Psicologa Organizacional

21 de julho de 2016

Os Entraves da Educação no Brasil


 
 
Os Entraves da Educação no Brasil

 

A educação é entendida através de diferentes etapas de escolarização que se apresentam de modo sistemático por meio do contexto escolar. De um modo geral, pode-se defini-la como um processo que visa o crescimento e desenvolvimento em qualquer estágio da vida do ser humano (SANTOS, 2015).

O Brasil cresceu muito no século XX, em um período relativamente curto, e a educação também cresceu bastante, mas não o suficiente, diante das necessidades da economia, portanto os entraves em sua prática também aumentaram. Nos últimos tempos aumentou bastante não apenas a necessidade de mais escolas e vagas, mas, sobretudo, a necessidade de ter uma população dotada de conhecimento, competências e atitudes adequadas aos desafios da sociedade contemporânea (CASTRO, 2009 p.10).

Ao falar dos entraves encontrados na educação no Brasil é importante ressaltar que essa problemática se inicia desde a formação dos professores, que saem de um deficiente sistema universitário que não prepara o professor para os mais complexos problemas sociais vividos por seus futuros alunos, e consequentemente a má formação acadêmica reflete em professores despreparados para ensinar.

Para melhorar a qualidade de ensino nas escolas brasileiras, é necessário criar um novo modelo escolar, nossa educação é ruim em todos os níveis, inclusive o universitário, que ainda formam professores para o século XX e não para a nossa sociedade contemporânea. É fundamental e preciso uma mudança profunda no sistema de ensino, uma mudança conceitual, onde a escola ensina o aluno a aprender a criar conhecimento, e para isso os professores precisam novamente aprender para ensinar (MOSÉ, 2013).

Ainda Mosé (2013) afirma que:

Os nossos alunos precisam aprender a aprender. Escolas contemporâneas estão mais preocupadas com a aprendizagem do que com o ensino. Hoje, a educação é centrada na figura do professor e não no aluno. Temos que buscar estimular nas nossas crianças a capacidade de reflexão, de argumentação e criticidade.  E oferecê-las, dentro das diversas possibilidades, caminhos para que elas encontrem seus principais interesses. É possível incorporarmos essas ideias dentro das nossas escolas.

Portanto, outro entrave na educação é a acomodação do aluno na busca do conhecimento, e da escola em aceitar essa acomodação, afinal, nesse mundo moderno é possível encontrar tudo pronto, a busca pelo conhecimento já não é tão empolgante e reflexiva. Contudo, é necessária uma mudança aprofundada nas escolas para que saiam alunos críticos, capazes de construir conhecimentos e não apenas reproduzirem o que o professor ensina, afinal o educador é um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. Ele precisa construir conhecimento a partir do que faz e, para isso, também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o que fazer dos seus alunos (GADOTTI, 2000).

Freire (1996 citado por Moura 2013 p. 15) coloca à escola o dever de não só respeitar os saberes com que os educandos chegam a ela, mas também, discutir com os alunos a razão de ser de alguns desses saberes em relação com o ensino de conteúdos. Para ele, transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador.

Santos e colaboradores (2015) apresentaram em sua obra que a qualidade do ensino depende muito da qualidade do professor, ou seja, o mesmo precisa ter gosto por ensinar e sentir satisfação em aprender para passar adiante. Assim, a escola deve oferecer condições materiais, físicas e pedagógicas para criar um ambiente propício à aprendizagem (p. 32).

Gadotti (2009 citado por Santos e colaboradores 2015 p. 19) refere que existem três condições que devem estar presentes numa escola de qualidade: professores bem formados, condições de trabalho e um projeto, ou seja, a autoestima dos professores é outro fator que influencia bastante na qualidade da educação nas escolas brasileiras, cada vez mais o professor se sente desmotivado por baixos pisos salariais, pouca estrutura e um desconforto com o sistema educacional, onde a meta é passar alunos e não criar cidadãos para a sociedade.

Em geral, temos a tendência de desvalorizar o que fazemos na escola e de buscar receitas fora dela, quando é ela mesma que deveria governar-se. É dever da escola ser cidadã e desenvolver na sociedade a capacidade de governar e controlar o desenvolvimento econômico e o mercado

Segundo Dourado (2007 citado por Santos 2015):

Ao Estado ou Governo cabe assegurar o direito à mesma para todos os indivíduos, incluindo a igualdade de condições de acesso e permanência na escola; ampliar a obrigatoriedade da educação básica; definição de diretrizes para os níveis, ciclos e modalidades de ensino; definir e garantir padrões de qualidade; implementação de programas suplementares onde estejam incluídos a disposição de recursos tecnológicos, segurança nas escolas, etc (p.35).

A educação é um fenômeno relativamente complexo pois está associada a uma natureza multidimensional, são várias problemáticas e a qualidade da educação envolve a interacção simultânea dos vários agentes intervenientes, a formação de professores para que entrem nas escolas preparados para os desafios contemporâneos, a valorização dos agentes transmissores do saber e o estado que precisa garantir o direito de uma educação de qualidade.

O objetivo desse estudo é conhecer os principais entraves no processo da educação brasileira, que variam desde a formação acadêmica dos professores até os desafios contemporâneos, desafios esses que são fazer com que o professor aprenda novamente para ensinar, que o aluno aprenda a criar conhecimento e que as escolas formem cidadãos formadores de conhecimentos e não apenas reprodutores de conhecimento. O estudo reitera as dificuldades enfrentadas pela escola, os professores e os alunos no processo de educação.

Para desenvolver o presente estudo foi efetuado um levantamento de informação através de diversos artigos e outras fontes, como livros, que abordavam as questões das dificuldades enfrentadas na educação brasileira. Procedeu-se, deste modo, a uma metodologia de revisão da literatura.

2. Considerações Finais


Em virtude dos fatos aqui mencionados percebemos que a educação brasileira cresceu bastante, porém juntamente com ela cresceu as problemáticas, a falta de estrutura nas escolas e, principalmente, a falta de acompanhamento desse crescimento juntamente com os avanços da sociedade. Há, portanto, muitos profissionais ingressando no meio educacional completamente despreparados, com uma má formação acadêmica e um desânimo frente à profissão, o que consequentemente reflete na qualidade da educação atual.  Portanto, faz-se necessário que a educação seja administrada de maneira em que possa formar cidadãos capazes de pensar por si só, criar e refletir. É necessário também um trabalho na formação dos professores, acompanhar as mudanças da sociedade, fazendo com que as escolas aprendam antes de ensinar, reformulando o sistema educacional, para que possam preparar pessoas, não apenas para o mercado de trabalho, mas também para a vida.

