Psicologa Organizacional

18 de agosto de 2025

 

Saúde Mental no Brasil: 


Acesso, Perfil Epidemiológico e Desafios no SUS, Planos e Rede Privada


Introdução

A saúde mental constitui um dos maiores desafios da saúde pública no Brasil, exigindo uma abordagem multidisciplinar e integrada entre o Sistema Único de Saúde (SUS), os planos de saúde e a rede privada. O aumento da prevalência dos transtornos mentais e o impacto destes na qualidade de vida, produtividade e relações sociais demandam profundo investimento em políticas públicas, atenção qualificada e estratégias de prevenção.

 

Panorama do Atendimento em Saúde Mental no Brasil

O SUS é o principal responsável pela oferta de cuidados em saúde mental no Brasil, estruturando seus serviços principalmente por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Segundo o Ministério da Saúde, em 2023, cerca de 3 milhões de pessoas foram atendidas em CAPS e em ambulatórios de saúde mental, número que não contempla totalmente os atendimentos realizados na Atenção Básica, Hospitalares e em hospitais psiquiátricos.

Nos planos de saúde e na rede privada, estima-se que aproximadamente 20% dos beneficiários utilizem algum tipo de serviço relacionado ao cuidado mental ao longo da vida, com variação de acesso conforme cobertura do plano e características socioeconômicas dos usuários (ANS, 2022).

Transtornos Mentais Predominantes

De acordo com dados do SUS, os transtornos mentais mais predominantes no Brasil são:

- Transtornos de ansiedade

  • Transtornos depressivos
  • Transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas
  • Transtornos psicóticos, como esquizofrenia

Segundo o Relatório Mundial de Saúde Mental da OMS, cerca de 18,6 milhões de brasileiros apresentam algum transtorno de ansiedade e 11,5 milhões possuem depressão, evidenciando a magnitude do problema.

Acesso ao Tratamento

O acesso ao tratamento ainda é limitado: estimativas indicam que apenas 33% dos indivíduos com transtornos mentais recebem algum tipo de cuidado psicológico ou psiquiátrico (Ministério da Saúde, 2023). Barreiras estruturais, como falta de profissionais, estigma social e disparidades regionais, dificultam o acesso integral, especialmente no SUS.

Na rede privada, o acesso é mais facilitado, porém restrito a cerca de 25% da população, que conta com planos de saúde, deixando a maioria dos brasileiros dependentes das redes públicas, frequentemente sobrecarregadas.

Medicações Mais Utilizadas

Entre as medicações mais prescritas para os principais transtornos mentais no Brasil, destacam-se:

- Antidepressivos (fluoxetina, sertralina, escitalopram)

  • Ansiolíticos e benzodiazepínicos (diazepam, clonazepam)
  • Antipsicóticos (risperidona, quetiapina, olanzapina)
  • Estabilizadores de humor (lítio, ácido valproico)

Esses medicamentos são fornecidos tanto pelo SUS como pela rede privada, com variação na disponibilidade e facilitação de acesso.

Número de Comorbidades

A comorbidade, especialmente entre transtornos mentais e doenças crônicas como hipertensão, diabetes e uso abusivo de álcool e outras drogas, é significativa. Estudos apontam que entre 50% a 60% dos pacientes que buscam atendimento em saúde mental apresentam pelo menos uma comorbidade psiquiátrica ou clínica associada, reforçando a necessidade de ações integradas (Lancet, 2023).

Considerações Finais

Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta grandes desafios para garantir o acesso integral e universal à saúde mental. O número de pessoas atendidas cresce, mas permanece distante do necessário para suprir toda a demanda. Os transtornos de ansiedade e depressão lideram as estatísticas, e boa parte da população enfrenta barreiras tanto para diagnóstico quanto para o tratamento adequado. A ampliação do acesso, a redução do estigma e a integração entre as redes pública e privada permanecem como prioridades.

