Psicologa Organizacional

28 de julho de 2016

Depressão pós-traição





































































Ballone, GJ - Depressão pós-traição, in. PsiqWeb, Psiquiatria Geral, disponível na Internet em http://www.psiqweb.med.br/, 2011

 



 

 

 

27 de julho de 2016

A Importância da Assistência Psicológica no Pré e Pós Operatório de Pacientes Submetidos à Cirurgia Bariátrica


 

A Importância da Assistência Psicológica no Pré e Pós Operatório de Pacientes Submetidos à Cirurgia Bariátrica


 


A obesidade pode ser definida, de forma simplificada, como uma doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, sendo consequência de balanço energético positivo e que acarreta repercussões à saúde com perda importante não só na qualidade como na quantidade de vida (MENDONÇA; ANJOS, 2004).

Para reduzir este acúmulo de gordura, obesos mórbidos buscam a cirurgia bariátrica a fim de melhorar a qualidade de vida e a própria autoestima. No entanto, é necessário acompanhamento do profissional terapeuta antes, durante e após a cirurgia, pois esses pacientes ficam vulneráveis a distúrbios psíquicos e alimentares. A psicoterapia também reintroduz os indivíduos na sociedade, visto que eram marginalizados pelo preconceito, pelas piadas e pelo padrão físico imposto no cotidiano.

O papel do terapeuta foi trabalhado no artigo dividido em dois momentos: pré-operatório e pós-operatório, e, se mostra de extrema relevância nestes períodos.

 


Em alguns casos, na obesidade mórbida, pode ser observada a alimentação como objeto adicto. O indivíduo que não se desenvolve emocionalmente de forma adequada apresenta dificuldades em lidar com suas angústias, medos e decepções, e, com a intenção de inibir esses sentimentos negativos, abusa na comida. O alimento passa a ser visto como algo que gere prazer e um remédio para o psíquico, atingindo um nível de compulsão que ultrapassa a real necessidade da quantidade ingerida. É aqui que se faz necessário a psicoterapia no período pré-operatório, visando mostrar ao paciente que seus problemas e sentimentos que o fazem alimentar excessivamente não se resolverão com a cirurgia. Ele precisará aprender a lidar com o que lhe aflige sem descontar na alimentação, já que sua massa corporal poderá ser reduzida, mas se repetir as mesmas atitudes pode engordar outra vez.

Os obesos se veem fora do padrão físico imposto pela sociedade e comumente são vítimas de preconceito e piadas reproduzidas em ambientes que frequentam, fazendo com que haja retraimento social, e, cabe ao terapeuta a introdução deste paciente na sociedade novamente, permitindo-lhe o desenvolvimento da autoconfiança que fora perdida.

O paciente, inicialmente, é direcionado ao tratamento clínico baseado em aumento de atividade física combinada a dietas hipocalóricas e uso de medicações, porém, muitas vezes essa tentativa não obtém sucesso em pacientes obesos grau III, sendo a cirurgia bariátrica considerada a abordagem mais eficaz até o momento.

A cirurgia bariátrica é realizada visando restringir significativamente a quantidade de alimento ingerido, combinado a desabsorção de nutrientes e, dessa maneira, ela acaba por interferir apenas no lado metabólico da patologia (AKAMINEI; ILIASII, 2013).

O terapeuta possui papel fundamental no período pré-operatório, pois ele é responsável por analisar o comportamento do paciente e o que o levou à obesidade, esclarecer a necessidade de mudanças nos hábitos alimentares e explicar a possibilidade de surgimento de distúrbios psíquicos recorrente dessa restrição alimentar, compreender o motivo pela qual o indivíduo engordou e auxiliar na tomada de decisão a respeito da operação. Juntamente a esse terapeuta, deve-se estar presente uma equipe multidisciplinar composta por cirurgião, endocrinologista e nutricionista, segundo as diretrizes decretadas pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Esta equipe é responsável, principalmente, por auxiliar o paciente psicologicamente, visto que os danos psíquicos pré e pós-operatórios podem ser severos, como o desenvolvimento de depressão.

