Psicologa Organizacional

22 de junho de 2016

Frigidez


 
FRIGIDEZ

 O que é ?

 

Frigidez é uma disfunção ou alteração da função sexual feminina, principalmente no que tange ao desejo sexual. Apresenta-se como um bloqueio total ou parcial da resposta psico-fisiológica de excitação. A frigidez é classificada pelo DSM IV (classificação norte americana de doenças mentais), como "transtorno do desejo sexual hipoativo".

 

As características principais deste transtorno são a deficiência ou ausência de fantasias sexuais e a ausência do desejo de ter atividade sexual, com conseqüentes sofrimentos ou dificuldades interpessoais. A mulher pode vivenciar este quadro na totalidade da expressão de sua sexualidade (global), ou apenas com determinado parceiro ou em situações específicas (situacional).

 

A mulher que vive este transtorno tem pouca ou nenhuma motivação para a atividade sexual. Ela dificilmente procura o parceiro para uma relação sexual e quando este a procura tende a relutar em acompanhá-lo. Ela tem a tendência a não se sentir frustrada ao ficar privada de oportunidades de vivenciar sua sexualidade.

 

Da onde vem?

 

 A primeira grande divisão que devemos fazer entre os diversos fatores que concorrem para o surgimento deste quadro, é em relação à origem: psicológica, orgânica ou se envolve os dois fatores.  Citaremos aqui as causas mais freqüentes:

 

Origem orgânica: dispareunias (dor na relação sexual), alterações hormonais, debilidade física em função de doenças ou pelo uso incorreto de medicamentos.

 

Origem psicológica ou social: educação sexual castradora, fatores religiosos, tabus, crendices, violência sexual (abuso ou estupro), medo de engravidar, experiências obstétricas traumáticas, envelhecimento, dificuldades do cotidiano, baixa autoestima, auto-exigência exacerbada, ansiedade, excessiva preocupação com o desempenho, insegurança, estresse, depressão, desconhecimento do próprio corpo.

 

Um outro conjunto de fatores muito comum está ligado a qualidade da relação afetiva. É muito freqüente a visita ao consultório de mulheres que se consideram frígidas por não conseguirem viver a sexualidade no casamento.  Quando observamos com mais cuidado, o casamento está extremamente desgastado, sem diálogo e com uma montanha de ressentimentos entre os cônjuges.  Percebe-se uma monotonia conjugal, com práticas sexuais pouco gratificantes.  Essas mulheres se sentem frustradas por não conseguirem viver a relação sexual com alguém com quem não se sentem bem.  Em outras palavras, queixam-se por não poderem fazer amor com alguém que efetivamente não estão amando naquele momento. A busca da sexualidade em uma relação que não traga segurança também pode resultar em fracasso, isso é muito comum, por exemplo, em relações extraconjugais, onde em alguns casos o sentimento de culpa e o medo se fazem presentes de forma impeditiva.

 

Como tratar ?

 

 Quando a origem é emocional existem dois caminhos de tratamento. Um passa pelo processo psicoterapêutico da mulher que apresenta os sintomas e o outro passa pela terapia de casal.  Em determinadas situações a conjunção dos dois processos se faz necessária -  A superação de um quadro como esse passa pelo aprendizado, pelo auto conhecimento e normalmente gera transformações que vão alem da sexualidade, tendo expressão nas diversas áreas da vida humana.  O espaço que existe para facilitar esse aprendizado, esse desenvolvimento é o espaço psicoterapêutico, aonde um profissional especializado orienta o indivíduo no seu processo de desenvolvimento pessoal.

 

No atendimento individual a ampliação do auto conhecimento permite que a mulher identifique como está construindo tal sintoma, o que gera a natural superação do quadro.  Na terapia de casal a busca é de aprender sobre o funcionamento daquela relação, sobre como o casal está fazendo para se distanciar, para se desencontrar.  Não existe uma receita pronta sobre como vai acontecendo o desgaste dos casais.  Cada casal é único e isso pode acontecer de muitas formas diferentes. No consultório podemos observar com muita freqüência como vai sendo criada uma montanha de lixo entre as duas pessoas, ressentimentos, mágoas, frustrações, etc.  Aos poucos essa montanha torna-se tão grande que os cônjuges passam a não se enxergarem mais, a relação vai se estagnando, se tornando repetitiva, previsível e extenuante.  Em alguns casos a sexualidade passa a ser uma obrigação, não mais um prazer.

 

Quanto à origem orgânica o encaminhamento é dado pelo ginecologista de acordo com o quadro de cada mulher.

 

Quando observamos tanto fatores emocionais quanto orgânicos na origem do quadro de frigidez, o tratamento indicado é o acompanhamento em psicoterapia associado ao tratamento ginecológico.

 

14 de junho de 2016

10 coisas que você precisa saber sobre Psicologia




10 coisas que você precisa saber sobre Psicologia

 A Psicologia é uma ciência fascinante com muitas contribuições sobre vários aspectos da nossa vida. Assim, a primeira vista pode parecer muito difícil e assustador entender tudo o que a Psicologia pode oferecer, já que a Psicologia engloba muitos tópicos diferentes e complexos.

Por esta razão, eu resolvi selecionar 10 coisas essenciais que podem te ajudar a ter uma visão mais geral sobre as principais contribuições da Psicologia e te dar noções básicas para que você possa explorar melhorar essa fascinante área do conhecimento.

1. A Psicologia é ao mesmo tempo uma ciência e uma profissão

Quando se fala em Psicologia é preciso entender que nos referimos ao mesmo tempo a uma ciência e a uma profissão.


A Psicologia é uma área de estudos científicos que na qual se estuda a mente e o comportamento. Essa ciência norteia a profissão do Psicólogo.

Os Psicólogos usam os conhecimentos da Psicologia para melhorar a vida das pessoas em aspectos como saúde, educação, trabalho e família.

Leia mais sobre o que como a Psicologia pode te ajudar clicando aqui.

2. Psicologia é, sobretudo, o estudo da mente e do comportamento.


Embora você possa encontrar diferentes definições sobre o que é Psicologia e qual seu objeto de estudos, na Psicologia se propõe estudar, sob diferentes perspectivas, como as pessoas (e também os animais) pensam, sentem e se comportam sozinhas e nas relações com os demais membros da sociedade.  Assim, a Psicologia é, sobretudo, o estudo da mente e dos comportamentos.

