Psicologa Organizacional

21 de setembro de 2025

 


Ética e cidadania: desafios contemporâneos na formação do indivíduo

 

A temática da ética e da cidadania ganha cada vez mais relevância diante dos desafios contemporâneos que se impõem à sociedade. Em um cenário marcado por mudanças aceleradas, pluralidade cultural e complexidade nas relações humanas, a formação do indivíduo exige uma reflexão profunda sobre valores éticos e o exercício da cidadania. Nesse contexto, o papel da educação se mostra central para preparar sujeitos críticos e conscientes de suas responsabilidades sociais.

 

A ética, entendida como o conjunto de princípios que orientam o comportamento humano, é fundamental para o convívio em sociedade. A construção ética não ocorre de modo espontâneo, mas é fruto de um processo que se inicia no ambiente familiar, se intensifica nas instituições de ensino e se estende por toda a vida. A escola, especialmente, assume uma função primordial ao proporcionar momentos de reflexão coletiva, promovendo o respeito ao outro, a solidariedade e o diálogo como práticas cotidianas.

 

Já a cidadania ultrapassa a mera condição de pertencimento a um Estado, abrangendo a participação ativa nos processos sociais, políticos e culturais. Ser cidadão implica agir de forma ética, respeitando direitos e cumprindo deveres, lutando pela inclusão e justiça social. O desafio contemporâneo reside em formar sujeitos capazes de analisar criticamente as estruturas sociais, identificar desigualdades e atuar em prol de uma sociedade mais equânime.

 

Entretanto, esse processo de formação enfrenta obstáculos significativos, como a influência de fake news, discursos de ódio e a crescente intolerância nas redes sociais. Soma-se a isso a crise de valores morais, muitas vezes substituídos pelo individualismo e pela busca desenfreada por sucesso pessoal. Diante dessas dificuldades, cabe à educação atuar como instrumento de transformação social, promovendo debates filosóficos, atividades de reflexão ética e projetos de participação comunitária.

 

Portanto, a formação ética e cidadã é indispensável para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo. Investir na reflexão filosófica, na promoção de valores humanistas e no exercício consciente da cidadania constitui uma estratégia fundamental para construir uma sociedade mais justa, tolerante e solidária. Apenas assim será possível preparar indivíduos aptos não apenas a enfrentar as complexidades do presente, mas também a contribuir para um futuro mais digno para todos.

 

 

Acimarley Freitas

 




O Papel da Filosofia na Formação do Cidadão Crítico

 

A Filosofia, como área de conhecimento fundamental, desempenha um papel formativo essencial na construção de uma sociedade democrática, crítica e reflexiva. Ao considerar a importância do ensino filosófico no âmbito da Licenciatura, destaca-se sua contribuição para o desenvolvimento do pensamento autônomo, da argumentação lógica e do exercício pleno da cidadania. Mais do que um conteúdo curricular, a Filosofia é exercício constante de questionamento e busca pelo sentido, capacitando indivíduos a agirem de maneira consciente e responsável diante das complexidades do mundo contemporâneo.

 

No contexto educacional, a Filosofia amplia horizontes intelectuais ao promover o debate de ideias e a problematização dos valores vigentes. Por meio de autores clássicos e modernos, como Sócrates, Platão, Aristóteles, Kant e tantos outros, o estudante é desafiado a refletir criticamente sobre questões éticas, políticas, epistemológicas e existenciais. Tal abordagem não se limita à mera transmissão de conteúdos, mas envolve o incentivo ao diálogo, ao respeito à diversidade de opiniões e à busca da verdade através da argumentação fundamentada. Assim, o ensino filosófico fortalece competências essenciais para o exercício da cidadania, como o pensamento crítico, a autonomia intelectual e a capacidade de análise dos contextos sociais.

 

Ademais, a Filosofia, ao desenvolver a argumentação lógica e o raciocínio dedutivo, contribui para a formação de indivíduos aptos a interpretar diferentes realidades e a tomar decisões fundamentadas. Em uma sociedade marcada pela pluralidade de informações e opiniões, a habilidade de analisar argumentos, identificar falácias e formular juízos ponderados torna-se indispensável. O professor de Filosofia, nesse cenário, transforma-se em mediador do conhecimento, estimulando o protagonismo dos alunos e promovendo a emancipação intelectual que ultrapassa os limites da sala de aula.