No período pós-operatório, a psicoterapia é necessária para ensinar ao paciente a lidar com as novas mudanças metabólicas, físicas e psíquicas. Com a redução do estômago, a alimentação se torna uma tarefa muito difícil já que são sentidos muitos desconfortos, logo, os alimentos devem ser líquidos ou pastosos e em pequenas quantidades.

De acordo com (JR.; CHAIM; TURATO, 2009), a obesidade vivida por todos como um grande problema, é também, no fundo, uma resposta para todos problemas e o fato de abdicar de diferentes alimentos que antes davam prazer ao paciente impede que ocorra todo o sistema defensivo em torno da alimentação.  Isso obriga o indivíduo a lidar com suas mágoas e angústias por outros meios, o que nem sempre é possível, e, caso essa pessoa não seja bem auxiliada, inicia-se os problemas psíquicos.

(JR.; CHAIM; TURATO, 2009) ainda afirma que a primeira reação da maioria dos pacientes é sentirem-se vitoriosos ao conseguirem reverter a condição anterior de sobrepeso, pensam como se todo os problemas tivessem sido resolvidos na cirurgia, condição essa reforçada pela mudança drástica do corpo no primeiro momento, compensando qualquer sofrimento. Porém, com o passar do tempo, caso o indivíduo não tenha passado por um eficiente auxilio terapêutico, a ameaça de que o peso pode voltar se impõe e o sintoma “obesidade” que foi impedido pela cirurgia pode começar a aparecer em novas vias de expressão sendo elas a depressiva e a compulsiva.

A via depressiva pode apresentar sintomas iniciais como angústia e sensação de vazio e evoluir para transtornos depressivos manifestos. Por outro lado, a via compulsiva pode levar o paciente de volta ao encontro com o excesso alimentar, passando a ingerir sorvetes, leite condensado e chocolate que são alimentos digeridos facilmente, não causando incômodo gastrointestinal e, a partir desse momento, começa o “temido” aumento de peso que, se não revertido, pode levar o indivíduo novamente ao quadro de obesidade (JR.; CHAIM; TURATO, 2009).

 


Portanto, é de extrema importância a ação conjunta da equipe multidisciplinar e, principalmente, o trabalho terapêutico em pacientes que pretendem aderir à cirurgia bariátrica para reverter o quadro de obesidade. Este profissional é responsável por auxiliar na manutenção do equilíbrio psíquico e reintrodução social dos pacientes nos momentos pré e pós-cirúrgico.

21 de julho de 2016

Os Entraves da Educação no Brasil


 
 
Os Entraves da Educação no Brasil

 

A educação é entendida através de diferentes etapas de escolarização que se apresentam de modo sistemático por meio do contexto escolar. De um modo geral, pode-se defini-la como um processo que visa o crescimento e desenvolvimento em qualquer estágio da vida do ser humano (SANTOS, 2015).

O Brasil cresceu muito no século XX, em um período relativamente curto, e a educação também cresceu bastante, mas não o suficiente, diante das necessidades da economia, portanto os entraves em sua prática também aumentaram. Nos últimos tempos aumentou bastante não apenas a necessidade de mais escolas e vagas, mas, sobretudo, a necessidade de ter uma população dotada de conhecimento, competências e atitudes adequadas aos desafios da sociedade contemporânea (CASTRO, 2009 p.10).

Ao falar dos entraves encontrados na educação no Brasil é importante ressaltar que essa problemática se inicia desde a formação dos professores, que saem de um deficiente sistema universitário que não prepara o professor para os mais complexos problemas sociais vividos por seus futuros alunos, e consequentemente a má formação acadêmica reflete em professores despreparados para ensinar.

Para melhorar a qualidade de ensino nas escolas brasileiras, é necessário criar um novo modelo escolar, nossa educação é ruim em todos os níveis, inclusive o universitário, que ainda formam professores para o século XX e não para a nossa sociedade contemporânea. É fundamental e preciso uma mudança profunda no sistema de ensino, uma mudança conceitual, onde a escola ensina o aluno a aprender a criar conhecimento, e para isso os professores precisam novamente aprender para ensinar (MOSÉ, 2013).