Referências Bibliográficas

  • Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “Caderno de Informação da Saúde Suplementar: Beneficiários, operadoras e planos.” 2022.
  • Ministério da Saúde. “Saúde Mental em Dados.” 2023.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). “Relatório Mundial de Saúde Mental.” 2022.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.088/2011 – Institui a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

 

 



É preciso vencer a culpa

 

A culpa é um sentimento que acompanha a experiência humana em diferentes áreas da vida. Muitas vezes, ela surge como um alerta para avaliarmos nossas escolhas e responsabilidades. Porém, quando se torna intensa, desproporcional ou contínua, pode se transformar em um peso que adoece a mente e o coração. Entender a origem desse sentimento é o primeiro passo para vencê-lo.

 

A culpa pode se manifestar de diferentes formas. A culpa religiosa aparece quando a pessoa acredita ter falhado diante de princípios espirituais ou divinos. A culpa familiar nasce de expectativas não atendidas em relação aos pais, filhos ou parceiros, carregando a sensação de “não ter feito o suficiente”. Já a culpa social é fruto da comparação com padrões impostos pela sociedade, onde o indivíduo sente que não se encaixa ou não corresponde ao esperado. No campo profissional, é comum a sensação de culpa por falhas no trabalho, por não alcançar metas ou por acreditar que poderia sempre ter feito mais. Há ainda a culpa que surge por fatalidades da vida, situações inesperadas e fora de controle, mas que, mesmo assim, são internalizadas como se fossem responsabilidades pessoais.

 

Para vencer a culpa, é essencial aceitar que errar ou não corresponder a todas as expectativas faz parte da condição humana. O desafio é identificar a origem desse sentimento e questionar se ele é real ou fruto de pressões externas. Em seguida, é preciso praticar o autoperdão, permitindo-se recomeçar sem o peso de um passado imutável. Ao ressignificar sentimentos e emoções, a pessoa aprende a olhar para suas experiências não como prisões, mas como oportunidades de aprendizado e crescimento. Sempre que possível, mudanças de comportamento podem fortalecer esse processo, trazendo coerência entre valores, atitudes e escolhas.

 

Superar a culpa é abrir espaço para uma vida mais leve. A prática do autoamor e da autocompaixão ajuda a construir uma relação mais saudável consigo mesmo. Ao aprender a se acolher, perdoar e compreender suas próprias limitações, a mente encontra paz e equilíbrio. Assim, pouco a pouco, a saúde mental se restabelece, e o indivíduo se descobre livre para viver com mais serenidade, propósito e autenticidade.

 

 

Acimarley Freitas


 




Metamorfoseai-vos

 

A vida é um constante convite à mudança. Assim como a borboleta precisa romper o casulo para alçar voo, nós também vivemos nossos ciclos de metamorfose. Nada em nós permanece estático: sentimentos, emoções, pensamentos e comportamentos estão sempre em movimento, se ajustando às novas fases que enfrentamos. E isso é belo, porque mostra que estamos vivos, crescendo e nos permitindo evoluir.

 

Talvez hoje você já não goste da mesma música que embalava seus dias no passado, ou o prato predileto tenha mudado de sabor. Tudo bem. Isso não significa incoerência, mas transformação. Assim como a natureza se renova a cada estação, nós também podemos nos reinventar. O que ontem fazia sentido pode já não caber no hoje — e aceitar isso é libertador.

 

Então, ao iniciar esta semana, lembre-se: você não precisa ser o mesmo de sempre. Permita-se mudar, descobrir novos caminhos, experimentar outras possibilidades e acolher as metamorfoses que a vida propõe. Cada transformação é um degrau na construção do seu eu mais autêntico. Metamorfoseai-vos — porque viver é, acima de tudo, aprender a se transformar.