Os psicólogos têm diversos interesses e realizam muitos estudos diferentes, algumas das questões estudadas por psicólogos são: como as crianças aprendem; porque as pessoas se lembram mais de fatos que foram acompanhados por fortes emoções; como as pessoas fazem escolhas, porque algumas pessoas são mais extrovertidas e outras mais introvertidas, e etc.

Leia mais sobre o que é psicologia clicando aqui.

3. Psicologia é uma ciência e utiliza métodos científicos.

É preciso deixar bem claro que a Psicologia é uma ciência e, portanto, o conhecimento produzido na Psicologia é obtido com base no método científico. Muitas pessoas confundem Psicologia com outros tipos de conhecimentos que também são importantes, mas não são científicos, mas é preciso entender que a Psicologia é sim uma ciência.

Os psicólogos utilizam diferentes técnicas para conduzir seus estudos sobre a mente e o comportamento, tais como observação naturalística, experimentos, estudos de caso, entrevistas e questionários.

Leia mais sobre métodos de pesquisa em Psicologia clicando aqui.
 

4. A Psicologia tem muitas abordagens e subcampos diferentes.


Não existe só um caminho possível em Psicologia, todos os fenômenos podem ser vistos de diferentes perspectivas. Essas várias perspectivas permitiram a construção de diferentes teorias em Psicologia que são usadas nas mais diversas facetas da nossa vida.

Muitas vezes é possível ouvir o termo “Psicologias” para ressaltar essa multiplicidade de teorias e abordagens na Psicologia. No entanto, isso é um erro, na verdade só existe uma Psicologia com várias abordagens teóricas e diferentes áreas de atuação ou subcampos.

Alguns exemplos de abordagens teóricas são: Psicologia Cognitiva, Psicologia Sócio-histórica (histórico-cultural), Psicologia Comportamental (behaviorista), Psicologia Psicodinâmica (psicanálise), Psicologia Fenomenológica, Gestalt etc.

Exemplos de áreas de atuação incluem: Psicologia Escolar, Psicologia Clínica, Psicologia Comunitária, Psicologia Hospitalar e Psicologia Social.

Leia mais sobre as diferentes áreas da Psicologia.

5. Psicologia não é apenas Psicoterapia.


Quando se ouve falar em Psicologia muitas vezes a primeira coisa que pensamos é na abordagem Clínica e mais especificamente na Clínica Psicanalítica, com a figura clássica do terapeuta e de um divã.

No entanto, essa é apenas uma das inúmeras possibilidades de atuação dos psicólogos.

Existem psicólogos que trabalham com a educação, psicólogos que trabalham em comunidades, psicólogos que trabalham em empresas, psicólogos jurídicos, psicólogos do esporte, psicólogos que trabalham em laboratórios.

Além disso, a própria psicoterapia, não se restringe a abordagem psicodinâmica (psicanalítica), existem outras abordagens como a cognitivo-comportamental, a abordagem centrada na pessoa e a gestalt-terapia.

6. A psicologia estuda tanto o comportamento típico quanto o atípico.


É muito comum pensar que a Psicologia estuda apenas o comportamento atípico (anormal), o comportamento inadequado, a “loucura”. No entanto, a psicologia estuda todo e qualquer comportamento.

A Psicologia têm contribuições não só para o tratamento de doenças mentais, mas também para a promoção e manutenção da saúde mental.

Uma das mais importantes áreas da Psicologia, por exemplo, é a Psicologia do Desenvolvimento Humano e esta se ocupa do estudo do desenvolvimento geral do seres humanos, tanto o normal quanto o patológico.

Mais recentemente, por exemplo, uma nova área da Psicologia tem conquistado cada vez mais espaço, trata-se da chamada Psicologia Positiva. O foco da psicologia positiva é no crescimento pessoal, em vez do estudo das patologias (doenças), como é comum entre outros quadros dentro do campo da psicologia. Nesta área se estudam o papel dos sentimentos positivos, de pontos fortes, virtudes, talentos, felicidade, bem como as formas que estes podem ser promovidos por sistemas e instituições sociais.


7. A Psicologia está em todos os lugares


Como muitos associam Psicologia à saúde mental ou a algo muito difícil, comumente as pessoas podem pensar que a Psicologia se restringe aos consultórios ou faculdades de Psicologia. No entanto, a Psicologia está em todos os lugares, desde a formulação de métodos de ensino mais eficazes baseados em psicologia da aprendizagem até na organização dos produtos em supermercados e a elaboração de comerciais de produtos que se baseiam em psicologia do marketing.

Outros temas da Psicologia também são conhecidos por todos, como por exemplo identificar sentimentos dos outros e saber como as crianças se desenvolvem. A grande diferença entre esses saberes populares, também chamados de Psicologia do senso comum é que os Psicólogos estudam cientificamente esses conhecimentos. Ao produzir conhecimentos científicos os psicólogos podem ajudar as pessoas de modo mais eficiente, por exemplo sabendo exatamente o que se esperar em cada fase do desenvolvimento das crianças e como ajudar as crianças a atingirem todo seu potencial e melhorar seu desenvolvimento.


8. Psicólogos objetivam  descrever, explicar, predizer e modificar comportamentos.


Como a Psicologia é uma ciência e se utiliza do método científicos, os psicólogos realizam parte de seus estudos observando e descrevendo comportamentos e pensamentos o que possibilita explicar o porque esses comportamentos e pensamentos ocorrem.

As explicações formuladas pelos psicólogos são reunidas em teorias que possibilitam predizer comportamentos e entender como modificá-los para melhorar a vida dos indivíduos e da sociedade como um todo.

Na graduação em Psicologia, os estudantes de psicologia entram em aprendem essas diversas teorias e também aprendem métodos básicos de pesquisa. No mestrado e doutorado os psicólogos aprendem mais sobre essas teorias e métodos de pesquisa e passam também a produzir novas teorias e reformular teorias antigas.


