Psicologa Organizacional

6 de março de 2015

Síndrome de Burnout: Nível de Conhecimento entre Profissionais da Educação





O significado da palavra “Burnout” em português é algo parecido com “perder o fogo”, “perder a energia”, ou “queimar-se completamente” (MONTEIRO; SOARES, 2009, p. 5). Os profissionais acometidos por esta síndrome perdem todo o desejo e a alegria de trabalhar, sentem-se “apagados” e vazios.
Segundo Maslach e Jackson (1981 apud, FERNANDES; OLIVEIRA G.; OLIVEIRA S., 2012), a Síndrome de Burnout ocorre com maior frequência em profissionais que lidam com pessoas em seu trabalho, como enfermeiros, médicos, professores, etc., e que exerçam a tarefa de “cuidar”. Esse tipo de cuidado estabelece entre o profissional e o paciente/cliente uma “relação de atenção direta, contínua e altamente emocional” (FERNANDES; OLIVEIRA G.; OLIVEIRA S., 2012, p. 1). Profissionais com grandes cargas de trabalho e grande responsabilidade também estão na lista dos mais atingidos pelo Burnout, pois o trabalho faz com que eles renunciem o tão necessário tempo para o lazer. Porém é importante ressaltar que nenhum trabalhador está imune a essa patologia (CHISTE et al, 2012).
Assim sendo, a Síndrome de Burnout é uma consequência do estresse relacionado ao trabalho (CHISTE et al, 2012). Ela é uma resposta ao estresse laboral crônico (CODO, 2002 apud, MONTEIRO; SOARES, 2009), ou seja, quando o estresse acumulado chega ao auge. Porém existem diferenças entre o Burnout e o estresse. Codo (2002 apud, MONTEIRO; SOARES, 2009) diz que Burnout é uma experiência subjetiva, com atitudes negativas voltadas ao trabalhoJá o estresse é um esgotamento pessoal que pode não ter relação com o trabalho. Porém o estresse ocupacional favorece o indivíduo a obter a Síndrome de Burnout (FRANÇA, 1999 apud, MONTEIRO; SOARES, 2009).
Esta doença possui vários sintomas, porém existe uma classificação dos três principais, que são: exaustão emocional, despersonalização e falta ou diminuição da realização profissional (MASLACH; JACKSON, 1981 apud, SILVA; CARLOTTO, 2003). A exaustão emocional é quando “os trabalhadores sentem que não podem se entregar mais” (SILVA; CARLOTTO, 2003 p. 146), ou seja, é a falta de energia, sobrecarga emocional, sensação de esgotamento emocional e físico (CHISTE et al, 2012). A despersonalização pode ser entendida como “o desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas e de distanciamento para as pessoas destinatárias do trabalho” (SILVA; CARLOTTO, 2003 p. 146). Já a falta ou a diminuição da realização profissional “faz com que os trabalhadores se sintam descontentes consigo mesmos e insatisfeitos com os resultados de seu trabalho” (SILVA; CARLOTTO, 2003 p. 146).
As causas do Burnout são consideradas por Benevides-Pereira (2004 apud, CHISTE et al, 2012), multifatoriais, ou seja, existem vários fatores que influenciam no surgimento e evolução da doença. A maioria das causas estão relacionadas ao ambiente de trabalho, às exigências e tensões sofridas na profissão, a fatores individuais, organizacionais e sociais (CARLOTTO, 2002 apud CHISTE et al, 2012). Esses fatores podem facilitar o processo do estresse ocupacional, que pode dar lugar, futuramente à Síndrome de Burnout (CHISTE et al, 2012).
O surgimento do Burnout é lento, cumulativo e torna-se cada vez mais severo, por isso sua evolução pode levar anos. Por ele não surgir de repente, é difícil percebê-lo cedo (MONTEIRO; SOARES, 2009). Dessa maneira, muitos brasileiros são portadores do Burnout, porém não sabem identificá-lo, pois falta-lhes o conhecimento acerca desta patologia (CHISTE et al, 2012).
O diagnóstico da síndrome é feito através de vários métodos, como “observação, entrevistas, pesquisa de sintomas, relatos de pessoas próximas, verificação dos comportamentos no trabalho, e principalmente utilização de escalas validadas do Burnout, como a escala de Maslach” (MONTEIRO; SOARES, 2009 p. 8). Nesta escala verifica-se o nível de exaustão emocional, envolvimento pessoal no trabalho e despersonalização.
O profissional, ao perceber sintomas semelhantes aos da Síndrome de Burnout, deve procurar um atendimento psicoterapêutico, pois o tratamento da doença é essencialmente feita com psicólogo (JBEILI, 2008 apud, CHISTE et al, 2012). Além do acompanhamento individual, Carlotto (2009 apud, CHISTE et al, 2012) afirma que é importante haver um acompanhamento e tratamento juntamente com a empresa onde esse profissional atua, para que haja a diminuição dos fatores estressantes que acarretam a doença.
Atualmente, as empresas estão em um contexto de evolução e globalização, onde se exige cada vez mais dos funcionários. O cenário do trabalho dentro delas tem mudado constantemente com a entrada de novas tecnologias. Por esta razão as empresas,
[...] buscam trabalhadores qualificados para exercerem suas funções de acordo com as tecnologias, e para tanto estes trabalhadores necessitam estar atentos ao mundo globalizado para conseguir acompanhar o contexto contemporâneo, podendo estar vulnerável ou desenvolver a síndrome (CHISTE et al, 2012 p. 1).
Voltando-se para a área da educação, pode-se dizer que esta situação não é diferente dentro das escolas, onde os professores também sofrem o efeito desta globalização e evolução. É através do acesso rápido e fácil a informações, das tecnologias de comunicação e da constante exposição das pessoas nas redes sociais, que o professor é desafiado em seu papel de educador, onde ele passa a ter que lidar com novas situações a cada momento e onde é constantemente afetado pela mídia que diz ser ele o responsável pelo comportamento dos jovens. (FERNANDES; OLIVEIRA, L. S.; OLIVEIRA, S. M.; 2012). O professor, neste papel de educador, “é para seus alunos uma referência, um exemplo nas suas atitudes, no seu caráter, na maneira de tratar o próximo” (SILVA; CARLOTTO, 2003 p. 145).
