Psicologa Organizacional

22 de dezembro de 2015

Puberdade e Adolescência

 
 
 
 

A puberdade se refere aos fenômenos fisiológicos que são mudanças corporais e hormonais e adolescência se refere ao nível psicológico e social.
A puberdade culmina na primeira menstruação (menarca) nas meninas e nos meninos a primeira ejaculação.
Essas mudanças hormonais fazem com que o adolescente cresça, perca as roupas e se afaste da infância, e com o corpo de um adulto começa a ser cobrado pelos pais atitudes e comportamentos mais responsáveis.
Junto com essas mudanças corporais, vêm as mudanças no humor e nos estados de ânimo, pois o adolescente vive tudo de forma mais intensa. O adolescente que agora está rindo pode ficar irritado por nada e acaba tendo uma explosão comportamental, Ai vem aquela famosa frase: ”ninguém me entende”.
Não é que ninguém o entende, e sim que ele muda de opinião muito rápido. O adolescente ama hoje uma pessoa e amanhã pode odiá-lo da mesma forma. Os pais se assustam, mas o próprio adolescente se assusta com a intensidade das suas emoções.
O adolescente é impulsivo, tem vontade de fazer e faz, sem parar para refletir. É ai que entra a queixa dos pais. Se acharmos que tudo que os filhos fazem é definitivo, nós nunca vamos entender nada sobre eles.
Temos que lembrar que todos esses comportamentos fazem parte do processo de amadurecimento e formação de uma identidade.
Identidade que se forma a partir de identificações com os pais, por isso os pais devem procurar responder perguntas com objetividade, sem rodeios. Muitas vezes, o que observamos são pais dizendo “não”, mas não explicando para o adolescente o porquê desses “não”.
Outra coisa que notamos é o pai dizer “não” e a mãe dizer “sim” ou vice-versa, ou ainda o pai diz: “pergunte para sua mãe” e a mãe diz: “pergunte para seu pai” e o filho fica como bola de pingue-pongue pulando de lá para cá a espera de uma resposta. Sabemos que é mais difícil construir uma identidade a partir de incoerências.
A identidade é construída a partir de interações com os pais e com o grupo que o adolescente esta inserido.        
É difícil tanto para os pais como para os filhos a passagem do mundo infantil para o mundo adulto, pois para os dois há um luto pela perda. Para o adolescente há o luto pela perda do mundo infantil, e para os pais o luto pela mudança do filho infantil para um filho adulto.
Muitas vezes os pais podem reviver no adolescente, frustrações e conflitos mal resolvidos de sua própria adolescência, afetando assim a interação com os filhos.
O curso natural do desenvolvimento afetivo, emocional e social do adolescente é ir criando aos poucos sua independência, tendo clareza de sua identidade, amadurecer. E os pais participarem desta mudança de fase, aceitando e respeitando o amadurecimento e curtindo essa fase maravilhosa.
 
 
 

3 de dezembro de 2015

O Bullying no local de trabalho


O Bullying no local de trabalho



Diferente do que se imagina, a prática do bullying não ocorre somente dentro das salas de aulas. Também não acontece somente entre alunos: os mais populares e os nerds; ou entre os maiores e os menores.

A prática do bullying, esse comportamento tão eficaz e destrutivo da nossa autoestima, está presente também entre adultos em seus locais de trabalho. Com pouquíssimas diferenças nas suas definições e muita semelhança nas suas consequências, o bullying no local de trabalho pode se tornar um grande pesadelo para muitas pessoas.



O bullying no local de trabalho pode ser definido como:

“A exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego”.

Margarida Maria Silveira Barreto (2000), Médica do Trabalho

O bullying no local de trabalho frequentemente envolve o abuso ou mau uso do poder. A prática do Bullying inclui comportamentos que intimidam, denigrem, ofendem ou humilham um trabalhador, normalmente na frente de outras pessoas.  A prática do bullying cria sentimentos de impotência no alvo e minimiza o direito do indivíduo à dignidade no trabalho.

È importante lembrar que a prática do bullying é diferente da agressão. Enquanto a agressão pode significar um ato isolado, a prática do bullying requer ataques repetitivos contra o alvo, criando um padrão de comportamento que nunca se acaba.

Outro ponto importante a ser levado em consideração é que chefes “durões” ou “exigentes” não são necessariamente bullies/agressores, uma vez que suas motivações principais são conseguir o melhor desempenho de seus funcionários.

Além disso, muitas situações de bullying envolvem funcionários agredindo seus próprios colegas, ao invés de um supervisor ou chefe intimidando um funcionário.

É muito interessante notar que a prática do bullying no local de trabalho é frequentemente dirigida a alguém de quem o agressor tem medo. O alvo muitas vezes nem percebe que está sendo agredido porque o comportamento pode ser camuflado através de críticas triviais e ações isoladas que ocorrem atrás de portas fechadas.

