Psicologa Organizacional

14 de abril de 2026

 


AGRESSIVIDADE: CONCEITOS, ORIGENS E IMPLICAÇÕES NA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA NO TRÂNSITO

 

Por Acimarley Freitas

RESUMO

 

A agressividade é um fenômeno psicológico complexo, presente em diferentes contextos da vida humana, podendo manifestar-se de forma adaptativa ou desadaptativa. Este estudo tem como objetivo analisar o conceito de agressividade, suas origens, classificações (diminuída, adequada e aumentada) e suas implicações na avaliação psicológica, especialmente no contexto do trânsito, conforme diretrizes do Conselho Federal de Psicologia. Trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica, baseada em referenciais teóricos nacionais e internacionais, incluindo manuais diagnósticos como o DSM-5-TR e a CID-11. Os resultados indicam que tanto a agressividade exacerbada quanto a diminuída podem comprometer o funcionamento psicossocial e a segurança no trânsito, justificando decisões como a inaptidão temporária. Discute-se ainda a normalidade da agressividade, suas relações com transtornos mentais e possibilidades de intervenção psicoterapêutica e farmacológica.

 

PALAVRAS-CHAVE

Agressividade; Psicologia do Trânsito; Personalidade; Avaliação Psicológica; Comportamento.

 

 

INTRODUÇÃO

A agressividade constitui um dos aspectos mais discutidos no campo da psicologia, sendo compreendida tanto como um componente inerente à natureza humana quanto como um possível indicador de desajuste psicológico. No contexto contemporâneo, especialmente nas relações interpessoais e no trânsito, sua manifestação pode assumir proporções significativas, impactando a segurança e a convivência social.

No âmbito da Psicologia do Trânsito, a avaliação da agressividade ganha destaque, sobretudo a partir da Resolução CFP nº 001/2019, que estabelece critérios para a identificação de traços de personalidade que possam comprometer a condução segura de veículos.

Dessa forma, compreender a agressividade em suas múltiplas dimensões torna-se essencial para a prática profissional do psicólogo.

 

METODOLOGIA

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, realizada a partir de livros, artigos científicos, resoluções normativas e manuais diagnósticos reconhecidos internacionalmente, como o DSM-5-TR e a CID-11.

Foram selecionadas obras de autores clássicos e contemporâneos da psicologia, bem como documentos oficiais do Conselho Federal de Psicologia, com o objetivo de fundamentar teoricamente a discussão proposta.

 

OBJETIVOS

 

Objetivo Geral

Analisar o fenômeno da agressividade e suas implicações na avaliação psicológica no contexto do trânsito.

 

Objetivos Específicos

Definir o conceito de agressividade;

Investigar sua origem e desenvolvimento;

Classificar a agressividade em níveis (diminuída, adequada e aumentada);

Relacionar agressividade com transtornos mentais;

Discutir intervenções terapêuticas;

Analisar a aplicação prática conforme a Resolução CFP nº 001/2019.

 

JUSTIFICATIVA

A crescente incidência de comportamentos agressivos nas relações sociais e no trânsito evidencia a necessidade de aprofundamento teórico sobre o tema. Além disso, a atuação do psicólogo do trânsito exige critérios técnicos rigorosos para avaliação de traços de personalidade, justificando a relevância deste estudo para a prática profissional e para a promoção da segurança coletiva.

 

REFERENCIAL TEÓRICO

1. Conceito e Definição de Agressividade

Segundo Sigmund Freud, a agressividade está relacionada à pulsão de morte (Thanatos), sendo uma força inerente ao ser humano. Já Konrad Lorenz a compreende como um instinto biológico voltado à sobrevivência.

Para Albert Bandura, a agressividade é aprendida socialmente, por meio da observação e imitação (Teoria da Aprendizagem Social).

 

2. Origem da Agressividade

A agressividade possui múltiplas origens:

Biológica (neurotransmissores, genética);

Psicológica (frustrações, conflitos internos);

Social (modelos familiares, cultura, ambiente).

 

3. Classificação da Agressividade

Agressividade Diminuída: passividade excessiva, dificuldade de autoafirmação;

Agressividade Adequada: assertividade, defesa saudável de limites;

Agressividade Aumentada: impulsividade, hostilidade, comportamentos violentos.

 

 

4. Agressividade e Psicopatologia

De acordo com o DSM-5-TR e a CID-11, a agressividade aumentada pode estar associada a:

 

Transtorno de Personalidade Antissocial;

Transtorno Explosivo Intermitente;

Transtornos de Humor;

Transtornos relacionados ao uso de substâncias.

 

Já a agressividade diminuída pode estar presente em:

Depressão;

Transtornos de ansiedade;

Transtorno de personalidade evitativa.

 

5. Agressividade: Normal ou Patológica?

A agressividade, em níveis adequados, é considerada normal e necessária, pois contribui para a autopreservação. Torna-se patológica quando compromete o funcionamento social e emocional.

 

6. Tratamento

Psicoterapia: especialmente abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental e a Abordagem Centrada na Pessoa;

Farmacologia: uso de estabilizadores de humor, antidepressivos ou antipsicóticos, conforme avaliação psiquiátrica.

 

RESULTADOS

Os dados analisados indicam que tanto níveis elevados quanto reduzidos de agressividade podem comprometer significativamente a adaptação do indivíduo, especialmente em contextos que exigem tomada de decisão rápida, como o trânsito.

 

DISCUSSÃO

Conforme a Resolução CFP nº 001/2019, indivíduos com agressividade aumentada ou diminuída podem ser considerados inaptos temporariamente, devido aos riscos associados.

 

Exemplos Práticos (Fictícios)

Trabalho: um indivíduo com agressividade aumentada reage com explosões verbais a críticas, gerando conflitos constantes.

Família: comportamento agressivo físico ou verbal diante de frustrações.

Vida social: dificuldade em manter vínculos devido à hostilidade.

Futebol: torcedor que se envolve em brigas após derrota do time.

Política: incapacidade de dialogar com opiniões divergentes, recorrendo a ataques pessoais.

Por outro lado:

Agressividade diminuída:

Incapacidade de se posicionar no trabalho;

Submissão em relações abusivas;

Dificuldade de reação em situações de risco no trânsito.

Esses padrões comprometem a segurança e justificam a decisão técnica de inaptidão temporária.

 

CONCLUSÃO

A agressividade é um fenômeno multifacetado, essencial à sobrevivência humana, mas que, em níveis disfuncionais, pode gerar prejuízos significativos. No contexto da Psicologia do Trânsito, sua avaliação é fundamental para garantir a segurança individual e coletiva.

A Resolução CFP nº 001/2019 oferece respaldo técnico para decisões profissionais, reforçando a importância de uma análise criteriosa e ética. Intervenções psicoterapêuticas e, quando necessário, farmacológicas, mostram-se eficazes na regulação desse traço.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed, 2022.

 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CID-11: Classificação Internacional de Doenças. Genebra: OMS, 2019.

 

BANDURA, Albert. Aggression: A Social Learning Analysis. New Jersey: Prentice Hall, 1973.

 

FREUD, Sigmund. Além do Princípio do Prazer. Rio de Janeiro: Imago, 1920.

 

LORENZ, Konrad. A Agressão: Uma História Natural do Mal. São Paulo: Martins Fontes, 1966.

 

Conselho Federal de Psicologia. Resolução nº 001/2019.


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