponde à hipótese de ser o hemisfério dominante
crítico para ativação das funções sexuais.
Um
grupo de pacientes que tem apresentado problemas de sexualidade e fertilidade,
são aqueles submetidos a tratamentos para tumores de próstata e das vias
urinárias. Assim, SCHOVER (1987) e BANKER (1988); se preocupam com a preservação
da função sexual e da fertilidade em pacientes que foram operados de câncer da
próstata, da bexiga, do pênis, da uretra ou dos rins e inclusive da recuperação
da espermatogênese após quimio ou radioterapia.
Quanto
aos efeitos desta última, van HEERINGEN, De SHRYVER e VERBEEK (1988); estudando
18 pacientes com idades entre 60 e 82 anos, submetidos à radioterapia por Ca de
próstata, encontraram apenas 03 casos de impotência, ressaltando a importância
de assistência psiquiátrica/psicológica para reduzir a proporção de problemas
psicogênicos que incidem nesses pacientes.
Outro
interessante estudo é o de BANKER (1988); que acompanhou prospectivamente
pacientes irradiados também por câncer de próstata. Para aqueles ativos
sexualmente (três ou mais intercursos mensais) antes da irradiação, a chance de
manter a potência com ereções perfeitas era de 73%. Mas, para os casos menos
ativos, o decréscimo da potência era de 40 a 46%, evidenciando a importância da
atividade sexual prévia.
Por
fim e mais recentemente, KRAUSS, D.J.; LANTINGA, LJ. CAREY, MP. MEISLER, A.W.;
e KELLY, (1989); acompanharam o pós-operatório de 19 pacientes com próteses
penianas e suas esposas durante um ano e relatam que o casal se mostra em geral
satisfeito, principalmente os maridos que aumentam a frequência dos coitos,
mesmo sem sofrer alterações da libido.
FONTE:
https://psicologado.com/psicologia-geral/sexualidade/pensamentos-e-discussoes-cognitivas-sobre-a-fisiologia-do-envelhecimento-sexual-do-casal?utm_source=boletim&utm_medium=e-mail&utm_content=titulo_artigo&utm_campaign=psicologado_artigos&email=acimarleyfreitas@gmail.com
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