Psicologa Organizacional

17 de maio de 2026

 


INTERFERÊNCIA DOS PSICOFÁRMACOS NA CONDUÇÃO VEICULAR: IMPLICAÇÕES NEUROPSICOLÓGICAS, PSICOMOTORAS E PERICIAIS NA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO

 

Acimarley Freitas

 

Psicólogo Clínico e Psicólogo do Trânsito – CRP 04/54732

 

A condução de veículos automotores representa uma atividade complexa que exige adequado funcionamento das capacidades cognitivas, emocionais, perceptivas e psicomotoras do indivíduo. Dirigir envolve processos contínuos de atenção concentrada, tomada de decisão rápida, percepção espacial, controle inibitório, coordenação motora e estabilidade emocional. Qualquer alteração nessas funções pode comprometer significativamente a segurança viária e aumentar os riscos de acidentes de trânsito.

 

Nas últimas décadas, observou-se crescimento expressivo no uso de medicamentos psiquiátricos em decorrência do aumento dos transtornos mentais na população mundial. Ansiedade, depressão, transtornos do humor, insônia e transtornos psicóticos passaram a ser tratados com maior frequência por meio da psicofarmacologia moderna. Embora esses medicamentos sejam fundamentais para estabilização clínica e melhora da qualidade de vida, diversos psicofármacos possuem efeitos colaterais capazes de interferir diretamente na capacidade de dirigir.

 

Sob a perspectiva da Psicologia do Trânsito e da psicofarmacologia clínica, torna-se essencial compreender como determinadas substâncias psicoativas afetam o funcionamento neuropsicológico do condutor. Muitos medicamentos psiquiátricos atuam diretamente no sistema nervoso central, modificando processos relacionados à vigilância, percepção, tempo de reação, coordenação motora, memória operacional e julgamento crítico. Em determinados casos, tais alterações podem produzir prejuízos comparáveis aos observados em estados de intoxicação alcoólica moderada.

 

Entre os principais grupos farmacológicos associados a interferências na direção veicular encontram-se os benzodiazepínicos, amplamente prescritos para tratamento da ansiedade e da insônia. Medicamentos como Clonazepam, Diazepam e Alprazolam possuem ação depressora sobre o sistema nervoso central, potencializando a atividade do neurotransmissor GABA. Embora sejam eficazes na redução da ansiedade e promoção do relaxamento, frequentemente produzem sonolência, lentificação psicomotora, redução dos reflexos e prejuízo da atenção sustentada. Estudos em medicina do tráfego indicam aumento significativo do risco de acidentes automobilísticos em indivíduos sob uso dessas substâncias, principalmente durante as primeiras semanas de tratamento, em idosos ou quando associados ao consumo de álcool.

 

Os antidepressivos também merecem atenção especial no contexto da direção veicular. Antidepressivos tricíclicos, como Amitriptilina, apresentam forte potencial sedativo e efeitos anticolinérgicos capazes de provocar visão turva, tontura, diminuição da vigilância e lentidão cognitiva. Já medicamentos mais modernos, como Sertralina e Fluoxetina, geralmente apresentam menor comprometimento psicomotor, embora possam ocasionar efeitos adversos como agitação, fadiga, sonolência ou alterações do sono em determinados pacientes. A resposta ao medicamento varia significativamente conforme fatores biológicos, dose utilizada e adaptação do organismo.

 

Outro grupo de elevada relevância clínica corresponde aos antipsicóticos, utilizados no tratamento de transtornos psicóticos, transtorno bipolar e algumas condições graves de instabilidade emocional. Medicamentos como Quetiapina, Risperidona e Olanzapina podem produzir sedação intensa, alterações perceptivas, redução da velocidade psicomotora e prejuízos na coordenação motora. Alguns antipsicóticos ainda apresentam efeitos extrapiramidais, interferindo diretamente na fluidez dos movimentos e na capacidade de resposta rápida do condutor diante de situações inesperadas no trânsito.