9. A Psicologia oferece muitas possibilidades de carreiras.


Se você pretende fazer uma faculdade de Psicologia irá se surpreender com a variedade de carreiras possíveis. Você encontrará psicólogos em praticamente todos os lugares em que existam pessoas.

Psicólogos podem trabalhar nas mais diversas áreas desde escolas e hospitais até grandes empresas, comunidades, ONGs, no governo, nas forças armadas, em departamentos de trânsito e no planejamento de políticas públicas.

Psicólogos podem ser profissionais autônomos ou trabalhar para alguma empresa e seguir uma carreira tradicional. Eles também podem ser professores de psicologia nos diferentes segmentos educacionais, mas comumente no ensino superior lecionando para futuros psicólogos e pessoas que tenham profissões em que a Psicologia é necessária como em cursos de formação de professores, administradores, marketing e etc.

10. Psicólogos exploram questões básicas e aplicadas.


As vezes pode parecer difícil de entender algumas das questões básicas que psicólogos estudam, por parecerem muito distantes da nossa realidade cotidiana. Porém, psicólogos teóricos precisam estudar questões muito pontuais como, por exemplo, investigar como a intensidade da luminosidade pode afetar a percepção de cores. Resultados de pesquisas como essa podem servir para formular teorias mais aplicadas e orientar questões importantes, como por exemplo, orientar o porquê o vermelho, verde e amarelo são as melhores cores para serem usadas em semáforos, já que o vermelho pode ser visto em distâncias maiores.

A Psicologia aplicada, portanto, se vale dos conhecimentos básicos produzidos em Psicologia para resolver problemas práticos nas mais diferentes facetas da nossa vida.

Enfim, essa lista sintetiza 10 coisas importantes que vão te ajudar a conhecer um pouco mais sobre as diferentes coisas que um psicólogo pode fazer e como a Psicologia está envolvida em nossas vidas diárias, mesmo que não percebamos.

O que você achou desse artigo, você tem alguma dúvida da Psicologia? Deixe seus comentários e compartilhe essa informação com seus amigos.

Fonte: http://www.psicologiaexplica.com.br/dez-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-psicologia/

13 de junho de 2016

Entenda como funciona a orientação vocacional



 
 
Entenda como funciona a orientação vocacional

 

Atualmente, com as constantes mudanças no mercado de trabalho, devido a complexidade e diversificações das funções, as pessoas precisam, cada vez mais, desenvolver habilidades e aptidões para atenderem aos seus próprios interesses e estarem atualizados frente a demanda profissional.

 

A velocidade com que as informações percorrem o mundo, influencia as pessoas a terem atitudes imediatistas. É necessário ter flexibilidade e tranqüilidade ao articular seu conhecimento e experiências para adaptar-se a uma nova realidade.

 

Nos dias de hoje, ter apenas uma formação não basta, é necessário ampliar os conhecimentos teóricos e práticos para enfrentar os desafios e a crescente competitividade no mercado profissional. A seleção se torna mais rigorosa em busca de habilidades específicas.

 

Criar, inovar e transformar o pensamento em ação é o lema que deverá estar presente no novo milênio. A Orientação Vocacional, vem buscando diversas estratégias, para melhor adaptar-se a essa nova realidade. É um atendimento voltado para orientação e informação, que envolve a escolha profissional. É indicado para adolescente e também para adultos que estejam em conflitos com a sua escolha profissional, podendo ou não estar relacionado com as constantes modificações do mercado de trabalho.

 

A finalidade da Orientação Vocacional é avaliar, analisar, esclarecer e informar o examinando suas áreas de interesses, aptidões específicas e gerais, que se apresentam inseridas em suas possibilidades. Revela também, tendências e habilidades em área ou campos de trabalho. O objetivo da Orientação Vocacional é associar esses campos e sugerir caminhos ou tendências profissionais, que possam estar mais próximas das possibilidades, capacidades e interesses do examinando. A Orientação Vocacional pode proporcionar ao examinando uma forma de resolver o "dilema" diante desse momento de decisão.

 

O processo de avaliação é feito através de entrevista, questionários de interesse, testes projetivos, testes de personalidade e teste intelectual.

 

O papel do psicólogo (orientador vocacional) é:

 

- ajudar o examinando a pensar sobre sua própria realidade;

 

- analisar os possível aparecimentos de conflito diante da tomada de decisões em relação ao seu presente e ao seu futuro profissional.

 

O adolescente pode apresentar dificuldades, tais como: mudanças de comportamentos, atitudes agressivas, impulsivas ou de irritabilidade, aumentando a ansiedade na tomada de uma decisão. Angústia e medo frente ao futuro leva-o, principalmente, a sentir-se inseguro e perdido, é comum esses sintomas aparecerem nesse período de definição.

 

A decisão é uma escolha pessoal. Cabe ao orientador acompanhar o orientando em suas reflexões, auxiliando-o a definir de maneira mais lúcida e segura sua escolha para que seja integrada, harmoniosa e feliz consigo mesma.

 

 

Estratégia escolar - programa de trabalho integrado nas escolas

 

É um programa criado para atender os alunos de segundo e terceiro colegial.

 

Será feito entrevistas individuais, dinâmicas de grupo, questionários, com dados pessoais, e de interesse, aplicação de testes de personalidade e aptidões específicas e teste intelectual.

 

 

O programa de Orientação Vocacional se estende também com uma estratégia específica e inovadora como:

 

Perceber e desenvolver a sua melhor forma de aprender, lembrar e expor os conhecimentos adquiridos;

 

Acessar memórias com maior facilidade;

 

O estado em que você se encontra influencia suas respostas;

 

Ciclos ultradianos - identificando o tempo do seu corpo;

 

Realidade individual - estruturação do pensamento;

 

Focalizando a atenção;

 

Governando o estresse.

 

Esse trabalho tem o interesse de diminuir a ansiedade proveniente de provas e vestibulares para que o aluno possa administrar com mais tranqüilidade e eficácia seus conhecimentos.

 

Fonte: http://www.minhavida.com.br/bem-estar/materias/4185-entenda-como-funciona-a-orientacao-vocacional

28 de maio de 2016

Transtorno Histriônico da Personalidade


 
 
Transtorno Histriônico da Personalidade

(Vulgo Histeria)

 

A pessoa com transtorno histriônico tem como traço básico da personalidade uma desadaptação às possibilidades existenciais normais, reagindo sempre com um exagero, com um faz-de-conta para os outros e para si mesma.