 

Conclui-se que a Licenciatura em Filosofia desempenha papel estratégico na formação do cidadão crítico, reflexivo e ético, pronto para enfrentar os desafios da contemporaneidade. Além de transmitir conhecimentos teóricos, a Filosofia estimula o questionamento, a busca pelo sentido e a postura ativa diante da vida e da sociedade. Portanto, investir no ensino filosófico é investir na construção de uma sociedade mais justa, consciente e comprometida com os princípios democráticos.

 

Acimarley Freitas

18 de agosto de 2025

 

Saúde Mental no Brasil: 


Acesso, Perfil Epidemiológico e Desafios no SUS, Planos e Rede Privada


Introdução

A saúde mental constitui um dos maiores desafios da saúde pública no Brasil, exigindo uma abordagem multidisciplinar e integrada entre o Sistema Único de Saúde (SUS), os planos de saúde e a rede privada. O aumento da prevalência dos transtornos mentais e o impacto destes na qualidade de vida, produtividade e relações sociais demandam profundo investimento em políticas públicas, atenção qualificada e estratégias de prevenção.

 

Panorama do Atendimento em Saúde Mental no Brasil

O SUS é o principal responsável pela oferta de cuidados em saúde mental no Brasil, estruturando seus serviços principalmente por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Segundo o Ministério da Saúde, em 2023, cerca de 3 milhões de pessoas foram atendidas em CAPS e em ambulatórios de saúde mental, número que não contempla totalmente os atendimentos realizados na Atenção Básica, Hospitalares e em hospitais psiquiátricos.

Nos planos de saúde e na rede privada, estima-se que aproximadamente 20% dos beneficiários utilizem algum tipo de serviço relacionado ao cuidado mental ao longo da vida, com variação de acesso conforme cobertura do plano e características socioeconômicas dos usuários (ANS, 2022).

Transtornos Mentais Predominantes

De acordo com dados do SUS, os transtornos mentais mais predominantes no Brasil são:

- Transtornos de ansiedade

  • Transtornos depressivos
  • Transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas
  • Transtornos psicóticos, como esquizofrenia

Segundo o Relatório Mundial de Saúde Mental da OMS, cerca de 18,6 milhões de brasileiros apresentam algum transtorno de ansiedade e 11,5 milhões possuem depressão, evidenciando a magnitude do problema.

Acesso ao Tratamento

O acesso ao tratamento ainda é limitado: estimativas indicam que apenas 33% dos indivíduos com transtornos mentais recebem algum tipo de cuidado psicológico ou psiquiátrico (Ministério da Saúde, 2023). Barreiras estruturais, como falta de profissionais, estigma social e disparidades regionais, dificultam o acesso integral, especialmente no SUS.

Na rede privada, o acesso é mais facilitado, porém restrito a cerca de 25% da população, que conta com planos de saúde, deixando a maioria dos brasileiros dependentes das redes públicas, frequentemente sobrecarregadas.

Medicações Mais Utilizadas

Entre as medicações mais prescritas para os principais transtornos mentais no Brasil, destacam-se:

- Antidepressivos (fluoxetina, sertralina, escitalopram)

  • Ansiolíticos e benzodiazepínicos (diazepam, clonazepam)
  • Antipsicóticos (risperidona, quetiapina, olanzapina)
  • Estabilizadores de humor (lítio, ácido valproico)

Esses medicamentos são fornecidos tanto pelo SUS como pela rede privada, com variação na disponibilidade e facilitação de acesso.

Número de Comorbidades

A comorbidade, especialmente entre transtornos mentais e doenças crônicas como hipertensão, diabetes e uso abusivo de álcool e outras drogas, é significativa. Estudos apontam que entre 50% a 60% dos pacientes que buscam atendimento em saúde mental apresentam pelo menos uma comorbidade psiquiátrica ou clínica associada, reforçando a necessidade de ações integradas (Lancet, 2023).

