AGRESSIVIDADE:
CONCEITOS, ORIGENS E IMPLICAÇÕES NA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA NO TRÂNSITO
RESUMO
A
agressividade é um fenômeno psicológico complexo, presente em diferentes
contextos da vida humana, podendo manifestar-se de forma adaptativa ou
desadaptativa. Este estudo tem como objetivo analisar o conceito de
agressividade, suas origens, classificações (diminuída, adequada e aumentada) e
suas implicações na avaliação psicológica, especialmente no contexto do
trânsito, conforme diretrizes do Conselho Federal de Psicologia. Trata-se de
uma pesquisa de natureza bibliográfica, baseada em referenciais teóricos
nacionais e internacionais, incluindo manuais diagnósticos como o DSM-5-TR e a
CID-11. Os resultados indicam que tanto a agressividade exacerbada quanto a
diminuída podem comprometer o funcionamento psicossocial e a segurança no
trânsito, justificando decisões como a inaptidão temporária. Discute-se ainda a
normalidade da agressividade, suas relações com transtornos mentais e
possibilidades de intervenção psicoterapêutica e farmacológica.
PALAVRAS-CHAVE
Agressividade;
Psicologia do Trânsito; Personalidade; Avaliação Psicológica; Comportamento.
INTRODUÇÃO
A
agressividade constitui um dos aspectos mais discutidos no campo da psicologia,
sendo compreendida tanto como um componente inerente à natureza humana quanto
como um possível indicador de desajuste psicológico. No contexto contemporâneo,
especialmente nas relações interpessoais e no trânsito, sua manifestação pode
assumir proporções significativas, impactando a segurança e a convivência
social.
No
âmbito da Psicologia do Trânsito, a avaliação da agressividade ganha destaque,
sobretudo a partir da Resolução CFP nº 001/2019, que estabelece critérios para
a identificação de traços de personalidade que possam comprometer a condução
segura de veículos.
Dessa
forma, compreender a agressividade em suas múltiplas dimensões torna-se
essencial para a prática profissional do psicólogo.
METODOLOGIA
Este
estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, realizada a partir de
livros, artigos científicos, resoluções normativas e manuais diagnósticos
reconhecidos internacionalmente, como o DSM-5-TR e a CID-11.
Foram
selecionadas obras de autores clássicos e contemporâneos da psicologia, bem
como documentos oficiais do Conselho Federal de Psicologia, com o objetivo de
fundamentar teoricamente a discussão proposta.
OBJETIVOS
Objetivo
Geral
Analisar
o fenômeno da agressividade e suas implicações na avaliação psicológica no
contexto do trânsito.
Objetivos
Específicos
Definir
o conceito de agressividade;
Investigar
sua origem e desenvolvimento;
Classificar
a agressividade em níveis (diminuída, adequada e aumentada);
Relacionar
agressividade com transtornos mentais;
Discutir
intervenções terapêuticas;
Analisar
a aplicação prática conforme a Resolução CFP nº 001/2019.
JUSTIFICATIVA
A
crescente incidência de comportamentos agressivos nas relações sociais e no
trânsito evidencia a necessidade de aprofundamento teórico sobre o tema. Além
disso, a atuação do psicólogo do trânsito exige critérios técnicos rigorosos
para avaliação de traços de personalidade, justificando a relevância deste
estudo para a prática profissional e para a promoção da segurança coletiva.
REFERENCIAL
TEÓRICO
1.
Conceito e Definição de Agressividade
Segundo
Sigmund Freud, a agressividade está relacionada à pulsão de morte (Thanatos),
sendo uma força inerente ao ser humano. Já Konrad Lorenz a compreende como um
instinto biológico voltado à sobrevivência.
Para
Albert Bandura, a agressividade é aprendida socialmente, por meio da observação
e imitação (Teoria da Aprendizagem Social).
2.
Origem da Agressividade
A
agressividade possui múltiplas origens:
Biológica
(neurotransmissores, genética);
Psicológica
(frustrações, conflitos internos);
Social
(modelos familiares, cultura, ambiente).
3.
Classificação da Agressividade
Agressividade
Diminuída: passividade excessiva, dificuldade de autoafirmação;
Agressividade
Adequada: assertividade, defesa saudável de limites;
Agressividade
Aumentada: impulsividade, hostilidade, comportamentos violentos.
4.
Agressividade e Psicopatologia
De
acordo com o DSM-5-TR e a CID-11, a agressividade aumentada pode estar
associada a:
Transtorno
de Personalidade Antissocial;
Transtorno
Explosivo Intermitente;
Transtornos
de Humor;
Transtornos
relacionados ao uso de substâncias.
Já a
agressividade diminuída pode estar presente em:
Depressão;
Transtornos
de ansiedade;
Transtorno
de personalidade evitativa.
5.
Agressividade: Normal ou Patológica?
A
agressividade, em níveis adequados, é considerada normal e necessária, pois
contribui para a autopreservação. Torna-se patológica quando compromete o
funcionamento social e emocional.
6.
Tratamento
Psicoterapia:
especialmente abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental e a Abordagem
Centrada na Pessoa;
Farmacologia:
uso de estabilizadores de humor, antidepressivos ou antipsicóticos, conforme
avaliação psiquiátrica.
RESULTADOS
Os
dados analisados indicam que tanto níveis elevados quanto reduzidos de
agressividade podem comprometer significativamente a adaptação do indivíduo,
especialmente em contextos que exigem tomada de decisão rápida, como o
trânsito.
DISCUSSÃO
Conforme
a Resolução CFP nº 001/2019, indivíduos com agressividade aumentada ou
diminuída podem ser considerados inaptos temporariamente, devido aos riscos
associados.
Exemplos
Práticos (Fictícios)
Trabalho:
um indivíduo com agressividade aumentada reage com explosões verbais a
críticas, gerando conflitos constantes.
Família:
comportamento agressivo físico ou verbal diante de frustrações.
Vida
social: dificuldade em manter vínculos devido à hostilidade.
Futebol:
torcedor que se envolve em brigas após derrota do time.
Política:
incapacidade de dialogar com opiniões divergentes, recorrendo a ataques
pessoais.
Por
outro lado:
Agressividade
diminuída:
Incapacidade
de se posicionar no trabalho;
Submissão
em relações abusivas;
Dificuldade
de reação em situações de risco no trânsito.
Esses
padrões comprometem a segurança e justificam a decisão técnica de inaptidão
temporária.
CONCLUSÃO
A
agressividade é um fenômeno multifacetado, essencial à sobrevivência humana,
mas que, em níveis disfuncionais, pode gerar prejuízos significativos. No
contexto da Psicologia do Trânsito, sua avaliação é fundamental para garantir a
segurança individual e coletiva.
A
Resolução CFP nº 001/2019 oferece respaldo técnico para decisões profissionais,
reforçando a importância de uma análise criteriosa e ética. Intervenções
psicoterapêuticas e, quando necessário, farmacológicas, mostram-se eficazes na
regulação desse traço.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
AMERICAN PSYCHIATRIC
ASSOCIATION. DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.
Porto Alegre: Artmed, 2022.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE.
CID-11: Classificação Internacional de Doenças. Genebra: OMS, 2019.
BANDURA, Albert. Aggression: A
Social Learning Analysis. New Jersey: Prentice Hall, 1973.
FREUD, Sigmund. Além do
Princípio do Prazer. Rio de Janeiro: Imago, 1920.
LORENZ, Konrad. A Agressão:
Uma História Natural do Mal. São Paulo: Martins Fontes, 1966.
Conselho Federal de
Psicologia. Resolução nº 001/2019.
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