 

As vivências da personalidade histriônica são sempre teatrais, seja na vida de relação, seja consigo mesma. Seus relacionamentos são mais dramáticos, há mais ciúme, mais inveja, mais mágoa, mais atração, mais sedução... Seus sintomas são mais exuberantes, suas queixas mais contundentes, sua sensibilidade mais exaltada.

A maneira histriônica, teatral e fabricada, de se relacionar com a vida não é conscientemente determinada, embora tenha certa intencionalidade. Quando a pessoa histriônica questiona sobre a origem de seus sintomas perguntando se “você acha que eu quero estar doente?”, é bom lembrar que as atitudes histriônicas são involuntárias e intencionais, ou seja, a pessoa não opta para agir e sentir a vida histrionicamente, isso vem de sua personalidade, não obstante, pode haver um propósito ou objetivo inconsciente para sua teatralidade.

Paralelo à teatralidade, a personalidade histriônica se aproxima da mentira e se afasta da afetuosidade autêntica. Isso, algumas vezes, dificulta relacionamentos afetivos estáveis ou mais profundos. Boa parte dos problemas psicológicos ou orgânicos da pessoa histriônica é conseqüência da inclinação a enganar a si mesma sobre a natureza de seus próprios sentimentos. Trata-se de um auto-engano, sufocando ou ocultando de si mesma seus sentimentos autênticos.

Personalidade histriônica é sinônimo de personalidade histérica, um termo criado possivelmente para ludibriar as pessoas que usam o termo histérico quando querem depreciar alguém. O transtorno histriônico de personalidade é caracterizado por um comportamento colorido, dramático e extrovertido, enfim, sempre exuberante. Está classificado no 2º. grupo dos transtornos de personalidade, onde estão os casos que apresentam comportamento com tendência à dramaticidade, apelação e emoções que se expressam intensamente.

As pessoas histriônicas tendem a exagerar seus pensamentos e sentimentos, apresentam acessos de mau humor, lágrimas e acusações sempre que percebem não ser o centro das atenções, quando não recebem elogios e aprovações. Por outro lado, freqüentemente são pessoas animadas e dramáticas, tendem a chamar as atenções sobre si mesmas e podem de início, devido ao seu entusiasmo, encantar as pessoas com as quais travam conhecimento.

As pessoas com esse tipo de transtorno da personalidade manifestam pronunciados traços de vaidade, egocentrismo, exibicionismo e dramaticidade. Atrai muito a personalidade histriônica os estímulos externos potentes, os escândalos, as sensações, as celebridades, enfim, tudo que impressiona, que seja desmedido, incomum ou extremo. No afã de representar um papel mais glorioso, os histriônicos fazem teatro para si e para todos os outros, sua grande platéia. Pode haver momentos onde já não sabem onde termina a realidade e começa a fantasia, passando a acreditar em seus próprios mitos e em suas próprias encenações.

Para a personalidade histriônica atrair as luzes dos refletores ela necessita representar sempre um papel interessante, mesmo que isso custe o mal estar de outras pessoas e ainda que essas outras pessoas sejam entes queridos. Quando não chama atenção pela doença, o faz através do papel de mártir, de sofredora. A representação teatral como vítimas, menosprezadas, coitadinhas, enfim, esse papel de “a grande sofredora desinteressada” tem o nome de messianismo.

Uma das marcas mais características das pessoas com Transtorno da Personalidade Histriônica é tentar controlar as outras pessoas através da manipulação emocional ou sedução. Por causa disso, e depois de algum tempo, eles tendem afastar os amigos com as exigências de constante atenção.

As mães com esta personalidade podem idealizar manobras que fazem seus filhos se compadecerem de seu estado "lastimável" e provocar arrependimentos vários. São pessoas que estão sempre a se queixar de incompreensão dos outros, mas jamais tentam compreender os outros ou entender que os outros não têm obrigação de compreendê-los.

Devido ao fato das pessoas histriônicas cultuarem a doença e as queixas somáticas elas acabam atribuindo todos seus fracassos ou limitações a eventuais transtornos orgânicos que as perturbam, apesar de sua “sempre presente boa vontade”. A somatização, dissociação e repressão são os mecanismos de defesa mais intensamente utilizados pelos histriônicos.

Sexualmente a personalidade histriônica determina nas pessoas um comportamento sedutor, provocante e com tendência a erotizar mesmo as relações não sexuais do dia-a-dia. As fantasias sexuais com as pessoas pelas quais estão envolvidos são comuns e, embora sejam volúveis, o arremate final do jogo sexual costuma não ser satisfatório. Essa característica de desempenho sexual problemático faz com que as pessoas histriônicas sejam consideradas pseudo-hiper-sexuais.

O DSM-IV  e o CID-10 recomendam como critérios para o diagnóstico do Transtorno Histriônico da Personalidade, um padrão generalizado de excessiva emotividade e busca de atenção, indicado pelas seguintes características:

Critérios estabelecidos pelo DSM-IV e pelo CID-10 para o diagnóstico de Transtorno Histriônico da Personalidade

a) busca constante ou exigência de afirmação, aprovação ou elogios;
b) autodramatização, teatralidade e expressão exagerada das emoções;
c) alta sugestionabilidade, facilmente influenciada pelos outros ou por certas circunstâncias;
d) sedução inapropriada em aparência ou comportamento;
e) preocupação excessiva com a atratividade física;
f) expressão de emoções exageradamente;
g) expressão de emoções rapidamente mutável;
h) egocentrismo nas satisfações;
i) intolerância severa às frustrações e à não-satisfação;
j) discurso impressionista e superficial.
 

  

O Transtorno da Personalidade Histriônica proporciona um alto grau de sugestionabilidade. Suas opiniões e sentimentos são facilmente influenciados pelos outros e por tendências do momento. Muitas vezes a pessoa histriônica considera os relacionamentos mais íntimos do que são de fato, dirigindo-se a qualquer pessoa recém conhecida como "meu querido, meu amigo" ou chamando pessoas que deveriam determinar um relacionamento formal pelo seu prenome sem nenhum cuidado com a titularidade.