Além do fator “tecnologia e globalização”, vários outros fatores favorecem o surgimento do Burnout em professores. Um deles é o fato de suas tarefas não se restringirem apenas ao período em que está em sala de aula, mas a necessidade que eles possuem de preparar aulas e provas, participar de reuniões, fazer diários, entre outras atividades que só são executadas em horários extras (FERNANDES; OLIVEIRA, L. S.; OLIVEIRA, S. M.; 2012). Outro fator importante é a dicotomia entre o trabalho prescrito pelo sistema e exigido pela sociedade, da realidade dos docentes. O professor se depara em seu dia-a-dia com um trabalho muito diferente do idealizado, gerando assim uma crise da identidade docente, um mal-estar docente e sofrimento psíquico (MONTEIRO; SOARES, 2009).
Ainda há muitos outros fatores que contribuem para a propagação da síndrome entre os professores, como baixa remuneração, salas de aula superlotadas, altas cargas horárias, falta de recursos didáticos, falta de compreensão e reconhecimento por parte dos superiores e dos pais, mau comportamento dos alunos, etc (SILVA; CARLOTTO, 2003).
Assim, percebe-se que o ambiente de trabalho e a pressão que os docentes sofrem têm afetado sua saúde psíquica e emocional. O magistério já é, atualmente, uma das profissões de alto risco de incidência do Burnout, pois para os profissionais desta classe a severidade da síndrome é maior (SILVA; CARLOTTO, 2003). O professor, que segundo Carlotto (2002 apud MONTEIRO; SOARES, 2009), é a “pessoa que professa fé e fidelidade aos princípios da instituição e se doa sacerdotalmente aos alunos”, quando acometido pelo Burnout, passa a querer se distanciar destes  alunos, abandonar a docência, sente-se desajustado, incapaz, insatisfeito, culpado pelo insucesso da educação, esgotado, desmotivado, perde o entusiasmo e deseja as férias intensamente (MONTEIRO; SOARES, 2009), sente-se distante dos colegas de trabalho e suas ações tornam-se impessoais e sem afetividade.
Ao acometer um profissional da educação, o Burnout traz consequências não só a este, mas também ao ambiente educacional onde este professor presta seus serviços, interferindo na obtenção dos objetivos pedagógicos, pois este profissional desenvolve um processo de alienação, desumanização e apatia (SILVA; CARLOTTO, 2003). Ou seja, o Burnout traz sofrimento ao professor, aos colegas de trabalho, aos alunos, à escola, ao ensino e até aos familiares do doente, pois em consequência dos sintomas causados pela doença, o profissional pode desenvolver depressão, frustração e até dependência de drogas (CHISTE et al, 2012).
A síndrome de Burnout não é nova. Segundo França (1987, apud SÁ; LEMOS, 2009), encontra-se relatos semelhantes a essa síndrome há mais de vinte anos. Entretanto, atualmente os professores sabem pouco ou nada sobre ela. Fato este confirmado através da pesquisa de Sá e Lemos (2009), que em uma entrevista realizada com trinta e três professores da cidade de Cascavel – PR constatou-se que 51% deles não conheciam nada sobre a doença ou nunca tinham ouvido falar sobre ela.
Outro fato relevante demonstrado através desta pesquisa é que 100% dos docentes entrevistados apontaram ter pelo menos um dos sintomas associados à doença e, exatamente o mesmo percentual, concordou ao afirmar que a indisciplina e o desinteresse dos alunos em relação à aprendizagem é um potencial desencadeador do estresse crônico (SÁ; LEMOS, 2009).
Dos trinta e três entrevistados, 96% concordaram que este estresse crônico leva ao Burnout e que o ambiente de trabalho também favorece o aparecimento desta síndrome, além de 85% afirmar que aguarda ansiosamente o término do dia de trabalho (SÁ; LEMOS, 2009).
Outra pesquisa considerável é a de Fernandes, Oliveira G. e Oliveira S. (2012), que através de uma amostra de trinta e oito professores do município de Barbalha – CE demonstrou um resultado interessante sobre a questão da mudança de profissão, onde 68,4% dos professores disseram preferir manter-se na docência e apenas 26,3% tem o desejo de mudar de profissão. Os outros 5,3% não responderam este item.
Uma pesquisa realizada por Monteiro e Soares (2009) em Teresina – PI, que abordou vinte e seis professores, possui uma pergunta semelhante  à  pesquisa citada acima, de Fernandes, Oliveira G. e Oliveira S., em relação à profissão. Na pesquisa de Monteiro e Soares se é perguntado acerca da satisfação em ser professor, onde 50% dos docentes consideram-se pouco satisfeitos, 42% satisfeitos e 8% insatisfeitos.
Outra pesquisa que remete à mesma questão sobre a mudança de profissão é a de Silva e Carlotto (2003), onde 56,7% das trinta professoras entrevistadas não citaram a intenção em trocar de profissão e 64,5% dos professores também não demonstraram tal desejo. Esta mesma pesquisa trouxe um resultado notável em relação à remuneração dos docentes, onde 90% das mulheres afirmaram que seu salário é apenas um complemento na renda familiar e 32,3% dos homens afirmaram a mesma realidade.
Outro resultado significativo da pesquisa de Silva e Carlotto é em relação ao estresse, onde 83,3% das mulheres disseram sentir que sua profissão causa-lhes estresse  e  67,7%  dos  homens  responderam  que  a  atividade  que  exercem  é estressante.  Os  autores  perceberam  através  das  análises  dos  resultados  duas condições propiciadoras ao surgimento do Burnout, eles notaram que “quanto mais elevada a idade e o tempo de profissão docente, maior a tendência de elevação do nível de desgaste emocional no trabalho” e “quanto maior o exercício profissional, menor é o sentimento de realização no trabalho” (SILVA; CARLOTTO, 2003 p.149).
O objetivo do  presente  estudo  foi  verificar  o  nível  de  conhecimento  dos professores da cidade de Jaru – RO sobre a Síndrome de Burnout; explanar o conceito, os sintomas, as causas, as consequências e o tratamento desta patologia; ressaltar a prevalência  da  Síndrome de Burnout em profissionais  da educação; analisar  os  resultados  da  pesquisa,  observando  os  fatores  apontados  pelos professores  como  mais  estressantes  e  observar,  através  das  respostas  dos entrevistados, sintomas que podem estar associados com o Burnout.

