Psicologa Organizacional

20 de março de 2016

HETEROGENEIDADE DISCURSIVA E POLIFONIA


 
 
 
HETEROGENEIDADE DISCURSIVA E POLIFONIA

 

A heterogeneidade se refere à origem do sentido no discurso, a uma relação radical entre seu interior e seu exterior.

A heterogeneidade pode ser mostrada, isto é, isto é, apresentar pistas recuperáveis na superfície do discurso, e não mostrada, isto é, não apresentar estas pistas.

No discurso indireto, o locutor, colocando-se enquanto tradutor, usa de suas próprias palavras para remeter a uma outra fonte do sentido.

No discurso direto, o locutor, colocando-se como porta-voz, recorta as palavras do outro e cita-as.

As palavras aspeadas marcam a presença do outro, são atribuídas a um outro espaço enunciativo, cuja responsabilidade o locutor não quer assumir.

As glosas podem ser interpretação e comentário sobre o sentido de um texto e marcam a heterogeneidade, do interior do discurso.

O discurso indireto livre é uma modalidade de técnica narrativa, resultante da mistura dos discursos direto e indireto. Por meio dele, o narrador pode, não apenas reproduzir indiretamente falas dos personagens, mas também o que eles não falam, mas pensam, sonham, desejam etc.

A ironia consiste em dizer o contrário daquilo que se pensa, deixando entender uma distância intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente pensamos.

A pressuposição consiste em um processo de apresentar dois enunciadores, E1 e E2, o primeiro responsável pelo pressuposto, e o segundo, pelo posto.

A polifonia refere-se à qualidade de todo discurso estar tecido pelo discurso do outro, de toda fala estar atravessada pela fala do outro.

8 de março de 2016

Cirurgia Bariátrica - Por que ter um laudo psicológico?


 

 

Cirurgia Bariátrica - Por que ter um laudo psicológico?


 

A cirurgia bariátrica (também chamada de gastroplastia ou ainda, redução de estômago) hoje em dia não é nenhuma novidade, e a maioria da população tem ao menos um conhecido que se submeteu a ela. Não vou enfocar aqui os critérios para esta cirurgia, nem os tipos de cirurgia existentes, mas sim os motivos pelos quais o candidato a uma intervenção como essa deve se submeter a uma avaliação psicológica, além de todos os - muitos - exames e testes que são solicitados.

 

Para título de informação geral, os critérios médicos (salvo exceções avaliadas caso a caso) são:

  • IMC superior a 40, ou a 35 caso haja comorbidades associadas (ou seja, doenças provocadas ou agravadas pelo excesso de peso, como diabetes, hipertensão e problemas articulares graves, entre outras); 
  • Histórico de pelo menos cinco anos de obesidade e múltiplas tentativas sem sucesso de se perder peso pelos meios convencionais, ou ainda,   perda de peso seguida de recuperação do peso perdido, inclusive engordando mais. 

Para uma cirurgia e recuperação bem sucedidas, é importante que, além do médico (muitas vezes há a participação de um endocrinologista no processo, além do cirurgião gástrico e outros que possam ser necessários ao caso), um fisioterapeuta, um nutricionista e um psicólogo componham a equipe. Sim, você leu certo, fisioterapeuta. O motivo é simples, mas muitas vezes negligenciado: uma das principais causas de óbito nesta cirurgia é por incapacidade cardiorrespiratória do paciente, avaliação realizada pelo fisioterapeuta. O nutricionista fará a prescrição dietária para antes e depois da cirurgia, assim como o acompanhamento da dieta, e o psicólogo apontará se o paciente possui condições emocionais para arcar com o processo e tudo o que ele acarreta.