Ainda Mosé (2013) afirma que:

Os nossos alunos precisam aprender a aprender. Escolas contemporâneas estão mais preocupadas com a aprendizagem do que com o ensino. Hoje, a educação é centrada na figura do professor e não no aluno. Temos que buscar estimular nas nossas crianças a capacidade de reflexão, de argumentação e criticidade.  E oferecê-las, dentro das diversas possibilidades, caminhos para que elas encontrem seus principais interesses. É possível incorporarmos essas ideias dentro das nossas escolas.

Portanto, outro entrave na educação é a acomodação do aluno na busca do conhecimento, e da escola em aceitar essa acomodação, afinal, nesse mundo moderno é possível encontrar tudo pronto, a busca pelo conhecimento já não é tão empolgante e reflexiva. Contudo, é necessária uma mudança aprofundada nas escolas para que saiam alunos críticos, capazes de construir conhecimentos e não apenas reproduzirem o que o professor ensina, afinal o educador é um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. Ele precisa construir conhecimento a partir do que faz e, para isso, também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o que fazer dos seus alunos (GADOTTI, 2000).

Freire (1996 citado por Moura 2013 p. 15) coloca à escola o dever de não só respeitar os saberes com que os educandos chegam a ela, mas também, discutir com os alunos a razão de ser de alguns desses saberes em relação com o ensino de conteúdos. Para ele, transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador.

Santos e colaboradores (2015) apresentaram em sua obra que a qualidade do ensino depende muito da qualidade do professor, ou seja, o mesmo precisa ter gosto por ensinar e sentir satisfação em aprender para passar adiante. Assim, a escola deve oferecer condições materiais, físicas e pedagógicas para criar um ambiente propício à aprendizagem (p. 32).

Gadotti (2009 citado por Santos e colaboradores 2015 p. 19) refere que existem três condições que devem estar presentes numa escola de qualidade: professores bem formados, condições de trabalho e um projeto, ou seja, a autoestima dos professores é outro fator que influencia bastante na qualidade da educação nas escolas brasileiras, cada vez mais o professor se sente desmotivado por baixos pisos salariais, pouca estrutura e um desconforto com o sistema educacional, onde a meta é passar alunos e não criar cidadãos para a sociedade.

Em geral, temos a tendência de desvalorizar o que fazemos na escola e de buscar receitas fora dela, quando é ela mesma que deveria governar-se. É dever da escola ser cidadã e desenvolver na sociedade a capacidade de governar e controlar o desenvolvimento econômico e o mercado

Segundo Dourado (2007 citado por Santos 2015):

Ao Estado ou Governo cabe assegurar o direito à mesma para todos os indivíduos, incluindo a igualdade de condições de acesso e permanência na escola; ampliar a obrigatoriedade da educação básica; definição de diretrizes para os níveis, ciclos e modalidades de ensino; definir e garantir padrões de qualidade; implementação de programas suplementares onde estejam incluídos a disposição de recursos tecnológicos, segurança nas escolas, etc (p.35).

A educação é um fenômeno relativamente complexo pois está associada a uma natureza multidimensional, são várias problemáticas e a qualidade da educação envolve a interacção simultânea dos vários agentes intervenientes, a formação de professores para que entrem nas escolas preparados para os desafios contemporâneos, a valorização dos agentes transmissores do saber e o estado que precisa garantir o direito de uma educação de qualidade.

O objetivo desse estudo é conhecer os principais entraves no processo da educação brasileira, que variam desde a formação acadêmica dos professores até os desafios contemporâneos, desafios esses que são fazer com que o professor aprenda novamente para ensinar, que o aluno aprenda a criar conhecimento e que as escolas formem cidadãos formadores de conhecimentos e não apenas reprodutores de conhecimento. O estudo reitera as dificuldades enfrentadas pela escola, os professores e os alunos no processo de educação.

Para desenvolver o presente estudo foi efetuado um levantamento de informação através de diversos artigos e outras fontes, como livros, que abordavam as questões das dificuldades enfrentadas na educação brasileira. Procedeu-se, deste modo, a uma metodologia de revisão da literatura.