13 de julho de 2016

Transtorno de Ansiedade Generalizada: uma Abordagem Farmacológica e Psicoterapêutica


Transtorno de Ansiedade Generalizada: uma Abordagem Farmacológica e Psicoterapêutica


 


Na sociedade moderna, a introdução de novas tecnologias, bem como a velocidade de informações e o ritmo de trabalho, fez com que as pessoas modificassem seu estilo de vida para que pudessem se adaptar a um novo contexto social. Devido a exigências como essa, as pessoas começaram a desenvolver várias patologias relacionadas ao estresse, ansiedade e fobia.

Os transtornos de ansiedade constituem um grupo com maior prevalência dentro dos transtornos psiquiátricos. Esse grupo inclui fobias específicas, agorafobia, transtorno do pânico, de ansiedade generalizada, de ansiedade social, obsessivo-compulsivo, de estresse pós-traumático e de estresse agudo (NETO; GAUER; FURTADO, 2013).

O objetivo desse estudo é conceituar, detalhar e discutir sobre o Transtorno de Ansiedade Generalizada e para isso foi realizada uma revisão bibliográfica onde se buscou nos bancos de dados da Scielo, Medline, Bireme, assim como em livros, estudos que descrevessem sobre o assunto. Os artigos selecionados foram publicados na língua portuguesa no período entre 1995 e 2013 e todos apresentaram dados relevantes e foram incluídos nesta revisão.

O tema foi dividido e subdividido no desenvolvimento em: prevalência e incidência, comorbidades, etiologia, sintomas, diagnóstico e possíveis tratamentos. Essa divisão teve o intuito de obter uma melhor clareza na leitura e compressão do tema abordado.

2. Desenvolvimento


2.1 Conceito de Ansiedade


Ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho (ANA et al., 2000). Constitui-se como resposta a uma possível ameaça desconhecida, vaga. Pode-se afirmar que a impossibilidade do ser humano em dar sentido a determinadas situações é, de longe, o maior gerador de ansiedade possível de vivenciar. Estar ansioso não é algo incomum, é preciso saber identificar e diagnosticar quando esse estado deixa de ser fisiológico, se tornando transtornos psiquiátricos.

2.2 Conceito de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)


Antes da publicação da revisão da terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-III-R), a conceituação do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) não era definida. Em DSM-III-R e DSM-IV foi definido então que TAG é a preocupação crônica e excessiva, assim como a expectativa apreensiva do futuro, sendo um estado prolongado de ansiedade, flutuante que não chega a crises de pânico ou a fobias, não tendo motivo justificável (CRAIGHEAD; MIKLOWITZ, 2008; CASTILLO et al., 2000).

Segundo Clark e Beck (2012) o transtorno de ansiedade generalizada é um estado persistente de ansiedade envolvendo preocupação crônica, excessiva e invasiva que é acompanhada por sintomas físicos ou mentais de ansiedade que causa sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento diário.

2.3 Prevalência e Incidência


Os quadros psiquiátricos mais comuns tanto em crianças quanto em adultos, são os transtornos ansiosos. Estima-se que, durante a vida, a prevalência desses é de 9% para as crianças e 15% para os adultos. A estimativa é crescente e alarmante devido ao alto índice de ocupação intelectual, carga-horária de trabalho e/ou estudo, assim como a pressão proporcionada por esses, desde muito cedo (GREBB; KAPLAN; SADOCK, 2011; BUENO; FILHO; NARDI, 1996; NETO, 1995).

Sobre a população em geral, a incidência de desenvolver o TAG é de cerca de 4 a 6%, sendo esse, o provável transtorno psiquiátrico que mais aflinge as pessoas. A proporção de mulheres para cada homem afetado é de 2 para 1. Mas, segundo Benjamin e Virginia (2008),a razão de mulheres para homens que recebem tratamento hospitalar para o transtorno é de 1 para 1.

É possível que o TAG se inicie em qualquer idade, tendo maior frequência na segunda década de vida, justamente a fase da vida que tende a ser mais conturbada para os jovens entre 20 e 30 anos (CRAIGHEAD; MIKLOWITZ, 2008; CASTILLO et al., 2000).

2.4 Comorbidades


O estudo das comorbidades auxilia na investigação da etiologia e possivelmente melhora o prognóstico do transtorno, de forma que tanto no campo psiquiátrico, como no psicoterapêutico, ele auxiliará na realização de diagnósticos mais precisos e intervenções mais eficazes (MENEZES et al., 2007)

De acordo com Benjamim e Virginia (2008), o transtorno de ansiedade generalizada é provavelmente o que coexiste com mais frequência com outro transtorno mental, em sua maioria fobia social, fobia específica, transtorno do pânico ou transtorno depressivo; é possível que 50 a 90% dos pacientes com esse diagnóstico tenham outra condição mental.

Até 25% das pessoas com TAG eventualmente experimentam transtorno do pânico e uma alta porcentagem tem chance de desenvolver transtorno depressivo maior. Outros transtornos comuns associados incluem transtorno distímico e transtornos relacionados ao uso de substâncias (SADOCK, 2008).

2.5 Etiologia


A causa do TAG não está amplamente conhecida. Acredita-se que fatores psicossociais e biológicos estão envolvidos e operam em conjunto, na maioria das vezes, sendo um não excludente do outro.

2.5.1 Fatores psicossociais


Os fatores psicossociais são explicados pela má interpretação da realidade por parte dos portadores de TAG, isso se justifica pela seletividade da atenção a detalhes negativos do ambiente.

As duas principais escolas de pensamentos sobre fatores psicossociais responsáveis pelo desenvolvimento de TAG são a cognitiva-comportamental e a psicanalítica (SADOCK, 2008).

Para a escola cognitivo-comportamental, os pacientes que sofrem desse transtorno respondem errado aos perigos que percebem; já a escola psicanalista, acredita na hipótese que a ansiedade gira em torno de conflitos inconscientes não bem resolvidos.

2.5.2 Fatores biológicos


Baseando-se nos fatores biológicos, as hipóteses giram em torno de anormalidades neuroquímicas no paciente portador de TAG, que envolve os sistemas GABA, noradrenérgico e serotoninégico.

Uma desregulação do receptor regulatório GABAa é observada em pacientes com TAG e vem sendo envolvido nas hipóteses sobre sua etiologia. Como suporte para esta teoria está o fato de que os sintomas são tratados de modo eficaz com facilitadores de GABAa, como os benzodiazepínicos e barbitúricos (NETO; GAUER; FURTADO, 2013).

Segundo Benjamin e Virgínia (2008), outras áreas que têm sido, por hipótese, envolvidas no TAG são os gânglios da base, sistema límbico e o córtex frontal. Percebe-se que a taxa metabólica apresenta-se inferior nos gânglios da base e substância branca em pacientes com esse transtorno.