2. Metodologia
2.1 Participantes
Participaram desta pesquisa, de forma voluntária, 20 professores de três escolas públicas, escolhidas aleatoriamente, da cidade de Jaru – RO. Não foi relevante para a pesquisa a idade e o tempo de docência dos profissionais, nem mesmo a faixa etária com a qual trabalham, pois o objetivo era somente verificar o nível de conhecimento da Síndrome de Burnout em uma amostra dos professores de uma maneira geral.
2.2 Material
Foi utilizado para obtenção dos dados um questionário (ANEXO) com perguntas abertas (subjetivas) e perguntas fechadas (objetivas) que foi aplicado em grupo, mas respondido individualmente.
2.3 Procedimento
A primeira escola a ser visitada foi a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Olga Dellaia onde foi apresentado à direção da escola a pesquisa e o seu objetivo. Havendo aceitação em participar, foi realizada a mesma apresentação aos professores, incluindo o questionário. Logo em seguida, foi solicitada a participação voluntária de sete professores.
A segunda escola foi a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Capitão Silvio de Farias, onde foram realizados os mesmos procedimentos  da escola anterior, solicitando também a participação de sete professores.
A terceira e última escola foi a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Plácido de Castro, onde os mesmos procedimentos foram aplicados, solicitando, porém, a participação de apenas seis professores, para que a quantidade de participantes não ultrapasse 20.