2. Considerações Finais


Em virtude dos fatos aqui mencionados percebemos que a educação brasileira cresceu bastante, porém juntamente com ela cresceu as problemáticas, a falta de estrutura nas escolas e, principalmente, a falta de acompanhamento desse crescimento juntamente com os avanços da sociedade. Há, portanto, muitos profissionais ingressando no meio educacional completamente despreparados, com uma má formação acadêmica e um desânimo frente à profissão, o que consequentemente reflete na qualidade da educação atual.  Portanto, faz-se necessário que a educação seja administrada de maneira em que possa formar cidadãos capazes de pensar por si só, criar e refletir. É necessário também um trabalho na formação dos professores, acompanhar as mudanças da sociedade, fazendo com que as escolas aprendam antes de ensinar, reformulando o sistema educacional, para que possam preparar pessoas, não apenas para o mercado de trabalho, mas também para a vida.

13 de julho de 2016

Transtorno de Ansiedade Generalizada: uma Abordagem Farmacológica e Psicoterapêutica


Transtorno de Ansiedade Generalizada: uma Abordagem Farmacológica e Psicoterapêutica


 


Na sociedade moderna, a introdução de novas tecnologias, bem como a velocidade de informações e o ritmo de trabalho, fez com que as pessoas modificassem seu estilo de vida para que pudessem se adaptar a um novo contexto social. Devido a exigências como essa, as pessoas começaram a desenvolver várias patologias relacionadas ao estresse, ansiedade e fobia.

Os transtornos de ansiedade constituem um grupo com maior prevalência dentro dos transtornos psiquiátricos. Esse grupo inclui fobias específicas, agorafobia, transtorno do pânico, de ansiedade generalizada, de ansiedade social, obsessivo-compulsivo, de estresse pós-traumático e de estresse agudo (NETO; GAUER; FURTADO, 2013).

O objetivo desse estudo é conceituar, detalhar e discutir sobre o Transtorno de Ansiedade Generalizada e para isso foi realizada uma revisão bibliográfica onde se buscou nos bancos de dados da Scielo, Medline, Bireme, assim como em livros, estudos que descrevessem sobre o assunto. Os artigos selecionados foram publicados na língua portuguesa no período entre 1995 e 2013 e todos apresentaram dados relevantes e foram incluídos nesta revisão.

O tema foi dividido e subdividido no desenvolvimento em: prevalência e incidência, comorbidades, etiologia, sintomas, diagnóstico e possíveis tratamentos. Essa divisão teve o intuito de obter uma melhor clareza na leitura e compressão do tema abordado.

2. Desenvolvimento


2.1 Conceito de Ansiedade


Ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho (ANA et al., 2000). Constitui-se como resposta a uma possível ameaça desconhecida, vaga. Pode-se afirmar que a impossibilidade do ser humano em dar sentido a determinadas situações é, de longe, o maior gerador de ansiedade possível de vivenciar. Estar ansioso não é algo incomum, é preciso saber identificar e diagnosticar quando esse estado deixa de ser fisiológico, se tornando transtornos psiquiátricos.

2.2 Conceito de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)


Antes da publicação da revisão da terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-III-R), a conceituação do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) não era definida. Em DSM-III-R e DSM-IV foi definido então que TAG é a preocupação crônica e excessiva, assim como a expectativa apreensiva do futuro, sendo um estado prolongado de ansiedade, flutuante que não chega a crises de pânico ou a fobias, não tendo motivo justificável (CRAIGHEAD; MIKLOWITZ, 2008; CASTILLO et al., 2000).

Segundo Clark e Beck (2012) o transtorno de ansiedade generalizada é um estado persistente de ansiedade envolvendo preocupação crônica, excessiva e invasiva que é acompanhada por sintomas físicos ou mentais de ansiedade que causa sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento diário.

2.3 Prevalência e Incidência


Os quadros psiquiátricos mais comuns tanto em crianças quanto em adultos, são os transtornos ansiosos. Estima-se que, durante a vida, a prevalência desses é de 9% para as crianças e 15% para os adultos. A estimativa é crescente e alarmante devido ao alto índice de ocupação intelectual, carga-horária de trabalho e/ou estudo, assim como a pressão proporcionada por esses, desde muito cedo (GREBB; KAPLAN; SADOCK, 2011; BUENO; FILHO; NARDI, 1996; NETO, 1995).

