Psicologa Organizacional

23 de maio de 2016

Aprendizagem, Educação e Subjetividade: aspectos entrelaçados e desafiadores


 
 
Aprendizagem, Educação e Subjetividade: aspectos entrelaçados e desafiadores

 

Nos dias atuais, existe a necessidade de mudanças no contexto educacional, onde há a troca de informações entre alunos e professores. Vale ressaltar que, é fundamental a reciclagem de conteúdos elaborados em sala de aula e o modo em que a didática é aplicada.

Obter novas aprendizagens nos remetem à repensar sobre questionamentos e práticas, que serão colocadas em ação. No ambiente educacional, frente à isso, podemos simbolizar, sentir emoções e colocá-las em prática e refletir se faz sentido para si, para atuar de modo diferente no mundo.

Desta forma, a aprendizagem mostra diferentes nuances, como a individualidade de cada pessoa e as culturas que revelam as desigualdades sociais.

Pensar de maneira tão complexa, abre espaço para refletirmos sobre a subjetividade de cada um. Comunicação verbal, reciprocidade e práticas educacionais que estimulem novos conhecimentos com significado, atribui novos contextos para os profissionais na docência construírem identidades e novos saberes.

São nas mudanças onde cada indivíduo elabora suas alternativas de atuar no mundo, refletir, concordar ou não com o senso comum e contribuir com as alternativas de superação.

O histórico de vida de cada aluno, tem sido um requisito interessante na formação. O contexto pessoal é a principal alternativa de ensino, para facilitar a aprendizagem (teoria e prática). A cultura e o indivíduo são os pontos principais para tal acontecimento.

O diálogo, a vida pessoal, troca de vivências, experiências e as metodologias, são facilitadores na aprendizagem.

Enfatizar na história de vida de cada pessoa, auxilia na produção do conhecimento em vários sentidos, como: psicológico (o sujeito e sua trajetória de vida), sociológicos (mudanças do indivíduo frente às condições sociais), educativas (aprendizagem frente à sua realidade), entre outros.

O professor autocrático, ou seja, que recusa-se a ouvir o aluno, nega-se à novas aprendizagens e visões frente à vida. Não considera o discente como sujeito do seu conhecimento.

O ensino de novas matérias, relaciona-se com a flexibilidade de “escuta” do docente, assim, atribui responsabilidades também ao educando. Ensino e aprendizagem estão interligados. O que o aluno constrói, deve estar ligado ao trabalho do docente.

A formação acadêmica não tem focado em situações que possibilitem o fortalecimento emocional dos futuros profissionais, assim, acentua a ansiedade dos discentes. A postura dos docentes é falha para estimular a aprendizagem do aluno. Há a desconsideração do que pensam e sentem, principalmente, quando ficam de frente com a vulnerabilidade humana. Esse modelo de ensino tão cristalizado, tem que passar por profundas mudanças, pois já chegou até o limite e os sinais de exaustão são evidentes.

Há uma necessidade de uma nova postura dos educadores e focar o ensino no aluno em sua totalidade. Além de ressaltar o lado racional do aluno, é importante olhar também o todo, ou seja, seus atributos pessoais e sentimentos quando implementa suas ações profissionais.

De forma geral, as pessoas possuem a propensão em considerar seus sentimentos como algo que tem que ser descartado. É importante o ser humano confiar em si próprio, de maneira holística.

Ressaltar a interdisciplinaridade também é importante, considerar o docente como sujeito da aprendizagem e novos conhecimentos, é um pedido para construir novos sentidos para o processo de si mesmo, para produzir ciência, assim, assumir uma postura nova frente ao conhecimento. A interdisciplinaridade está entrelaçada com atitudes frente ao conhecimento, de buscar fontes para conhecer melhor e maior conteúdo, esperar atitudes que não se concretizaram, relação de igualdade, verbalização, humildade frente as próprias limitações, de novos saberes, de enfrentar novas situações, transformar para positivo o conhecimento antigo, comprometimento e maturidade frente aos compromissos a serem realizados, felicidade e realização.

Anabela et al (2006), preocuparam-se com o insucesso escolar e o quanto este influencia no ensino superior. Foi realizado um programa de intervenção interdisciplinar, com intuito de promover o sucesso acadêmico, com o apoio de psicólogos e suporte social para promoção de estilos de vida saudáveis. A priori, foram identificadas as necessidades e problemas dos estudantes do ensino superior. Obtiveram sinais de sucesso, pois houve aumento de participação e avaliação positiva pelos alunos envolvidos. Reforça-se, mais uma vez, a necessidade de novas estratégias de ensino.