Com os questionários respondidos, foram analisadas cada questão, suas frequências e respostas. A seguir, apresenta-se o resultado em forma descritiva e algumas tabelas. Os resultados foram utilizados para a conclusão do trabalho em questão.
3. Resultados
Os dados demonstraram que 70% dos participantes não sabem o que é a Síndrome de Burnout e nunca ouviram falar sobre ela, enquanto 30% responderam que a conhecia, onde apenas um não soube explicar de forma correta o que a síndrome significava. Os participantes que afirmaram conhecer o Burnout, ao serem questionados sobre o que sabiam sobre ele, utilizaram, coincidentemente, vários termos iguais, como pode ser observado na Tabela 1. Destes 30%, alguns citaram relações com a área mental e psíquicas e todos citaram as palavras “profissional, trabalho ou laboral” em suas respostas.
Tabela 1 – Percentual dos termos iguais utilizados pelos professores
Termos Utilizados
%
Esgotamento Profissional
60%
Esgotamento Físico
40%
Depressão
40%
Estresse Profissional
40%
Fonte: Dados coletados pela pesquisa de campo
Quando perguntado se a síndrome tinha relação com o estresse laboral, 35% relataram que sim, 20% disseram que não e os outros 45% não souberam responder, afirmando não terem conhecimento algum sobre a Síndrome de Burnout.
Diante da questão sobre exaustão emocional, 70% disseram não sentir-se exaustos, enquanto 20% responderam que às vezes percebem esta exaustão, 5% mais ou menos, pois se sente desestimulado e desmotivado e os outros 5% não souberam responder. A maioria que respondeu não sentir o emocional exausto alegou ter ainda muito a oferecer ao outro e serem capazes disso.

Ao serem questionados se frequentemente sentem-se distantes dos alunos, 75% responderam que não, muitos deles alegando que possuem relações próximas com os discentes e que gostam da companhia e conversa deles, 20% afirmaram que se sentem distantes dos alunos, tendo uma impressão de que não conseguem uma conexão com eles. Os outros 5% relataram que somente às vezes eles e os alunos estão distantes.
Sobre sentimentos e atitudes negativas em relação ao trabalho, 65% dos participantes relataram não observarem tal característica em si, 5% disseram que às vezes sentem e 30% afirmaram que sim, possuem sentimentos e atitudes negativas em relação ao trabalho, porém por culpa do “sistema”, por este possuir uma cobrança infundada e burocrática sobre os profissionais da educação, relato da maioria que respondeu sim a esta questão.
Voltando-se para si, diante da pergunta sobre descontentamento consigo mesmo, 70% dos professores alegaram estarem contentes, 15% descontentes, 10% às vezes e 5% afirmaram estar descontentes apenas monetariamente. Nesta questão foi solicitado que os participantes descrevessem o porquê de suas respostas. Assim, os que responderam não, disseram gostar do que faz e fazer o melhor, aqueles que responderam sim, alegaram a frustração de um sonho, e os que disseram às vezes, afirmaram que se cobram por pensar que poderiam ter feito mais e melhor.
A última questão aberta perguntava acerca da insatisfação diante dos resultados do trabalho. Era perguntado aos professores se eles sentiam-se insatisfeitos ao ver em que seu trabalho resultava, onde 45% responderam que “às vezes” sentiam insatisfação, 40% disseram que “não” e 15% responderam sem hesitar que “sim”, sentem-se totalmente insatisfeitos com os resultados de seu trabalho. Aos que responderam “sim” e “ás vezes”, foi perguntado o motivo da insatisfação, diante de várias sentenças citadas, as que mais apareceram estão apresentados na Tabela 2 com sua respectiva percentagem.

Tabela 2 – Percentual das sentenças mais citadas como motivo da insatisfação.
Motivo da insatisfação
%
Sentimento de poder ter feito mais
16,7%
Não conseguir atingir os objetivos
25%
Desvalorização profissional
25%
Desmotivação
16,7%
Desinteresse dos alunos
16,7%
Fonte: Dados coletados pela pesquisa de campo
Após as perguntas subjetivas, foi utilizado nesta pesquisa uma Escala de Likert, que pretendia medir o grau de concordância ou discordância dos professores diante da cada sentença. Onde CT significa concordo totalmente, CP concordo parcialmente, NA não concordo e nem discordo, DP discordo parcialmente e DT discordo totalmente. As respostas dos professores podem ser observadas na Tabela 3, a seguir.
Tabela 3 - Percentagem das respostas da escala de Likert.
SENTENÇAS
CT%
CP%
NA%
DP%
DT%
- Conto no relógio os minutos para a aula terminar
5%
25%
5%
20%
45%
- Perdi o entusiasmo inicial que tinha pela docência
15%
35%
5%
20%
25%
- O que mais me irrita são os alunos
0%
15%
5%
30%
50%
- O que mais me irrita é o salário
35%
15%
15%
20%
15%
- O que mais me irrita são os trabalhos em casa
0%
25%
0%
15%
60%
- Meu trabalho tem dado poucos resultados
40%
20%
20%
15%
5%
- Se a Síndrome de Burnout estiver relacionada ao estresse, acredito que posso estar acometido por ela.
10%
15%
5%
5%
65%
- O meu relacionamento com os colegas de trabalho é bom e agradável.
80%
10%
5%
0%
5%
- Tive doenças causadas pela minha profissão.
15%
0%
5%
0%
80%
Fonte: Dados coletados pela pesquisa de campo
4. Discussões e Conclusão
Através dos resultados apresentados pode-se observar que a maioria dos professores realmente não possui conhecimento algum sobre a Síndrome de Burnout, mesmo não sendo um fenômeno novo e estando cada vez mais explícito nos últimos 20 ou 30 anos. Estes dados, portanto, confirmam o que Sá e Lemos (2009 p. 2) diz:
“Burnout não é um fenômeno novo, o que talvez seja novo é o desafio dessa categoria profissional em identificar e declarar o estresse e o burnout sentidos. O professor conhece muito sobre o quê e como ensinar, mas pouco (...) sobre si mesmo”.