 

Acimarley Freitas

7 de agosto de 2025

 

Do Problema à Solução: 

Descubra Como Enxergar Oportunidades Onde Outros Só Vêem Obstáculos

A soberania de um país, especialmente de uma nação tão pujante quanto o Brasil, vai além da simples manutenção de fronteiras ou da autonomia política. Ela se materializa no bem-estar de seu povo, no acesso a direitos básicos e na capacidade de definir o próprio rumo frente aos desafios contemporâneos. Discutir os problemas nacionais — saúde pública, educação, moradia, emprego, renda, infraestrutura e segurança — exige um olhar ético e moral, alicerçado no respeito à diversidade e na busca pelo bem comum. Este texto, distante de qualquer viés partidário, propõe-se a enxergar oportunidades transformadoras onde outros veem apenas obstáculos.

Vivemos um momento de profundas incertezas e desafios globais, que impactam estruturalmente o cotidiano do brasileiro. A saúde pública, por exemplo, ao mesmo tempo em que enfrenta a pressão de incessantes demandas e crises sanitárias, revela também a potência do Sistema Único de Saúde (SUS), capaz de inspirar melhorias, ampliar investimentos e inovar nos cuidados primários, especialmente quando valorizamos o saber das comunidades locais.

A educação pública, pilar essencial à soberania intelectual e econômica, clama por valorização de professores, modernização da infraestrutura e construção de projetos pedagógicos que abracem a pluralidade cultural brasileira. Investir em ciência, tecnologia e extensão universitária fortalece a autonomia nacional e amplia a capacidade de diálogo global sem submissão de valores ou interesses.

Moradia digna, emprego e renda integram um mesmo conjunto de desafios e oportunidades. O Brasil possui vastidão territorial, riquezas naturais e uma sociedade criativa. Políticas públicas que incentivem a geração de empregos, a regularização fundiária e o empreendedorismo popular são caminhos para reduzir desigualdades e ampliar a efetiva participação dos cidadãos na vida econômica.

A infraestrutura, por sua vez, não é apenas questão de estradas e portos: é também acesso digital, saneamento básico e cidades sustentáveis. Projetos modernos, desenhados com participação da sociedade e respeito à diversidade ambiental e cultural, podem transformar gargalos históricos em plataformas de crescimento.

Já a segurança, além do necessário enfrentamento à criminalidade, deve ser pensada a partir da promoção de justiça social, prevenção, fortalecimento das instituições e respeito aos direitos humanos, garantindo, assim, que a soberania nacional se traduza em uma vida digna para todos.

Diante desses desafios, é ético e moral buscar o diálogo, respeitar divergências e colaborar em torno do interesse coletivo. Enxergar oportunidades exige desprendimento de dogmas políticos e compromisso com a soberania do povo brasileiro. Observar o quadro atual com olhar crítico e construtivo deve servir como catalisador para soluções inovadoras, ancoradas em valores democráticos, respeito à vida, à diversidade e à aspiração por uma nação mais justa.

Em suma, do problema à solução, o caminho da soberania passa pelo compromisso ético com cada brasileiro. Que possamos enxergar obstáculos não como barreiras intransponíveis, mas como oportunidades para reescrever a história do nosso país, juntos, em respeito à pluralidade e na busca incansável por dias melhores.

 

Acimarley Freitas

6 de agosto de 2025

 


Bom Senso:

A Arte de Agir com Equilíbrio

 

Você já ouviu alguém dizer: “Faltou bom senso nessa situação”? Essa expressão, comum no nosso dia a dia, revela algo muito importante: o bom senso é uma habilidade essencial para a convivência saudável em qualquer lugar – da família à internet.

 

O que é ter bom senso?

 

Ter bom senso é agir com equilíbrio, ponderação e responsabilidade, considerando o que é mais adequado em cada situação. É pensar antes de agir, refletir antes de falar e respeitar os limites do outro – e os seus também. O bom senso nos ajuda a tomar decisões mais justas, evitar exageros e buscar sempre o caminho do meio, aquele que nem fere nem se omite.