Sobre a população em geral, a incidência de desenvolver o TAG é de cerca de 4 a 6%, sendo esse, o provável transtorno psiquiátrico que mais aflinge as pessoas. A proporção de mulheres para cada homem afetado é de 2 para 1. Mas, segundo Benjamin e Virginia (2008),a razão de mulheres para homens que recebem tratamento hospitalar para o transtorno é de 1 para 1.

É possível que o TAG se inicie em qualquer idade, tendo maior frequência na segunda década de vida, justamente a fase da vida que tende a ser mais conturbada para os jovens entre 20 e 30 anos (CRAIGHEAD; MIKLOWITZ, 2008; CASTILLO et al., 2000).

2.4 Comorbidades


O estudo das comorbidades auxilia na investigação da etiologia e possivelmente melhora o prognóstico do transtorno, de forma que tanto no campo psiquiátrico, como no psicoterapêutico, ele auxiliará na realização de diagnósticos mais precisos e intervenções mais eficazes (MENEZES et al., 2007)

De acordo com Benjamim e Virginia (2008), o transtorno de ansiedade generalizada é provavelmente o que coexiste com mais frequência com outro transtorno mental, em sua maioria fobia social, fobia específica, transtorno do pânico ou transtorno depressivo; é possível que 50 a 90% dos pacientes com esse diagnóstico tenham outra condição mental.

Até 25% das pessoas com TAG eventualmente experimentam transtorno do pânico e uma alta porcentagem tem chance de desenvolver transtorno depressivo maior. Outros transtornos comuns associados incluem transtorno distímico e transtornos relacionados ao uso de substâncias (SADOCK, 2008).

2.5 Etiologia


A causa do TAG não está amplamente conhecida. Acredita-se que fatores psicossociais e biológicos estão envolvidos e operam em conjunto, na maioria das vezes, sendo um não excludente do outro.

2.5.1 Fatores psicossociais


Os fatores psicossociais são explicados pela má interpretação da realidade por parte dos portadores de TAG, isso se justifica pela seletividade da atenção a detalhes negativos do ambiente.

As duas principais escolas de pensamentos sobre fatores psicossociais responsáveis pelo desenvolvimento de TAG são a cognitiva-comportamental e a psicanalítica (SADOCK, 2008).

Para a escola cognitivo-comportamental, os pacientes que sofrem desse transtorno respondem errado aos perigos que percebem; já a escola psicanalista, acredita na hipótese que a ansiedade gira em torno de conflitos inconscientes não bem resolvidos.

2.5.2 Fatores biológicos


Baseando-se nos fatores biológicos, as hipóteses giram em torno de anormalidades neuroquímicas no paciente portador de TAG, que envolve os sistemas GABA, noradrenérgico e serotoninégico.

Uma desregulação do receptor regulatório GABAa é observada em pacientes com TAG e vem sendo envolvido nas hipóteses sobre sua etiologia. Como suporte para esta teoria está o fato de que os sintomas são tratados de modo eficaz com facilitadores de GABAa, como os benzodiazepínicos e barbitúricos (NETO; GAUER; FURTADO, 2013).

Segundo Benjamin e Virgínia (2008), outras áreas que têm sido, por hipótese, envolvidas no TAG são os gânglios da base, sistema límbico e o córtex frontal. Percebe-se que a taxa metabólica apresenta-se inferior nos gânglios da base e substância branca em pacientes com esse transtorno.

2.6 Sintomas


O que diferencia o TAG dos outros transtornos é a preocupação excessiva e contínua com coisas pequenas, banais, já que os demais se dão por crises pontuais, por motivos específicos (BARLOW; DURAND, 2008).

O estado do transtorno gera sintomas somáticos que comprometem significantemente o indivíduo no que diz respeito ao social, ocupacional e que na maioria das vezes acentua o sofrimento.