Esse novo paradigma, rompe com o modelo antigo na produção da ciência, supera a rigidez e permite mudar modelos científicos.

Para ser um bom docente, é necessário organização, eliciar a participação dos alunos e o modo como a matéria é conduzida, comunicação, linguagem adequada, bom humor, conhecer os discentes, clareza e realização do que foi determinado, conteúdo adequado, estratégias de ensino adequadas e avaliação. Conhecimento sólido e atualizado do professor, relacionar teoria com a realidade, procurar sempre o conhecimento, mostrar segurança e metodologia adequada no ensino, variação dos procedimentos educativos, síntese da matéria (envolvendo o aluno), recursos que facilitem o aluno a raciocinar, desenvolvimento de postura ética e humana, usar a tecnologia como recurso de aprendizagem, atenção a possível amizade entre professor   e aluno.

Na teoria psicanalítica, o professor tem um papel fundamental na construção do saber e do desejo do aluno. O modelo identificatório é de suma importância, como referência da autonomia moral do sujeito.

É necessário ressignificar o papel do professor, enquanto transmissor de conhecimentos e saberes. Mas para isso, a cultura escolar precisa levar em consideração a constituição do desejo, abrir espaço para alunos e professores relatarem suas dores e sofrimentos. Relacionar esse tema com a nossa atualidade, principalmente a subjetividade de cada um.

Segundo o Ministério da Educação, houve no mês de maio (2009), um encontro dos representantes de instituições de educação superior, para discutir o ensino nos próximos anos. Os resultados e discussões servirão como subsídios para a Conferência Mundial de Educação Superior, prevista para junho deste ano, em Paris. Um dos temas que serão abordados é a formação dos professores, a igualdade de oportunidade na educação e o comprometimento social. Segundo o presidente da Câmara da Educação Superior do CNE, Paulo Barone, “a educação básica tem problemas que influenciam todos os aspectos da educação nos níveis seguintes”. Por conta disso, um dos assuntos abordados será sobre a educação superior na formação da educação básica.

O educador necessita olhar para si, como o responsável por futuras transformações na docência, frente à falta de interesse dos alunos. Modificar as matérias que são obrigatórias, a maneira como esta é exposta, fazer com que esse conteúdo tenha sentido para o aluno e levá-los a curiosidade, criticidade e enfrentar novos desafios.

Os docentes enxergavam o mundo com parâmetros de nossos pais e professores, diferente dos alunos de hoje, que tem como referências a cultura atual, a mídia e o consumismo.

Para haver melhorias na educação brasileira, necessita a reflexão sobre a atual situação no ensino, consequentemente, elaborar e exercer idéias e ações para garantir um futuro promissor.

Se a escola ensina com qualidade, há a possibilidade de aprender e oferecer ao aluno subsídios para um país mais evoluído, para melhorias na qualidade de vida da população.

A situação de nossas escolas são precárias. O ensino e as avaliações deixam a desejar, as matérias dos livros não correspondem a realidade. E a tendência de vários educadores, seria a de negar a realidade, acomodam-se na posição passiva, que não possibilita crescer, aprender e reciclar.

Raros são os docentes que são criativos, empenhados e flexíveis, frente a triste realidade da maioria.

A forma passiva dos docentes, pode ter como consequência, negar para as novas gerações, as mudanças necessárias para um futuro próspero.

Os professores bons são os que sentem insatisfação frente a sua metodologia de ensino, pois assim, permitem-se melhorar, aprender e empenhar-se. Frente a essa atitude, a aprendizagem sempre será reciclada.

E o salário? O financeiro resolve apenas problemas financeiros, como, por exemplo, a aquisição dos materiais e recursos para o docente, mas não beneficiará o crescimento educacional. Necessita relacionar um bom salário com boa educação e ensino.

Subjetividade e Educação


A partir do século XX, a subjetividade começa a fazer parte da modernidade, que engloba o indivíduo em vários aspectos, entre eles, o social, cultural e coletivo.

A subjetividade é constituída no relacionamento com outro sujeito, que possui sua historia, sonhos e desejos. E o sujeito social, é gerado na relação com a sociedade e é receptor das informações que necessita. A subjetividade fica de frente com a concepção de um sujeito que procede da sociedade complexa e competitiva.

E é por esse tipo de relações que, o ser humano cresce e surge a pessoal, o seu eu, no qual se reconhece como ser, pessoa, indivíduo e constrói sua autoimagem. O âmbito escolar, está relacionado com a construção da subjetividade e tem que haver coerência e lógica em seus recursos.