2.6 Sintomas


O que diferencia o TAG dos outros transtornos é a preocupação excessiva e contínua com coisas pequenas, banais, já que os demais se dão por crises pontuais, por motivos específicos (BARLOW; DURAND, 2008).

O estado do transtorno gera sintomas somáticos que comprometem significantemente o indivíduo no que diz respeito ao social, ocupacional e que na maioria das vezes acentua o sofrimento.

Os principais sintomas no TAG, podem ser divididos em três subgrupos: tensão motora, hiperatividade autonômica e vigilância cognitiva. O primeiro é caracterizado por dores, tremores, cefaleia tensional e inquietação; os sintomas de hiperatividade autonômicos são sudorese excessiva, palpitações, vertigens e, comumente, sensações de asfixia. Já o último, o paciente se mostra impaciente, com lapsos de memória, insônia, com sentimento de incapacidade e apresentando problemas ao tentar se concentrar. Vale salientar, que os portadores desse transtorno são bastante pessimistas em relação a acontecimentos futuros, estando sempre apreensivo e preocupado com outras pessoas e também quanto consigo mesmo (GREBB; KAPLAN; SADOCK, 2011; FILHO; BUENO; NARDI, 1996; NETO, 1995).

2.7 Diagnóstico


Os instrumentos padronizados mais amplamente utilizados para a obtenção do diagnóstico do Transtorno da Ansiedade Generalizada são: CIDI5 (Composite International Diagnostic Interview) e SCID6 (Structured Clinical Interview for DSMIII-R), sendo ambos baseados em entrevistas diretas ao paciente. Entretanto, sua utilização na prática clínica é limitada pela necessidade de um treinamento extensivo dos utilizadores e pela longa duração das entrevistas (de 1h30 à 3h).

Existe também, outro instrumento para diagnóstico, que por meio de estudos, apresenta-se válido para tal: o MINI. Esse foi desenvolvido por pesquisadores do Hospital Pitié-Salpêtrière de Paris e da Universidade da Flórida. O MINI é um questionário breve (15-30 minutos), compatível com os critérios do DSM-III-R10/IV11 e da CID-1012 (versões distintas), que pode ser utilizado por clínicos após um treinamento rápido (de 1h a 3h).

2.8 Tratamento


O TAG produz um impacto negativo considerável na qualidade de vida, com prejuízo na atividade social e baixo índice de satisfação. Quando não tratado, está associado ao aumento de utilização de serviços de saúde e aumento das taxas de morbidade e mortalidade.

O tratamento de escolha é a associação de psicoterapia e psicofármacos (FURTADO; GAUER; NETO, 2013). O uso dos medicamentos visa à remissão ou o alívio parcial dos sintomas permitindo que o paciente melhore seu desempenho tanto na vida social quanto laboral.

2.8.1 Tratamento farmacológico


Nos últimos anos, tem-se assistido a um grande avanço no tratamento farmacológico dos transtornos de ansiedade. Particularmente em relação ao transtorno de ansiedade generalizada, até a poucos anos, a única alternativa eram os benzodiazepínicos (BZD) (ANDREATINI; FILHO; LACERDA, 2001).

As três opções de medicamentos a serem consideradas nesse emprego são a buspirona, os benzodiazepínicos e os inibidores da recaptação de serotonina (ISRSs) (SADOCK, 2008). Um fator importante na escolha do ansiolítico é a presença de comorbidades que serão bem avaliadas pelo médico e após será prescrita a medicação necessária (ANDREATINI; FILHO; LACERDA, 2001).

2.8.2 Tratamento com psicoterapia


Atualmente a psicoterapia em uma abordagem cognitivo-comportamental se mostra mais eficaz no tratamento. A terapia cognitivo-comportamental consiste basicamente em provocar uma mudança na maneira alterada de perceber e raciocinar sobre o ambiente e especificamente sobre o que causa a ansiedade (terapia cognitiva) e mudanças no comportamento (terapia comportamental) (ANA et al., 2000).

Segundo Clark e Beck, a meta central da terapia cognitiva para TAG é a redução da frequência, intensidade e duração de episódios de preocupação que levariam a uma diminuição associada nos pensamentos intrusivos ansiosos automáticos e na ansiedade generalizada

3. Conclusão


Observa-se que a alta prevalência do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) na sociedade moderna, tem impactado negativamente na qualidade de vida das pessoas e também nas atividades laborais. O diagnóstico correto se faz necessário para que se tenha uma abordagem completa e uma intervenção precoce a esses pacientes. Muitos avanços foram observados nos últimos anos em relação ao tratamento dessa patologia, sendo de extrema importância o acompanhamento psicoterapêutico juntamente com o farmacológico para que se tenha bons resultados e uma remissão total da sintomatologia.

Aplicação da Musicoterapia em Tratamentos Psicológicos e Clínicos


 
 
Aplicação da Musicoterapia em Tratamentos Psicológicos e Clínicos

 

A música como uma forma de tratamento tem sua origem não muito bem definida. Na antiguidade já foi muito utilizada em rituais de eliminação ou banimento de espíritos que acreditavam residir nos corpos dos enfermos. Em tal época todas as doenças eram tratadas de forma a ser uma agressão a alma e não ao corpo. Porém, como forma estruturada surgiu apenas a partir em 1950 nos Estados Unidos com o surgimento dos primeiros musicoterapeutas.

A musicoterapia é uma ciência que tem como objetivo realizar uma reabilitação neurológica a partir da interação do paciente com o ritmo, melodia e harmonia de uma música, além de atividades psicomotoras que possam ser desenvolvidas a partir destes princípios.

Já foi comprovada a efetividade terapêutica do uso destes métodos para o tratamento de vários distúrbios neurológicos e psíquicos como: Depressão, Transtorno bipolar, Esquizofrenia, dentre outros. Além disso, também é utilizado com grande sucesso para reabilitação de pacientes que sofreram lesões por acidente vascular cerebral, traumatismo crânio encefálico e degeneração neurológica.

Porém, não é necessário estar enquadrado nas situações acima para usufrui de benefícios dessa técnica. Já foi comprovado que a musicoterapia pode gerenciar o estresse, melhorar a memória, a socialização e a cognição de um indivíduo.

Uma vez observados esses aspectos o objetivo deste artigo será fazer uma breve revisão sobre como a musicoterapia é vista sobre a ótica da medicina e da psicologia. Para tal, foi realizada uma revisão da literatura existente, com pesquisa realizada de Setembro a Novembro de 2015, nas bases de dados Scielo e Google Acadêmico utilizando-se dos termos: Musicoterapia, Distúrbio bipolar e musica Depressão e música, Esquizofrenia e música e Neurociência e Música. A pesquisa foi realizada sem distinção de língua ou data de publicação.