Alguns exemplos de comportamentos de bullying no local de trabalho:

• Críticas não cabíveis

• Culpar o funcionário sem uma justificativa real

• Ser tratado de forma diferente da sua equipe de trabalho

• Ser alvo de xingamentos

• Ser excluído ou isolado socialmente

• Ser alvo de gritos ou ser humilhado

• Ser alvo de piadas

• Ser constantemente e excessivamente vigiado

Como a prática do Bullying no local de trabalho afeta as pessoas




Alvos da prática do bullying vivenciam sérios problemas físicos e mentais:

• Alto stress; desordem de stress pós-traumático

• Problemas financeiros causados por faltas

• Baixa autoestima

• Problemas musculares

• Fobias

• Dificuldades para dormir

• Alto índice de depressão/auto-acusação

• Problemas de ordem digestiva/alimentar

Como a prática do Bullying afeta as empresas:

Cada uma das consequências citadas acima pode ter um custo muito alto para uma empresa. Os custos da prática do bullying geralmente se encaixam em três categorias:

1. Recontratação de funcionários que saem por serem alvos de bullying.

2. Tempo gasto na resolução de conflitos causados pela prática do bullying: energia é dirigida a assuntos que não dizem respeito à produtividade no trabalho.

3. Gastos relacionados à investigação da prática do bullying e potenciais processos trabalhistas.

A quebra da confiança em um ambiente aonde existe a prática do bullying pode significar que os funcionários não serão capazes de contribuir com o seu melhor desempenho ou dar ideias novas de melhorias ou opiniões sobre fracassos que poderiam ser revertidos de maneira aberta e honesta.

O que pode ser feito? Aqui vão algumas dicas do que fazer:

Funcionários:

Retome o controle da situação!

• Reconheça que você está sendo alvo de bullying

• Reconheça que você NÂO é o causador do problema.

• Reconheça que a prática do bullying tem a ver com controle e portanto, não tem nada a ver com o seu desempenho no trabalho.

Tome uma atitude!

• Faça anotações em um diário detalhando a natureza da prática do bullying: datas, horários, locais, o que foi dito ou feito e quem estava presente.

• Guarde cópias de qualquer prova da prática do bullying contra você, documentos que mostrem a contradição das acusações do agressor contra você: relatórios, cartão ponto, etc.

Outras ações:

• Tenha em mente que o agressor irá negar e talvez reverter suas alegações; tenha sempre uma testemunha com você quando estiver na presença de um agressor; denuncie o comportamento à pessoa apropriada.

Empresários:

Crie uma política de tolerância zero à prática do bullying dentro da sua empresa. A política deve fazer parte de um comprometimento amplo para um local de trabalho seguro e sadio e deve envolver representantes do departamento de recursos humanos.

Quando a prática do bullying for testemunhada ou denunciada por alguém, o problema deve ser resolvido imediatamente.

• Se a prática do bullying já faz parte da cultura da sua empresa, queixas devem ser levadas a sério e investigadas prontamente. A re-alocação das pessoas envolvidas pode ser necessária sob a alegação: “inocente até que se prove o contrário”.

• Organize sua empresa para que seus funcionários possam participar da tomada das decisões em algumas situações. Isto ajuda muito a criar um ambiente aonde as pessoas se sentem importantes e valorizadas.

• Realize treinamentos que esclareçam o que é a prática do bullying.

• Encoraje políticas de portas abertas no local de trabalho.

• Investigue o tamanho e a natureza dos conflitos.

• Capacite gerencias e chefias para terem habilidades e sensibilidade ao lidar e resolver conflitos.

• Demonstre um comprometimento “de cima para baixo” sobre o que é e o que não é um comportamento aceitável no local de trabalho.

Se você sabe que a prática do bullying acontece no seu local de trabalho e não faz nada, você está aceitando compartilhar da responsabilidade por abusos futuros. Isto significa que testemunhas da prática do bullying devem ser encorajadas a denunciar tais incidentes. Indivíduos sentem-se muito menos motivados a terem comportamentos anti-sociais no trabalho quando fica claro que a empresa não tolera tais comportamentos e que os agressores serão punidos.

Na verdade, o ideal seria que empresas e organizações tivessem a possibilidade de ofertar aos seus trabalhadores momentos de aproximação e diálogos que permitissem a estas pessoas se conhecerem melhor e se conectarem através de suas histórias de vida, sonhos e desafios. O entendimento só é possível quando eu realmente conheço o outro, o que ele pensa e sente sobre as mesmas coisas que eu.

Grupos de trabalho são fontes riquíssimas de crescimento e percepções que podem ocasionar mudanças importantes na nossa sociedade como um todo.

E você? Já foi alvo de bullying no seu local de trabalho?


