Psicologa Organizacional

23 de setembro de 2026


 

MOBILIDADE, TRÂNSITO E PESSOAS

 

Vivemos a geração da pressa.

 

Todo mundo está ocupado.

Todo mundo está atrasado.

Todo mundo diz que não tem tempo.

 

E, quando entramos no trânsito, parece que levamos essa pressa conosco.

 

O trânsito não é apenas um conjunto de veículos circulando por uma via.

O trânsito é um encontro de pessoas.

 

Pessoas com histórias, necessidades, preocupações, emoções e diferentes maneiras de perceber o mundo.

 

A carreta tem seu tamanho, seu peso, seu espaço e suas limitações. Precisa de distância, tempo e atenção.

 

O caminhão tem suas responsabilidades.

 

O ônibus carrega mais do que passageiros: carrega vidas e também uma importante função social.

 

A caminhonete tem suas características e seus limites.

 

O automóvel tem sua função, mas não possui o direito de transformar a via pública em espaço particular.

 

A motocicleta, seja de baixa ou alta cilindrada, exige atenção, equilíbrio, prudência e respeito aos demais.

 

A bicicleta também é um meio de transporte.

E o ciclista também é parte do trânsito.

 

E existe aquele que muitas vezes esquecemos:

 

o pedestre.

 

Aquele que não está protegido por uma carroceria, um capacete ou um cinto de segurança.

 

E temos ainda os novos meios de mobilidade, especialmente os veículos e equipamentos elétricos, que chegam rapidamente às nossas ruas e desafiam legislação, fiscalização, infraestrutura e, principalmente, a nossa capacidade de convivência.

 

Mas existe uma questão ainda maior:

 

não basta criar meios de transporte. É preciso formar pessoas para utilizá-los.

 

Porque tecnologia sem consciência pode aumentar o risco.

 

Uma pessoa sem conhecimento das regras, sem percepção dos próprios limites e sem respeito pela vida pode transformar um simples deslocamento em uma situação de perigo para si e para os outros.

 

E os desafios não terminam aí.

 

Temos uma infraestrutura urbana que precisa ser constantemente aprimorada.

 

Temos estradas rurais que ainda precisam de atenção.

 

Temos sinalização que precisa ser respeitada e, quando necessário, melhorada.

 

Temos regras de trânsito que precisam ser conhecidas, compreendidas e praticadas.

 

Temos fiscalização e mecanismos de responsabilização que precisam acompanhar as transformações da mobilidade.

 

Mas talvez o maior desafio seja outro.

 

Como transformar o trânsito em um espaço de convivência e não em um campo de disputa?

 

Porque chegar cinco minutos antes não deveria valer mais do que chegar vivo.

 

Ter preferência não significa ter o direito de colocar outra vida em risco.

 

Estar com pressa não elimina a responsabilidade.

 

Ter um veículo maior não dá mais direito à vida.

 

Ter um veículo menor não significa ser invisível.

 

E estar certo, muitas vezes, não significa que precisamos provar isso da maneira mais perigosa possível.

 

No trânsito, existe algo que deveria estar acima da pressa, da razão, da preferência, do orgulho e da disputa:

 

A VIDA.

 

Mobilidade não deveria significar apenas conseguir chegar.

 

Deveria significar chegar com segurança.

 

Porque atrás de cada volante, de cada guidão, de cada bicicleta e de cada pessoa que atravessa uma rua, existe uma história.

 

E toda história merece continuar.

 

E você?

 

Quando entra no trânsito, o que tem levado consigo?

 

A pressa?

 

A irritação?

 

A disputa?

 

Ou a consciência de que, do outro lado da via, também existe alguém tentando chegar em casa?

 

O trânsito que queremos começa no comportamento que escolhemos ter.

 

Acimarley Freitas

Psicólogo: Clínico e Transito;   Professor

Nenhum comentário:

Postar um comentário