2. Desenvolvimento


2.1 A musicoterapia utilizada em distúrbios psíquicos


A música é um elemento dinâmico que através do ritmo, do timbre, da harmonia leva o indivíduo as mais variadas sensações físicas e emocionais estimulando o pensamento, a reflexão, movimentação e pode despertar tanto a agitação como trazer tranquilidade ou irritação. Por isso a musica pode ser amplamente utilizada em tratamentos de ordem emocional ou mental como pacientes com transtornos esquizofrênicos, depressão, bipolaridade, entre outros.

De acordo com o estudo realizado por Costa e Vianna (1984) a música tem o poder de invadir a interioridade do ser e de desobstruir canais de comunicação, desde os níveis mais profundos, o que poderá ser de utilidade no tratamento do esquizofrênico, preso em seu mundo particular.

Segundo Costa e Vianna (1984):

O esquizofrênico, por meio da produção de sons organizados, começa a expressar algo da realidade interna que constitui seu modelo de mundo, particular e por isto aparentemente caótico, relacionando-se e comunicando-se através da linguagem musical. Cabe ao terapeuta auxiliar o paciente a tornar explícitas estas emoções e sentimentos, trazendo para a linguagem verbal o que estava implícito tanto nas manifestações musicais quanto em seus comentários, o que dará ao paciente uma ampliação de seu leque de alternativas e uma possibilidade de modificação de seu modelo patológico.

Dentre estes distúrbios, o transtorno bipolar é uma doença psiquiátrica que é caracterizada por episódios de alterações bruscas de humor. Segundo Passoni (2006) a musicoterapia pode servir de ajuda para quem sofre desse transtorno no que diz respeito à comunicação, socialização e auto-expressão, pois se utiliza de uma abordagem não invasiva possibilitada pela música, que acaba por fortalecer estas habilidades, podendo induzir uma mudança de comportamento.

Para alguns autores a musicoterapia pode propiciar efeitos benéficos ao paciente depressivo, induzindo uma sincronização de sentimentos influenciada pela a música capaz de melhorar seu quadro clínico.

De acordo com Silva, Zanini e Pereira (entre 1996 e 2015):

Acredita-se que a musicoterapia tem condição de ajudar o paciente a entrar em contato com suas emoções, sentimentos e expressá-los através de músicas, instrumentos, sons, corpo ou qualquer outra forma que venha facilitar essa liberação de sentimentos. Quando o paciente expõe seus sentimentos, a carga fica mais leve, a culpa diminui, as relações interpessoais melhoram, as músicas alegres emergem com mais facilidade e, consequentemente, os sintomas da depressão diminuem, causando menor sofrimento. Logo, seu corpo, sua alma e sua psique cantam e dançam, enfim, agradecidos, pois o musicoterapeuta considera as potencialidades, aceitando que cada pessoa é ímpar, singular e subjetiva!

2.2 A musicoterapia aplicada à clínica médica


Para a medicina a musicoterapia tem uma ação ainda pouco estudada, porém com algum sucesso terapêutico. Além dos distúrbios psicomotores, já existem estudos que comprovam como a música pode afetar a amamentação de um recém-nascido, diminuindo a ansiedade materna e levando a continuidade da amamentação natural por um período mais longo (ARNON, 2011), bem como estimular um melhor desenvolvimento do recém-nascido devido às alterações que a música causa em frequência cardíaca e respiratória, saturação de oxigênio, pressão arterial e temperatura corporal (SILVA et al.,2013).

Alguns cientistas atribuem o efeito terapêutico da musicoterapia a atividade de neurônios espelhos. ”Os neurônios espelho, quando ativados pela observação de uma ação, permitem que o significado da mesma seja compreendido automaticamente (de modo pré-atencional) que pode ou não ser seguida por etapas conscientes que permitem uma compreensão mais abrangente dos eventos através de mecanismos cognitivos mais sofisticados“ (LAMEIRA, GAWRYSZEWSKI e PEREIRA, 2006). Ou seja, a partir da percepção de um estimulo estes neurônios são ativados de forma reflexa, de forma que o corpo se prepare para realizar uma resposta condizente. Este estímulo pode ser de qualquer natureza, inclusive musical.

Outra ideia é a de que a música induziria ações de plasticidade sináptica, ou seja, a capacidade de um neurônio criar novas conexões em função do ambiente. A música é uma ferramenta capaz de causar essas alterações neurais se tornando possíveis de serem benéfica psiquicamente e cognitivamente. Já existe um estudo que comprova que músicos profissionais têm um desempenho cognitivo e motor superior devido a plasticidade sináptica (RAGERT et al, 2004), da mesma forma a musicoterapia poderia ser utilizada como forma terapêutica para doenças como o autismo.

Uma teoria não exclui a outra e autores como Piazzetta (2014) trazem ambas as opções para explicar o sucesso terapêutico da musicoterapia no tratamento de diversas enfermidades. De fato é esta interação com a música e às vezes a interação social que vem desta atividade que proporciona o estímulo necessário para amenizar um problema e melhorar a qualidade de vida do sujeito.

É importante ressaltar que o efeito adquirido da musicoterapia não só depende de estar recebendo o estimulo musical, vai variar em relação ao tipo de estímulo em relação à amplitude, ritmo e frequência (SILVA et al.,2013), além da qualidade do profissional para selecionar a atividade necessária para o tratamento e saber conduzi-la com êxito.

3. Conclusão


A partir do levantamento de vários artigos, foi possível constatar que os benefícios da musicoterapia para pacientes com distúrbios psicológicos e na clínica médica, são diversos e de extrema relevância para o sucesso terapêutico.

Associada a outros tipos de tratamento a musicoterapia é capaz de intensificar o efeito terapêutico e até mesmo melhorar a qualidade de vida de um indivíduo. A atuação conjunta entre os diversos profissionais, entre médicos, psicólogos e musicoterapeutas, é extremamente positiva, pois possibilita a realização de um tratamento holístico, voltado para todos os aspectos da vida da paciente em questão.

Portanto, o desenvolvimento deste trabalho foi extremamente enriquecedor não apenas para nossa formação acadêmica, mas também para nossas futuras atividades profissionais, pois permitiu reconhecer que os aspectos que vão além do orgânico e do bioquímico.

4 de julho de 2016

Dificuldades de Aprendizagem: Um Olhar Pedagógico e Psicológico sob a Perspectiva de Ensino/Aprendizagem


Dificuldades de Aprendizagem: Um Olhar Pedagógico e Psicológico sob a Perspectiva de Ensino/Aprendizagem


 


1. Introdução


Somos seres singulares e com subjetividades distintas, principalmente no que se refere ao modo de compreender, pensar e expressar algo. Cada um de nós, temos um tempo de processamento de informação diversificado, e este fator é concomitantemente alterado quando englobamos aspectos ambientais, emocionais e afetivos do indivíduo em formação.