28 de novembro de 2015

Psicologia Organizacional e Seu Papel na Motivação do Trabalhador

Psicologia Organizacional e Seu Papel na Motivação do Trabalhador

A motivação é um dos principais princípios da vida, é ela quem determina o comportamento para realizar qualquer tipo de atividade. A motivação pode ser extrínseca, quando são de fatores externos, como prêmio e dinheiro, por exemplo, e pode ser intrínseca, quando vem de dentro, temos prazer na atividade. O ser humano possui três motivações básicas: fome, sede e sexo, as quais visam satisfazer necessidades relacionadas à sobrevivência.
No âmbito empresarial a motivação é trabalhada em cima da seguinte questão: o que realmente motiva o trabalhador, prazer na atividade ou a remuneração? Objetivando levantar as questões relacionadas à motivação no trabalho no contexto da psicologia organizacional estuda-se a real motivação do trabalhador. Este estudo também é necessário para a realização de novas pesquisas a fim de propor às organizações a forma mais adequada de motivar seus funcionários e melhor investimento nas relações humanas. Atualmente, as pesquisas relacionadas à organização com foco nas relações humanas e sua motivação estão crescendo, no entanto, ainda é necessário desenvolver estudos mais elaborados.
No decorrer do trabalho ver-se um pouco sobre a história da psicologia organizacional e seu desenvolvimento, aborda-se, ainda, sobre o comportamento e a motivação em si. Por fim, é considerada a motivação no âmbito organizacional.
2. História Da Psicologia Organizacional
Os fatos históricos contribuíram para o surgimento e reconhecimento da psicologia organizacional. A primeira e segunda guerra mundial foram fatos significativos para a história da psicologia do trabalho, pois foram nesses momentos em que iniciaram com o processo de seleção ao escolher os melhores recrutas para irem para as guerras. A partir daí começaram a valorizar a psicologia do trabalho e a se pensar nas condições de trabalho e em uma nova forma de trabalhar.
A psicologia organizacional propriamente dita surgiu no final do séc. XIX e início do XX com a revolução francesa e industrial, onde a população migrou do campo para a cidade o que fez com que aumentasse a demanda de recrutamento seleção para trabalhadores das indústrias.
Hoje a psicologia organizacional é legalmente reconhecida como uma área de atuação da psicologia voltada para o trabalho e trabalhador. Segundo Toledo (1986, p. 64) “...a Psicologia Organizacional é o estudo do fator humano na organização, este estudo abrange a atração, retenção, treinamento e motivação dos recursos humanos da empresa”.
Diferente do século passado, no século XXI as políticas de Rh, técnicas voltadas para o colaborador, estão com enfoque maior nos funcionários, conforme aponta Tonelli (2003, p.105):
Houve redução de trabalhos sobre funções de Rh (avaliação de desempenho, recrutamento e seleção, cargos e salários) e crescimento de estudos que analisam políticas de Rh (qualidade de vida no trabalho, qualificação, gestão de competências, programas de qualidade, gestão participativa dentre outros). Aumentaram estudos sobre comportamento organizacional (comprometimento, estresse, aprendizagem, gênero, saúde).
A psicologia organizacional estuda a dinâmica organizacional: organização, grupo e indivíduo. Como diz Chiavenato (2007, p. 211) “A psicologia organizacional, consiste no planejamento, organização, desenvolvimento, coordenação e controle de técnicas capazes de promover o desempenho eficiente do pessoal”, dito de uma forma específica, trabalham com assuntos referentes a saúde mental, assédio moral, qualidade de vida, responsabilidade social, estresse entre outros.
3. Comportamento
O comportamento é um ato movido por estímulos externos e internos. O comportamento organizacional é trabalhado na empresa, por psicólogos, através de dinâmica da organização, análise das relações interpessoais e atitudes no trabalho, desenvolvimento de habilidades e competências entre outros métodos. Todavia, para despertar tais comportamentos, para que sejam trabalhados na empresa, antes é preciso desenvolver o comportamento motivacional.
O comportamento motivacional é explicado pelas necessidades humanas. Para que haja ação ou reação é preciso que um estímulo seja implementado, seja decorrente do externo ou proveniente do organismo. Quando este comportamento não é estimulado e não se realiza o indivíduo frustra-se assumindo várias atitudes, dentre elas de agressividade, assertividade ou passividade/agressividade.
É importante frisar que estas atitudes são situacionais e individuais, ou seja, podem modificar de acordo com as situações que o ambiente apresenta e de pessoa para pessoa. No entanto, são atitudes padronizadas, que tentem a acontecer influenciadas por aspectos da personalidade e do controle sobre as emoções.