Os docentes que afirmam saber o que é a Síndrome de Burnout, na verdade não possuem conhecimento profundo, pois por mais que saibam que é uma síndrome relacionada com o âmbito profissional, muitos a relacionaram com a depressão, citando-a como um sintoma, sendo que o transtorno depressivo é apenas uma possível consequência do Burnout, como afirma Soares e Cunha (2007, apud CHISTE et al., 2012).
Sobre exaustão emocional, uma das dimensões do Burnout, notou-se que a grande parte dos professores não possui. Muitos deles afirmaram que ainda têm muito a oferecer aos seus alunos, fato este que confirma a ausência da exaustão, pois segundo vários autores como Monteiro e Soares (2009), Sá e Lemos (2009) e Silva e Carlotto (2003), a exaustão emocional é quando o profissional sente que não pode mais se entregar, não possui nada mais a oferecer ao outro e seus recursos emocionais esgotam.
Outra dimensão do Burnout é a despersonalização, caracterizada pelo desencadeamento de sentimentos e atitudes negativas relacionadas ao trabalho e distanciamento dos alunos e colegas de profissão (MONTEIRO; SOARES, 2009), onde foi demonstrado que a maioria dos profissionais entrevistados não observaram tais situações em si mesmo, alegando possuírem relacionamento agradável com os colegas de trabalho.
Por fim, a última dimensão do Burnout é a falta de realização profissional, que é classificada como um descontentamento consigo mesmo e insatisfação com os resultados de seu trabalho (SILVA; CARLOTTO, 2003), onde notou-se que a maioria dos professores estão contentes consigo mesmo e somente ás vezes sentem insatisfação referente aos resultados do seu trabalho, enquanto muitos responderam que não possuem tal sentimento. Porém, diante da escala de Likert a maioria dos entrevistados afirmou que o seu trabalho tem dado poucos resultados.
Diante desta mesma escala, pode-se constatar que os professores não contam os minutos para a aula terminar, que segundo Benevides e Pereira (2002, apud SÁ; LEMOS, 2009) esta atitude é um forte sintoma do BurnoutPorém, a maioria respondeu que perdeu o entusiasmo inicial que tinha pela docência, outra atitude forte como sintoma da síndrome.
Sobre o que mais causa irritação, os professores concordaram que não são nem os alunos e nem os trabalhos em casa os fatores mais irritantes, mas sim o salário que recebem, confirmando assim, o que Silva e Carlotto (2003 p. 145) dizem, que “o trabalho é geralmente realizado sob alguns fatores potencialmente estressores como baixos salários”.

Portanto, conclui-se que a amostra de professores entrevistados do município de Jaru – RO não apresentam sintomas da Síndrome de Burnout, apenas alguns deles demonstraram que podem estar acometidos pela doença de uma forma leve. Sendo ela uma séria patologia, é de grande relevância para os professores de Jaru- RO um maior conhecimento acerca do Burnout, mesmo sem apresentarem sintomas da doença. Pois, assim como afirmou Chiste et al. (2012 p. 2):
“Mediante a falta de conhecimento muitos brasileiros que são portadores da Burnout não sabem identificá-la, e por vezes não reconhecem que se trata de uma síndrome, permanecendo assim em constante estresse e exaustão no trabalho, sem buscar ajuda ou auxílio”.
Como citado acima, este não é o caso dos entrevistados nesta pesquisa, porém, mesmo estes necessitam de uma conscientização e melhor esclarecimento sobre a Síndrome de Burnout, pois como Codo (2002, apud MONTEIRO; SOARES, 2009 p. 9) afirmou: “burnout é um dos filhos deste novo tempo”.


1 de março de 2015

Precursor da Grande Reforma



Jerônimo Savonarola

(1452-1498)
O povo de toda a Itália afluía, em número sempre crescente, a Florença. A famosa Duomo não mais comportava as enormes multidões. O pregador, Jerônimo Savonarola, abrasado com o fogo do Espírito Santo e sentindo a iminência do julgamento de Deus, trovejava contra o vício, o crime e a corrupção desenfreada na própria igreja. O povo abandonou a leitura das publicações torpes e mundanas, para ler os sermões do ardente pregador: deixou os cânticos das ruas, para cantar os hinos de Deus. Em Florença, as crianças fizeram procissões, coletando as máscaras carnavalescas, os livros obscenos e todos os objetos supérfluos que serviam à vaidade. Com isso formaram em praça pública uma pirâmide de vinte metros de altura e atearam-lhe fogo. Enquanto o monte ardia, o povo cantava hinos e os sinos da cidade dobravam em sinal de vitória.
Se o ambiente político fosse o mesmo que depois veio a ser na Alemanha, o intrépido e devoto Jerônimo Savonarola teria sido o instrumento usado para iniciar a Grande Reforma, em vez de Martinho Lutero. Apesar de tudo, Savonarola tornou-se um dos ousados e fiéis arautos para conduzir o povo à fonte pura e às verdades apostólicas registradas nas Sagradas Escrituras.
Jerônimo era o terceiro dos sete filhos da família. Nasceu de pais cultos e mundanos, mas de grande influência. Seu avô paterno era um famoso médico na corte do duque de Ferrara e os pais de Jerônimo planejavam que o filho ocupasse o lugar do avô. No colégio, era aluno esmerado. Mas os estudos da filosofia de Platão e de Aristóteles, deixaram-lhe a alma sequiosa. Foram, sem dúvida, os escritos de Tomaz de Aquino que mais o influenciaram (a não ser as próprias Escrituras) a entregar inteiramente o coração e a vida a Deus. Quando ainda menino, tinha o costume de orar e, ao crescer, o seu ardor em orar e jejuar aumentou. Passava horas seguidas em oração. A decadência da igreja, cheia de toda a qualidade de vício e pecado, o luxo e a ostentação dos ricos em contraste com a profunda pobreza dos pobres, magoavam-lhe o coração. Passava muito tempo sozinho, nos campos e à beira do rio Pó, em contemplação perante Deus, ora cantando, ora chorando, conforme os sentimentos que lhe ardiam no peito. Quando ainda jovem, Deus começou a falar-lhe em visões. A oração era a sua grande consolação; os degraus do altar, onde se prostrava horas a fio, ficavam repetidamente molhados de suas lágrimas.
Houve um tempo em que Jerônimo começou a namorar certa moça florentina. Mas quando ela mostrou ser desprezo alguém da sua orgulhosa família Strozzi, unir-se a alguém da família de Savonarola, Jerônimo abandonou para sempre a ideia de casar-se. Voltou a orar com crescente ardor. Enojado do mundo, desapontado acerca dos seus próprios anelos, sem achar uma pessoa compassiva a quem pudesse pedir conselhos, e cansado de presenciar injustiças e perversidades que o cercavam, coisas que não podia remediar, resolveu abraçar a vida monástica.
Ao apresentar-se no convento, não pediu o privilégio de se tornar monge, mas rogou que o aceitassem para fazer os serviços mais vis, da cozinha, da horta e do mosteiro. Na vida do claustro, Savonarola passava ainda mais tempo em oração, jejum e contemplação perante Deus. Sobrepujava todos os outros monges em humildade, sinceridade e obediência, sendo apontado para lecionar filosofia, posição que ocupou até sair do convento.
Depois de passar sete anos no mosteiro de Bolongna, frei (irmão) Jerônimo foi para o convento de São Marcos, em Florença. Grande foi o seu desapontamento ao ver que o povo florentino era tão depravado como o dos demais lugares. (Até então ainda não reconhecia que somente a fé em Deus salva o pecador.)
Ao completar um ano no convento de São Marcos, foi apontado instrutor dos noviciados e, por fim, designado pregador do mosteiro. Apesar de ter ao seu dispor uma excelente biblioteca, Savonarola utilizava-se mais e mais da Bíblia como seu livro de instrução.
Sentia cada vez mais o terror e a vingança do Dia do Senhor que se aproxima e, às vezes, entregava-se a trovejar do púlpito contra a impiedade do povo. Eram tão poucos os que assistiam às suas pregações, que Savonarola resolveu dedicar-se inteiramente à instrução dos noviciados. Contudo, como Moisés, não podia escapar à chamada de Deus!
Certo dia, ao dirigir-se a uma feira, viu, repentinamente, em visão, os céus abertos e passando perante seus olhos todas as calamidades que sobrevirão à igreja. Então lhe pareceu ouvir uma voz do Céu ordenando-lhe anunciar estas coisas ao povo.
Convicto de que a visão era do Senhor, começou novamente a pregar com voz de trovão. Sob a nova unção do Espírito Santo a sua condenação ao pecado era feita com tanto ímpeto, que muitos dos ouvintes depois andavam atordoados sem falar, nas ruas. Era coisa comum, durante seus sermões, homens e mulheres de todas as idades e de todas as classes romperem em veemente choro.
O ardor de Savonarola na oração aumentava dia após dia e sua fé crescia na mesma proporção. Frequentemente, ao orar, caía em êxtase. Certa vez, enquanto sentado no púlpito, sobreveio-lhe uma visão, durante a qual ficou imóvel por cinco horas, quando o seu rosto brilhava, e os ouvintes na igreja o contemplavam.
Em toda a parte onde Savonarola pregava, seus sermões contra o pecado produziam profundo terror. Os homens mais cultos começaram então a assistir às pregações em Florença; foi necessário realizar as reuniões na Duomo, famosa catedral, onde continuou a pregar durante oito anos. O povo se levantava à meia-noite e esperava na rua até a hora de abrir a catedral.
O corrupto regente de Florença, Lorenzo Medici, experimentou todas as formas: a bajulação, as peitas, as ameaças, e os rogos, para induzir Savonarola a desistir de pregar contra o pecado, e especialmente contra a perversidade do regente. Por fim, vendo que tudo era debalde, contratou o famoso pregador, Frei Mariano, para pregar contra Savonarola. Frei Mariano pregou um sermão, mas o povo não prestou atenção à sua eloquência e astúcia, e ele não ousou mais pregar.
Nessa altura, Savonarola profetizou que Lorenzo, o Papa e o rei de Nápoles morreriam dentro de um ano, e assim sucedeu.
Depois da morte de Lorenzo, Carlos VIII, da França, invadiu a Itália e a influência de Savonarola aumentou ainda mais. O povo abandonou a literatura torpe e mundana para ler os sermões do famoso pregador. Os ricos socorriam os pobres em vez de oprimi-los. Foi neste tempo que o povo fez a grande fogueira, na "piazza" de Florença e queimou grande quantidade de artigos usados para alimentar vícios e vaidade. Não cabia mais, na grande Duomo, o seu imenso auditório.
Contudo, o sucesso de Savonarola foi muito curto. O pregador foi ameaçado, excomungado e, por fim, no ano de 1498, por ordem do Papa, foi queimado em praça pública. Com as palavras: "O Senhor sofreu tanto por mim!", terminou a vida terrestre de um dos maiores e mais dedicados mártires de todos os tempos.

