Psicologa Organizacional

29 de julho de 2026

 



DEUS DO IMPOSSÍVEL

 

Por Acimarley Freitas

 

Quando tudo diz que não existe saída,

Quando a força humana já não pode alcançar,

Eu me lembro do Deus que abre o Mar Vermelho,

Que faz o impossível diante dos meus olhos brilhar.

 

A fé é a certeza do que ainda não vejo,

Convicção do eterno que o céu preparou.

Quem confia na Palavra nunca anda sozinho,

Pois o Deus dos milagres jamais nos deixou.

 

Se a promessa nasceu no coração do Pai,

Nem o tempo, nem a dor poderão impedir.

O Deus que escreve a história com as próprias mãos

Sempre honra quem escolhe nele prosseguir.

 

Refrão

Tu és o Deus do impossível!

O Autor da vida, o Grande Eu Sou.

Pela fé eu caminho, sem olhar o vento,

Porque Tua Palavra nunca falhou.

 

Tu és o Deus do impossível!

Minha esperança, minha canção.

Hebreus onze vive dentro da minha alma:

A fé é vitória, é ressurreição!

 

Pedro Freitas, meu milagre prometido,

Rocha firme edificada pelo Senhor.

Cheio de graça, sabedoria e esperança,

Nasceu para viver os sonhos do Criador.

 

Que seus passos sejam luz por onde andar,

Que a verdade seja o mapa do viver.

Com humildade e coragem todos os dias,

Que aprenda somente ao Teu querer.

 

Augusto Freitas, ao Senhor consagrado,

Separado para servir ao Rei dos reis.

Que lidere com justiça e mansidão,

Guardando o coração na Tua santa lei.

 

Com temor, pureza e santo compromisso,

Seja exemplo onde a vida o conduzir.

Que a Tua voz seja sua maior riqueza,

E Teu Espírito o ensine a decidir.

 

Como leões irão crescer,

Fortes na graça e no poder.

Sábios, tementes a caminhar,

Ninguém poderá os derrotar.

 

Tua Palavra os sustentará,

Tua presença os conduzirá.

De geração em geração,

Pertencerão ao Teu coração.

 

 

Pedro e Augusto, consolos da minha alma,

Presentes vivos que o céu me confiou.

Eu os entrego diante do Teu altar,

Ao Deus eterno que sempre me amou.

 

Deus é fiel! Deus é fiel!

Sua aliança permanecerá.

No Seu amor devemos confiar,

Sua promessa jamais falhará.

 

Aleluia! Aleluia!

Toda honra pertence ao Senhor.

Do impossível nasce o milagre,

Da fé floresce o eterno amor.

 

O Deus que começou a boa obra é fiel para completar.

E enquanto houver fôlego em meu peito, eu cantarei:

 

Grande é o Senhor!

Grande é o Seu poder!

Pedro e Augusto pertencem a Ti.

Nossa casa servirá ao Senhor para sempre. Amém!


 


No Jardim da Alma

 

Hoje fui passear no meu jardim e, de forma surpreendente, meus olhos encontraram essa linda rosa. Sua cor intensa parecia desafiar a monotonia dos dias, enquanto seu desabrochar delicado anunciava que a beleza da vida nunca deixa de florescer para quem aprende a contemplá-la. Naquele instante, compreendi que Deus escreve sermões silenciosos através da natureza: uma rosa não tem pressa para abrir suas pétalas, mas, quando chega o tempo certo, revela toda a sua majestade. Assim também é a nossa caminhada. Há estações de espera, de poda e de lágrimas, mas chega o dia em que a esperança floresce com vigor, provando que a vida sempre encontra um jeito de renascer. Afinal, quem cultiva o coração com fé descobre que, mesmo entre os espinhos, Deus continua fazendo nascer jardins.