4. Motivação
Os motivos são instintos compulsórios, herdados ou forças irracionais que explica tudo o que as pessoas fazem, sentem, percebem e pensam. Tais motivos são estudados pelas seguintes categorias: impulsos básicos (sobrevivência), motivos sociais (contato com pessoas), de estimulação sensorial, de crescimento (autorealização) e de ideias como motivos (valores, crenças, metas e planos).
Para conhecer a motivação humana, antes deve-se conhecer o comportamento humano, como coloca Chiavenato (1999, p. 89) “O primeiro passo para se conhecer a motivação humana é o conhecimento do que ocorre no comportamento das pessoas”. Isto significa que é necessário identificar os processos impulsionadores (impulsos) e orientadores (reforços de comportamento) antes de estabelecer os motivos.
Os impulsos e orientadores que se aplicam ao comportamento são semelhantes para todas as pessoas e se destacam em três propriedades motivacionais: comportamento causado (pela hereditariedade e meio ambiente), comportamento motivado (finalidade do comportamento) e comportamento orientado a objetos (designa motivos do comportamento).
O ser humano está sempre em busca de melhorias para a sua vida, ele vive numa busca contínua de suprir as suas necessidades. Nesse sentido, quando uma necessidade é suprida, logo aparece outro em seu lugar. Quando as necessidades não são cumpridas gera-se sentimento de frustração, agressividade, desinteresse, baixo autoestima, nervosismo e outros.
As necessidades humanas podem ser representadas na pirâmide hierárquica de Maslow, na qual as necessidades estão estabelecidas em níveis de importância, da mais primitiva a mais refinada, como se pode ver abaixo na ordem:
1. Necessidades fisiológicas: são relacionadas à sobrevivência do indivíduo, necessidades instintivas, biológicas (fome, sede e sono). Estas dominam fortemente o comportamento:
Se todas as necessidades estão insatisfeitas e o organismo é dominado pelas necessidades fisiológicas, quaisquer outras poderão torna-se inexistentes ou latentes. Podemos então caracterizar o organismo como simplesmente faminto, pois a consciência fica quase inteiramente dominada pela fome. Todas as capacidades do organismo servirão para satisfazer a fome (MASLOW, 1975, p.342).
2. Necessidades de segurança: são referentes à segurança (busca de proteção) ou estabilidade (no trabalho, vida pessoal). Surgem no comportamento quando as necessidades fisiológicas estão satisfeitas;
3. Necessidades sociais: são de pertencimento, amor, psicológicas, afiliação, aceitação e pertencer a grupos. Surgem no comportamento quando as necessidades inferiores (fisiológicas e segurança) estão satisfeitas. A frustração dessas necessidades leva à falta de adaptação e a psicopatologias graves;
4. Necessidades de autoestima: voltada para a visão do indivíduo para si próprio, como se vê se avalia, envolvendo autoapreciação, autoconfiança, aprovação social, de respeito, de status, consideração, confiança diante do mundo, independência e autonomia. Sua satisfação origina sentimentos de autoconfiança, força, poder, capacidade e utilidade. A sua frustração pode produzir sentimentos de inferioridade, dependência, desamparo, desânimo;
5. Necessidades de autorealização: são de realização do próprio potencial e de auto-desenvolvimento contínuo. São as necessidades mais elevadas, que se encontram no topo da hierarquia.
Segundo a hierarquia apresentada por Maslow, pressupõe-se que somente quando um nível inferior for atendido é que o nível mais elevado começa a dominar o comportamento. Outros autores também apresentaram outras teorias de motivação, como por exemplo, Freederick Herzberg (1959), que desenvolveu a teoria de dois fatores da motivação: de higiene (aspectos do trabalho relevantes às necessidades de natureza animal) e de motivação (aspectos do trabalho importantes para as necessidades de crescimento).
Uma outra teoria da motivação é de Victor H. Vroom (1964), que diferente de Maslow e Herzberg, desenvolveu uma teoria que rejeita noções preconcebidas e que reconhece as diferenças individuais. Sua teoria, denominada Modelo Contingencial de Motivação, trabalha com o motivar para produzir diferenciando pessoas e cargos. O Modelo Contingencial de Motivação é uma teoria de motivação e não de comportamento.
4.1 Motivação na Organização
Para motivar as pessoas a realizar tarefas deve-se apresentar a importância da tarefa para o sujeito/empresa, acompanhar, incentivar, reforçar o comportamento, estabelecer etapas, elogiar. Para motivar o colaborador da empresa, além das motivações citadas, o trabalho deve ser analisado para melhoria contínua, os funcionários devem ser contratados de acordo com as características específicas do cargo e treinados para a sua tarefa, descobrir as características pessoais importantes, recompensar os funcionários por sua produtividade.