Apesar de ele continuar até a morte a sustentar muitos dos erros da Igreja Romana, ensinava que todos os que são realmente crentes estão na verdadeira Igreja. Alimentava continuamente a alma com a Palavra de Deus. As margens das páginas da sua Bíblia estão cheias de notas escritas enquanto meditava nas Escrituras. Conhecia uma grande parte da Bíblia de cor e podia abrir o livro instantaneamente e achar qualquer texto. Passava noites inteiras em oração e foram-lhe dadas revelações quando em êxtase, ou por visões. Seus livros sobre "A Humildade", "A Oração", "O Amor", etc., continuam a exercer grande influência sobre os homens. Destruíram o corpo desse precursor da Grande Reforma, mas não puderam apagar as verdades que Deus, por seu intermédio, gravou no coração do povo.

Fonte: Livro Heróis da Fé.

26 de fevereiro de 2015

PARA QUÊ SERVE UMA RELAÇÃO?






Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem corpo um do outro quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro ao médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.
Drauzio Varella

Fonte: http://www.mulherdeclasse.com.br/ParaQueServeUmaRelacao.htm

22 de fevereiro de 2015

O soluço de um bilhão de almas





Diz-se que Martinho Lutero tinha um amigo íntimo, cujo nome era Miconio. Ao ver Lutero sentado dias a fio trabalhando no serviço do Mestre, Miconio ficou penaliza¬do e disse-lhe: "Posso ajudar mais onde estou; permanece¬rei aqui orando enquanto tu perseveras incansavelmente na luta." Miconio orou dias seguidos por Martinho. Mas enquanto perseverava em oração, começou a sentir o peso da própria culpa. Certa noite sonhou com o Salvador, que lhe mostrou as mãos e os pés. Mostrou-lhe também a fonte na qual o purificara de todo o pecado. "Segue-me!" disse-lhe o Senhor, levando-o para um alto monte de onde apontou para o nascente. Miconio viu uma planície que se estendia até o longínquo horizonte. Essa vasta planície estava coberta de ovelhas, de muitos milhares de ovelhas brancas. Somente havia um homem, Martinho Lutero, que se esforçava para apascentar a todas. Então o Salvador disse a Miconio que olhasse para o poente; olhou e viu vastos campos de trigo brancos para a ceifa. O único ceifador, que lidava para segá-los, estava quase exausto, contudo persistia na sua tarefa. Nessa altura, Miconio reconheceu o solitário ceifeiro, seu bom amigo, Martinho Lutero! Ao despertar do sono, tomou esta resolução: "Não posso ficar aqui orando enquanto Martinho se afadiga na obra do Senhor. As ovelhas devem ser pastoreadas; os campos têm de ser ceifados. Eis-me aqui, Senhor; envia-me a mim!" Foi assim que Miconio saiu para compartilhar do labor de seu fiel amigo.
Jesus nos chama para trabalhar e orar. É de joelhos que a Igreja de Cristo avança. Foi Lionel Fletcher quem escre¬veu:
"Todos os grandes ganhadores de almas através dos séculos foram homens e mulheres incansáveis na oração. Conheço como homens de oração quase todos os pregadores de êxito da geração atual, tanto como os da geração próxima passada, e sei que, igualmente, foram homens de intensa oração.
"Certo evangelista tocou-me profundamente a alma quando eu era ainda jovem repórter dum diário. Esse evangelista estava hospedado em casa de um pastor presbiteriano. Bati à porta e pedi para falar com o evangelista. O pastor, com voz trêmula e com o rosto iluminado por estranha luz, respondeu:
"Nunca se hospedou um homem como ele em nossa casa. Não sei quando ele dorme. Se entro no seu quarto durante a noite para saber se precisa de alguma coisa, encontro-o orando. Vi-o entrar no templo cedo de manhã e não voltou para as refeições.
"Fui à igreja... Entrei furtivamente para não perturbá-lo. Achei-o sem paletó e sem colarinho. Estava caído de bruços diante do púlpito. Ouvi a sua voz como que agonizante e comovente instando com Deus em favor daquela cidade de garimpeiros, para que dirigisse almas ao Salvador. Tinha orado toda a noite; tinha orado e jejuado o dia inteiro.
"Aproximei-me furtivamente do lugar onde ele orava prostrado, ajoelhei-me e pus a mão sobre seu ombro. O suor caía-lhe pelo corpo. Ele nunca me tinha visto, mas fitou-me por um momento e então rogou: 'Ore comigo, irmão! Não posso viver se esta cidade não se chegar a Deus.' Pregara ali vinte dias sem haver conversões. Ajoelhei-me ao seu lado e oramos juntos. Nunca ouvira alguém insistir tanto como ele. Voltei de lá assombrado, humilhado e estremecendo.
"Aquela noite assisti ao culto no grande templo onde ele pregou. Ninguém sabia que ele não comera durante o dia inteiro, que não dormira durante a noite anterior. Mas, ao levantar-se para pregar, ouvi diversos ouvintes dizerem: 'A luz do seu rosto não é da terra!' E não era mesmo. Ele era conceituado instrutor bíblico, mas não tinha o dom de pregar. Porém, nessa noite, enquanto pregava, o auditório inteiro foi tomado pelo poder de Deus. Foi a primeira grande colheita de almas que presenciei."
Há muitas testemunhas oculares do fato de Deus continuar a responder às orações como no tempo de Lutero, Edwards e Judson. Transcrevemos aqui o seguinte comentário publicado em certo jornal:
"A irmã Dabney é uma crente humilde que se dedica a orar... Seu marido, pastor de uma grande igreja, foi chamado para abrir a obra em um subúrbio habitado por pobres. No primeiro culto não havia nenhum ouvinte: somente ele e ela assistiram. Ficaram desenganados. Era um campo dificílimo: o povo não era somente pobre, mas depravado também. A irmã Dabney viu que não havia esperança a não ser clamar ao Senhor, e resolveu dedicar-se persistentemente à oração. Fez um voto a Deus que, se Ele atraísse os pecadores aos cultos e os salvasse, ela se entregaria à oração e jejuaria três dias e três noites, no templo, todas as semanas, durante um período de três anos.
"Logo, que essa esposa de um pastor angustiado começou a orar, sozinha, no salão de cultos, Deus começou a operar, enviando pecadores, a ponto de o salão ficar superlotado de ouvintes. Seu marido pediu que orasse ao Senhor e pedisse um salão maior. Deus moveu o coração de um comerciante para desocupar o prédio fronteiro ao salão, cedendo-o para os cultos. Continuou a orar e a jejuar três vezes por semana, e aconteceu que o salão maior também não comportava os auditórios. Seu marido rogou-lhe novamente que orasse e pedisse um edifício onde todos quantos desejassem assistir aos cultos pudessem entrar. Ela orou e Deus lhes deu um grande templo situado na rua principal desse subúrbio. No novo templo, também a assistência aumentou a ponto de muitos dos ouvintes serem obrigados a assistir às pregações de pé, na rua. Muitos foram libertos do pecado e batizados."
Quando os crentes sentem dores em oração, é que renascem almas. "Aqueles que semeiam em lágrimas, com júbilo ceifarão."
"O soluço de um bilhão de almas na terra me soa aos ouvidos e comove o coração; esforço-me, pelo auxílio de Deus, para avaliar, ao menos em parte, as densas trevas, a extrema miséria e o indescritível desespero desses mil milhões de almas sem Cristo. Medita, irmão, sobre o amor do Mestre, amor profundo como o mar; contempla o horripilante espetáculo do desespero dos povos perdidos, até não poderes censurar, até não poderes descansar, até não poderes dormir."
Sentindo as necessidades dos homens que perecem sem Cristo, foi que Carlos Inwood escreveu o que lemos acima, e é por essa razão que se abrasa a alma dos heróis da igreja de Cristo através dos séculos.
Na campanha de Piemonte, Napoleão dirigiu-se aos seus soldados com as seguintes palavras: "Ganhastes sangrentas batalhas, sem canhões, atravessastes caudalosos rios sem pontes, marchastes incríveis distâncias descalços, acampastes inúmeras vezes sem coisa alguma para comer, tudo graças à vossa audaciosa perseverança! Mas, guerreiros, é como se não tivéssemos feito coisa alguma, pois resta ainda muito para alcançarmos!"
Guerreiros da causa santa, nós podemos dizer o mesmo: é como se não tivéssemos feito coisa alguma. A audaciosa perseverança é-nos ainda indispensável; há mais almas para salvar atualmente do que no tempo de Müller, de Livingstone, de Paton, de Spurgeon e de Moody.
"Ai de mim, se não anunciar o Evangelho!" (1 Coríntios 9.16).
Não podemos tapar os ouvidos espirituais para não ouvir o choro e os suspiros de mais de um bilhão de almas na terra que não conhecem o caminho para o lar celestial.


Autor: Orlando S. Boyer

20 de fevereiro de 2015

COMPULSÃO À SEDUÇÃO



 Síndrome de Don Juan

O donjuanismo é um protótipo particular de comportamento humano, classificação esta estribada particularmente em valores culturais e morais.

Fica mais difícil entender os novos tempos, quando consideramos que as expressões ficar com... e sair com... significam a mesma coisa, apesar dos termos ficar e sair serem antagônicos.

Donjuanismo é uma expressão em desuso que veio à tona há algum tempo, depois do filme Don Juan de Marco, com Marlon Brando e Johnny Depp. O filme Don Juan de Marco foi escrito e dirigido por Jeremy Leven.

Don Juan é um personagem literário tido como símbolo da libertinagem. O primeiro romance com referência ao personagem foi a obra El Burlador de Sevilla, de 1630, do dramaturgo espanhol Tirso de Molina. Posteriormente Don Jun aparece em José Zorrilla com a estória de Don Juan Tenorio. A figura de Don Juan foi também cultuada na música, em obras de Strauss e Mozart, este último com a ópera Don Giovanni, composta em 1787. Outro paradigma do eterno sedutor é a figura de Casanova, conhecida pela autobiografia do veneziano Giovanni Jacopo Casanova.

Mas a figura do eterno sedutor continua atrelada à Don Juan, que aparece ainda na obra de Molière, em Le Festin de Pierre, no poema satírico de Byron chamado simplesmente Don Juan, no drama de Bernard Shaw, chamado Man and Superman.