 

Acimarley Freitas





 

O Abraço Cura

 

 

Vivemos na era das mensagens instantâneas, dos emojis de afeto e das chamadas de vídeo. Nunca foi tão fácil dizer "estou com você". Ainda assim, nunca houve tantas pessoas desejando, em silêncio, apenas um abraço.

 

O abraço é uma linguagem que dispensa palavras. Ele não pergunta qual foi o tamanho da dor, nem exige explicações. Apenas envolve, acolhe e permanece.

 

Há abraços que não resolvem os problemas, mas devolvem forças para enfrentá-los. Há abraços que não eliminam as lágrimas, mas fazem com que elas deixem de ser solitárias. Há abraços que não mudam o passado, porém transformam o presente.

 

Quando uma mãe abraça um filho, quando um amigo acolhe outro em silêncio, quando um casal se reencontra depois de um dia difícil, algo invisível acontece. O coração desacelera, a ansiedade perde espaço e a alma encontra um lugar seguro para descansar.

 

Talvez o mundo precise de menos julgamentos e de mais abraços. Menos discursos e mais presença. Porque existem dores que a razão não alcança, mas que o afeto consegue tocar.

 

Nem todos têm o privilégio de receber um abraço todos os dias. Por isso, quando tiver a oportunidade, abrace com sinceridade. Não abrace por obrigação, abrace por amor. Faça daquele instante um refúgio para quem está cansado de lutar.

 

O abraço não substitui a fé, não ocupa o lugar da psicoterapia quando ela é necessária e nem elimina todos os sofrimentos da vida. Mas ele pode ser o primeiro passo para lembrar alguém de que não está sozinho.

 

No fim das contas, todos nós carregamos cicatrizes invisíveis. E, muitas vezes, aquilo que parece um simples gesto é, na verdade, um remédio para a alma.

 

Sim... o abraço cura. Não porque apaga a dor, mas porque faz o amor falar sem precisar dizer uma única palavra.

 

Acimarley Freitas

Psicólogo Clínico

 CRP 04/54732


23 de julho de 2026


 

Quando a Liberdade Encontrou a Bíblia: Um Diálogo Sobre a Consciência

 

Naquela noite, o silêncio parecia pensar.

 

Foi então que três antigas companheiras se encontraram à sombra de uma velha figueira: a Liberdade, a Consciência e a Bíblia.

 

A primeira a falar foi a Liberdade.

 

— Dizem que fui criada para romper correntes. Mas, curiosamente, muitos usam o meu nome para justificar tudo o que desejam fazer. Confundem-me com a ausência de limites. Esqueceram que a verdadeira liberdade também sabe dizer "não".

 

A Consciência sorriu discretamente.

 

— Eu conheço bem esse problema. Quase todos afirmam ouvir a minha voz, mas poucos permanecem em silêncio o suficiente para escutá-la. Muitos preferem o barulho das opiniões ao sussurro da reflexão.

 

A Bíblia permaneceu em silêncio por alguns instantes.

 

Depois respondeu:

 

— Também falam muito em meu nome. Alguns me transformam em arma para condenar. Outros me ignoram completamente. Há quem me cubra de tradições, dogmas e doutrinas, como se a verdade precisasse de tantas camadas para sobreviver.

 

A Liberdade olhou para a Bíblia e perguntou:

 

— Então, onde termina a fé e começam as interpretações humanas?

 

A Bíblia respondeu com serenidade:

 

— Cada geração procura compreender a verdade a partir de sua história. O problema não está em interpretar, mas em acreditar que toda interpretação é perfeita. A Palavra é eterna; os olhos que a leem continuam sendo humanos.

 

A Consciência aproximou-se das duas.

 

— Talvez seja por isso que tantas pessoas vivem em conflito. Uns obedecem por medo. Outros rejeitam tudo em nome da autonomia. Poucos conseguem unir convicção e humildade.

 

O vento soprou entre os galhos.

 

Depois de alguns instantes, a Liberdade fez a pergunta que parecia ecoar desde o início dos tempos:

 

— Afinal... onde fica a razão?