O fator higiênico de Herzberg, que já foi conceituado acima como aspectos do trabalho relevantes às necessidades de natureza animal, são fatores que devem ser considerados pelas empresas a fim de incentivar o colaborador no trabalho. Esses fatores que devem ser oferecidos pelas empresas, incluem: boas condições de trabalho, conforto, políticas da organização e administração, benefícios, salários justos, segurança no cargo, relações com o superior e com os colegas. As pessoas que não estiverem satisfeitas com esses fatores não vão se esforçar na realização de suas tarefas.
A teoria, também já vista, do Modelo Contingencial de Motivação de Vroom enfatiza que a motivação para produzir em uma organização deve considerar três fatores determinantes: expectativas (objetivos individuais e a força de alcançá-lo), recompensas (relação da sua produtividade e o alcance dos objetivos individuais) e a relação entre expectativas e recompensas (capacidade de influenciar sua produtividade pra satisfazer suas expectativas com as recompensas).
A organização deve motivar o colaborador proporcionando-o desenvolvimento de suas habilidades e competências para que este possa ter oportunidade alcançar o sucesso na área profissional e pessoal. Cabem aos gestores, psicólogos da empresa intermediar entre desejos dos funcionários e as exigências da empresa. Ele deve determinar o comportamento motivacional de seus subordinados e a partir daí buscar mantê-los motivados dentro das regras da empresa, amenizando o conflito entre os dois. O fato de estar ou não motivado também depende da maneira como o colaborador é visto por seu superior.
Para que o colaborador se sinta bem na organização é importante que goste dela, do ambiente de trabalho, da atividade que realizam e que tenham uma boa relação com seu gestor. A empresa deve investir no trabalhador como fator humano, na sua qualidade de vida no trabalho a fim de obter bons resultados.
Vale ressaltar que o estímulo que é motivador para um, pode não ser para o outro indivíduo, portanto, ao elaborar técnicas de motivação deve-se considerar a individualidade. Saber lidar com as diferenças é um requisito necessário nas organizações.
As organizações precisam aceitar o caráter individual da motivação e terem consciência que dificilmente os colaboradores estarão completamente satisfeitos. Diante do fato, cabe a elas fazer com que o trabalhador entenda a sua missão e onde ela se encaixa na empresa, se sentido respeitado e percebido, fazendo parte do projeto da organização.
Nesse contexto a empresa deve ter cuidado para que a motivação intrínseca não se perca, e para isso a empresa deve perceber a característica de personalidade de casa sujeito, pois à personalidade está ligada a busca de satisfação do indivíduo. Outra condição necessária para que a motivação intrínseca permaneça, está associada aos dois fatores da teoria de Herzberg, onde o reconhecimento e a perspectiva de progresso, formará pessoas, equipes mais produtivas.
5. Conclusão
Considerando que a motivação explica a causalidade do comportamento, as organizações devem realizar fortes investimentos nessa técnica. Devemos identificar o que realmente motiva o colaborador. A motivação na organização é um fator de suma importância para uma boa parceria entre colaborador-empresa, pois um funcionário motivado é funcionário produtivo.
Com a teoria de fator higiênico de Herzberg pode-se constatar que as recompensas monetárias não têm efeito desejado, ou seja, não é um fator de motivação, mas higiênico. O salário não é o melhor fator motivacional para o funcionário pelo fato de ser eficaz apenas para assegurar a submissão temporária às regras e aos regulamentos da organização.
Não funciona dar uma promoção para um funcionário desmotivado com a política de Rh, pois mesmo com o salário alto ele não vai produzir, ou seja, não havendo oportunidade de valorização profissional, plano de carreira, reconhecimento, os colaboradores se mostrarão desmotivados, ainda que recebam uma boa remuneração, o que faz com que as empresas, com a ajuda do psicólogo, deem ênfase na motivação intrínseca, ou seja, no que realmente motiva o trabalhador, o prazer na atividade.
A área da motivação e seu papel na psicologia organizacional é uma questão que precisa ser mais discutida para que se construa a melhor estratégia de bem-estar da empresa e do trabalhador, propondo menor custo, maior produtividade mantendo a qualidade, tanto de funcionários, quanto de produtos.