Segundo Jung, para quem qualquer forma de arte, assim como os mitos, são veículos para a expressão do inconsciente coletivo, Don Juan pode representar nossos arquétipos (Walter Boechat - veja mais sobre o filme).Trata-se de um padrão de personalidade caracterizado por uma pessoa narcisista, enamorada, inescrupulosa, amada e odiada e que faz tudo valer para a conquista de uma pessoa.


O donjuanismo representa um protótipo particular de comportamento humano, classificada particularmente pelos valores culturais e morais. Não existe essa denominação no CID.10 ou DSM.IV, mas isso não significa, absolutamente, que por isso pessoas assim deixam de existir.

Independente das interpretações psicanalíticas sobre o filme Dom Juan de Marco, interessa aqui apenas caracterizar um tipo de conduta atual; a inclinação que as pessoas têm para liberdade sexual explícita. A característica principal do que se pode chamar hoje de donjuanismo, seria uma forte compulsão para sedução, entretanto essa característica não é isolada nem única na personalidade da pessoa, também não é exclusiva do sexo masculino.

Descreve-se o donjuanismo como uma personalidade que necessita seduzir o tempo todo, que aparentemente se enamora da pessoa difícil mas, uma vez conquistada, a abandona por desinteresse. As pessoas com esse traço não conseguem ficar apegados a uma pessoa determinada, partindo logo em busca de novas conquistas. Elas são os anarquistas do amor (Sapetti), tornando válidos quaisquer meios para conquistar, não obstante, os sentimentos da outra pessoa não são levados em consideração. Aliás, Foucault enfatiza essa questão ao dizer que Don Juan arrebenta com as duas grandes regras da civilização ocidental, a lei da aliança e a lei do desejo fiel.

Em psiquiatria clínica, entretanto, o desprezo para com o sentimento alheio pode ser critério para caracterizar uma atitude sociopática ou anti-social. Para o donjuan só interessa o hedonismo, o instante do prazer e o triunfo sobre sua conquista, principalmente quando a pessoa de seu interesse tem uma situação civil proibida (casada, freira, irmã ou filha de amigo, etc ou os correspondentes masculinos). Sobre essa característica o escritor Carlos Fuentes, alega ao seu Don Juan a frase: "Porque nenhuma mulher me interessa se não tiver um amante, marido, confessor ou Deus, ao qual pertença ...".

Normalmente essas pessoas ignoram a decência e a virtude moral mas seu papel social tenta mostrar o contrário; são eminentemente sedutores. O aspecto de desafio mobiliza o donjuan, fazendo com que a conquista amorosa tenha ares de esporte e competição, muitas vezes convidando amigos para apostas sobre sua competência em conquistar essa ou aquela mulher. Não é raros que esses conquistadores tragam listas e relações das mulheres conquistadas, tal como um troféu de caça.


O narcisismo (traço feminóide) dessas pessoas é uma das características mais marcantes, a ponto delas amarem muito mais a si mesmas que a qualquer outra pessoa conquistada. Outros autores acham o donjuanismo um excesso do complexo de Édipo, ou fixação na mãe, já que muitos deles não constituem família com nenhuma de suas conquistas e acabam vivendo para sempre com suas mães.

Nos casos mais sérios a inclinação à sedução pode adquirir caráter de verdadeira compulsão, tal como acontece no jogo patológico. De certa forma, apesar dessa conquista compulsiva servir-lhe para melhorar sua sensação de segurança e autoestima, uma vez possuído o que desejava, já não o deseja mais. Em alguns casos o donjuan começa a se desestimular com a conquista quando percebe que a pessoa conquistada já está apaixonada por ele. Pode até nem haver necessidade do ato sexual a partir do momento em que ele percebe que a pessoa aceita e deseja o sexo com ele. Por outro lado, se a pessoa a ser conquistada é indiferente ou não cede à sedução, o donjuan se torna mais obstinado ainda.

Não será totalmente lícito dizer, como dizem alguns, que o donjuan se diverte com o sofrimento alheio. Na realidade parece mais que seja insensível ao sentimento alheio do que tenha prazer com ele. De fato, parece que eles não experimentam com o amor o mesmo tipo de sentimento que as demais pessoas. O amor neles é um sentimento fugaz, passageiro e que, continuadamente, tem o objeto-alvo renovado. Se algum déficit pode ser apurado na personalidade do donjuan, este se dá no controle da vontade.

Apesar dessa compulsão à sedução, isso não significa que a pessoa portadora de donjuanismo seja, obrigatoriamente, mais viril ou mais ativo sexualmente. Esse quadro não deve ser confundido com a Atividade Sexual Compulsiva onde, aí sim há hipersexualidade.

Portanto, a contínua sedução do donjuan nem sempre se dá às custas de um desempenho sexual excepcional mas sim, devido à habilidade em oferecer às pessoas a serem seduzidas, tudo aquilo que elas mais estão querendo. Nesse sentido, todos eles são sempre muito inconstantes, desempenham papeis sociais sempre teatrais e exclusivamente dirigidos à satisfação de suas conquistas, por isso fazem sempre o tipo "príncipe encantado", tão cultuado pelo público feminino. As pessoas sedutoras têm habilidade em perceber rapidamente os gostos e franquezas de suas vítimas e são igualmente rápidos em atender as mais diversas expectativas.

Há quem considere como uma das características fundamentais da personalidade do donjuan uma acentuada imaturidade afetiva. O aspecto volúvel e responsável pela constante troca de relacionamento pode ser indício dessa imaturidade afetiva e indica, sobretudo, uma completa carência de responsabilidade ou medo de assumir os compromissos normais das pessoas maduras (casamento, família, filhos, etc.).

"Ficar com..."
"Ficar com...", "sair com...", "namorix", são termos atualmente usados para designar a atitude de se relacionar sexualmente (com penetração sexual ou não), fortuitamente, fugazmente e sem nenhum compromisso de continuidade. Este relacionamento é fortuito porque não implica, obrigatoriamente, em nenhuma combinação ou contrato prévio, é fugaz devido à provisoriedade da união. Não há compromisso de continuidade porque, ao menor sinal de interesse de um dos envolvidos no sentido de continuar, a relação se desfaz e é evitada (diz-se que fulano(a) não é legal porque pega no pé). Nessa nova modalidade de relacionamento não há envolvimento amoroso, não há cobrança de compromisso e os objetivos se concretizam e se esgotam no orgasmo ou na despedida, normalmente com satisfação bilateral.

As mulheres começaram a expandir significativamente sua sexualidade depois da disseminação do uso da pílula anticoncepcional, nas décadas de 60-70, e a inconseqüência sexual que antes era monopólio dos homens, também passou a ser experimentada por elas. Descobriu-se que o prazer podia ser bilateral e, a partir daí, deixou-se de falar que fulano se aproveitou de fulana; ambos se aproveitavam.