As subjetividades estabelecem como base nas representações e construções do modo como se apresentam, assim, criam expectativas, motivações e desejos. Transformar, transmutar o que se passa na mente das pessoas, pela participação da educação.

A psicologia da educação, está entrelaçada nas relações que o indivíduo explicita no ambiente escolar, principalmente as interpessoais. Se existir a valorização das vivências individuais e grupais, reconhecemos mundos diferentes e objetivos específicos, assim, valorizamos as diferenças entre as pessoas.

Um dos desafios atuais, referem-se sobre as estratégias que são realizadas no caso de alunos excluídos, repetentes e aprovados. Se valorizarmos a subjetividade de cada um, será possível lidarmos com esse desafio, pois iremos ao encontro das diferenças individuais.

Na educação, o subjetivo necessita de um novo olhar, que surge na atualidade. As formas de desenvolvimento, aprendizagem e o papel que o subjetivo tem no surgimento psicológico da educação, necessitam de uma nova perspectiva.

A psicologia da educação, tem como meta, direcionar a relação entre educação e conhecimento, que se originam das teorias psicológicas, em um ambiente que inclui esses conhecimentos, o sistema educacional, comunidade, familiar, etc.

Existe a necessidade de compreendermos a sociedade atual, suas mudanças, sutilezas, focando na ciência, conhecimentos e sociedade.

Refletir sobre a subjetividade torna-se necessidade. Temos que criar alternativas para lidar com a nossa criatividade e participação com outras pessoas, seja na formação de professores, ou nos valores individuais.

Seria enriquecedor se a educação, tivesse um espaço reconhecido para cada um, criasse oportunidades e levasse em consideração as diversidades. A subjetividade está nessas diferenças, para promover identidades coletivas e individuais, como gancho para novas linhas pedagógicas e sociais, que são necessárias na formação do cidadão.

A escola atual, enxerga o aluno como um produto do meio em que vive, na posição passiva e não como sujeito ativo e transformador da sua realidade.

A educação está relacionada com a elaboração da subjetividade, que fundamenta-se em alguns princípios como o sujeito que gera suas possibilidades e sua interação com o mundo, reconhecer suas qualidades pessoais, viver e experimentar suas atitudes.

A formação do sujeito, que adquire conhecimentos, significados e representações que ele atribui a sua vida, são qualidades em que a educação tem que comprometer-se. A psicologia nos oferece princípios, para a construção e colabora, para a qualificação da educação em suas finalidade e metas.

É importante construir a subjetividade nas relações entre pessoas, principalmente nas escolas. A psicologia, auxilia na reflexão de caminhos para a educação e a sua construção.

A Subjetividade e o Behaviorismo


no que diz respeito à construção da subjetividade, deve-se atentar para o papel da cultura, pois é através dela que o indivíduo entra em contato com um aspecto extremamente importante do ambiente: o mundo privado. É a cultura que permite, por exemplo, o autoconhecimento, o autocontrole e a autoestima, que são padrões que preparam os indivíduos para serem eficientes no ambiente social e assim reproduzirem as práticas sociais. Esses conhecimentos são ensinados desde o início da vida do bebê e seguem ao longo de toda a sua existência.

Esse processo de aprendizagem é possível porque somos parte de uma comunidade verbal. Essa comunidade nos ensina a observar e a nomear tanto elementos do mundo externo – uma cadeira, uma paisagem, um livro, coisas que tem correspondentes externos, em suma – quanto nossos estados internos -  como sentimentos, conceitos, regras sociais, sensações, ou seja, elementos que não possuem correspondentes externos. Ademais, a comunidade verbal também nos ensina a nomear o que será importante para a pessoa e para o seu meio.

A construção da subjetividade começa na família, mas também ocorre  em outros ambientes e em outros grupos sociais. Na situação escolar, por exemplo, o educador deve criar condições de desenvolvimento do repertório necessário para a aprendizagem de letras, palavras e números, assim como para a identificação de estados corporais e eventos internos como motivação, alegria, autoestima e outros. Atualmente, a sociedade é mais complexa, exigindo que a escola se preocupe em instalar diferentes padrões de comportamento que permitam a sobrevivência da comunidade como um todo. A educação formal desenvolve habilidades mais específicas e complexas e deve formar indivíduos com valores e um repertório de habilidades que contribuam para o grupo.