 

Primeiramente, sei que pode parecer que a avaliação é cara e desnecessária, até porque a maioria das pessoas acredita que pode manejar qualquer coisa... até que algo que saia de seu controle aconteça. E essas coisas acontecem, e muito. É complicado de se pontuar quais são as indicações e as contraindicações psicológicas, pois cada caso deve ser avaliado por toda a equipe, que apontara se os benefícios compensarem os potenciais riscos. No entanto, a consequência 'menos grave' de não estar emocionalmente apto a cirurgia é recuperar o peso perdido na primeira etapa (afinal, é muito fácil e rápido emagrecer com a dieta líquida e pastosa). É uma questão de bom senso deixar de 'achismos' e buscar uma confirmação sobre seu estado emocional antes da cirurgia, pois ela ocasionará mudanças intensas na vida tanto do operado quanto de seus próximos.

 

Seria isso um exagero? Pense no seguinte exemplo: Um casal. A mulher sofre de obesidade mórbida, o homem é um tanto inseguro, porém essa característica nunca foi muito perceptível (afinal, uma mulher muito obesa dificilmente seria "cobiçada", poderia ser a consideração desse homem fictício). A mulher se submete à cirurgia, emagrece 50 kg, resgata sua autoestima e passa a se cuidar e se arrumar muito mais (pois agora as roupas lhe servem, e ela não tem mais receio de que que reparem nela, e ela não é mais alvo de gozações e piadas maldosas). Então, o homem passa a ter crises de ciúme, isso quando não chega a agredir fisicamente sua esposa. Resultado: o casal se separa, pois nenhum dos dois cogitou sobre como seriam as relações sociais deles após uma intervenção aparentemente de sucesso para redução de peso. Não houve problemas médicos, ela se adaptou à dieta, tudo funcionou, ela emagreceu. Mas nem ele e nem ela estavam preparados para este outro fator, o qual poderia ter sido trabalhado, evitando essa ruptura. Esse é um dos milhares de exemplos que podem ser dados, e um dos incontáveis problemas que podem decorrer indiretamente da gastroplastia. Todos os aspectos devem ser considerados, não apenas o sucesso clínico da redução de peso. E são estes os aspectos que vêm à tona em uma boa avaliação psicológica.

 

No entanto, atualmente vivenciamos dois problemas: não há um protocolo padrão para os cirurgiões gástricos seguirem e/ou exigirem, então acaba ficando a critério do médico aceitar ou se recusar a operar um paciente que não se submeteu à avaliação psicológica; e não há um protocolo padrão de avaliação psicológica pré-cirúrgica, e cada profissional desenvolve seu próprio método, assim como qualquer psicólogo pode fazê-lo, independente de estar qualificado ou não. Outro problema está em encontrar profissionais qualificados. E assim se forma uma cadeia de complicações, que acabam culminando na não realização da avaliação psicológica e a sujeição a riscos desnecessários.

 

Há aqueles casos em que a ideia de se buscar um psicólogo é aceita. Mas aí surgem dúvidas, tais com quanto tempo a avaliação leva e como ela é realizada. Primeiramente, o candidato deve estar ciente que a avaliação é sim um pouco demorada. Não conheci até hoje um profissional que se propusesse a emitir um laudo após uma única consulta, e honestamente desconfiaria de um que o fizesse. Normalmente são necessárias de quatro a dez sessões para se fundamentar o laudo, e dependendo do candidato, é necessário um período de psicoterapia anterior à cirurgia, e é possível que o profissional não recomende a intervenção cirúrgica. Alguns dos fatores que levam à contraindicação, que pode ser temporária, são:

 

  • Transtornos alimentares ligados à compulsão: pessoas que comem compulsivamente correm um grande risco de não conseguir seguir as dietas líquidas e pastosas do pós-operatório, o que pode inclusive levar um paciente à óbito. Tal transtorno deve estar muito bem controlado para que a pessoa possa passar por esta fase em segurança.