 

Os hipnóticos também representam importante fator de risco para direção veicular. Medicamentos como Zolpidem são frequentemente utilizados para tratamento da insônia e podem produzir sonolência residual no dia seguinte, além de episódios dissociativos, alterações de consciência e comportamentos automáticos descritos na literatura psiquiátrica. Existem relatos clínicos de indivíduos que realizaram atividades complexas, incluindo dirigir veículos, sem plena consciência do comportamento executado.

 

Apesar dos riscos associados ao uso dessas substâncias, é fundamental destacar que o simples fato de uma pessoa utilizar medicação psiquiátrica não determina automaticamente incapacidade para dirigir. Em muitos casos, o tratamento adequado promove exatamente o contrário: melhora da atenção, estabilização emocional, redução da impulsividade e recuperação funcional do indivíduo. Pacientes com transtornos psiquiátricos estabilizados frequentemente apresentam condições seguras de condução quando acompanhados adequadamente por profissionais especializados.

 

Nesse sentido, a avaliação realizada pelo psicólogo do trânsito deve ocorrer de forma individualizada, ética e científica, evitando estigmatizações ou interpretações reducionistas. O foco da análise pericial não deve ser exclusivamente o diagnóstico psiquiátrico ou o nome do medicamento utilizado, mas principalmente o impacto funcional produzido sobre as capacidades necessárias para a condução segura.

 

Durante a avaliação psicológica no trânsito, o profissional necessita investigar aspectos como atenção concentrada, memória operacional, controle emocional, impulsividade, percepção de risco, tempo de reação, capacidade de julgamento e sinais de sedação psicomotora. A observação clínica associada aos testes psicológicos permite compreender se existem prejuízos significativos capazes de comprometer a segurança viária.

 

A atuação interdisciplinar entre psicólogos do trânsito, psiquiatras e médicos peritos torna-se indispensável nesse contexto. A integração entre diferentes áreas do conhecimento favorece avaliações mais precisas, humanizadas e tecnicamente fundamentadas, respeitando tanto os direitos do indivíduo quanto a proteção coletiva no trânsito.

 

Sob a ótica da saúde pública, a discussão sobre psicofármacos e direção veicular ganha relevância crescente diante do aumento do consumo de medicamentos psicoativos em nível mundial. A Organização Mundial da Saúde destaca que fatores relacionados ao comportamento humano e ao uso de substâncias psicoativas permanecem entre os principais determinantes de acidentes automobilísticos graves e fatais.

 

Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de fortalecimento das pesquisas científicas na área da Psicologia do Trânsito e da psicofarmacologia aplicada à condução veicular. O conhecimento técnico-científico permite não apenas aprimorar os processos de avaliação psicológica, mas também desenvolver estratégias preventivas, educativas e clínicas voltadas à promoção de um trânsito mais seguro e humanizado.

 

Conclui-se que os psicofármacos possuem potencial significativo de interferência sobre habilidades essenciais para a direção, especialmente atenção, percepção, coordenação motora e velocidade de resposta. Entretanto, a análise da aptidão para conduzir veículos deve considerar a funcionalidade global do indivíduo, a adaptação ao tratamento, a estabilidade clínica e os efeitos reais observados no cotidiano do condutor. A Psicologia do Trânsito, associada à psiquiatria e à psicofarmacologia, desempenha papel fundamental na construção de avaliações técnicas responsáveis, éticas e comprometidas com a preservação da vida.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ALMEIDA, N. D. Psicologia do trânsito: teoria e prática. São Paulo: Vetor, 2018.

 

BALLONE, G. J. Psicofarmacologia para não psiquiatras. São Paulo: Manole, 2015.

 

BRASIL. Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 001/2019. Institui normas para avaliação psicológica no trânsito. Brasília: CFP, 2019.

 

BRASIL. Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN. Resoluções sobre aptidão física e mental para condutores. Brasília: CONTRAN, 2022.

 

DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.