Os principais sintomas no TAG, podem ser divididos em três subgrupos: tensão motora, hiperatividade autonômica e vigilância cognitiva. O primeiro é caracterizado por dores, tremores, cefaleia tensional e inquietação; os sintomas de hiperatividade autonômicos são sudorese excessiva, palpitações, vertigens e, comumente, sensações de asfixia. Já o último, o paciente se mostra impaciente, com lapsos de memória, insônia, com sentimento de incapacidade e apresentando problemas ao tentar se concentrar. Vale salientar, que os portadores desse transtorno são bastante pessimistas em relação a acontecimentos futuros, estando sempre apreensivo e preocupado com outras pessoas e também quanto consigo mesmo (GREBB; KAPLAN; SADOCK, 2011; FILHO; BUENO; NARDI, 1996; NETO, 1995).

2.7 Diagnóstico


Os instrumentos padronizados mais amplamente utilizados para a obtenção do diagnóstico do Transtorno da Ansiedade Generalizada são: CIDI5 (Composite International Diagnostic Interview) e SCID6 (Structured Clinical Interview for DSMIII-R), sendo ambos baseados em entrevistas diretas ao paciente. Entretanto, sua utilização na prática clínica é limitada pela necessidade de um treinamento extensivo dos utilizadores e pela longa duração das entrevistas (de 1h30 à 3h).

Existe também, outro instrumento para diagnóstico, que por meio de estudos, apresenta-se válido para tal: o MINI. Esse foi desenvolvido por pesquisadores do Hospital Pitié-Salpêtrière de Paris e da Universidade da Flórida. O MINI é um questionário breve (15-30 minutos), compatível com os critérios do DSM-III-R10/IV11 e da CID-1012 (versões distintas), que pode ser utilizado por clínicos após um treinamento rápido (de 1h a 3h).

2.8 Tratamento


O TAG produz um impacto negativo considerável na qualidade de vida, com prejuízo na atividade social e baixo índice de satisfação. Quando não tratado, está associado ao aumento de utilização de serviços de saúde e aumento das taxas de morbidade e mortalidade.

O tratamento de escolha é a associação de psicoterapia e psicofármacos (FURTADO; GAUER; NETO, 2013). O uso dos medicamentos visa à remissão ou o alívio parcial dos sintomas permitindo que o paciente melhore seu desempenho tanto na vida social quanto laboral.

2.8.1 Tratamento farmacológico


Nos últimos anos, tem-se assistido a um grande avanço no tratamento farmacológico dos transtornos de ansiedade. Particularmente em relação ao transtorno de ansiedade generalizada, até a poucos anos, a única alternativa eram os benzodiazepínicos (BZD) (ANDREATINI; FILHO; LACERDA, 2001).

As três opções de medicamentos a serem consideradas nesse emprego são a buspirona, os benzodiazepínicos e os inibidores da recaptação de serotonina (ISRSs) (SADOCK, 2008). Um fator importante na escolha do ansiolítico é a presença de comorbidades que serão bem avaliadas pelo médico e após será prescrita a medicação necessária (ANDREATINI; FILHO; LACERDA, 2001).

2.8.2 Tratamento com psicoterapia


Atualmente a psicoterapia em uma abordagem cognitivo-comportamental se mostra mais eficaz no tratamento. A terapia cognitivo-comportamental consiste basicamente em provocar uma mudança na maneira alterada de perceber e raciocinar sobre o ambiente e especificamente sobre o que causa a ansiedade (terapia cognitiva) e mudanças no comportamento (terapia comportamental) (ANA et al., 2000).

Segundo Clark e Beck, a meta central da terapia cognitiva para TAG é a redução da frequência, intensidade e duração de episódios de preocupação que levariam a uma diminuição associada nos pensamentos intrusivos ansiosos automáticos e na ansiedade generalizada

3. Conclusão


Observa-se que a alta prevalência do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) na sociedade moderna, tem impactado negativamente na qualidade de vida das pessoas e também nas atividades laborais. O diagnóstico correto se faz necessário para que se tenha uma abordagem completa e uma intervenção precoce a esses pacientes. Muitos avanços foram observados nos últimos anos em relação ao tratamento dessa patologia, sendo de extrema importância o acompanhamento psicoterapêutico juntamente com o farmacológico para que se tenha bons resultados e uma remissão total da sintomatologia.