 

Características de uma pessoa com bom senso:

 

1.   Escuta antes de opinar

 

2.   Pensa nas consequências dos seus atos

 

3.   Age com empatia e respeito

 

4.   Sabe se colocar no lugar do outro

 

5.   Evita julgamentos precipitados

 

6.   Sabe reconhecer seus erros e limites

 

7.   Tem autocontrole emocional

 

 

Bom senso na família

 

Dentro de casa, o bom senso aparece quando sabemos equilibrar as necessidades individuais com as do coletivo. É entender que todos têm momentos difíceis, que cada um tem seu jeito, e que convivência exige diálogo, paciência e acordos. Não se trata de abrir mão de si, mas de considerar o outro com empatia.

 

Bom senso na escola e na universidade

 

No ambiente escolar ou acadêmico, o bom senso nos orienta a respeitar professores, colegas e regras, mas também a expressar opiniões com responsabilidade. É saber o momento de brincar e o de se concentrar, é entender os próprios direitos sem desrespeitar os dos outros. Também envolve reconhecer o valor da diversidade e o direito à aprendizagem de todos.

 

Bom senso no trabalho

 

No contexto profissional, ter bom senso é agir com ética, respeitar hierarquias e colegas, cumprir prazos e evitar fofocas ou conflitos desnecessários. É também saber dizer "não" quando necessário, mas de forma respeitosa. Um ambiente de trabalho saudável depende de atitudes equilibradas, colaboração e respeito mútuo.

 

Bom senso nos espaços sociais

 

Em espaços públicos ou sociais, o bom senso nos convida a agir com educação, responsabilidade e cuidado com o coletivo. Isso vai desde jogar lixo no lugar certo até respeitar filas e evitar atitudes que causem desconforto aos outros. É pensar: “Como eu gostaria de ser tratado se estivesse no lugar daquela pessoa?”

 

Bom senso na Internet

 

Na era digital, o bom senso é ainda mais necessário. Antes de compartilhar algo, é importante checar se a informação é verdadeira, se não ofende ou expõe alguém. Comentários ofensivos, julgamentos precipitados ou piadas que ferem podem parecer “liberdade de expressão”, mas muitas vezes são apenas falta de empatia. A internet é um espaço de convivência como qualquer outro — exige respeito, responsabilidade e consciência.

 

O bom senso é como um farol interno que nos ajuda a enxergar o caminho mais equilibrado diante das situações da vida. Não é perfeição, mas é sabedoria em ação. E quanto mais praticamos, mais natural ele se torna.

 

Se esse texto falou com você, compartilhe com alguém.

Vamos conversar mais sobre isso? Estou por aqui.

 

Acimarley Freitas

4 de agosto de 2025

 






Quem é você no Teatro da Vida: 

o pessimista, o otimista, o realista?

 

Se observarmos atentamente o palco do cotidiano, veremos que cada um de nós atua como protagonista na grande peça chamada vida. Às vezes, somos também espectadores de nossas escolhas, sentimentos e reações. No Teatro da Vida, expressão desenvolvida pelo psicólogo Acimarley Freitas, somos convidados a contemplar tanto o espetáculo vasto e impressionante do universo quanto as miudezas poéticas do dia a dia — a abelha pousando suavemente numa folha, a dança silenciosa das nuvens, o sorrir do tempo em nossa pele. No entanto, a cena mais desafiante é aquela que se desenrola dentro de nós mesmos, quando nos vemos frente a frente com quem realmente somos.

Nesse palco interno, é inevitável percebermos as diferentes formas de encarar a vida. Pode ser que, por vezes, a cortina se abra para um personagem pessimista. Ele percebe no mundo uma constante ameaça. Enxerga o tempo como adversário, sente que a natureza conspira contra seus projetos, duvida do valor de suas emoções positivas e sente-se aprisionado pelas negativas. Suas falas são carregadas de receio, desânimo ou até mesmo de uma certa resignação perante as adversidades. No entanto, ele não deixa de trazer à tona a importância de questionar, de duvidar, de não se deixar embalar pelo excesso de confiança. Sua presença pode soar áspera, mas, em sua essência, alerta para perigos reais e convida à cautela.