As pessoas com Transtorno Histriônico da Personalidade costumam ter intolerância ou frustração mais forte que os demais, costumam não se adaptar em situações que envolvem adiamento da gratificação (não sabem esperar), sendo que suas ações freqüentemente são voltadas à obtenção de satisfação imediata.

 

Fonte: http://www.consultoriodamente.com/index.php?option=com_content&view=article&id=184:transtorno-histrionico-da-personalidade&catid=48:salas-de-estudos-tecnicos&Itemid=65

27 de maio de 2016

O Ciúme: Suas Causas e Consequências nos Relacionamentos Conjugais


 
 
O Ciúme: Suas Causas e Consequências nos Relacionamentos Conjugais

 

O ciúme acompanha o ser humano durante toda sua vida, seja ciúme de irmãos, seja ciúme de pais ou mais forte e duradouro o ciúme do parceiro. Ser ciumento muitas vezes é considerado pelas pessoas como uma demonstração de amor verdadeiro.

O ciúme costuma ser visto pela população em geral como uma “prova de amor”, um sentimento normal e inseparável para quem ama de verdade, afinal “quem ama, cuida”. Porém, se levarmos em conta, como afirma Santos (2002, p.76), que o amor é um sentimento voltado para o outro, onde se quer o bem de quem se ama acima de tudo, percebemos que o ciúme é na realidade uma distorção desse zelo, pois é um sentimento autocentrado, onde se tem medo de perder a exclusividade sobre a pessoa amada.

Deste modo, segundo Santos (2002, p.76) o ciúme pode existir em três níveis diferentes, que vai do “sentir-se enciumado”, onde este é visto como algo normal, até sua forma mórbida, que entraria em um quadro de paranóia, sendo uma forma de delírio obsessivo. Este último, causa um sofrimento psíquico insuportável para quem sente, e grandes riscos de violência para quem padece sob o ciumento paranóico.

Assim, devemos procurar compreender o funcionamento desse sentimento na psique do ciumento, como ele pode se manifestar nas diversas relações, suas consequências e acima de tudo, ficar atentos para jamais deixar-se confundir algo que pode ser patológico e perigoso, como uma maneira de manifestar o amor.

Poucas pesquisas científicas a respeito do Ciúme Patológico foram encontradas, mas entre as tais pode-se citar o artigo de Santos, (2002); o livro de Alves, (2001); o artigo de Teixeira, (2009); e outro artigo de Tiemi, (2005). Como pôde-se assim observar, não há pesquisas recentes relacionadas ao tema, e a maioria destas focam mais no que diz respeito ao Ciúme e incidência de Crimes Passionais, deste modo percebe-se a necessidade de um trabalho de investigação que busque verificar o que a literatura aponta sobre essa temática e assim fazer com que a população pare de confundir esse sentimento como algo normal.

2. Método


Trata-se de um artigo de revisão de literatura com pesquisas em livros, revistas, artigos acadêmicos e em sites de busca com as palavras chaves “Ciúme; Ciúme Patológico; Relacionamentos Conjugais; Crimes Passionais”, datados a partir de 2000 à 2013.

3. Desenvolvimento


3.1 O Ciúme


Ciúme é um tema que gera bastante discussão na população em geral, pois, todos de alguma forma já vivenciaram esse sentimento, entretanto, diferentemente do que a maioria das pessoas pensam, o ciúme não é sinal de amor ao próximo, e sim um sentimento narcisista em que se tem medo de perder a exclusividade e posse sobre o parceiro.

Se analisarmos mais detalhadamente o ciúme, podemos perceber, logo de início, que não se trata de um sentimento voltado para o outro, mas sim voltado para si mesmo, para quem o sente, pois é, na verdade, o medo que alguém sente de perder o outro ou sua exclusividade sobre ele. É um sentimento egocentrado, que pode muito bem ser associado à terrível sensação de ser excluído de uma relação (SANTOS, 2002, p.76)

Cientificamente, Alves, (2001, p.10) fala que o ciúme é a manifestação de um profundo complexo de inferioridade de certa personalidade, sintoma de imaturidade afetiva e de um excessivo amor-próprio, pois, o ciumento não se sente somente incapaz de manter o amor e o domínio sobre a pessoa amada, de vencer ou de afastar qualquer possível rival, sobretudo, sente-se ferido ou humilhado em seu amor próprio.

Dessa forma, ao sentir ciúmes, o sujeito está demonstrando possuir um sentimento de inferioridade, onde acredita ser impossibilitado de nutrir o amor da parceira e sente-se ameaçado com qualquer possível rival, além de ao mesmo tempo apresentar um demasiado grau de amor próprio.

Além disso, para surgir o ciúme é necessário um terceiro elemento que ameace (do ponto de vista do ciumento) o relacionamento. Assim é preciso a formação de um triângulo social, e ainda, da percepção de que o outro – mesmo imaginário – ameace o relacionamento amoroso julgado como importante. A raiva, o medo e a tristeza o acompanham (HARMON-JONES et al, 2009, apud Costa, 2010, p. 22).

Acredita-se que o ciúme  seja a demonstração de uma profunda falta de autoestima onde a pessoa que sente o ciúme não se sinta capaz de cativar o parceiro a ponto deste não prestar atenção em outros detalhes ou pessoas a sua volta.

Para diversos autores o ciúme é dividido em três níveis diferentes: o “Normal”, o Neurótico e o Delirante (Paranoico). “O normal, mais comum, é a pessoa sentir-se enciumada em situações eventuais nas quais, de alguma forma, se veja excluída ou ameaçada de exclusão na relação com o outro.” (SANTOS, 2002). Assim, no ciúme normal, existe um motivo real em que o sujeito enciumado sente-se de certa forma abandonado pelo parceiro. Segundo Freud, (1976 apud Nicolau, 2003, p. 3) o ciúme normal é uma situação emocional que pode ser igualado ao luto, onde é caracterizado por uma aflição causada pelo pensamento de perder o elemento amado; pela ferida narcísica e também de sentimentos de rancor contra o concorrente bem sucedido.