30 de outubro de 2015

Martin Heidegger




Martin Heidegger - Biografia

Martin Heidegger foi filósofo, escritor, professor universitário, reitor e um dos grandes pensadores do século 20. Nascido em uma pequena cidade católica, seu pai era sacristão e sua mãe era amiga da mãe do jovem Conrad Grober, que viria a se tornar arcebispo de Friburgo.
Heidegger estudou em Constança, de 1903 a 1906, e em Friburgo até 1909, onde se tornou um excelente aluno de grego, latim e francês, interessando-se pela leitura de Brentano e dos filósofos gregos.
Em 1909, Heidegger ingressou na Universidade de Friburgo e iniciou o curso de teologia. Paralelamente, continuou seus estudos sobre Aristóteles, e iniciou as primeiras leituras de Husserl, que o levariam ao método fenomenológico. Interessou-se também pela filosofia de Maurice Blondel e pelo pensamento de Kierkegaard, que o fez refletir sobre outro tipo de pensamento que não o católico.
A partir de 1911, influenciado pelo filósofo Heinrich Rickert , Heidegger estudou as obras de Hegel, Schelling, Kierkegaard e Nietzsche, Kant, Dostoievsky, Rilke, Trakl, e começou a redigir textos que resultariam em obras posteriores.
Em 1915, Husserl foi para Friburgo e Heidegger tornou-se seu assistente. Husserl o influenciou em toda a sua obra sobre o "Ser" e transmitiu a ele toda a doutrina fenomenológica.
Dois anos depois, Heidegger casou-se com sua aluna Elfriede Petri, com quem teve 2 filhos. Ela era luterana, filha de um oficial do exército e, desde o noivado, empenhou-se pelo trabalho de Heidegger, que lhe dedicou grande parte de suas obras.
Heidegger envolveu-se também com outra aluna, Hannah Arendt, de ascendência judia, que iria se transformar em uma das mais famosas filósofas políticas. Mesmo depois de separados, os dois mantiveram uma longa correspondência.
De 1915 a 1923, Heidegger assumiu o posto de professor substituto na Universidade de Friburgo e, de 1923 a 1928, foi professor da Universidade de Marburgo (Prússia), publicando sua maior obra filosófica "Ser e Tempo", em 1927. Após o lançamento dessa obra, Heidegger foi considerado o maior nome da filosofia metafísica. Depois Sartre modificaria esse título e lançaria o termo "existencialismo", mas Heidegger repudiou tal classificação.
Em Marburgo, Heidegger fez amizade com Rudolf Bultmann, que o levou a conhecer melhor a teologia protestante. Também era amigo de Max Scheler e Karl Jaspers. Entretanto, seu mestre Husserl decepcionou-se com "Ser e Tempo". Além disso, com o crescimento do nazismo, os dois ficaram em campos diferentes, pois Husserl tinha ascendência judia.
Quando Hitler se tornou chanceler, em 1933, Heidegger tornou-se reitor da Universidade de Friburgo, apoiando o nacional-socialismo. Após a Segunda Guerra Mundial, Heidegger assumiu a cadeira de Husserl na Universidade de Friburgo e redigiu obras de cunho filosófico, pequenos artigos e ensaios.
Entre as principais obras de Heidegger encontram-se: "Novas Indagações sobre Lógica" (1912), "O Problema da Realidade na Filosofia Moderna" (1912), "A Doutrina do Juízo no Psicologismo - Uma Contribuição Crítico-positiva à Lógica" (1914), "A Doutrina das Categorias e da Significação em Duns Scoto" (1916), "O Conceito de Tempo na Ciência da História" (1916), "Ser e Tempo" (1927), "Que é Metafísica?" (1929), "Da Essência do Fundamento" (1929), "Kant e o Problema da Metafísica" (1929), Hölderlin e a Essência da Poesia" (1936).
Também podem ser citadas "Da Essência da Verdade" (1943), "Introdução à Metafísica" (1953), "Da Experiência de Pensar" (1954), "O que é isto, a Filosofia?" (1956), "Da Pergunta sobre o Ser" (1956), "O Princípio da Razão" (1956), "Identidade e Diferença (1957), "A Caminho da Linguagem" (1959), "Língua e Pátria" (1960), "Nietzsche" (1961), "A Pergunta sobre a Coisa" (1962), "Tese de Kant sobre o Ser" (1962), "Marcos do Caminho" (1967), "Sobre o Assunto Pensamento" (1969), "Fenomenologia e Teologia" (1970), "Heráclito" (1970).

Martin Heidegger




Martin Heidegger: O Humanismo

A obra de Martin Heidegger (1889-1976) é marcada  por sua insistência em apelar para uma radicalização do pensamento metafísico tornou-o um dos filósofos mais célebres do século XX.
À exceção de Ser e Tempo (1927), que ficou inacabado, todos os outros textos de sua autoria foram publicados na íntegra, em língua moderna (alemã) e durante sua vida. Se as teses e ideias de Heidegger são obscuras, isso deve-se a sua maneira hermética de reinterpretar os termos metafísicos, a partir de um retorno à origem helênica da discussão sobre o ser e o pensar. Por vezes, esbarra-se na dificuldade de traduzir o significado de suas palavras e conceitos, devido à interpretação inovadora que ele impõe aos termos das línguas grega e alemã.
Palavras como physis (em grego, "natureza"), dasein (em alemão, "ser-aí"), ousia ("substância"ou "essência" grega) e zeit ("tempo", alemão), por exemplo, fazem parte de um vocabulário que já não é mais o dos helenos e alemães, mas sim heideggeriano. Isso porque, a linguagem, para esse autor, será o elemento mais característico da essência humana. E só através de uma linguagem apropriada pode aflorar a verdade de todas as coisas, pondo às claras o fundamento de tudo. A metafísica de Heidegger procurava, então, retomar o questionamento do ser e a busca de seu fundamento, por intermédio da linguagem originária.
Nesse sentido, a linguagem, comparada ao logos helênico, é a base do real sobre a qual os fenômenos se expõem com clareza. O homem, enquanto portador da língua é um ser privilegiado para responder como o "ser-aí" deve ser compreendido na sua condição temporal. Contra a vertente aristotélica da metafísica, que faz com que o homem perca sua humanidade, ao ser considerado um ente entre os demais, Heidegger procura mostrar que as relações das coisas existentes é provisória e atrelada ao tempo em que elas ocorrem. O fenômeno, ao manifestar-se no tempo, portaria o sentido do ser. Ao passo que o homem, com sua linguagem, concebido como contemporâneo do ser, em sua existência ao lado do ser, proporcionaria a oportunidade de entendimento desse "ser-aí" presente no tempo, não como um objeto de estudo fixo, constituído por diversas categorias reificadoras - que transformam o ser em uma coisa sujeita à experiência concreta. Ao se manifestar de vários modos o ser revelaria a sua essência no tempo, ao contrário da concepção aristotélica que visava sua classificação, de acordo com as diversas maneiras de existir atemporais. Heidegger entendia o homem como aquele ser portador da verdade e que sua essência seria a preservação dessa verdade, por intermédio de um pensar radical, calcado na origem do pensamento pré-socrático. A nova metafísica proposta por ele supõem haver um único significado autêntico do ser, a saber, aquele cuja essência se encontra na temporalidade própria. Qualquer outra forma de reconhecimento do ser, baseada numa técnica de pesquisa científica, provocaria o esquecimento e a ocultação da verdade do ser.