  • Ausência de outros fatores de gerem prazer: pessoas que tem poucos ou nenhum prazer na vida além da comida são fortes candidatos a recuperar o peso, sofrer de depressão, tentativas de suicídio e/ou adotares condutas disfuncionais substitutivas (tais como jogo patológico, compulsão por sexo, uso abusivo de álcool ou outras drogas, para citar algumas). É fato que comer é um prazer, e a pessoa que realiza gastroplastia reduz significantemente a quantidade e a qualidade dos alimentos ingeridos, às vezes de forma definitiva. É frequente que os pacientes sintam que alguns tipos de alimento 'não descem' como antes, causam vômitos e mal estar, logo, passam a ser evitados. Se não houver outras fontes significativas e funcionais de prazer na vida do indivíduo, a cirurgia deve ser adiada para após um período de terapia. Caso seja constatado que o paciente tem condições de resgatar atividades prazerosas após a perda de peso (ou ainda, se o paciente necessitar emagrecer urgentemente por questões médicas), é imprescindível que haja o acompanhamento do paciente após a cirurgia.

  • Concepções equivocadas sobre os efeitos da cirurgia: algumas pessoas creem que após seis meses terão um corpo perfeito e terão todos os problemas resolvidos, entre outras crenças fantasiosas. É preciso que o candidato à esta intervenção esteja ciente de que na grande maioria dos casos haverá flacidez, sobras de pele e redução drástica do tamanho dos seios nas mulheres, para citar alguns exemplos sobre como o tão sonhado 'corpo perfeito' dificilmente será alcançado apenas com a cirurgia; não há garantia alguma de que a pessoa conseguirá uma melhor colocação no mercado de trabalho ou encontrá um parceiro afetivo. Cada um desses aspectos depende de diversos fatores, e, deixando a hipocrisia de lado, sabemos que a aparência é um deles. Mas nenhum ganho será mantido sem os outros fatores que os sustentam, e isso abrange muito mais do que um corpo.

Neste texto o tema foi abordado de maneira ampla e superficial, com o objetivo de trazer a reflexão sobre a importância da atuação da equipe multidisciplinar no tratamento cirúrgico da obesidade. Obviamente muita coisa ficou de fora, mas terei muito prazer em aprofundar qualquer aspecto pertinente que for solicitado. Vale a pensa pensar a respeito.

 

2 de março de 2016

Ejaculação precoce


 
 
Ejaculação precoce: Superando a dificuldade pelo reaprendizado

 

 

 

 

A ejaculação precoce é uma disfunção sexual da resposta sexual masculina que ocorre na fase de orgasmo. Acomete principalmente indivíduos no início da vida sexual, embora também seja queixa de homens de outras faixas etárias que a desenvolvem em determinada situação ou com determinada parceira. O Diagnostic and statistical manual of mental disorders caracteriza a ejaculação precoce como o “início persistente ou recorrente de orgasmo e ejaculação com estimulação mínima antes, durante ou logo após a penetração e antes que o indivíduo deseje”.

 

A ejaculação precoce não está relacionada apenas ao tempo que o homem leva para ejacular, como se acreditava quando o diagnóstico era definido pelo tempo mínimo do intercurso. Chegou-se, por exemplo, a aceitar um tempo de 15 segundos. Hoje temos uma compreensão mais ampla de sexualidade e, além da ansiedade de desempenho, consideramos que outros aspectos intra e inter-pessoais estão intimamente relacionados com o processo ejaculatório.

 

Conforme o modelo trifásico da resposta sexual proposto por Kaplan, essa disfunção apresenta-se nas seguintes formas: ejaculação precoce primária – caso de homens que apresentam ejaculação precoce desde as primeiras tentativas de coito; ejaculação precoce secundária – caso de homens que apresentam ejaculação precoce após um período de funcionamento sexual eficaz; e  ejaculação precoce situacional – caso de homens que apresentam ejaculação precoce com determinada parceria ou situação.