É com base na comunidade verbal que se constrói uma importante parte do repertório dos indivíduos: sua subjetividade. A construção da individuação dentro de uma história de interação com um ambiente particular faz com que cada pessoa adquira uma singularidade que não é idêntica a nenhuma outra. Nesse sentido, a subjetividade é estritamente social. Pode parecer estranho que a subjetividade seja uma característica social, pois só é conhecida como tal a partir de correlatos públicos. E no momento em que é conhecida publicamente, de certa forma, deixa de existir.

Stutz (2006), realizou um estudo, sobre as dificuldades encontradas por alunos técnicos de nível médio na área da enfermagem. Os resultados mostraram que, as dificuldades presentes, estavam relacionadas a comunicação e relacionamento interpessoal .

 

 

Fonte:

https://psicologado.com/atuacao/psicologia-escolar/aprendizagem-educacao-e-subjetividade-aspectos-entrelacados-e-desafiadores

22 de maio de 2016

Importância da psicoterapia


 
 
 
A importância da psicoterapia

 

A psicoterapia é um recurso utilizado por psicólogos para auxiliar as pessoas a lidar com conflitos, no enfrentamento das dificuldades, na compreensão das relações interpessoais, na busca do autoconhecimento, qualidade de vida e ampliação da consciência.

 

 O atendimento psicológico possibilita a descoberta de si mesmo, o paciente tende a reconhecer suas características pessoais, identificar seus pensamentos e sentimentos, refletir sobre seus comportamentos, bem como as conseqüências destes em sua vida, podendo assim, melhorar sua qualidade de vida.

 

Ao se conhecer o ser humano consegue lidar melhor com suas emoções, planejar seu crescimento e promover mudanças significativas em sua vida.

 

Durante os atendimentos o cliente poderá tratar de suas angústias, anseios, desejos, medos, ideias e dúvidas. É um espaço livre para abordar diversos assuntos, refletir, re-construir e amadurecer novas alternativas que possibilite seu desenvolvimento pessoal.

 

Normalmente, os principais motivos pelos quais as pessoas buscam a psicoterapia são: dificuldades emocionais, conflitos familiares, dificuldades nos relacionamentos afetivos, questões sexuais, profissionais, estresse, dependência química, depressão, fobias, síndrome do pânico, obesidade, transtornos: alimentares, do sono e do humor, ansiedade excessiva, perdas emocionais e materiais, autoestima baixa, orientação vocacional e no processo de recolocação profissional, distúrbio de aprendizagem, pacientes oncológicos, entre outros.

 

Entretanto, não é necessário estar com problemas para buscar orientação. A psicoterapia pode também ser preventiva.

 

Fonte: http://www.artigonal.com/psicoterapia-artigos/a-importancia-da-psicoterapia-4663986.html

28 de abril de 2016

Autoconhecimento



Autoconhecimento

Você se conhece?
Sabe por que se comporta da maneira como o faz?
Sabe o que deseja mudar na sua vida?
Sabe como mudar?

 

Desde a antiguidade, as pessoas se intrigam com o quanto conhecem da motivação do seu próprio comportamento, dos seus desejos e sonhos. A famosa exortação de Sócrates: “conhece-te a ti mesmo” traduz uma das mais antigas preocupações do homem, isto é, quanto às causas do seu próprio comportamento e do comportamento de outras pessoas. Pensadores, filósofos e pesquisadores a muito debatem o tema do que um indivíduo pode conhecer a respeito do seu próprio comportamento, ou seja, como produzir autoconhecimento e porque esse conhecimento seria relevante para as pessoas.

A Psicologia é uma área do conhecimento que busca encontrar a resposta para essa questão por meio do método científico. Ao longo dos anos, a observação sistemática do comportamento dos indivíduos tem demonstrado que as pessoas conhecem pouco a respeito do seu próprio comportamento. As pessoas acreditam que pelo fato de ter acesso privativo aos seus próprios pensamentos e sentimentos, também possuiriam um conhecimento profundo dos porquês do seu comportamento. Contudo, esse tipo de conclusão tem recebido pouco suporte dos dados obtidos no laboratório experimental, na clínica psicológica e nas observações cotidianas. Freud foi um dos primeiros pensadores a apontar o quanto da motivação humana permanece obscura à própria pessoa e sugeriu que tornar consciente essas motivações seria um passo importante para o estabelecimento de uma vida saudável.

Existem diferentes tipos de autoconhecimento. Segundo Skinner (2004/1974) uma pessoa pode saber que “está fazendo alguma coisa”, “que tende a fazer alguma coisa”, “que fez alguma coisa” ou “o porquê de ter feito alguma coisa”. Perceber o seu próprio comportamento pode ser muito útil ao tentar mudar esse mesmo comportamento. Quantas pessoas não entendem porque não conseguem: parar de beber ou usar outro tipo de droga, parar de brigar com o conjugue, estabelecer um relacionamento aprofundado com seus filhos, pais e amigos ou ter um emprego bem sucedido?