 

GORENSTEIN, C.; SCAVONE, C. Psicofarmacologia clínica. São Paulo: Atheneu, 2016.

 

KAPLAN, H.; SADOCK, B.; GREBB, J. Compêndio de psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Porto Alegre: Artmed, 2017.

 

ROZESTRATEN, R. J. A. Psicologia do trânsito: conceitos e processos básicos. São Paulo: EPU, 1988.

 

SILVA, F. H. V.; GÜNTHER, H. Psicologia do trânsito no Brasil. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2009.

 

STAHL, S. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações clínicas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

 

11 de maio de 2026

 


Garçom

 

Lá está ele…

Pronto a servir.

Olhar atento,

gentileza no falar,

sabedoria silenciosa

de quem aprendeu a observar.

 

Com educação orienta,

sem jamais invadir.

Não força presença,

mas sabe existir.

 

Cliente indeciso,

ele percebe no olhar.

Uma dica delicada

consegue entregar.

 

Há algo curioso em seu dom:

escuta o que ninguém diz.

Lê silêncios nas mesas,

sorrisos por um triz.

 

Agilidade é seu lema,

mas sensibilidade também.

Enquanto leva pedidos,

carrega histórias além.

 

Ouve risos, discussões,

confissões ao telefone,

amores começando,

corações sem nome.

 

Às vezes é destratado,

outras vezes nem é visto.

Como se servir pessoas

fosse algo automático e previsto.

 

Mas ainda assim permanece.

Na ética do servir,

segue firme entre bandejas,

mesmo cansado de sorrir.

 

Já serviu tanta gente

que às vezes esqueceu de si.

Esqueceu que também possui sonhos,

medos guardados aqui.

 

Há dias em que uma gorjeta

vale o almoço do mês.

Outros… vale apenas

a sensação de escassez.

 

Mesmo assim ele continua.

Passos rápidos pelo salão.

Enquanto o mundo se alimenta,

ele disfarça a exaustão.

 

Talvez a vida tenha dessas ironias:

quem mais acolhe,

muitas vezes quase nunca

recebe companhia.

 

Essa é minha homenagem

a todos os garçons.

Aos que servem café,

esperança

e atenção.

 

E no meio de tantos pedidos,

talvez esteja faltando uma pergunta simples,

mas profundamente humana:

 

— Garçom… qual é o seu nome?

 

Por Acimarley Freitas

10 de maio de 2026

 


A Saudade Que Continua Abraçando

 

Por Acimarley Freitas

 

Há pessoas que passam pela vida como o vento.

Outras… permanecem mesmo depois da partida.

 

Hoje, no Dia das Mães, enquanto muitos celebram com abraços, fotografias e almoços em família, existe também um silêncio sentado à mesa de alguém.

Existe um quarto vazio.

Uma ligação que não pode mais ser feita.

Uma voz que mora apenas na lembrança.

 

E talvez, para alguns, este seja um dos dias mais difíceis do ano.

 

Porque a ausência de uma mãe não termina no funeral.

Ela reaparece nos detalhes mais simples da vida.

No cheiro de um café recém-passado.

Na comida que nunca mais teve o mesmo gosto.

Na vontade de contar algo importante e perceber que aquela pessoa que mais vibrava por você já não está fisicamente aqui.

 

A dor da perda tem um jeito estranho de visitar o coração.

Às vezes ela chega silenciosa.

Outras vezes, atravessa a alma sem pedir licença.

 

Mas hoje… eu queria convidar você a olhar para essa saudade de uma outra forma.

 

Quem foi sua mãe dentro da sua história?

 

Talvez ela tenha sido abrigo quando o mundo parecia assustador.

Talvez tenha sido aquela mulher cansada, imperfeita, humana… mas que fazia o possível para cuidar de você.

Talvez tenha deixado conselhos que você só compreendeu depois de adulto.

Talvez as repreensões dela tenham se transformado em proteção quando a vida lhe ensinou certas dores.