 

A Consciência respondeu:

 

— A razão não mora nos extremos. Ela não floresce no fanatismo, nem no relativismo absoluto. Ela nasce quando o ser humano tem coragem de pensar, de ouvir, de questionar e, ao mesmo tempo, de reconhecer que não sabe tudo.

 

A Bíblia completou:

 

— A fé que teme qualquer pergunta torna-se frágil. E a razão que despreza toda transcendência corre o risco de tornar-se arrogante. Ambas precisam caminhar juntas.

 

O silêncio voltou.

 

Não era um silêncio vazio.

 

Era daqueles que fazem nascer perguntas maiores do que as respostas.

 

Enquanto as estrelas iluminavam a noite, a Liberdade compreendeu que não existia para libertar o homem da verdade, mas para lhe permitir escolhê-la.

 

A Consciência percebeu que sua missão não era acusar, mas iluminar.

 

E a Bíblia continuou aberta, esperando leitores que buscassem mais do que argumentos: buscassem sabedoria.

 

Talvez o grande desafio da existência nunca tenha sido decidir entre liberdade ou fé, entre consciência ou doutrina.

 

O verdadeiro desafio é permitir que a razão seja humilde, que a consciência permaneça desperta, que a liberdade seja responsável e que a fé jamais deixe de ser humana.

 

Porque, no fim, o certo nem sempre é aquilo que simplesmente desejamos, nem apenas aquilo que herdamos.

 

O certo é aquilo que continua de pé quando a liberdade, a consciência, a razão e a verdade conseguem sentar-se à mesma mesa sem que nenhuma delas precise destruir a outra.

 

Acimarley Freitas

22 de julho de 2026


 

Quando a política divide, a Palavra convida à mesa

"Tolerância para com os fracos na fé" 

(Romanos 14)

 

Vivemos um tempo curioso.

Nunca tivemos tantas formas de nos comunicar e, paradoxalmente, talvez nunca tenhamos tido tanta dificuldade para conversar.

Basta abrir uma rede social.

Em poucos minutos surgem discussões acaloradas.

Esquerda.

Direita.

Conservadores.

Progressistas.

Liberais.

Socialistas.

Patriotas.

Globalistas.

Cada lado apresenta argumentos, estatísticas, convicções e interpretações da realidade. Cada grupo acredita possuir as melhores respostas para os problemas do país. Isso faz parte da democracia. Pensar diferente nunca foi um problema.

O problema começa quando deixamos de enxergar pessoas e passamos a enxergar apenas adversários.

Quando uma opinião política passa a valer mais do que a dignidade humana.

Quando o respeito desaparece.

Quando o amor dá lugar ao desprezo.

É justamente nesse contexto que o texto de Romanos 14 soa surpreendentemente atual.

O título dessa passagem não poderia ser mais oportuno:

"Tolerância para com os fracos na fé."

O apóstolo Paulo escrevia para uma igreja profundamente dividida.

Não era uma divisão partidária como a nossa.

Mas era uma divisão de costumes, tradições religiosas, interpretações e convicções pessoais.

Alguns cristãos acreditavam que poderiam comer de tudo.

Outros entendiam que deveriam restringir sua alimentação.

Alguns davam importância especial a determinados dias.

Outros consideravam todos os dias igualmente santos.

O curioso é que Paulo não escolhe um lado.

Ele escolhe algo muito maior.

Escolhe preservar a comunhão.

Ele escreve:

"O que come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come; porque Deus o recebeu."
(Romanos 14:3)

Observe a profundidade desse ensinamento.

Paulo não pede uniformidade.

Ele pede respeito.

Não exige pensamento único.

Exige maturidade.

Depois faz uma pergunta que atravessa os séculos:

"Quem és tu, que julgas o servo alheio?"
(Romanos 14:4)

Talvez essa pergunta também devesse ecoar em nossos dias.