A Psicologia tem mostrado que o quanto uma pessoa conhece a respeito de si mesma é, em grande medida, fruto da interação com as demais pessoas. Descobrimos que somos bonitos ou feios, simpáticos ou tímidos, inteligentes, brilhantes ou não, pelo que as demais pessoas dizem a respeito do nosso comportamento. É nesse reconhecimento pelo outro, é no questionar e pelo olhar do outro que começamos a nos conhecer. Reflita, grande parte do que você acredita ser suas qualidades e aptidões não é fruto do que durante a sua vida as pessoas reconheceram em você? E de forma semelhante, grande parte do sofrimento humano também provém daquilo que não é reconhecido pelos demais: do que ignoramos a nosso próprio respeito ou do que não queremos reconhecer.

Autoconhecimento para mudar

A Psicologia tem também mostrado a relevância do autoconhecimento para a produção de mudanças desejadas no comportamento. Quando nos defrontamos com uma situação que não nos satisfaz, percebemos que é preciso mudar. Uma pessoa pode saber que seu casamento não está bem, que está infeliz no trabalho, que não sabe lidar com o comportamento dos filhos, que tem ataques de pânico, ansiedade ou outros medos. Muitas vezes a situação de sofrimento é clara, mas o que mudar, como mudar e em que sentido mudar, não o é.

Diante desse quadro, a psicoterapia é de grande relevância, uma vez que o psicólogo é um profissional especialmente treinado para identificar às causas do comportamento dos indivíduos. Por conseguinte, a terapia é um contexto privilegiado para o desenvolvimento do autoconhecimento, principalmente do tipo de autoconhecimento relevante para a produção das mudanças desejadas por uma pessoa, ou seja, um conhecimento do porque nós comportamos da maneira como o fazemos.

Afinal, por que precisamos nos conhecer para mudar? Porque mudar em qualquer direção não é eficiente, uma vez que na maioria das vezes não vai trazer resultados positivos em termos de qualidade de vida. Um indivíduo pode perceber que seu casamento não está trazendo mais satisfação e pode tentar mudar essa situação de inúmeras maneiras: arranjando um(a) amante, se afastando do cônjuge, bebendo, se separando, brigando, permanecendo deprimido ou efetivamente buscando o que não o satisfaz e em que medida seria possível mudar. Logo, se conhecer é um dos primeiros passos para uma mudança bem sucedida. Uma vez que nem sempre descobrir essas motivações e em que sentido mudar é fácil, a ajuda do psicólogo pode se tornar fundamental, especialmente porque a psicologia tem desenvolvido técnicas para aumentar o autoconhecimento e, após a identificação adequada do problema, de produção de mudanças efetivas.

A Psicoterapia Comportamental é uma abordagem que possui uma ampla base de conhecimento científico para os tratamentos que implementa. Nessa abordagem, o terapeuta busca estabelecer junto com o cliente objetivos de mudança. Para tanto, o terapeuta vai ajudar o cliente a reconhecer o problema, saber o que o causa e estabelecer uma meta de mudança. Ou seja, o trabalho de terapia envolve, em um primeiro momento, o desenvolvimento do autoconhecimento necessário para produzir a mudança desejada pelo cliente. Após o estabelecimento desse conhecimento, o terapeuta fornecerá a ajuda necessária para o cliente implementar a mudança.

Por esse motivo na terapia comportamental, as técnicas de auto-observação são fundamentais. Os terapeutas utilizam-se de registros, treinos de observação, escalas, questionários e a própria situação terapêutica como uma forma de aumentar o autoconhecimento e de implementação de mudanças. Esses registros são ainda fundamentais para avaliar a efetividade da terapia e dos tratamentos implementados. Eles são também uma forma do cliente aprender a manejar seu próprio comportamento, aprendendo a observar a si mesmo e como as condições em que ele vive o afetam.

 


Referência Bibliográfica


Skinner, B. F. (2004). Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix (Trabalho original publicado em 1974).