 

A disfunção está relacionada a uma inibição adquirida por condicionamentos durante uma situação aversiva e desagradável associada a uma resposta sexual. Situações que dificultam o aprendizado da percepção das sensações que antecedem a ejaculação fazem parte do treino para a formação de ejaculadores precoces, como uma educação repressora e negativa em relação ao sexo; jogos sexuais em que a ejaculação rápida é vista como viril e valorizada, como no caso de competição de masturbação em grupo; medo de alguns homens de serem surpreendidos e punidos no ato masturbatório, seja pelos pais ou por estranhos; relação sexual realizada em local que não propicie a privacidade e o relaxamento estimulando a rapidez da relação, como no banco traseiro do carro, ou em um cômodo enquanto os pais estão em outro. Desta forma, os níveis específicos de privação sensorial originam-se do medo e apreensão diante de situações sexuais, da negação da identidade sexual pessoal, da rejeição da parceria ou da circunstância do encontro sexual, ou da ausência da consciência sexual decorrente do cansaço físico ou emocional. Deve-se também considerar a preocupação do homem de fazer sexo de um modo “certo”, ou de fazer com que a parceira atinja o prazer, forçando-se a fazer sexo sem a disponibilidade necessária. Prolongados períodos de abstinência sexual, disfunção sexual feminina, dificuldades gerais no relacionamento, comportamento de crítica ou rejeição, ressentimento não manifesto são outras formas de dificultar o controle ejaculatório e, deste modo, o prazer.

 

Embora cause sofrimento psicológico para o homem e sua parceria, gere ansiedade, medo do fracasso, evitação de contatos que envolvam intimidade e ser potencial causa da disfunção eretiva secundária de origem psicogênica, a ejaculação precoce é uma disfunção sexual das mais fáceis de serem  tratadas.

1 de março de 2016

Orgasmo feminino


19 de fevereiro de 2016

Juventude e Consumo: A Influência Exacerbada da Mídia


 
 
Juventude e Consumo: A Influência Exacerbada da Mídia


A juventude é um conceito que pode ser visto como uma construção social, assim como pode também ser capturado e instituído. Dessa forma, o conceito de juventude nos faz pensar no sujeito como um ser constituído e atravessado por fluxos, multiplicidades e diferenças (AUGUSTIN e GEARA, 2014).

O termo juventude parece ser privilegiado no campo das teorias sociológicas e históricas, no qual a leitura do coletivo prevalece. Sendo assim, a juventude só poderia ser entendida na sua articulação com os processos sociais mais gerais e na sua inserção no conjunto das relações sociais produzidas ao longo da história (SILVA e LOPES, 2009).

O consumo desempenha hoje um papel central na vida dos jovens, uma vez que estes usam os padrões de consumo para definir a sua identidade e para se integrar nos diversos grupos sociais (SANTOS, 2004).

Entre as variadas influências do dia a dia de um adolescente, a presença da mídia televisiva pode representar um fator importante na formação da sua personalidade, principalmente no que se refere ao comportamento de consumo (GARROTE, 2015).

Essa pesquisa se propôs como objetivo geral, relatar como é dado o consumo na juventude, tendo como principal influenciador os meios midiáticos, tendo em vista essa influência, alerta-se para um maior cuidado, para que haja um desenvolvimento crítico, para que a sociedade em geral não se torne alienada pela mídia.

2. Referencial Teórico


2.1 Diferenças entre Juventude e Adolescência


É importante se entender a diferença entre adolescência e juventude; já que ambas são frequentemente confundidas, quando não são usadas erroneamente como sinônimos. A noção de adolescência surge associada à lógica desenvolvimentista, sendo uma etapa do desenvolvimento que todos passariam obrigatório e similarmente. A juventude é um conceito que pode ser visto como uma construção social, assim como pode também ser capturado e instituído. Dessa forma, o conceito de juventude nos faz pensar no sujeito como um ser constituído e atravessado por fluxos, multiplicidades e diferenças (AUGUSTIN e GEARA, 2014).

O termo adolescência parece estar mais vinculado às teorias psicológicas, considerando o indivíduo como ser psíquico, pautado pela realidade que constroi e por sua experiência subjetiva. Ao passo que o termo juventude parece ser privilegiado no campo das teorias sociológicas e históricas, no qual a leitura do coletivo prevalece. Sendo assim, a juventude só poderia ser entendida na sua articulação com os processos sociais mais gerais e na sua inserção no conjunto das relações sociais produzidas ao longo da história (SILVA e LOPES, 2009).