A Presença do Ser
O conceito de Dasein, traduzido por "ser-aí", assume um papel fundamental na metafísica heideggeriana. É o "ser-aí"que permite o entendimento do ser, a partir do próprio ser em três níveis de conhecimento. No nível ôntico, o "ser-aí" seria determinado pela presença do ser, entre os entes. No estágio ontológico, o "ser-aí" é compreendido como existência num tempo determinado, "aí", fundamentando o ser. Por fim, na esfera ôntico-ontológica, o "ser-aí" determinar-se-ia pelo ser em sua atuação no mundo, princípio de realização de todas ontologias tradicionais. A despeito dessas três etapas de conhecimento do ser, Heidegger vai propor uma nova ontologia que se funde na verdade do ser irredutível a sua entificação e prática cotidiana.
"Ser-aí" é aquilo que é característico do homem. Só o homem, na concepção heideggeriana, existe como um "ser-aí" capaz de revelar-se, sem se esgotar ou identificar com ele. O homem teria a possibilidade de trazê-lo à luz e apresentar-se enquanto tal, ou seja, sendo um ser que se mostra no tempo. Por ser dotado de linguagem, o homem tem a condição necessária para a manifestação do próprio ser no tempo, não como objeto tradicional das ciências e filosofia ocidental, mas na forma de uma subjetividade entrelaçada, na qual sujeito e objeto se mesclam em um pensamento originário.
Talvez essa seja a grande contribuição crítica de Heidegger à filosofia. Ele foi um dos primeiros a tentar superar a relação Sujeito-Objeto, na qual a filosofia - notadamente a Teoria do Conhecimento - havia se detido. Foi pioneiro ao propor uma alternativa para o impasse para o qual a modernidade caminhava, apontando as dificuldades que tal dicotomia proporcionava à compreensão metafísica do ser. Ao chamar atenção para a linguagem como veículo de manifestação do ser, Heidegger queria dizer que tanto nos significados das palavras, como nos sons que elas transportavam, haveria um ser que fala por intermédio da língua.