 

Fonte:

16 de abril de 2016

Saúde Mental e Psicopatologias Relacionadas ao Ambiente de Trabalho


 
 
Saúde Mental e Psicopatologias Relacionadas ao Ambiente de Trabalho

 

A psicopatologia é um campo de conhecimento que se refere ao adoecimento psíquico do ser humano, o que se denomina historicamente doença ou transtorno mental. Diante das situações de trabalho no sistema prisional, esta pesquisa tem como objetivo identificar a existência (ou desencadeamento) de possíveis psicopatologias provenientes da profissão e das condições de trabalho do agente penitenciário (DALGALARRONDO, 2008). 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde não apenas como a ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, psíquico e social. Do ponto de vista da saúde mental, o espaço de trabalho deve abarcar condições psicológicas e sociológicas benéficas que atuem de forma positiva no comportamento das pessoas (BERLIN E FLECK, 2005).

Para alguns teóricos, o trabalho é o fundamento da vida humana e da sociedade e constitui um espaço importante de relações interpessoais, fonte de realização pessoal, bem como desenvolvimento de habilidades. É um espaço privilegiado de socialização e de definição de identidades; portanto, a maneira de adoecer de um indivíduo provavelmente está diretamente ligada à maneira de viver deste dentro e fora do ambiente de trabalho (SILVA, 2010). 

Dentre as psicopatologias relacionadas ao trabalho destacam-se como principais os transtornos de stresse, síndrome de Burnout, síndrome do pânico. No campo laboral, o stress é um dos principais desencadeadores de sofrimento. O transtorno de stress pós-traumático e o transtorno de stress agudo vão se caracterizar pela presença de um estressor externo, como a exposição ou vivência de episódio traumático. A síndrome de Burnout caracteriza-se pelo esgotamento físico e emocional, insatisfação pessoal, passando a pessoa a apresentar comportamento agressivo e irritadiço (PEREIRA, 2010).

A síndrome do pânico, por sua vez, é um transtorno de ansiedade e diferencia-se das demais condições mentais pelos ataques inesperados e recorrentes, com crises acompanhadas de alguns sintomas específicos como medo, desconforto no peito, despersonalização, sensação de falta de ar, entre outros (MENEZES, 2004). 

Na visão dejouriana, o trabalho contém vários elementos que influenciam a concepção que o trabalhador tem de sua própria representação, que pode ser a razão para o sofrimento, e este, por sua vez, é capaz de desestabilizar a identidade, conduzindo para problemas psíquicos.

É comum que esses profissionais apresentem alto grau de stress e seus reflexos negativos físicos e psíquicos entre outros problemas, em função do dano psicológico e da mudança de convívio.  Apesar de estar associado a sensações de desconforto, o stress pode ter consequências negativas (ansiedade destrutiva, medo, tristeza e raiva.) ou positivas (equilíbrio, alegria, podendo haver momentos de ansiedade discreta, criativa) para o indivíduo, por isso é importante que cada sujeito encontre seu nível suportável de stress (SILVA, 2010).

Sendo assim, o tema deste trabalho justifica-se pela necessidade de estudos na área, já que esta profissão realiza um importante serviço público de alto risco, devido às pressões sofridas dentro e fora do ambiente de trabalho, como por exemplo, lidar diretamente com os apenados, além da superlotação carcerária, precárias condições de trabalho e risco de morte durante as rebeliões, dentre outros agentes estressores.

2. Desenvolvimento


Com base na teoria Dejouriana (2004), entende-se que o sofrimento patogênico do indivíduo surge quando a organização do trabalho entra em conflito com os desejos do sujeito, ou seja, com o funcionamento psíquico deste. A partir daí, são criadas as estratégias defensivas do homem, em relação ao ambiente, para se proteger. 

Dentre as estratégias defensivas utilizadas pelo indivíduo, destaca-se a ocultação da doença. O profissional procura encobrir seus sentimentos e angústias para que não pareça fragilizado, sobretudo diante da família e amigos. Das atitudes defensivas, salientam-se duas características existentes no comportamento do sujeito; a primeira diz respeito ao silêncio do corpo, como por exemplo, sua sexualidade; e a segunda diz respeito à relação existente entre doença e trabalho, ou seja, a vergonha de parar de trabalhar, principalmente se for do sexo masculino, que provavelmente sofrerá maior preconceito da sociedade (DEJOURS, 2012).

Dejours (2004) discute um novo conceito de saúde e considera três elementos fundamentais para a saúde do trabalhador. Sendo a fisiologia, ou seja, o funcionamento do corpo (análise do funcionamento do organismo, as regras que asseguram seu equilíbrio e sua sobrevivência), a psicossomática (relações que existem entre o que se passa na cabeça das pessoas e o funcionamento de seus corpos) e por fim, a psicopatologia do trabalho (adoecimento psíquico do ser humano, o que se denomina historicamente doença ou transtorno mental).