 

E mesmo que existam feridas, ausências emocionais ou palavras nunca ditas… ainda assim, algo dela continua vivendo em você.

 

Porque mães não permanecem apenas nas fotografias.

Elas permanecem nos gestos que aprendemos sem perceber.

Na forma como cuidamos de alguém.

Na maneira como enfrentamos a vida.

Na força que encontramos em dias difíceis.

 

A saudade dói porque o amor foi verdadeiro.

 

E talvez o grande desafio deste dia seja justamente transformar a dor da ausência em gratidão pela presença que um dia existiu.

 

Sentir saudade da voz.

Do cheiro.

Do carinho.

Dos conselhos repetidos tantas vezes.

Das orações silenciosas que ela fazia sem que ninguém soubesse.

 

Talvez hoje você chore.

E tudo bem.

 

Mas entre as lágrimas, tente também perceber uma verdade delicada:

de todas as mulheres do mundo… justamente ela foi a sua mãe.

 

E isso nunca poderá ser apagado pelo tempo.

 

O amor verdadeiro encontra maneiras de permanecer.

Às vezes na memória.

Às vezes no coração.

Às vezes naquele pequeno detalhe da vida que faz a gente sorrir enquanto os olhos se enchem de lágrimas.

 

Hoje, mais do que lembrar da perda, permita-se honrar a história.

Honrar o amor vivido.

Honrar os momentos simples que agora se tornaram eternos dentro de você.

 

Porque algumas pessoas partem da vida…

mas nunca deixam de habitar a alma de quem ficou.

6 de maio de 2026

 


Não é coisa de louco: uma conversa que pode mudar tudo

 

Outro dia, sentado no consultório, entre um atendimento e outro, me peguei pensando nas histórias que nunca chegaram até mim.

Sim… histórias que ficaram do lado de fora.
Histórias interrompidas por um pensamento silencioso:
“Psicólogo não é pra mim.”

E eu confesso… isso sempre me inquieta.

Sou Acimarley Freitas, psicólogo, e hoje quero conversar com você não como especialista distante, mas como alguém que escuta, todos os dias, o peso que muita gente carrega sozinha… por acreditar em ideias que nem sempre são verdadeiras.

Vivemos na era da informação.
Mas, curiosamente, também vivemos na era dos equívocos bem vestidos de verdade.

Quantas vezes você já ouviu, ou até pensou, que psicoterapia é “coisa de gente fraca”?
Ou que “quem vai ao psicólogo é porque está louco”?
Ou ainda: “eu dou conta sozinho”?

E talvez a mais perigosa de todas:
“não está tão ruim assim…”

A questão é que a dor não precisa gritar para ser legítima.

No silêncio da rotina, muita gente vai aprendendo a engolir sentimentos. Vai adiando conversas internas. Vai sobrevivendo… quando poderia estar vivendo com mais leveza.

E aqui vai uma verdade simples, mas libertadora:
ir ao psicólogo não é um sinal de fraqueza, é um ato de coragem.

Coragem de olhar para dentro.
Coragem de se escutar de verdade.
Coragem de admitir que, às vezes, a gente precisa de ajuda para organizar o que sente.

Outro mito comum é imaginar que o psicólogo vai dar conselhos prontos, como quem entrega respostas numa bandeja.


Mas não… a psicoterapia não é sobre isso.

Ela é um espaço.


Um encontro.


Um lugar onde você pode ser quem é, sem máscaras, sem julgamentos, sem precisar parecer forte o tempo todo.

Na Abordagem Centrada na Pessoa, que guia meu trabalho, acreditamos que você já carrega dentro de si recursos valiosos.


A terapia não cria você… ela revela você.

E talvez seja por isso que tanta gente tem medo.
Porque se encontrar… nem sempre é confortável.

Mas é transformador.

 

Outro dia, um cliente me disse:
“Eu achava que vir aqui era sinal de que eu tinha perdido o controle… hoje percebo que foi a primeira vez que comecei a assumir ele.”