Por outro lado, no segundo nível de ciúme, chamado de neurótico, Santos (2002, p.76) relata que o sujeito ciumento passa a ter a sensação permanente de angústia e instabilidade, a insegurança em relação a si mesmo e ao outro, além da fragilidade da relação afetiva, podendo levar à pessoa a manter um permanente “estado de tensão”, temendo ser traído ou abandonado. Nesse caso, o ciumento necessita constantemente se assegurar que o parceiro não está sendo infiel, mesmo que este não tenha lhe dado motivo aparente para desconfiança. Assim, nesse segundo caso, o ciumento está ciente de que o nível de ciúme é exagerado, porém não consegue evitar. White e Mullen, (1989 apud Costa, 2010, p.28) afirmam que o ciúme neurótico mantém a realidade, porém o indivíduo reage mais facilmente e de forma exagerada a situações nas quais a infidelidade e o amor do parceiro não tem porque serem questionadas. Estas reações são acompanhadas de sentimento de culpa e de a própria percepção do indivíduo de que estas reações são extravagantes.

O terceiro nível de classificação do ciúme, de acordo com Santos (2002), o paranóico (ou delirante), é considerado o mais perigoso de todos, pois a desconfiança do ciumento cede lugar a uma certeza infundada de que está mesmo sendo traído ou abandonado. O pensamento delirante muitas vezes toma conta de todo o psiquismo e atinge níveis insuportáveis de tensão interna.

Tanto o ciúme Neurótico quanto o Delirante são considerados patológicos e prejudiciais para um relacionamento conjugal, trazendo mal-estar tanto para o sujeito ciumento quanto o parceiro que convive com ele.

Claro que o ciúme não vai desaparecer de uma hora para outra mas é preciso ter bom senso e saber identificar as causas que fazem eclodir o sentimento e usar do bom senso em atitudes. No caso do ciúme delirante e  neurótico nem sempre isso é possível, geralmente é necessário que ocorram terapias e tratamentos para uma convivência saudável com esse sentimento.

3.1.1 Diferença entre Homens e Mulheres


Homens e mulheres diferem em diversos fatores, tanto no quesito intelectualidade, quanto sentimentalidade, então não é de se estranhar que quando o assunto é “sentir ciúmes” os dois gêneros também divergem.

Para os homens é pior se deparar com a infidelidade sexual da parceira, do que emocional, e, ao contrário, para as mulheres a infidelidade emocional é mais preocupante do que a sexual. Uma pesquisa realizada em 1992 por Buss e colaboradores (apud SEO, 2005), comprova essa afirmação. Nessa investigação estudantes universitários teriam que escolher o que considerava mais perturbador: a) imaginar o parceiro tendo diferentes posições sexuais com outra pessoa; ou b) imaginar o parceiro se apaixonando por outra pessoa. E de fato, os homens se sentiram mais perturbados com a traição sexual, e as mulheres com a traição emocional.

Segundo Buss, (2000 apud SEO, 2005), essa diferença entre os eventos que causam o ciúme consiste nas diferenças entre homens e mulheres nas suas atitudes perante o envolvimento emocional durante o sexo.

 A maioria das mulheres deseja algum tipo de envolvimento emocional, compromisso, amor, homens maduros, com status financeiro. Os homens têm desejos de variedade sexual, priorizando beleza física (corpo atraente) e juventude. Então, para as mulheres, seria mais perturbadora a infidelidade emocional, enquanto os homens ficam mais aflitos pela infidelidade sexual de suas parceiras (BUSS, 2000 apud SEO, 2005).

Além disso, é importante considerar que os fatores que propiciam as manifestações de ciúme, conforme Buss, (2000 apud Seo, 2005) no sexo feminino são mais voltados a sentimentos de inferioridade, menor desejo sexual e, consequentemente, medo da infidelidade do parceiro. Contudo, para os homens, os temores de abandono e de infidelidade, por parte da parceira, podem se manifestar em situações específicas, como, por exemplo, a saúde em decadência. Nesse caso, a doença faz com que o homem fique preso à casa e, assim, a parceira fica livre para sair; por isso, atormenta-a com questionamentos e acusações.

Mas tanto em homens quanto em mulheres o sentimento é prejudicial e faz com que ocorram conflitos, desentendimentos e até mesmo separações e violência.

3.2 Ciúme Patológico


O ciúme se torna patológico quando traz sofrimento tanto para quem o sente, quanto para seu parceiro, e para estes casos é necessário que se recorra a Tratamento Psicológico e/ou Psiquiátrico para uma melhora significativa do quadro. Segundo Alves, (2001, p.14) em relação a sua espécie patológica, à sua forma mórbida, o ciúme reveste-se de uma modalidade de paranoia, principalmente como uma sistemática forma de delírio obsessivo do agente sobre a infidelidade da pessoa amada, especialmente do cônjuge. Constitui o denominado “delírio de ciúme” de acordo com Tarrier et al, (1990); Westlake e Westlake, (1999 apud Costa, 2010),  como manifestação paranoica, do mesmo modo que é o “delírio ou mania de grandeza” ou o “delírio de perseguição”, como ideia fixa, obsessiva falsa que domina ou centraliza toda a vida psíquica. Assim, subdivide-se o ciúme patológico em neurótico ou obsessivo (não psicótico), e delirante (Psicótico),

Para exemplificar a diferença entre uma pessoa com grau de ciúme considerado normal, e pessoas com graus de ciúmes mais elevados considerados patológicos Santos, (2002 p.77) diz que devemos imaginar que para a pessoa “supostamente” saudável, o enciumado passa a se questionar sobre esse sentimento, chega a compartilhar com o parceiro este sentir e pode tirar daí algumas conclusões importantes sobre sua forma de ser. Já a pessoa com ciúme patológico no estilo neurótico, permanece em vigília o tempo todo, tenso, aflito, tomando atitudes sempre procurando uma forma de confirmar suas suspeitas. Isso pode ir de um soturno ato de vasculhar bolsas e bolsos, checar ligações telefônicas e até seguir ou mandar seguir o outro pelas ruas em busca de provas de sua infidelidade. Suas reações no dia-a-dia são geralmente agressivas, acusadoras, desconfiadas, causando um grande mal-estar na relação.