Sabe-se que o ensino de forma geral ainda deixa a desejar, e que muitas vezes perante a falta de estímulos e motivação "adequados" para os professores, esse quadro fica ainda mais agravante, pois eles refletem sua baixa autoestima na sala de aula. Não podemos esquecer o velho sistema de ensino que também é outro fator que, ao invés de contribuir plenamente com esse processo de ensino/aprendizagem, se contradiz no momento em que impõe regras incongruentes na área educacional, de que, por exemplo, mediante certa faixa etária não se pode reprovar.

Pode-se compreender então que muitos discentes são aprovados sem atingirem a meta necessária, tendo que adequar-se a outra série e, deste modo, abarcando suas dificuldades na aprendizagem.  É muito comum encontrarmos um grande percentual de casos semelhantes a esse e que são rotulados como preguiçosos, desleixados, com déficit de atenção, dentre outras nomenclaturas pertinentes.

Como diz Visca (1987), "os vínculos afetivos que o indivíduo fixar com o objeto da aprendizagem, possibilita impedimentos ou possibilidades".  Complementando o pensamento do autor anteriormente citado, Kaplan (1990) enfatiza que: "a aprendizagem pode ser definida como mudança no comportamento que resulta tanto da prática quanto da experiência". Em outras palavras, fazendo a ponte de entendimento perante as definições de aprendizagem ditas acima, salienta-se que este desenvolvimento ocorre independentemente da faixa etária da pessoa e  está estritamente relacionada com as vivências diárias, seja ela positiva ou negativa, pela qual perpassa.

É importante a equipe pedagógica juntamente com o professor, ficarem atentos com as crianças principalmente na fase de alfabetização, pois é neste período que se identifica possíveis problemas relacionados à dificuldade ou distúrbio de aprendizagem. Em comentário a essa questão o autor aponta que

A dificuldade de aprendizagem pode ser caracterizada sobre duas perspectivas: dificuldade de aprendizagem decorrente de desordens neurológicas que interferem na percepção, integração, ou até de informação, caracterizando-se no aluno e na realização escolar; dificuldades de aprendizagem relacionada na aprendizagem que reflete numa incapacidade na leitura, escrita, desenvolvimento de cálculos para aquisição de aptidões sociais (PILETTE, 2002).

Como já comentado, é na escola que grande maioria dos casos são detectados. Por isso, torna-se primordial que assim que diagnosticado os primeiros sinais da dificuldade e/ou distúrbio, a escola juntamente com os pais formem uma parceria ainda mais findada com o objetivo de buscar auxílio profissional adequado, seja ele o psicopedagogo, psicólogo, neurologista, médico, entre outros, para melhores orientações a respeito das metodologias ou possíveis tratamentos.

Em breves palavras, ressalta-se que a dificuldade é distinta do distúrbio de aprendizagem. Isto interfere na definição de ambos e no processo relacionado à dinâmica educacional que cada discente necessitará, caso apresente aspectos congruentes a este fator. É preciso, mesmo que haja ainda uma defasagem estrutural escolar, mediante várias facetas, que sejam identificados com mais atenção na educação infantil, os primeiros comportamentos que levem a suspeita da problemática neste trabalho abordada, pois quanto mais cedo se "descobre", melhores resultados poderão ser atingidos com as orientações assertivas, tendo como subsídio para tal procedimento, a escola, a família e a equipe de profissionais específicos que darão o apoio mediante o quadro apresentado.

2. Dificuldades de Aprendizagem: Um olhar pedagógico e psicológico sob a perspectiva de ensino/aprendizagem


Embora tenham ocorrido muitas mudanças nos últimos tempos em termos de avanços tecnológicos dentre outros, podemos ainda pontuar um dos problemas pelo qual infelizmente ainda perpassa-se na atualidade, que é a falta de informações básicas a respeito da distinção do que é dificuldade e distúrbio de aprendizagem. Em muitos casos, até mesmo a própria escola não consegue identificar nos primeiros anos do educando tal problemática, pois às vezes não possui capacitação para lidar com esse tipo de situação no âmbito educacional.

Levamos em consideração que a família por sua vez, apesar de ser a principal referência na constituição do ser, também na maioria dos casos não consegue diagnosticar se a criança têm ou não o distúrbio e/ou a dificuldade de aprendizagem. Giurlane (2004) afirma que a influência familiar é significativa tanto sobre os problemas de comportamento como sobre as dificuldades no aprendizado acadêmico.  Em virtude do que foi mencionado, vejamos o que Smith fala sobre esse contexto: 

O desenvolvimento individual das crianças também é maciçamente influenciado por sua família, pela escola e pelo ambiente da comunidade. Embora supostamente as dificuldades de aprendizagem tenham uma base biológica, com frequência é o ambiente da criança que determina a gravidade do impacto da dificuldade. [...] Embora as dificuldades de aprendizagem sejam consideradas condições permanentes, elas podem ser drasticamente melhoradas, fazendo mudanças em casa e no programa educacional da criança (p. 20 e 21, 2001).

Podemos complementar o discurso enfatizado, relevando a hipótese de quando o diagnóstico é feito tardiamente ou quando não se é realizado os procedimentos adequados, a criança sofrerá consequências mais severas, porém nada impede que essas "dificuldades de aprendizagem" sejam sanadas.

Correia e Martins (2005) cita que: "numa perspectiva educacional, as dificuldades de aprendizagem refletem uma incapacidade ou impedimento para a aprendizagem da leitura, escrita ou cálculo para aquisição de aptidões sociais". Aproveitando fio da meada da concepção dos autores anteriormente ressaltados, vale destacar que todo distúrbio de aprendizagem acarreta consequentemente a dificuldade de aprendizagem, pois está ligado a fatores neurológicos, genéticos, etc., porém nem toda dificuldade de aprendizagem pode ser considerada um distúrbio. A dificuldade pode está sendo ocasionado por aspectos ambientais, sociais, familiares, biológicos, culturais, dentre outros.  Acerca do tema em apreço, contemplemos a seguinte definição, que abrange de modo mais "concreto" o que fora abordado até o momento:

Distúrbio de Aprendizagem (DA) como um grupo heterogêneo de transtornos que se manifesta por dificuldades significativas na aquisição e uso da escrita, fala, leitura, raciocínio ou habilidade matemática. Estes transtornos são intrínsecos ao indivíduo, supondo-se ocorrerem devido à disfunção do sistema nervoso central, e que podem ocorrer ao longo do ciclo vital. Podem existir, junto com as dificuldades de aprendizagem, problemas nas condutas de auto-regulação, percepção e interação social, mas não constituem, por si só um distúrbio da aprendizagem. Podem ocorrer concomitantemente com outras condições incapacitantes ou com influências, extrínsecas porém não são o resultado dessa condição (HAMMILL, 1988/1991).