Aplicação da Musicoterapia em Tratamentos Psicológicos e Clínicos


 
 
Aplicação da Musicoterapia em Tratamentos Psicológicos e Clínicos

 

A música como uma forma de tratamento tem sua origem não muito bem definida. Na antiguidade já foi muito utilizada em rituais de eliminação ou banimento de espíritos que acreditavam residir nos corpos dos enfermos. Em tal época todas as doenças eram tratadas de forma a ser uma agressão a alma e não ao corpo. Porém, como forma estruturada surgiu apenas a partir em 1950 nos Estados Unidos com o surgimento dos primeiros musicoterapeutas.

A musicoterapia é uma ciência que tem como objetivo realizar uma reabilitação neurológica a partir da interação do paciente com o ritmo, melodia e harmonia de uma música, além de atividades psicomotoras que possam ser desenvolvidas a partir destes princípios.

Já foi comprovada a efetividade terapêutica do uso destes métodos para o tratamento de vários distúrbios neurológicos e psíquicos como: Depressão, Transtorno bipolar, Esquizofrenia, dentre outros. Além disso, também é utilizado com grande sucesso para reabilitação de pacientes que sofreram lesões por acidente vascular cerebral, traumatismo crânio encefálico e degeneração neurológica.

Porém, não é necessário estar enquadrado nas situações acima para usufrui de benefícios dessa técnica. Já foi comprovado que a musicoterapia pode gerenciar o estresse, melhorar a memória, a socialização e a cognição de um indivíduo.

Uma vez observados esses aspectos o objetivo deste artigo será fazer uma breve revisão sobre como a musicoterapia é vista sobre a ótica da medicina e da psicologia. Para tal, foi realizada uma revisão da literatura existente, com pesquisa realizada de Setembro a Novembro de 2015, nas bases de dados Scielo e Google Acadêmico utilizando-se dos termos: Musicoterapia, Distúrbio bipolar e musica Depressão e música, Esquizofrenia e música e Neurociência e Música. A pesquisa foi realizada sem distinção de língua ou data de publicação.

2. Desenvolvimento


2.1 A musicoterapia utilizada em distúrbios psíquicos


A música é um elemento dinâmico que através do ritmo, do timbre, da harmonia leva o indivíduo as mais variadas sensações físicas e emocionais estimulando o pensamento, a reflexão, movimentação e pode despertar tanto a agitação como trazer tranquilidade ou irritação. Por isso a musica pode ser amplamente utilizada em tratamentos de ordem emocional ou mental como pacientes com transtornos esquizofrênicos, depressão, bipolaridade, entre outros.

De acordo com o estudo realizado por Costa e Vianna (1984) a música tem o poder de invadir a interioridade do ser e de desobstruir canais de comunicação, desde os níveis mais profundos, o que poderá ser de utilidade no tratamento do esquizofrênico, preso em seu mundo particular.

Segundo Costa e Vianna (1984):

O esquizofrênico, por meio da produção de sons organizados, começa a expressar algo da realidade interna que constitui seu modelo de mundo, particular e por isto aparentemente caótico, relacionando-se e comunicando-se através da linguagem musical. Cabe ao terapeuta auxiliar o paciente a tornar explícitas estas emoções e sentimentos, trazendo para a linguagem verbal o que estava implícito tanto nas manifestações musicais quanto em seus comentários, o que dará ao paciente uma ampliação de seu leque de alternativas e uma possibilidade de modificação de seu modelo patológico.

Dentre estes distúrbios, o transtorno bipolar é uma doença psiquiátrica que é caracterizada por episódios de alterações bruscas de humor. Segundo Passoni (2006) a musicoterapia pode servir de ajuda para quem sofre desse transtorno no que diz respeito à comunicação, socialização e auto-expressão, pois se utiliza de uma abordagem não invasiva possibilitada pela música, que acaba por fortalecer estas habilidades, podendo induzir uma mudança de comportamento.

Para alguns autores a musicoterapia pode propiciar efeitos benéficos ao paciente depressivo, induzindo uma sincronização de sentimentos influenciada pela a música capaz de melhorar seu quadro clínico.