Comportamentos tais como examinar bolsos, carteiras, recibos, contas, roupas íntimas e lençóis, ouvir telefonemas, abrir correspondências, seguir o cônjuge ou mesmo contratar detetives particulares para fazer isso costumam não aliviar e ainda agravar sentimentos de remorso e inferioridade das pessoas que padecem de ciúme excessivo. Um exemplo disso é caso que Wright (1994) descreveu de uma paciente que chegava a marcar o pênis do marido com caneta para conferir a presença desse sinal no final do dia (ALMEIDA, 2013, p.2).

E por fim, uma pessoa com um nível de ciúme psicótico, este também conhecido como “Síndrome de Otelo”, em referência ao personagem shakespeariano que sofria desse mal, pode levar a pessoa a cometer atos de extrema agressividade física, configurando aqueles casos que recheiam as crônicas policiais de suicídios e homicídios passionais.

Enquanto os casos mais brandos de ciúme podem ser uma manifestação de má estruturação da autoestima, os intermediários refletirem estados neuróticos, os casos da “Síndrome de Otelo” são, indiscutivelmente causados por patologias psiquiátricas graves, as chamadas psicoses ou, ainda, por problemas neuropsiquiátricos como os diversos tipos de disritmia cerebral descritos na Medicina. De qualquer forma, o complexo sentimento de ciúme, longe de ser aquele “condimento” que torna a relação amorosa mais “apetitosa”, é um sentimento que leva, via de regra, ao sofrimento de quem o sente e, principalmente, de quem padece nas mãos de um ciumento desconfiado e agressivo (SANTOS, 2002, p.78).

Com uma visão psicanalítica é possível afirmar que o ciúme paranóide (Síndrome de Otelo) seria na verdade o desejo do próprio ciumento em ser infiel, porém, por não admitir conscientemente esse desejo, acaba projetando no parceiro, como se pertencesse a ele a infidelidade ou desejo desta.

A revista Isto É, em Julho de 2012 trouxe uma reportagem com vários depoimentos de pessoas que sofreram com o Ciúme Patológico, dentre esses depoimentos o de Vanessa de Oliveira exemplifica o caso do ciúme como uma projeção da própria infidelidade. Segundo a revista, a catarinense Vanessa de Oliveira, 37 anos conheceu por meio de uma amiga aquele que parecia ser o grande amor de sua vida. Durante os primeiros seis meses em que viveram juntos, tudo correu bem. Até que ele começou a revelar seu lado ciumento. “Ele me ligava o dia inteiro para saber onde eu estava e passou a me tratar mal por ciúme dos outros funcionários do shopping onde tínhamos uma loja”, diz. Um dia, Vanessa descobriu que, apesar de ser extremamente ciumento, o marido mantinha relacionamentos paralelos com diversas mulheres e até era casado legalmente nos Estados Unidos com outra brasileira. “Quando o confrontei com a verdade, ele me agrediu, quebrou minhas coisas, me expulsou de casa e até me ameaçou de morte.”

O ciúme Paranoico é marcado por não possuir um motivo real e sim a certeza absoluta de infidelidade do parceiro baseado na sua imaginação. Ele se torna perigoso pelo fato do ciumento não perceber o seu problema. Freeman, (1990); Kingham e Gordon, (2004, apud Costa, 2010, p. 27) assegura que sua principal característica é a falta de realidade, uma crença irremovível e não compartilhada com outras pessoas do mesmo contexto sócio cultural, que não é passível de argumentação ou de convencimento da pessoa que sofre com o problema, que muitas vezes não acredita que o problema esteja nela e não no parceiro. Pode acontecer isoladamente, ou com outras experiências persecutórias, sendo a causa do ciúme desconhecida pelo paciente.

No DSM-IV existe a classe de Transtorno Delirante – Tipo Ciumento. Características desse diagnostico, segundo Easton et al, (2008, apud Costa, 2010, p. 28) contêm experiências delirantes sobre a infidelidade do parceiro, onde a pessoa possui certeza da infidelidade do parceiro. Em alguns casos ocorre o uso da violência contra o parceiro alvo do ciúme.

Nesse caso o indivíduo acometido desse mal acaba vivendo em função de uma fantasia que o projeta como vitima de uma suposta traição, e que a mesma precisa ser vingada para que consiga voltar a viver em paz.

3.3 Causas


As causas do ciúme podem ser diversas, mas geralmente estão relacionadas a própria pessoa ciumenta. Alves, (2001, p.11), também declara que o ciúme surge e se mantém das dúvidas e desconfianças que torturam a mente do sujeito, trazendo um grande sofrimento psíquico. A dúvida e desconfiança podem surgir de falsas interpretações dos acontecimentos, onde o ciumento julga como certeza algo que é fruto de sua imaginação.

Se formos pensar do ponto de vista psicanalítico, as causas do ciúme estão estritamente relacionadas à infância, como afirma Skoloff, (1954, apud, Alves, 2001, p.18) “o ciúme excessivo das pessoas adultas, de caráter neurótico, irracional, tem sua real origem nos traumas ciumentos da primeira infância”.

A frustração inerente ao Complexo de Édipo, que certamente é o fundamento de todos os ciúmes, foi sentido por todo o mundo, inclusive as pessoas que mais tarde não mostram inclinações aos ciúmes. No Complexo de Édipo, o menino ama sua mãe e deseja tê-la só para ele, se irrita contra o pai que é o principal obstáculo de seus desejos absolutistas e, como consequência de seu ciúme e de sua irritação, experimenta em direção ao pai impulsos hostis e agressivos (FENICHEL, 1966, apud NICOLAU, 200?).

Então, como afirma Fenichel, (1966, apud Nicolau, 200?) ao se deparar com um obstáculo que possa pôr em risco a relação com o parceiro, a pessoa com caráter obsessivo do ciúme se lembra de uma experiência parecida, vivida na infância e que foi reprimida. Assim, manter no primeiro plano da consciência uma humilhação atual ajuda a manter em segundo plano a humilhação anterior.