 

E essa frase ficou.

Porque, no fundo, o maior mito sobre a psicoterapia…
é pensar que ela é sobre fraqueza.

Quando, na verdade, ela é sobre verdade.

Sobre se permitir sentir.


Sobre entender suas escolhas.


Sobre ressignificar dores.


Sobre aprender a viver com mais consciência.

E eu te pergunto, com respeito e sinceridade:

 

quantas decisões você tem tomado baseado em mitos… e não naquilo que você realmente precisa?

Talvez você não precise esperar “ficar pior”.
Talvez você não precise dar conta de tudo sozinho.
Talvez você só precise… começar.

A psicoterapia não é um fim.


É um caminho.

E, quem sabe, o primeiro passo não seja resolver tudo…
mas apenas permitir-se conversar.

 



Entre Alianças, Ausências e Liberdade: Confissões de Quem Aprendeu a Ser “À Toa”



Já fui solteiro.
Já fui casado.
Já fui divorciado.
E hoje… sou “à toa”.

Mas não se engane com a leveza dessa expressão.
Ser “à toa”, para mim, não é ausência de propósito — é presença de consciência.

Na juventude da solteirice, havia um mundo inteiro pulsando diante de mim. Liberdade com gosto de novidade. Madrugadas que pareciam eternas, risos que ecoavam sem compromisso, decisões tomadas no impulso de quem ainda não conhecia o peso das consequências. Ser solteiro é, ao mesmo tempo, um voo e uma vertigem. A gente experimenta o doce da autonomia… e, às vezes, o amargo da solidão silenciosa que chega sem avisar.

Depois, fui casado.
Ah… o casamento.

Uma construção diária entre o amor e o atrito. Entre o “nós” e o “eu”. Há beleza em dividir a vida — no café compartilhado, nos planos traçados a dois, na sensação de ter um porto seguro. Mas há também os desencontros, os silêncios mal interpretados, as expectativas não ditas que se tornam cobranças. Casar é aprender que amar não basta… é preciso sustentar, dialogar, ceder, crescer. E nem sempre estamos prontos para isso.

Então, fui divorciado.
E o divórcio… é um tipo peculiar de espelho.

Ele nos obriga a encarar o que fomos, o que não fomos e o que jamais seremos naquela história. Há dor, há ruptura, há um certo luto pelo que poderia ter sido. Mas também há libertação. Um recomeço que chega tímido, pedindo licença, enquanto a gente tenta reorganizar os pedaços da própria identidade.

E hoje… sou “à toa”.

Acordo, trabalho, ganho meu dinheiro, organizo minhas coisas, cuido de mim. Rio sozinho, penso demais, às vezes me perco em lembranças que aquecem… outras que ainda apertam. Olho para trás e, confesso, dou risada. Não de deboche, mas de entendimento. Como quem finalmente compreende a própria história.

Há momentos de saudade, sim.
Mas há, sobretudo, uma pergunta que ecoa:
quanto tempo eu perdi tentando caber em expectativas que não eram minhas?

Ser “à toa” é, para mim, um estilo de vida que muitos não compreendem.
É viver em paz com a própria rotina.
É não precisar provar nada a ninguém.
É escolher o silêncio quando o mundo exige barulho.
É ter liberdade sem culpa e companhia sem dependência.

Curiosamente, muitos olham e não entendem.
Confundem paz com vazio.
Independência com solidão.
Escolha com fuga.

Mas há uma diferença profunda entre estar perdido… e estar livre.

Hoje, eu não fujo da vida.
Eu a encaro — com menos pressa, menos ilusão e mais verdade.

E talvez o maior desafio não seja casar, divorciar ou permanecer solteiro.
O maior desafio é este:

em qual dessas versões de si mesmo você está vivendo… por escolha, e não por medo?

Porque, no fim, não é sobre o estado civil.
É sobre o estado de consciência.

E você…
tem vivido por decisão… ou apenas tem acontecido para si mesmo?