De acordo com Silva, Zanini e Pereira (entre 1996 e 2015):

Acredita-se que a musicoterapia tem condição de ajudar o paciente a entrar em contato com suas emoções, sentimentos e expressá-los através de músicas, instrumentos, sons, corpo ou qualquer outra forma que venha facilitar essa liberação de sentimentos. Quando o paciente expõe seus sentimentos, a carga fica mais leve, a culpa diminui, as relações interpessoais melhoram, as músicas alegres emergem com mais facilidade e, consequentemente, os sintomas da depressão diminuem, causando menor sofrimento. Logo, seu corpo, sua alma e sua psique cantam e dançam, enfim, agradecidos, pois o musicoterapeuta considera as potencialidades, aceitando que cada pessoa é ímpar, singular e subjetiva!

2.2 A musicoterapia aplicada à clínica médica


Para a medicina a musicoterapia tem uma ação ainda pouco estudada, porém com algum sucesso terapêutico. Além dos distúrbios psicomotores, já existem estudos que comprovam como a música pode afetar a amamentação de um recém-nascido, diminuindo a ansiedade materna e levando a continuidade da amamentação natural por um período mais longo (ARNON, 2011), bem como estimular um melhor desenvolvimento do recém-nascido devido às alterações que a música causa em frequência cardíaca e respiratória, saturação de oxigênio, pressão arterial e temperatura corporal (SILVA et al.,2013).

Alguns cientistas atribuem o efeito terapêutico da musicoterapia a atividade de neurônios espelhos. ”Os neurônios espelho, quando ativados pela observação de uma ação, permitem que o significado da mesma seja compreendido automaticamente (de modo pré-atencional) que pode ou não ser seguida por etapas conscientes que permitem uma compreensão mais abrangente dos eventos através de mecanismos cognitivos mais sofisticados“ (LAMEIRA, GAWRYSZEWSKI e PEREIRA, 2006). Ou seja, a partir da percepção de um estimulo estes neurônios são ativados de forma reflexa, de forma que o corpo se prepare para realizar uma resposta condizente. Este estímulo pode ser de qualquer natureza, inclusive musical.

Outra ideia é a de que a música induziria ações de plasticidade sináptica, ou seja, a capacidade de um neurônio criar novas conexões em função do ambiente. A música é uma ferramenta capaz de causar essas alterações neurais se tornando possíveis de serem benéfica psiquicamente e cognitivamente. Já existe um estudo que comprova que músicos profissionais têm um desempenho cognitivo e motor superior devido a plasticidade sináptica (RAGERT et al, 2004), da mesma forma a musicoterapia poderia ser utilizada como forma terapêutica para doenças como o autismo.

Uma teoria não exclui a outra e autores como Piazzetta (2014) trazem ambas as opções para explicar o sucesso terapêutico da musicoterapia no tratamento de diversas enfermidades. De fato é esta interação com a música e às vezes a interação social que vem desta atividade que proporciona o estímulo necessário para amenizar um problema e melhorar a qualidade de vida do sujeito.

É importante ressaltar que o efeito adquirido da musicoterapia não só depende de estar recebendo o estimulo musical, vai variar em relação ao tipo de estímulo em relação à amplitude, ritmo e frequência (SILVA et al.,2013), além da qualidade do profissional para selecionar a atividade necessária para o tratamento e saber conduzi-la com êxito.

3. Conclusão


A partir do levantamento de vários artigos, foi possível constatar que os benefícios da musicoterapia para pacientes com distúrbios psicológicos e na clínica médica, são diversos e de extrema relevância para o sucesso terapêutico.

Associada a outros tipos de tratamento a musicoterapia é capaz de intensificar o efeito terapêutico e até mesmo melhorar a qualidade de vida de um indivíduo. A atuação conjunta entre os diversos profissionais, entre médicos, psicólogos e musicoterapeutas, é extremamente positiva, pois possibilita a realização de um tratamento holístico, voltado para todos os aspectos da vida da paciente em questão.

Portanto, o desenvolvimento deste trabalho foi extremamente enriquecedor não apenas para nossa formação acadêmica, mas também para nossas futuras atividades profissionais, pois permitiu reconhecer que os aspectos que vão além do orgânico e do bioquímico.