Sendo assim, a angústia frente aos problemas transforma-se em fuga, fazendo com que o trabalhador se distancie da coletividade social e siga em direção à decadência, como alcoolismo, violência e, consequentemente, o desprezo das pessoas e a depressão. Enfim, procuram saídas que podem levar ao risco de morte (DEJOURS, 2012).

Este profissional constitui-se como principal disciplinador no processo de ressocialização do detento através do contato direto e rotineiro com o mesmo. Deste modo, lhes são exigidas não só habilidades indispensáveis para o cumprimento de sua função, como também bom relacionamento dentro e fora do ambiente de trabalho, valores morais e éticos, além de uma estrutura psíquica muito consistente. Portanto, tendo o contato direto com os internos e sendo visto por estes como responsáveis pela custódia, estes profissionais estão expostos às situações geradoras de estresse, como por exemplo, intimidações, ameaças e agressões verbais.

Como o trabalho da unidade prisional é de 24 horas diárias, ou seja, é continuo, os funcionários estão sujeitos a horários atípicos de trabalho podendo sofrer as implicações como a redução das funções cognitivas, por causa da privação parcial ou total do sono. O trabalho noturno também é causador de transtornos fisiológicos relacionado com distúrbio do sono, que se somam a problemas de ordem social e afetiva, como as dificuldades enfrentadas na convivência em família, bem como nos círculos de amizade que ficam prejudicados em decorrência das atividades profissionais. Além destes problemas os agentes penitenciários sofrem o fenômeno da prisionização, pois se sabe que na prisão existem dois presos, o apenado e o funcionário, que em menor ou maior grau, adotam as transformações advindas do ambiente prisional, bem como suas dinâmicas.        

Para Dejours (2004), a necessidade e a insistência do ser humano em viver em um ambiente adverso é uma das principais consequências do sofrimento no trabalho. Por isso, identificar a raiz deste sofrimento e compreender a relação do trabalhador com este é de fundamental importância, pois para o autor, a primeira vítima do sistema não é o aparelho psíquico, mas sim, o corpo dócil e disciplinado, entregue às dificuldades inerentes à atividade laborativa. A partir dessa manipulação dos corpos e suas subjetividades e, por que não dizer, desses corpos subjetivos (Brito, 2012), o sofrimento é instalado.

Ao abordar a relação saúde mental-trabalho, devem-se considerar aspectos das condições de trabalho relacionados à organização e ao sofrimento mental, tais como o ambiente físico (temperatura, pressão, barulho), ambiente químico (poeira, fumaça, gases tóxicos), ambiente biológico (vírus, fungos, bactérias) e ainda as condições de higiene e segurança.

O Ministério da Saúde reconhece uma série de transtornos mentais, de personalidade e do comportamento relacionados ao trabalho, como por exemplo, delírio, transtornos cognitivos, estresse pós-traumático, neurose profissional, transtorno de vigília-sono, síndrome do esgotamento profissional (Burnout), síndrome do pânico, episódios depressivos e alcoolismo crônico. Porém, estudos sobre psicopatologia do trabalho mostram que o sofrimento no trabalho repercute não só na vida psíquica, ocorrendo assim uma desestruturação na saúde em todos os seus aspectos, como a doença mental e a doença somática (BRASIL, 2005).

“O sofrimento começa quando a relação homem-organização está bloqueada, quando o trabalhador usou o máximo de suas faculdades intelectuais, psicoafetivas, de aprendizagem e de adaptação” (DEJOURS, 2012). Portanto, o adoecimento dos profissionais depende da estrutura psíquica e mental do sujeito e da capacidade deste para suportar as pressões do trabalho. Este sofrimento é agravado pela insatisfação, medo e sentimento de incapacidade e inutilidade. O adoecimento no trabalho deve ser avaliado no contexto em que acontece, bem como deve ser pensado no sujeito que sofre, pois o sofrimento psíquico é anônimo e suportado individualmente.

Nessa perspectiva, as principais consequências, segundo Veigas (2007), da carga mental e psíquica são: fadiga, diminuição da produtividade, falta de ânimo e de otimismo (depressão) e atitudes negativas que podem levar à dependência de álcool ou de outra droga.   O autor afirma que a privação do sono devido ao trabalho noturno produz diminuição da capacidade em tarefas com exigência de rapidez, precisão, memorização. O estresse, distúrbios gastrointestinais e cardiovasculares, aumento de peso, irritabilidade e insônia são também consequências do trabalho noturno (VEIGAS, 2007).