De acordo com Falcão e Kovaleski (2014), adolescência e juventude são condições sociais parametrizadas por uma faixa etária. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que o adolescente é o indivíduo entre 12 e 18 anos incompletos. Já o termo jovem costuma ser utilizado para designar a pessoa entre 15 e 29 anos. Assim, podem ser considerados jovens os adolescentes-jovens (entre 15 e 17 anos), os jovens-jovens (com idade entre 18 e 24 anos) e os jovens adultos (faixa-etária dos 25 aos 29 anos).

2.2 Caracterizando Consumo


A atividade econômica tem como objetivo a produção de bens e serviços que se destinam à satisfação das necessidades. É através do consumo que o homem satisfaz as suas necessidades. Podemos dizer que o consumo consiste na utilização de um bem ou de um serviço para a satisfação de uma necessidade (NUNES, 2008).

Ainda de acordo com o autor, o consumo não é apenas um ato econômico, é, também, um ato social que reflete hábitos, costumes sistemas de valores, etc. São muitos os fatores que influenciam o consumo. Estes fatores podem ser econômicos e sociais.

A complexidade da ação de comprar torna-se evidente se considerarmos os fatores que estão envolvidos no processo de consumo. O comportamento do consumidor resulta de todas as atividades que se desenvolvem para selecionar e adquirir um produto para a satisfação das suas necessidades, mas também de todo o meio envolvente, que ajudou e ajuda a construir os valores e as motivações que se tornam inerentes ao indivíduo na tomada de decisões (SANTOS, 2004).

2.3 O Consumo na Juventude


O consumo desempenha hoje um papel central na vida dos jovens, uma vez que estes usam os padrões de consumo para definir a sua identidade e para integrar-se nos diversos grupos sociais. As melhorias das condições de vida e o fato de os jovens como indivíduos atravessarem uma fase de liberdade, de busca de personalidade e de valores, sem impor restrições a si próprios, tendem a apreciar e valorizar a vida social e o divertimento. Os jovens têm vindo a ganhar cada vez mais relevância nas sociedades, quer como consumidores, quer como influenciador de alterações no pensamento, normas e valores de uma nação. São os jovens que ajudam a estabelecer as tendências do comportamento social através da sua energia, vigorosidade, o seu espírito rebelde e a sua maior abertura para as novidades. A sua importância é traduzida pelo papel marcante que assumem na influência que fazem sentir ao nível dos valores e do consumo de todas as sociedades (SANTOS, 2004).

As fronteiras do consumo no mundo da “Geração D – Nativos digitais” não têm limites. Estar “antenado” ou usar a roupa da ‘galera’ já não fazem parte somente da vida dos jovens e adultos. A luta agora é estar atualizado para fazer parte do grupo. De olho nesta fatia do mercado, o comércio já enxergou a mina de ouro: adolescentes são compradores vorazes e já existem produtos que satisfazem os seus desejos. E os pais (na maioria das vezes) são responsáveis por arcar com as despesas, sejam com boas mesadas ou, em alguns casos, oferecendo ao filho o direito de possuir um cartão de crédito próprio (REIS, 2012).

Além dos aparatos tecnológicos, há também a moda, e a tendência é aquela ditada pelos colegas do grupo ou ídolo preferido. Quer seja o colorido das roupas ou a extravagância dos modelos, o que importa é chamar a atenção. Além dos vestuários, as indústrias apostam também em objetos para que o adolescente se sinta cada vez mais unido ao cantor, à banda, ao filme que gosta. E assim surgem produtos como pôsteres, chaveiros, bolsas, cadernos e diversos outros que estampam os ídolos adolescentes e aumentam o desejo de consumo (REIS, 2012).

Portanto, para caracterizar ou entender o processo de compra dos jovens devemos ter em consideração a importância relativa dos produtos ou mercados para este segmento de consumidores. É importante conhecer as expectativas, as ambições como resultado das influências e motivações que determinam a escolha de determinado produto, de uma marca ou de uma loja específica (SANTOS, 2004).

