A Cruz
Há
algo profundamente inquietante acontecendo diante dos nossos olhos…
E
talvez o mais assustador seja perceber que muitos já não conseguem enxergar.
A
Cruz ficou vazia para que o homem pudesse ser cheio de graça.
Mas
o homem esvaziou a graça e voltou a carregar pedras.
O
Cristianismo nasceu em meio à dor, ao amor e ao sacrifício.
Nasceu
entre pobres, feridos, marginalizados, prostitutas, pescadores e pecadores.
Jesus
nunca construiu palanques.
Construiu
pontes.
Mas
o que fizeram com o Evangelho?
Transformaram
púlpitos em trincheiras ideológicas.
Transformaram
a Igreja em arena política.
Transformaram
irmãos em inimigos por causa de partidos.
E
agora medem espiritualidade pela cartilha ideológica que alguém carrega no
bolso.
Se
Cristo voltasse hoje… talvez fosse novamente rejeitado pelos religiosos.
Porque
Jesus jamais foi refém de direita ou esquerda.
Ele
confrontou os dois lados quando ambos perderam a humanidade.
Confrontou
sacerdotes que exploravam a fé.
Fariseus
que transformavam religião em vaidade espiritual.
Homens
que sabiam citar as Escrituras, mas não sabiam amar.
E
talvez hoje Ele entrasse em muitos templos e repetisse as mesmas palavras:
“Vocês
falam de Deus, mas esqueceram do próximo.”
A
Cruz virou símbolo de disputa.
Símbolo
de poder.
Símbolo
de barganha emocional e política.
Quem
pensa diferente é chamado de herege.
Quem
questiona é tratado como rebelde.
Quem
não se curva à ideologia dominante é rotulado de endemoniado, perdido, filho do
diabo.
Mas
desde quando Cristo pediu uniformidade política para oferecer salvação?
A
pergunta que ecoa é dolorosa:
O
que fizeram com a essência do Cristianismo?
Porque
a essência do Evangelho nunca foi o ódio.
Nunca
foi o fanatismo.
Nunca
foi a idolatria política travestida de santidade.
A
essência do Cristianismo é amor.
Amar
a Deus acima de todas as coisas.
E
amar o próximo como a si mesmo.
Sim…
amar até quem pensa diferente.
Até
quem vota diferente.
Até
quem interpreta a vida de outra maneira.
A
Cruz não foi levantada para dividir homens.
Foi
levantada para reconciliá-los.
Ela
não representa domínio.
Representa
entrega.
Não
representa violência.
Representa
perdão.
Não
representa arrogância religiosa.
Representa
graça.
Enquanto
muitos disputam quem está “mais certo”, o mundo sangra emocionalmente.
Pessoas
continuam deprimidas.
Famílias
continuam destruídas.
Jovens
continuam perdidos.
E
muitos cristãos continuam mais preocupados em defender políticos do que em
defender vidas.
Talvez
os reformadores da Igreja chorassem ao ver o que parte do Cristianismo se
tornou.
Porque
a Reforma nunca foi um chamado ao orgulho religioso.
Foi
um grito de retorno à essência.
E
a essência sempre foi Cristo.
Não
a vaidade humana.
Não
os títulos.
Não
o espetáculo.
Não
os interesses escondidos atrás de discursos “santos”.
A
Cruz continua vazia.
Mas
talvez os corações estejam cheios demais de si mesmos para compreender seu
significado.
A
Cruz fala de renúncia.
De
humildade.
De
misericórdia.
De
compaixão.
De
perdão.
Ela
não aponta para um partido.
Aponta
para um Reino.
E
talvez esteja faltando coragem para admitir:
em
muitos momentos, usamos o nome de Deus para defender nossos próprios
interesses.
Deus
tenha compaixão desta sociedade.
Porque
o Cristo que morreu na Cruz ainda continua procurando homens e mulheres capazes
de amar mais do que atacar…
servir
mais do que dominar…
e
acolher mais do que condenar.
E
talvez a maior conversão que precise acontecer hoje…
seja
dentro da própria religião.
Acimarley
Freitas
Filósofo,
Psicólogo e Teólogo
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