Através das rápidas pinceladas descritas sobre os fatores e as distinções que englobam as dificuldades e o distúrbio de aprendizagem, co-relacionaremos  neste momento a "teoria" com a prática, por intermédio de duas entrevistas realizadas na qual serão relatadas a seguir. Vale apena frisar que os trechos são algumas informações relevantes das entrevistas e que por questões de sigilo, os nomes das profissionais serão substituídos por siglas fictícias.

J. S. é professora de História e está atuando há 20 anos na área.  Através de suas experiências, diz que a maior causa das dificuldades de aprendizagem geralmente  se dá pela falta de interesse e mal comportamento de alguns alunos e pela ausência de acompanhamento adequado dos pais na carreira estudantil de seus filhos.  Já em contrapartida, para G. M. que está atuando no ramo de educação infantil há 7 anos, realça em seus relatos experienciais, que compreende as causas da dificuldades de aprendizagem como um desafio, que pode superar com os próprios esforços. Sabendo das dificuldades que todos discentes passam independente se estudam na rede pública ou privada, é interessante e primordial distinguir se este problema está sendo gerado por algum motivo de base emocional/afetiva ou se tem resquícios de origem biológica/orgânica ou neurológica.

Destacando e interligando esta vertente, questionamos as professoras, se o distúrbio é distinto da dificuldade de aprendizagem. Para J. S.: “-Não, dificuldades surgem no decorrer do processo em estudo, onde pode aparecer algumas dificuldades que são sanadas. Enquanto distúrbios são características específicas que o aluno apresenta”. Mas, para G. M.: “- Não, quando o aluno tem dificuldade, o professor pode ajudar. Mas quando é um distúrbio precisa também da ajuda de outras pessoas.” Em comentário a esta questão referida, Mazer et. Al sugere que:

Uma criança que apresenta dificuldade de aprendizagem, provavelmente, já passou por diversas cadeias de circunstâncias desfavoráveis para o seu desenvolvimento  e essa dificuldade, se persistir, também acarretará novos prejuízos psicossociais, que, por sua vez, também contribuirão para a manutenção ou intensificação dos problemas de aprendizagem” (p. 15, 2009)

Cabe neste instante, também verificar os esclarecimentos de Vallet (1977), que em seu dizer expressivo, menciona que “o termo distúrbio de aprender tem sido usado para indicar uma perturbação ou falha na aquisição e utilização de informações ou na habilidade para solução de problemas”. Vimos através das reflexões teóricas expostas nas citações, a contextualização mais específica de cada resposta dada pelas docentes quando se referiram as divergências de dificuldades e/ou distúrbio de aprendizagem. Em outro ponto da entrevista, quando focado sobre a compreensão acerca do fracasso escolar e/ou problemas de aprendizagem, os relatos foram bem contraditórios com olhares peculiares a respeito. Para J. S.:  “- o problema da aprendizagem ou fracasso escolar pode ser compreendido através de vários  fatores, depende da visão de quem conceitua, porém o maior está na família". Na perspectiva de G. M., ela diz que:  “- vejo o fracasso escolar como espelho que reflete em situação da escola causando a dificuldade de aprendizagem. Se a gestão pedagógica não procurar ajuda adequada, isto tenderá a crescer e causar outros problemas.” Ciasca (p. 29, 2003), traça o seguinte esclarecimento:

Ensinar e aprender são processos lentos, individuais e estruturados, quando não se completam por alguma falha interna ou externa surgem os distúrbios e as dificuldades de aprendizagem, levando a criança não só à desmotivação quanto ao desgaste e à reprovação, transformando-a num rótulo dentro da escola, "perturbando" pais e professores que buscam, a partir daí, de classificá-las e, se possível, encontrar uma solução objetiva para o quadro. Assim, o processo de avaliação e intervenção deve ser considerado com preocupação, levando-se em consideração esses e outros fatores importantes para se resolver o problema do não aprender na escola.

Por todos os argumentos apresentados, torna-se nítido os pontos discrepantes perante as entrevistas. Porém, vale lembrar que a diferença entre o tempo de atuação e formação das professoras varia em média 13 anos. Isto já é um detalhe a ser destacado, pois mostra a necessidade dos profissionais da educação irem em busca de novas especializações e não se prender as "mesmices" que absolveu em sua graduação.

Nos dias atuais, é considerável ter uma visão mais ampla e sistêmica dos fatos, principalmente quando se trata da área educacional. Posta assim a questão, refletimos sobre os métodos de ensino, sobre as concepções emocionais, psíquicas e afetivas, interpessoais, estrutura econômica e familiar, dentre outros exemplos que tanto o professor, aluno, pai/mãe, perpassam. Em razão disso, é de suma relevância a procura de conhecimentos/informações confiáveis além de profissionais adequados e capacitados, para conseguir diferenciar e possivelmente diagnosticar a problemática causadora do fracasso escolar nas crianças em seus primeiros anos como discentes, corroborando da melhor forma cabível em seu processo de desenvolvimento escolar e pessoal. 

3. Metodologia


O presente trabalho foi desenvolvido a partir de uma entrevista desenvolvida pelas acadêmicas e aplicada com duas profissionais da área escolar. Foram realizadas pesquisas em artigos e outros referenciais, estudo de caso mediante as informações obtidas (na entrevista) sobre as dificuldades no contexto escolar e consequentemente, a integração discursiva entre a teoria e a prática, quanto aos temas abordados nas aulas da atual disciplina.

4. Conclusão


Em vista dos resultados obtidos da entrevista, ficou evidente que é necessário a atualização constante dos profissionais da área da educação, para capacitar-se melhor mediante situações de alunos que apresentam dificuldades e/ou distúrbios da aprendizagem.

Em outra interface da problemática, percebe-se através dos relatos e de pesquisas que, quando o profissional da educação identifica o distúrbio e/ou a dificuldade de aprendizagem juntamente com a família e não buscam informações adequadas, esse quadro pode resultar em rotulações, exclusões sociais, evasões escolares, dentre outros aspectos que afetam de forma significativa seu desempenho intelectual, emocional e psíquico.