Em outro ato, o otimista entra em cena com energia contagiante. Seus olhos brilham ao contemplar o futuro, ele se permite encantar com a simplicidade das pequenas alegrias cotidianas, vendo florescer possibilidades mesmo nas mais inesperadas situações. Para ele, o tempo é um aliado, a natureza, uma fonte infinita de inspiração, e até mesmo os sentimentos negativos são aprendizados disfarçados. Sente-se leve, aberto ao novo, impulsionando aqueles ao seu redor a sonhar, a reconstruir, a não desistir diante da primeira queda. Por vezes, pode ser ingênuo; mas, frequentemente, é o sopro de esperança que mantém o espetáculo em andamento.

E há, claro, quem se reconheça no papel do realista. Este personagem vê a vida com um olhar equilibrado, atento tanto para as adversidades quanto para as oportunidades. Ele observa a abelha e reconhece o valor tanto do esforço quanto da doçura produzida. Compreende o funcionamento do universo e sabe que há mistérios insolúveis, mas também aprecia cada pequena certeza conquistada. O realista abraça sentimentos positivos e negativos, entende que são partes legítimas da existência, e utiliza ambos como bússolas para possíveis tomadas de decisão. Seu discurso é pautado em serenidade e coerência; não nega os problemas, mas também não se deixa abater por eles; constrói, dia após dia, um caminho sólido, ainda que se permita sonhar.

No Teatro da Vida, cada um desses personagens — pessimista, otimista, realista — habita dentro de nós em diferentes intensidades e situações. Perceber quem está no comando é um convite à autodescoberta. Trata-se de um exercício de olhar para fora, mas, sobretudo, de olhar para dentro, de decifrar os próprios sentimentos, perceber o que nos move, o que nos freia. É um chamado para que cada pessoa, com consciência de seus traços únicos, se desafie a criar seu próprio projeto de vida — seja ele de curto, médio ou longo prazo — e, assim, assuma o papel principal na construção do próprio destino.

Olhe para o palco. Repare nos seus movimentos, nas suas falas, nas suas escolhas. Hoje, quem é você no Teatro da Vida? Como suas emoções e sua forma de ver o mundo determinam o rumo de sua peça pessoal?

Talvez o segredo não seja escolher um único personagem, mas aprender com cada um deles, misturando a esperança do otimista, a prudência do pessimista e o equilíbrio do realista. Afinal, o espetáculo continua, e o mais importante é nunca deixar de atuar com autenticidade, coragem e propósito.

 

Acimarley Freitas

2 de agosto de 2025

 A Vida é um Jardim de Caminhos


A vida é como um imenso jardim cheio de trilhas. A cada dia, cada semana ou novo projeto, lá estamos nós, em mais uma encruzilhada, com caminhos que se bifurcam entre flores, pedras e neblinas. Cada trilha representa uma decisão. Algumas parecem fáceis, outras assustam logo de cara. Mas o fato é que não dá pra ficar parado — o jardim não espera. É preciso dar passos, mesmo com o coração apertado ou a incerteza na mochila.


Antes de escolher por onde seguir, é preciso observar o terreno, sentir o vento, ouvir os sinais da alma e mensurar os riscos e as possibilidades. Toda escolha tem um preço — e a felicidade também. Às vezes, escolher um caminho significa abrir mão de outro, e isso pode doer, principalmente quando envolve pessoas que amamos. Mas há um valor que precisa ser honrado: a nossa paz. Se uma trilha me afasta de quem sou ou do que me faz bem, talvez não seja o caminho certo, ainda que muitos esperem que eu o percorra.


E se eu errar? Se me perder entre os galhos secos e os espinhos? Tudo bem. O jardim da vida é vivo, generoso e cheio de recomeços. Sempre haverá novas rotas, novas estações, novos passos. Porque decidir é um ato de coragem, e recomeçar, um gesto de sabedoria. No fim, o importante é continuar andando com o coração inteiro — mesmo que, por vezes, seja preciso parar, repensar e mudar de direção. 


Acimarley Freitas