A
Saudade Que Continua Abraçando
Por
Acimarley Freitas
Há
pessoas que passam pela vida como o vento.
Outras…
permanecem mesmo depois da partida.
Hoje,
no Dia das Mães, enquanto muitos celebram com abraços, fotografias e almoços em
família, existe também um silêncio sentado à mesa de alguém.
Existe
um quarto vazio.
Uma
ligação que não pode mais ser feita.
Uma
voz que mora apenas na lembrança.
E
talvez, para alguns, este seja um dos dias mais difíceis do ano.
Porque
a ausência de uma mãe não termina no funeral.
Ela
reaparece nos detalhes mais simples da vida.
No
cheiro de um café recém-passado.
Na
comida que nunca mais teve o mesmo gosto.
Na
vontade de contar algo importante e perceber que aquela pessoa que mais vibrava
por você já não está fisicamente aqui.
A dor
da perda tem um jeito estranho de visitar o coração.
Às
vezes ela chega silenciosa.
Outras
vezes, atravessa a alma sem pedir licença.
Mas
hoje… eu queria convidar você a olhar para essa saudade de uma outra forma.
Quem
foi sua mãe dentro da sua história?
Talvez
ela tenha sido abrigo quando o mundo parecia assustador.
Talvez
tenha sido aquela mulher cansada, imperfeita, humana… mas que fazia o possível
para cuidar de você.
Talvez
tenha deixado conselhos que você só compreendeu depois de adulto.
Talvez
as repreensões dela tenham se transformado em proteção quando a vida lhe
ensinou certas dores.
E
mesmo que existam feridas, ausências emocionais ou palavras nunca ditas… ainda
assim, algo dela continua vivendo em você.
Porque
mães não permanecem apenas nas fotografias.
Elas
permanecem nos gestos que aprendemos sem perceber.
Na
forma como cuidamos de alguém.
Na
maneira como enfrentamos a vida.
Na
força que encontramos em dias difíceis.
A
saudade dói porque o amor foi verdadeiro.
E
talvez o grande desafio deste dia seja justamente transformar a dor da ausência
em gratidão pela presença que um dia existiu.
Sentir
saudade da voz.
Do
cheiro.
Do
carinho.
Dos
conselhos repetidos tantas vezes.
Das
orações silenciosas que ela fazia sem que ninguém soubesse.
Talvez
hoje você chore.
E tudo
bem.
Mas
entre as lágrimas, tente também perceber uma verdade delicada:
de
todas as mulheres do mundo… justamente ela foi a sua mãe.
E isso
nunca poderá ser apagado pelo tempo.
O amor
verdadeiro encontra maneiras de permanecer.
Às
vezes na memória.
Às
vezes no coração.
Às
vezes naquele pequeno detalhe da vida que faz a gente sorrir enquanto os olhos
se enchem de lágrimas.
Hoje,
mais do que lembrar da perda, permita-se honrar a história.
Honrar
o amor vivido.
Honrar
os momentos simples que agora se tornaram eternos dentro de você.
Porque
algumas pessoas partem da vida…
mas
nunca deixam de habitar a alma de quem ficou.
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