Em virtude das considerações supracitadas, chega-se a uma análise sucinta de que estamos constantemente expostos a estímulos que nos levam a atualizar nossos conhecimentos. Ou seja, o processo de aprendizagem é contínuo, individual, acumulativo e integrativo. Nesse sentido, deve-se dizer que as diferenças singulares levam algumas pessoas a serem mais lentas no desenvolvimento de aprendizagem, enquanto outras nem tanto. Por esta razão é importante salientar o quão importante e perspicaz os profissionais da área escolar e as famílias passarem a ter conhecimentos de pelo menos alguns dos detalhes que distinguem se a criança têm problemas de adquirir novos saberes, e também quando detectado, onde de fato se enquadram, em termos de possuírem ou não, evidências características de dificuldades e/ou de distúrbios de aprendizagem, para então a criança ser encaminhada aos profissionais cabíveis a situação que se encontra. 

Os Benefícios do Acompanhamento Psicológico em Mulheres Mastectomizadas devido ao Câncer de Mama


Os Benefícios do Acompanhamento Psicológico em Mulheres Mastectomizadas devido ao Câncer de Mama


 


O câncer de mama é uma doença que ainda hoje, é capaz de desencadear diferentes tipos de sentimentos, questionamentos e debates. Trata-se de uma condição que afeta milhares de mulheres em todo o mundo, e que apesar dos avanços técnicos, científicos e operacionais no campo da Medicina, ainda possui elevadas taxas de mortalidade. Diante disso, ser diagnosticada com o câncer de mama e ter que se submeter aos diversos tipos de tratamento, incluindo a mastectomia (intervenção cirúrgica), pode desencadear consequências negativas para o psicológico e para o fisiológico dessas mulheres.

Nesse contexto, o presente artigo teve por objetivo compreender os benefícios que o acompanhamento psicológico é capaz de proporcionar às pacientes submetidas à mastectomia decorrente de um câncer de mama. Para isso, utilizou-se como metodologia uma revisão de literatura, sendo utilizados onze artigos, pesquisados na base de dados do Scielo, compreendidos entre 1993 e 2008. Este material, a partir de um processo de investigação, análise, síntese e interpretação de dados, possibilitou o fornecimento dos subsídios necessários para que o objetivo do artigo fosse alcançado.

Inicialmente, foi realizada uma breve abordagem sobre a patologia. O câncer de mama é uma doença que ocorre devido à proliferação desordenada de células neste órgão, que por sua vez, levam ao desenvolvimento de nódulos e que podem migrar para diversos sítios de implantação no organismo (metástase). Tais nódulos são possíveis de serem identificados através do auto-exame da mama. Com isso, este procedimento deve ser incentivado e propagado, pois a detecção precoce do câncer de mama, melhoram o prognóstico da doença e aumentam as possibilidades de cura.

Após esta abordagem, discutiu-se sobre as formas de tratamento e suas possíveis consequências para a mulher. Nem sempre a intervenção cirúrgica é necessária, sendo nesses casos o tratamento feito por outros meios, como, por exemplo, através da radioterapia e/ou quimioterapia. Entretanto, quando se faz preciso, a mastectomia é capaz de desencadear preocupações, medos, insegurança e descontentamento nestas pacientes, pois muitas questionam sua identidade feminina e sua aceitação social após a cirurgia.

Tais sentimentos negativos podem evoluir para quadros de ansiedade grave e até mesmo depressão. Além disso, estudos apontam que problemas psicológicos podem reduzir a responsividade do sistema imunológico, além de possibilitar um aumento na taxa de não adesão ao tratamento.

Assim, fez-se necessário a realização de uma discussão sobre a importância do acompanhamento psicológico nas pacientes submetidas à mastectomia. Esse tipo de acompanhamento é capaz de facilitar a compreensão da mulher sobre a situação em que está submetida, possibilitando o desenvolvimento de estratégias que a ajude a enfrentar seus conflitos e as situações estressantes vivenciadas durante o tratamento contra o câncer. Além disso, é extremamente importante que nesse processo exista uma integração e uma participação ativa dos familiares e da equipe de saúde envolvida na terapêutica, pois assim a paciente se sentirá acolhida e isso irá influenciar de forma benéfica todos os aspectos do seu adoecimento, de forma global e humanizada.  

2. Desenvolvimento


 2.1 O câncer de mama


O câncer de mama ou carcinoma mamário, de acordo com Andrade e Duarte (2003), pode ser definido como o “resultado de multiplicações desordenadas de determinadas células que se reproduzem em grande velocidade, desencadeando o aparecimento de tumores ou neoplasias malignas”. De acordo com estes mesmos autores, tal doença pode vir a afetar tecidos vizinhos e provocar metástases. Afirmam ainda que este tipo de câncer aparece sob forma de nódulos e, na maioria das vezes, podem ser identificados pelas próprias mulheres, por meio da prática do autoexame.

Os cânceres ou neoplasias malignas vêm assumindo um papel cada vez mais relevante entre as doenças que acometem a população feminina, representando, no Brasil e no mundo, importante causa de morte entre as mulheres adultas. O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo e o primeiro entre as mulheres (SILVA, 2008).

O Instituto Nacional do Câncer (INCA), órgão do Ministério da Saúde responsável, entre outras ações, pela prevenção dos mais variados tipos de câncer, admite que a maioria das ações dirigidas para o controle do câncer de mama são voltadas para a sua detecção precoce. São três as ações de saúde consideradas fundamentais para o diagnóstico precoce do câncer de mama: a) auto-exame das mamas, realizado de forma adequada; b) exame clínico das mamas, feito por um profissional especializado e; c) mamografia. Essas ações podem contribuir para que, no surgimento de um tumor maligno, o tratamento apropriado não requeira uma intervenção cirúrgica agressiva para o corpo feminino (INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, 2000).

O prognóstico do câncer de mama é bom, caso o diagnóstico e tratamento seja realizado precocemente e de forma oportuna. Nesse contexto, “o principal fator que dificulta o tratamento o estágio avançado em que a doença é descoberta. Em nosso país, a maioria dos casos são diagnosticados em estágios avançados, correspondendo acerca de 60% dos diagnósticos, por isso o número de mastectomias realizadas no Brasil é considerado alto” (MAKLUF, DIAS e BARRA, 2006).

2.2 O tratamento e suas consequências


A mastectomia é o tratamento primário no câncer de mama. Trata-se de uma intervenção cirúrgica que pode ser restrita ao tumor, atingir tecidos circundantes ou até a retirada da mama, dos linfonodos da região axilar e de ambos os músculos peitorais. A mais frequente, em torno de 57% das intervenções realizadas, é a mastectomia radical modificada, aquela que remove toda a mama juntamente com os linfonodos axilares. Tratamentos complementares geralmente são necessários, como a radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia. O prognóstico e a escolha do tratamento são embasados na idade da paciente, estágio da doença, características do tumor primário, níveis de receptores de estrógeno e de progesterona, medidas de capacidade proliferativa do tumor, situação da menopausa e saúde geral da mulher (MALZYNER, CAPONERO e DONATO, 2000).