Os agentes penitenciários tornam-se ainda passíveis de outra marca decorrente de psicopatologias do trabalho tais como: nervosismo, insônia, paranóia, estresse, depressão, dependências químicas. Sendo assim, os trabalhadores estão de acordo com a concepção de saúde, pois para a OMS, saúde não é apenas a ausência de doença, mas uma condição de completo bem-estar em todos os aspectos da vida humana (SILVEIRA, 2009).

3. Conclusão


Em vista do que foi apresentado, conclui-se que a atividade laboral é de grande relevância para a vida do indivíduo, sendo este um importante mediador das relações interpessoais. Por esse motivo, este ambiente, no qual as pessoas passam grande parte do seu tempo, deve ser tão saudável quanto o ambiente familiar.

De acordo com os dados apresentados, as condições do ambiente de trabalho são o principal causador do adoecimento psíquico desses profissionais. No entanto, percebemos certa incongruência entre o que dizem esses dados e o que mostram outras pesquisas, inclusive apresentadas ao longo deste trabalho. Pôde-se analisar que o adoecer dos profissionais está diretamente ligado ao medo e à insegurança, à atenção à profissão por parte do estado, no que diz respeito à prevenção e tratamento da saúde destes trabalhadores.  

Diante da condição de desamparo da profissão pelo poder público, no que diz respeito à saúde do trabalhador, torna-se de grande relevância criar estratégias junto aos órgãos competentes para a promoção de políticas públicas, prevenção da saúde e apoio aos acometidos de alterações psíquicas e possíveis transtornos de saúde mental.

Sendo assim, o tratamento psicológico é de grande relevância e poderá intervir nos aspectos relacionados ao bem-estar e saúde mental dos trabalhadores do sistema penitenciário que convivem diretamente com o perigo e que muitas vezes são mal vistos pela sociedade, bem como, ajudá-los a lidar em seu cotidiano tanto no ambiente de trabalho como nas relações familiar e social.

Vale salientar que no cenário do sistema prisional os apenados têm mais direitos e exigências do que o próprio funcionário, tais como assistência social e psicológica, professor, entre outras, pois o governo não oferece políticas públicas para fazer valer o direito do trabalhador, uma vez que este não tem ao menos o amparo à saúde mental, sendo que para este tratamento deve-se pagar ainda muito caro e muitas vezes o próprio plano de saúde não inclui o atendimento psiquiátrico e psicológico.

Dentre as políticas públicas necessárias para o trabalhador, deve-se pensar também em cursos de reciclagem profissional, para os trabalhadores expostos a muitas e distintas realidades como os agentes penitenciários, pois a profissão exige muito de suas habilidades e do desempenho da função, além de concurso para reposição dos profissionais demitidos ou afastados por motivos de doença e outros problemas.

Sobre o Autor:


Daiana Souza Andrade - Pós-Graduanda em Gestão do SUAS – Sistema Único de Assistência Social. Psicóloga Clínica e Centro de Atenção Psicossocial – CAPS I.

20 de março de 2016

HETEROGENEIDADE DISCURSIVA E POLIFONIA


 
 
 
HETEROGENEIDADE DISCURSIVA E POLIFONIA

 

A heterogeneidade se refere à origem do sentido no discurso, a uma relação radical entre seu interior e seu exterior.

A heterogeneidade pode ser mostrada, isto é, isto é, apresentar pistas recuperáveis na superfície do discurso, e não mostrada, isto é, não apresentar estas pistas.

No discurso indireto, o locutor, colocando-se enquanto tradutor, usa de suas próprias palavras para remeter a uma outra fonte do sentido.

No discurso direto, o locutor, colocando-se como porta-voz, recorta as palavras do outro e cita-as.

As palavras aspeadas marcam a presença do outro, são atribuídas a um outro espaço enunciativo, cuja responsabilidade o locutor não quer assumir.

As glosas podem ser interpretação e comentário sobre o sentido de um texto e marcam a heterogeneidade, do interior do discurso.

O discurso indireto livre é uma modalidade de técnica narrativa, resultante da mistura dos discursos direto e indireto. Por meio dele, o narrador pode, não apenas reproduzir indiretamente falas dos personagens, mas também o que eles não falam, mas pensam, sonham, desejam etc.

A ironia consiste em dizer o contrário daquilo que se pensa, deixando entender uma distância intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente pensamos.

A pressuposição consiste em um processo de apresentar dois enunciadores, E1 e E2, o primeiro responsável pelo pressuposto, e o segundo, pelo posto.

A polifonia refere-se à qualidade de todo discurso estar tecido pelo discurso do outro, de toda fala estar atravessada pela fala do outro.