Sobre o Humanismo
Na época em que a Carta Sobre o Humanismo fora impressa - em 1947, logo após o final da Segunda Guerra Mundial (1939-45) - a primeira parte da extensa obra de Heidegger já havia sido divulgada. Enquanto isso, na França de 1943, Jean-Paul Sartre publicara "O Ser e o Nada", fato que marcaria o advento do existencialismo francês. Heidegger, no entanto, sempre manteve-se desvinculado da corrente existencialista, não só porque era contra qualquer classificação do pensamento, mas, sobretudo, por causa do papel fundamental exercido pelo conceito de "nada", entre os franceses - para quem o nada poderia gerar a sensação de náusea existencial. Em Introdução à Metafísica (1953), ele irá propor a pergunta metafísica fundamental "porque há simplesmente o ser e não antes o nada?"(1) justamente para mostrar que toda confusão imposta ao conhecimento do ser ocorre por se supor que o nada nadificante possa existir em algum ente. Para Heidegger, essa noção de nada seria capaz de obscurecer o ser ao se tornar mais um ente entre os outros, fator pelo qual a questão metafísica fundamental não pudera ser respondida, até então, pela filosofia ocidental.
Além disso, embora Heidegger já tivesse um renome respeitado no continente europeu, jamais ele escrevera uma obra com o teor explicitamente "humanístico" e "ético". Sua vinculação ao partido nazista, até o final da guerra, tornava ainda mais suspeitas as intenções do autor de Ser e Tempo. Diante desse cenário, Jean Beaufret, existencialista francês que tentava relacionar a obra de Heidegger ao existencialismo, escreve uma carta pedindo ao pensador alemão que ele esclarecesse qual significado poder-se-ia dar ao humanismo abalado por duas guerras mundiais sucessivas.
Carta Sobre o Humanismo é, portanto, a resposta dada por Heidegger às indagações de Beaufret. Em linhas gerais, o filósofo alemão irá propor, tendo por base o fragmento 119 de Heráclito(2), que a ética abandone o moralismo superficial e o legalismo dos códigos de costumes e procure encontrar a sua raiz na morada do próprio ser humano. A partir da compreensão radical da morada do ser no homem, seria possível entender como emergem todos os comportamentos e costumes cotidianos de cada um.
Logo no primeiro parágrafo da Carta, a essência do agir - tema da ética é relacionado com o consumir e produzir que só pode se realizar naquilo que já é, ou seja, no próprio ser. No homem, o pensamento forneceria o acesso à linguagem e esta a manifestação da verdade do ser que o habita. Ao pensar, o homem pode estabelecer a relação do ser consigo mesmo. O pensar, assim, seria o engajamento numa ação que leva à verdade do ser. Para entender isso, seria preciso, segundo Heidegger, se afastar da concepção de pensamento prático e técnico oriunda de Platão e Aristóteles. Por conseguinte, a filosofia ocidental, pertencente a essa tradição, deveria abandonar a pretensão de conhecer os objetos e os entes de modo científico. O pensamento radical não se reduz às exigências de uma "exatidão artificial" dos sistemas teóricos, porém repousa sobre as expressões do ser exibidas em suas várias dimensões(3).
Contrário às demandas por um humanismo e às novas correntes de pensamento rotulados, Heidegger vai dizer que "em sua gloriosa era, os gregos pensaram sem tais títulos"(4). Para ele, só quando o pensamento sai de seu elemento próprio é que, por perder o poder de guardar sua essência, a técnica passa a ser valorizada como atividade cultural e a "Filosofia vai transformar-se em uma técnica de explicação pelas causas últimas"(5), numa crítica direta à metafísica feita por Aristóteles, que buscava as causas últimas das coisas(6). O humanismo, de fato, deveria consistir numa meditação que preservasse o homem em sua humanidade, em sua essência.
A essência do homem, contudo, não se resume em ser um organismo animal que pensa. Esse tipo de classificação científica, apesar de não poder ser negada e declarada como falsa, por Heidegger, revelaria "que as mais altas determinações humanísticas da essência do homem ainda não experimentam a dignidade propriamente dita do homem"(7). Ao homem cabe proteger a verdade do ser e, por conta disso, o ser não pode se identificar com o ente, tal como vem sendo feito pela filosofia ocidental.
Heidegger supõe que o homem possa pensar a verdade do ser a partir da existência, isto é, daquilo que se apresenta como "ser-aí", a própria essência humana(8). Todavia, para experimentar sua essência e morada é preciso que se retome as questões originárias da história do ser: sua "pátria", que na concepção adotada por Heidegger, aqui, não tem uma conotação nacionalista, mas apenas ontológica-historial de um momento no qual o homem esteve mais próximo do ser. O esquecimento do ser é o resultado desse distanciamento do homem de sua "pátria". Concebida nesses termos a metafísica heideggeriana revela um forte apelo à tradição clássica que se concretizaria pela volta ao pensamento originário helênico.
O humanismo de Heidegger, nas suas próprias palavras, é aquele que "pensa a humanidade do homem desde a proximidade do ser"(9). O que está em jogo, portanto, não é o homem, mas sua história e origem, do ponto de vista da verdade do ser. O sucesso desse humanismo, para além do homem, depende da linguagem e do acesso do pensamento originário àquela verdade que pertence a linguagem. Em suma, "a essência do homem reside na ek-sistência"(10), isto é, o humanismo deve voltar-se não para o ente humano, mas sua existência autêntica na verdade do ser-no-mundo. O mundo, aqui, é concebido como o lugar no qual o ser aparece: uma clareira, no sentido heideggeriano (11).
A verdade do ser ao ser pensada originariamente encontra a humanidade do homem, além do humano. Nesse contexto, a humanidade está a serviço dessa verdade que abandona a perspectiva técnica do homem biológico das ciências naturais. Caso contrário, a exigência por uma ética da obrigação deverá ser o meio pelo qual se ordenará e estabelecerá a conduta do homem da técnica, dominado pelos meios de comunicação de massa. Sem o caminho da origem, só através de uma ética de deveres o homem poderia "planejar e agir como um todo, correspondente à técnica"(12): uma vida inautêntica.
A ética, como os demais ramos da Filosofia, surge a partir de Platão, segundo Heidegger. Antes dele os antigos pensadores helênicos não a conheciam. O éthos - palavra grega da qual se derivou ética; é traduzida geralmente por morada ou costume - era a maneira originária pela qual os helenos, como Heráclito, pensavam essa questão (13). Isto significa que o homem é a morada (éthos) do ser.(14) Ao pensamento cabe a tarefa de edificar a casa do ser, onde o homem habitaria na verdade. O pensar originário, concluindo, é um agir que supera a noção prática e o produzir, uma vez que ele consome o mínimo do ser, ao pronunciá-lo em seu meio: a linguagem. O destino do pensar, afinal, é o ser.