Muitos outros sentimentos abarcam o ciúme, como inferioridade, baixa autoestima, sentimento de injustiça, e medo inconsciente da perda. O complexo de inferioridade está conexo ao ciúme, segundo Alves, (2001, p.33), em circunstâncias de que o ciumento sente-se incapaz de manter o amor da pessoa amada, ou de afrontar qualquer provável rival da relação amorosa. O mesmo autor diz ainda que o sentimento de injustiça relaciona-se com o ciúme pelo fato de que o ciumento crê não receber o real valor que tem direito, não sendo correspondido. Genú (2013), fala que ao se sentir muito ameaçada por outras mulheres a pessoa passa a ter um grande temor de perder seu parceiro, desta forma, sem muita escolha, para diminuir sua dor, ela começa a exigir coisas que passam a limitar e restringir e a liberdade do seu parceiro.

As pessoas que costumam mudar muito frequentemente seus objetos de posse e sentem-se ciumentas até mesmo de objetos, ou pessoas que não possuem nenhum sentimento especial, são as mais predispostas a desencadear um ciúme patológico. Se o ciúme fosse apenas uma penosa reação a uma frustração, Fenichel, (1966, apud NICOLAU, 200?) diz que podia-se esperar que fosse expulso no possível, mas na realidade apresenta a característica oposta: uma tendência a interferir e a converter-se em obsessão.

As causas do ciúme também podem estar associadas a algum quadro psiquiátrico. Costa (2010, p.26), baseado em diversos autores afirma que o ciúme pode aparecer relacionado a condição orgânica ou tóxica, como nos casos de alcoolismo (ciúme delirante), ou associado ao uso de outras substancias psicoativas; pode ainda estar associado a psicoses funcionais e aos transtornos ansiosos (particularmente ao transtorno obsessivo-compulsivo), e do humor (ciúme obsessivo). Além disso, o mau uso de estimulantes, de acordo com Pillai e Kraya, (2000, apud Costa, 2010, p.27) nos casos de manejos inadequados de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) também pode estar associado ao ciúme patológico e aos comportamentos de perseguição.

3.4 Consequências para os Relacionamentos Conjugais


O ciúme em certa medida pode até aproximar o casal durante uma relação, porém quando ultrapassa a linha da normalidade gera consequências negativas, trazendo menor contentamento no relacionamento.

Uma pesquisa realizada na Universidade Middle East Technical – EUA, de acordo com Oner, (2001 apud Costa, 2010) feita com 266 estudantes (136 homens e 90 mulheres) que responderam a questionários e escalas relacionadas ao ciúme e orientações sobre o futuro nos revela que indivíduos ciumentos tendem a desejar continuidade no relacionamento, enquanto indivíduos menos ciumentos veem o relacionamento como passível de termino e algo que deve ser construído diariamente. Nesta pesquisa foi encontrada associações entre baixos níveis de orientação para o futuro e satisfação no relacionamento, concluído assim que, quanto maior a necessidade de continuidade do relacionamento, maior o nível de ciúme e menor a satisfação no relacionamento ao longo do tempo.

Em geral, como consequência, o ciúme leva à insatisfação e término do relacionamento conjugal. Pois a pessoa ciumenta, movida pelo sentimento de desconfiança, raiva, baixa autoestima, angustia e insegurança passa a querer privar o parceiro do que considera como propenso a infidelidade. Em níveis mais graves, o ciúme pode trazer como consequência a violência. De acordo com a Pesquisa Data Senado, 2011, (ISTOÉ, 2012), em 27% dos casos de violência doméstica registrados no Brasil a agressão foi motivada pelo ciúme. No mesmo ano, em um levantamento do Instituto Avon, 48% das entrevistadas que declararam ter sido vítimas de violência grave disseram que esse sentimento de posse foi o fator responsável pela agressão.

O que leva uma pessoa a ser agressiva e cometer até mesmo homicídios pelo simples fato de possuir ciúmes varia muito de indivíduo a indivíduo, mas pode ser dividida em três perspectivas diferentes: perspectiva feminista, perspectiva do relacionamento diático e a perspectiva psicopatológica. Segundo os autores, O’Leary et al, (2007), e Felson & Outlaw, (2007 apud Costa, 2012, p.46) na perspectiva feminista, é enfatizada a dominância masculina, onde o homem, que acredita possuir o poder e controle na relação, deseja obter exclusividade sexual, e assim este se torna mais propenso a cometer crimes motivados pelo ciúme. Outro autor, também enfatiza essa teoria:

O perfil do passional: é homem geralmente de meia, é ególatra, ciumento e considera a mulher um ser inferior que lhe deve obediência ao mesmo tempo em que a elegeu o problema mais importante de sua vida. Trata-se de pessoa de grande preocupação com sua imagem social e sua respeitabilidade de macho. Emocionalmente é imaturo e descontrolado, presa fácil da ideia fixa. Assimilou os conceitos da sociedade patriarcal de forma completa e sem crítica (ELUF, 2003 p. 198, apud Figueiredo, 2012). 

Em continuidade, na perspectiva do relacionamento diático, a base é a discórdia nos relacionamentos e comportamentos. E por fim, a perspectiva psicopatológica, onde faz uma assimilação dos problemas individuais (como desregulação emocional), e o abuso de álcool com a violência.

4. Conclusão


O ciúme pode ser tratado com o algo normal e sem importância até certo ponto. Mas o ciúme é de maneira geral considerado com o algo ruim e prejudicial num relacionamento, ainda mais quando se torna um ciúme patológico, ou seja, quando necessita de ajuda profissional.

O ciúme possui três graus o normal o neurótico e o delirante. O ciúme neurótico   e o delirante fazem parte do grupo que necessita de auxilio psicológico para que o indivíduo supere este estágio.

Já o ciúme patológico é o tipo de ciúme que traz sofrimento tanto a pessoa que sofre desse mal bem como do parceiro que é alvo desse ciúme. Esse tipo de ciúme necessita de acompanhamento pois as consequências dele podem ser imprevisíveis.

Assim é importante que se tenha consciência de quando o ciúme já ultrapassou a barreira do normal e precisa ser avaliado, é preciso que a pessoa com esse problema tenha noção de que alguns problemas requerem mais que somente sua boa vontade de mudar e sim a ajuda de profissionais que estão aptos a tratá-lo e avaliá-lo de forma imparcial e possibilitando uma vida dentro da normalidade no menor tempo possível.