Considerações Finais

Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta grandes desafios para garantir o acesso integral e universal à saúde mental. O número de pessoas atendidas cresce, mas permanece distante do necessário para suprir toda a demanda. Os transtornos de ansiedade e depressão lideram as estatísticas, e boa parte da população enfrenta barreiras tanto para diagnóstico quanto para o tratamento adequado. A ampliação do acesso, a redução do estigma e a integração entre as redes pública e privada permanecem como prioridades.

Referências Bibliográficas

  • Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “Caderno de Informação da Saúde Suplementar: Beneficiários, operadoras e planos.” 2022.
  • Ministério da Saúde. “Saúde Mental em Dados.” 2023.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). “Relatório Mundial de Saúde Mental.” 2022.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.088/2011 – Institui a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

 

 



É preciso vencer a culpa

 

A culpa é um sentimento que acompanha a experiência humana em diferentes áreas da vida. Muitas vezes, ela surge como um alerta para avaliarmos nossas escolhas e responsabilidades. Porém, quando se torna intensa, desproporcional ou contínua, pode se transformar em um peso que adoece a mente e o coração. Entender a origem desse sentimento é o primeiro passo para vencê-lo.

 

A culpa pode se manifestar de diferentes formas. A culpa religiosa aparece quando a pessoa acredita ter falhado diante de princípios espirituais ou divinos. A culpa familiar nasce de expectativas não atendidas em relação aos pais, filhos ou parceiros, carregando a sensação de “não ter feito o suficiente”. Já a culpa social é fruto da comparação com padrões impostos pela sociedade, onde o indivíduo sente que não se encaixa ou não corresponde ao esperado. No campo profissional, é comum a sensação de culpa por falhas no trabalho, por não alcançar metas ou por acreditar que poderia sempre ter feito mais. Há ainda a culpa que surge por fatalidades da vida, situações inesperadas e fora de controle, mas que, mesmo assim, são internalizadas como se fossem responsabilidades pessoais.

 

Para vencer a culpa, é essencial aceitar que errar ou não corresponder a todas as expectativas faz parte da condição humana. O desafio é identificar a origem desse sentimento e questionar se ele é real ou fruto de pressões externas. Em seguida, é preciso praticar o autoperdão, permitindo-se recomeçar sem o peso de um passado imutável. Ao ressignificar sentimentos e emoções, a pessoa aprende a olhar para suas experiências não como prisões, mas como oportunidades de aprendizado e crescimento. Sempre que possível, mudanças de comportamento podem fortalecer esse processo, trazendo coerência entre valores, atitudes e escolhas.

 

Superar a culpa é abrir espaço para uma vida mais leve. A prática do autoamor e da autocompaixão ajuda a construir uma relação mais saudável consigo mesmo. Ao aprender a se acolher, perdoar e compreender suas próprias limitações, a mente encontra paz e equilíbrio. Assim, pouco a pouco, a saúde mental se restabelece, e o indivíduo se descobre livre para viver com mais serenidade, propósito e autenticidade.

 

 

Acimarley Freitas


 




Metamorfoseai-vos

 

A vida é um constante convite à mudança. Assim como a borboleta precisa romper o casulo para alçar voo, nós também vivemos nossos ciclos de metamorfose. Nada em nós permanece estático: sentimentos, emoções, pensamentos e comportamentos estão sempre em movimento, se ajustando às novas fases que enfrentamos. E isso é belo, porque mostra que estamos vivos, crescendo e nos permitindo evoluir.

 

Talvez hoje você já não goste da mesma música que embalava seus dias no passado, ou o prato predileto tenha mudado de sabor. Tudo bem. Isso não significa incoerência, mas transformação. Assim como a natureza se renova a cada estação, nós também podemos nos reinventar. O que ontem fazia sentido pode já não caber no hoje — e aceitar isso é libertador.

 

Então, ao iniciar esta semana, lembre-se: você não precisa ser o mesmo de sempre. Permita-se mudar, descobrir novos caminhos, experimentar outras possibilidades e acolher as metamorfoses que a vida propõe. Cada transformação é um degrau na construção do seu eu mais autêntico. Metamorfoseai-vos — porque viver é, acima de tudo, aprender a se transformar.

 

Acimarley Freitas