Quem somos nós para cancelar alguém apenas porque votou diferente?

Quem somos nós para concluir que uma pessoa perdeu seu caráter apenas porque possui outra visão econômica, social ou política?

A democracia não nasce da unanimidade.

Ela nasce da convivência entre diferentes.

Nesse ponto, a própria Constituição Federal brasileira oferece um importante ensinamento.

A Constituição de 1988, logo em seu artigo 1º, estabelece como fundamentos da República a cidadania, a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político.

Não por acaso.

Pluralismo significa reconhecer que diferentes ideias podem coexistir dentro do mesmo Estado Democrático de Direito.

Já o artigo 5º assegura a todos a liberdade de consciência, de pensamento, de expressão e de convicção, garantindo que ninguém seja privado de seus direitos por causa de suas opiniões, desde que respeitados os limites constitucionais.

Nossa democracia não foi construída para eliminar diferenças.

Foi construída para protegê-las.

A mesma lógica aparece na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 1948.

Seu artigo 1º afirma:

"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos."

E o artigo 19 reconhece o direito à liberdade de opinião e de expressão.

Esses princípios não existem para proteger apenas aqueles com quem concordamos.

Eles existem principalmente para proteger aqueles de quem discordamos.

Talvez seja exatamente aí que a sociedade esteja enfrentando uma de suas maiores dificuldades.

Estamos aprendendo a defender direitos.

Mas estamos desaprendendo a cultivar respeito.

É interessante observar que Jesus nunca ensinou seus discípulos a vencer debates.

Ele ensinou a amar pessoas.

Quando lhe perguntaram qual era o maior mandamento, Ele respondeu:

"Amarás o Senhor teu Deus... e amarás o teu próximo como a ti mesmo."
(Mateus 22:37-39)

Não acrescentou nenhuma observação dizendo:

"...desde que ele vote igual a você."

Também não disse:

"...desde que pertença ao seu grupo."

"...desde que pense como você."

O amor cristão nunca foi condicionado à concordância.

Isso não significa abandonar princípios.

Nem abrir mão das próprias convicções.

Ter posicionamento é saudável.

O problema começa quando o posicionamento substitui a compaixão.

Quando a ideologia ocupa o lugar da humanidade.

Quando a identidade política se torna mais importante do que a identidade moral.

Talvez seja justamente por isso que Paulo conclui aquele ensino dizendo:

"Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo."
(Romanos 14:5)

Em outras palavras:

Tenha suas convicções.

Estude.

Pense.

Vote.

Participe da vida pública.

Exerça sua cidadania.

Mas não transforme quem pensa diferente em inimigo.

Nenhuma eleição deveria destruir uma amizade verdadeira.

Nenhuma ideologia deveria romper uma família.

Nenhuma preferência partidária deveria justificar ofensas, humilhações ou violência.

O Brasil precisa de cidadãos conscientes.

Mas também precisa de corações equilibrados.

Precisamos aprender que firmeza de princípios não exige agressividade.

Convicção não precisa caminhar ao lado da intolerância.

É possível defender ideias sem desrespeitar pessoas.

É possível discordar sem odiar.

É possível debater sem destruir.

A verdadeira grandeza de uma sociedade não está na ausência de diferenças.

Está na capacidade de conviver com elas.

Romanos 14 continua nos lembrando de uma verdade que permanece atual:

Antes de pertencermos a qualquer partido, pertencemos à humanidade.

Antes de sermos identificados por uma bandeira política, somos chamados à responsabilidade, ao respeito e à dignidade.

E talvez a pergunta mais importante não seja:

"Você é de direita ou de esquerda?"

Talvez a pergunta seja outra:

"As suas palavras têm construído pontes ou levantado muros?"

Porque, no final das contas, a História quase nunca se lembrará do partido que defendíamos.

Mas certamente se lembrará da forma como tratamos as pessoas.

Pense nisso.

Acimarley Freitas