A cirurgia que promove a remoção da massa tumoral (a mastectomia nesse caso), apesar de frequente, nem sempre é um procedimento necessário. Este recurso pode levar a uma mutilação (parcial ou total) da mama. Assim, de acordo com Rossi e Silva (2003), “esse procedimento altamente invasivo traz repercussões emocionais importantes, danificando não somente a integridade física, como também alterando a imagem psíquica que a mulher tem de si mesma e de sua sexualidade”.

Silva (2008) complementa, afirmando que, “pelas suas características, o tratamento traz repercussões importantes no que se refere à identidade feminina”. Isso ocorre devido ao fato de que além da remoção da mama de forma total ou parcial, os tratamentos complementares podem desencadear outros efeitos, como, por exemplo, a perda dos cabelos, alterações no ciclo menstrual, e até mesmo uma possível infertilidade. Todos estes fatores contribuem com a fragilização crescente do sentimento de identidade na mulher.

A partir do diagnóstico confirmado, a paciente vê sua vida tomar um rumo diferente do que poderia imaginar, já que o câncer pode acarretar alterações significativas nas diversas esferas da vida como trabalho, família e lazer. Dessa forma, acaba trazendo implicações em seu cotidiano e nas relações com as pessoas do seu contexto social (VENÂNCIO, 2004).

Sales et al (2001) ao realizarem pesquisas à cerca da qualidade de vida de mulheres tratadas contra o câncer de mama, associando este tratamento ao funcionamento social, “evidenciam que as mudanças no trabalho, lazer, relações familiares e sociais dessas mulheres são provocadas mais por problemas psicológicos do que físicos”.

2.3 O acompanhamento psicológico


Diante das alterações emocionais e psicológicas vivenciadas pelas mulheres submetidas à mastectomia, o acompanhamento psicológico pode funcionar como um potente e benéfico recurso terapêutico.

De acordo com Gimenez (1997), “o psicólogo atuante na área de psicologia oncológica visa manter o bem-estar psicológico do paciente, identificando e compreendendo os fatores emocionais que intervêm na sua saúde”. Além disso, de acordo com esses mesmos autores pode-se definir também como possíveis objetivos para o trabalho desses profissionais: “prevenir e reduzir os sintomas emocionais e físicos causados pelo câncer e seus tratamentos, levar o paciente a compreender o significado da experiência do adoecer, possibilitando assim re-significações desse processo”.

Em sua atuação, o psicólogo deve estar atento também aos distúrbios psicopatológicos, como depressão e ansiedade graves. Sua prática é exercida em todas as etapas do tratamento, habilitando o paciente a confrontar-se com o diagnóstico e com as dificuldades dos tratamentos decorrentes, ajudando a desenvolver estratégias adaptativas para enfrentar as situações estressantes (VENÂNCIO, 2004).

No acompanhamento psicológico, num espaço de acolhimento e escuta o terapeuta deve sempre trabalhar com a realidade. Quanto mais informado o paciente estiver de sua doença, maior será a sua capacidade de enfrentar o adoecer e mais confiança terá na equipe que participa de sua recuperação.  Pacientes bem informados reagem melhor ao tratamento. Dessa forma, o psicólogo deve preocupar-se em falar numa linguagem acessível ao paciente e sempre checar se as informações e orientações dadas pela equipe foram efetivamente compreendida (SALES, et al, 2001).

Martins (1997) afirma que “é imprescindível incluir a família na terapêutica aplicada às mulheres mastectomizadas, já que são personagens fundamentais no auxílio aos pacientes para o enfrentamento da doença”. Quando a paciente recebe o suporte afetivo e psicológico de seus familiares, eles podem se constituir como importantes aliados na recuperação do paciente, assim como também podem auxiliar no trabalho da equipe de saúde.

 Nesse contexto, Venâncio (2004) acrescenta dizendo que “a interação entre todos os profissionais envolvidos no tratamento do câncer de mama é fundamental para a conquista de um bom resultado, já que a atuação passa a ser global, envolvendo todos os aspectos implicados no adoecimento”.

A literatura especializada mostra que pacientes submetidos ao acompanhamento psicológico durante o tratamento do câncer de mama, incluindo a mastectomia, obtêm ganhos significativos, tais como: melhora do estado geral de saúde; melhora da qualidade de vida, melhor tolerância aos efeitos adversos da terapêutica oncológica (quimio/ radioterapia e cirurgia) e melhor comunicação entre paciente, família e equipe (LEAL, 1993).

Para Carvalho (1996), um trabalho psicoterápico realizado de forma eficaz, possibilita como outro benefício, “a participação mais ativa e positiva da paciente durante o tratamento, resultando numa melhor adesão, evitando assim, o abandono do mesmo”. O mesmo autor ainda complementa dizendo que, “estudos evidenciam que quando a paciente encontra-se mais participativa durante o tratamento, há menor probabilidade do surgimento de intercorrências clínicas e psicológicas no mesmo”.  

Podemos afirmar ainda, que não são apenas os pacientes e familiares das mulheres mastectomizadas que se beneficiam com o atendimento psicológico. As instituições de saúde também lucram, já que a ampliação do âmbito da assistência resulta na diminuição do uso de serviços médicos em geral, reduzindo o tempo de hospitalização, consequentemente caindo os custos hospitalares (VENÂNCIO, 2004).

3. Conclusão


A partir do levantamento de vários artigos, foi possível constatar que os benefícios do acompanhamento psicológico às mulheres submetidas à mastectomia, decorrente do câncer de mama, são diversos e de extrema relevância para o sucesso terapêutico.

O cuidado com os aspectos emocionais e psicológicos deste grupo de pacientes é necessário, não apenas no momento da confirmação do diagnóstico, mas também durante e após o tratamento. Isso se justifica, principalmente, pelo fato de que, as alterações nos aspectos citados são capazes de desencadear problemas físicos e biológicos que podem influenciar negativamente a evolução e o tratamento da doença.

Vale acrescentar ainda, que é imprescindível, desde a vida acadêmica até as práticas laborais aplicadas, o reconhecimento da importância do trabalho interdisciplinar. A atuação conjunta entre os diversos profissionais, como por exemplo, entre médicos enfermeiros e psicólogos, é extremamente positivo, pois possibilita a realização de um tratamento holístico, voltado para todos os aspectos da vida da paciente em questão.

Portanto, o desenvolvimento deste trabalho foi extremamente enriquecedor não apenas para nossa formação acadêmica, mas também para nossas futuras atividades profissionais, pois permitiu reconhecer que os aspectos que vão além do orgânico e do bioquímico, precisam de uma atenção mais especial e direcionada, não apenas na oncologia, mas nas diversas práticas em saúde.