2.4 A Influência da Mídia sobre o Consumo


A mídia invade nosso cotidiano. A criança e o adolescente de hoje não conheceram o mundo de outra maneira - nasceram imersas no mundo com telefone, fax, computadores, televisão, etc. TVs ligadas a maior parte do tempo, assistidas por qualquer faixa etária, acabam por assumir um papel significativo na construção de valores culturais. A cultura do consumo molda o campo social, construindo, desde muito cedo, a experiência da criança e do adolescente que vai se consolidando em atitudes centradas no consumo (CAMPOS e SOUZA, 2003).

Sabe-se que a mídia em geral tem um papel importante no comportamento de consumo das pessoas e o poder que ela tem de influenciar a massa, muda hábitos de consumo, cria novos públicos, novos ídolos, novos produtos e de um dia para outro pode acabar com tudo isso, criando uma situação totalmente diferente da anterior. Isso se deve ao fato, da mídia, principalmente a televisão, trabalhar com modismos, com coisas e situações que façam com que as pessoas se identifiquem com aquilo e passem a comentar (FARIA e RODRIGUES).

A construção da personalidade de um indivíduo reflete a um processo de transformações em sua vida social, na fase da adolescência o contexto social passa a ter uma representatividade ainda maior na formação da personalidade, o adolescente passa a ser sujeito das influências do dia a dia de seu grupo social, absorvendo e filtrando os conhecimentos que adquire cotidianamente, formando valores que farão parte da sua personalidade adulta. Entre as variadas influências do dia a dia de um adolescente, a presença da mídia televisiva pode representar um fator importante na formação da sua personalidade, principalmente no que se refere ao comportamento de consumo (GARROTE, 2015).

A mídia trabalha para que a sua produção de imagens chegue ao indivíduo de maneira que legitime e afirme não só o consumo, mas também os modos de sociabilidade - uma espécie de orientação sobre como viver e se relacionar em sociedade - nelas inseridos. Para isso, a mídia ensina o que, onde, quando e como consumir. A mídia ensina como devemos ser. Por meio de suas representações, o indivíduo pode se reconhecer como protagonista das imagens, espelhando-se nos modelos apresentados, fazendo da imagem midiática algo a ser copiado. A força da mídia parece ser incontestável e, com isso, sua presença no cotidiano ganha "raízes". E é essa força que parece estar escrevendo as linhas da história da nossa sociedade (SAMARÃO e FURTADO, 2015).

3. Metodologia (Materiais e Métodos)


No desenvolvimento deste trabalho foi utilizada pesquisa de natureza básica, que objetiva gerar novos conhecimentos, úteis para o avanço da ciência, sem aplicação prática prevista (GERHARDT e SILVEIRA, 2014).

O desenvolvimento deste trabalho consiste em pesquisas bibliográficas, que segundo Freire (2011), abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema em estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico etc. Tendo como finalidade colocar o pesquisador em contato direto com tudo que já foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto.

Nesse estudo foram selecionados 20 artigos sobre juventude e consumo. Os artigos foram pesquisados das bases de dados como Scielo (Scientific Eletronic Library Online) e Google Acadêmico. Com a utilização das palavras chaves: juventude, consumo, mídia. Desses 20 artigos selecionados, foram 11 considerados através dos critérios de seleção: abordagem da influência da mídia sobre o consumo, juventude e consumo.

4. Considerações Finais


O alvo da mídia publicitária hoje são os jovens que compram demais. Mas o grande fator para eles comprarem é o medo de não ser aceito em determinado grupo de amigos por estar fora da moda, por exemplo. Isto só acontece, porque os jovens estão imaturos e com autoestima baixa, tendem mais a se influenciar pelo grupo, como forma de auto-afirmação.

A solução não é deixar de consumir, já que temos necessidades. Cabe aos pais desenvolverem uma “alfabetização para a mídia” tendo uma postura investigativa e crítica diante de tudo o que a mídia nos impõe; ter uma postura de não aceitação passiva levará à consciência do que realmente somos e buscamos.

Esse estudo nos possibilitou a compreensão de que a mídia possui exacerbada influência sobre a relação jovem e consumo.