A atitude de "Ficar com..." é diferente daquilo que se entende por donjuanismo porque não implica numa verdadeira conquista. "Ficar com..." é uma afinidade recíproca, e um não conquista o outro porque ambos estão, decididamente, com o mesmo objetivo em mente.

Se no donjuanismo a insensibilidade e menosprezo para com o sentimento alheio são a marca do diagnóstico, "ficar com..." implica, em essência e caracteristicamente, na ausência de sentimentos mais profundos de ambas as partes. Assim sendo, não havendo sentimentos profundos, não há o que menosprezar.

Dessa forma, decididamente, entre a população adepta do "ficar com..." não há espaço para o donjuan. Nesse meio ele não encontra sua presa, já que as pessoas não preenchem os requisitos de candidatas, pois são desimpedidas, livres e com vontade de ficar com outras pessoas. A compulsão do Don Juan se desfaz ante a ausência do desafio.

Não há denominação satisfatória para descrever a mulher que preenche os requisitos do donjuanismo, mas elas existem indubitavelmente. São também pessoas movidas pela compulsão da conquista e sedução do outro, pela inclinação ao relacionamento impossível, seja com homens mais velhos ou muito mais novos, casados, padres, enamorados de outras mulheres, enfim, pessoas que oferecem alguma condição de desafio.

No donjuanismo feminino, tanto quanto no masculino, não há necessidade invariável de concluir a conquista através do ato sexual. Basta a mulher perceber que o objeto da conquista está, digamos, aos seus pés, que a motivação para continuar o relacionamento se desvanece.

Representação Cultural do Donjuanismo
Evidentemente o mito de Don Juan pode representar um ideal masculino e, em alguns segmentos culturais, também um ideal feminino. A conquista como reforço da autoestima pode, durante alguns momentos da vida ou em certas circunstâncias afetivas, ser eficiente. Entretanto, sendo a personalidade mais bem estruturada, a atitude conquistadora acaba mais cedo ou mais tarde, dando-se por satisfeita diante do objetivo conquistado. Essa é a principal diferença entre a Sedução Compulsiva e as conquistas normais durante a vida de qualquer pessoa.

Outra característica que diferencia as conquistas circunstanciais, apesar de múltiplas, do sedutor compulsivo, é a ausência de consideração para com os sentimentos alheios que sempre está presente neste último. Nas conquistas múltiplas e circunstanciais a pessoa tem boa noção e crítica sobre os eventuais transtornos sentimentais causados nas pessoas conquistadas e, em seguida, abandonadas.

Psicopatologia
Seria o donjuanismo uma doença? Seria uma doença, merecedora de tratamento ? Considerando o critério estatístico, aquele que constata a normalidade ou não-normalidade tendo como base a ocorrência estatística do fenômeno, podemos dizer que o donjuanismo não é normal (maioria das pessoas não é assim). Na realidade, a expressiva maioria das pessoas não é despojada de consideração para com o sentimento dos outros, mais especificamente, podemos dizer que a maioria das pessoas se mobiliza com o sentimento das mulheres.

Em psiquiatria ou na medicina geral, ser não-normal não significa, obrigatoriamente, ser doente. Para ser objeto de atenção médica é necessário que essa não-normalidade (estatística) implique também em um aspecto de morbidez, ou seja, implica na necessidade de sofrimento da pessoa ou de terceiros. Então, o donjuanismo poderá ser objeto de atenção médica na medida em que produz sofrimento.

Dentre os quadros classificados no DSM.IV e na CID.10, alguns critérios encontrados no Donjuan podem também ser encontrados no Transtorno Dissocial da Personalidade, da CID.10, ou em seu correspondente no DSM.IV, Transtorno Anti-social da Personalidade.

Entre os critérios do DSM.IV para o Transtorno Anti-social da Personalidade temos os seguintes:
Critérios para 301.7 - Transtorno da Personalidade Anti-Social

A. Um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que ocorre desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:
(1) fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção
(2) propensão para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer
(3) impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro
(4) irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas
(5) desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia
(6) irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras
(7) ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa.
B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.
C. Existem evidências de Transtorno da Conduta com início antes dos 15 anos de idade.

Entre esses critérios do Transtorno Anti-social da Personalidade, o Donjuan puro e sem outra patologia poderia cumprir os itens 1, 2, 3 e 7. Não mais que isso e, talvez isso não seja suficiente para alocar essas pessoas nessa classificação. Normalmente elas trabalham, não costumam ser irritáveis e agressivas, não desrespeitam a segurança própria, etc.

Entretanto, sob o código 302.9 do DSM.IV há o chamado Transtorno Sexual Sem Outra Especificação. Diz lá, que esta categoria é incluída para a codificação de uma perturbação sexual que não satisfaça os critérios para qualquer transtorno sexual específico, nem seja uma Disfunção Sexual ou uma Parafilia. Cita como exemplos o seguinte:

1. Acentuados sentimentos de inadequação envolvendo o desempenho sexual ou outros traços relacionados a padrões auto-impostos de masculinidade ou feminilidade.
2. Sofrimento acerca de um padrão de relacionamentos sexuais repetidos, envolvendo uma sucessão de amantes sentidos pelo indivíduo como coisas a serem usadas.
3. Sofrimento persistente e acentuado quanto à orientação sexual.
Nosso Don Juan poderia ser incluído no item 2 desse diagnóstico mas, mesmo assim, fica meio vago e pouco preciso pois, em nosso caso, o sofrimento seria mais por conta das vítimas do Don Juan que dele próprio e isso não está claro na descrição do DSM.IV.


A impressão (falsa) que se tem sobre o donjuan é que, assim como é bem sucedido nas conquistas amorosas, também deve sê-lo em relação aos demais aspectos de sua vida. Entretanto, apesar dessas pessoas dominarem muito bem a arte da conquista do sexo oposto, elas não costumam ter a mesma habilidade em outras áreas da atividade humana; ocupacional, empresarial, estudantil ou mesmo familiar.
A trajetória de sua vida nem sempre resulta num final satisfatório. Normalmente as pessoas com esse perfil de personalidade acabam por não se fixarem com nenhuma companhia mais seriamente, não constituem família e acabam se aborrecendo quando constatam que não têm mais facilidade para conquistar mocinhas de 20 anos quando já estão na casa dos 60. Além disso, muitas vezes acabam ridicularizados por essas tentativas totalmente fora do contexto.

Além disso, eles podem atravessar períodos de grande angústia na maturidade quando se dão conta de que todos seus amigos estão casados têm família e eles já não podem desfrutar de tantas companhias femininas como outrora.

Tendo-se em mente a natureza constitucional do donjuanismo, ou seja, considerando ser este um defeito do caráter, o tratamento mais eficiente deve ser pleiteado para as intercorrências emocionais que acometem o paciente por conta da situação vivencial em que se encontra e não, diretamente dirigido à essa característica da personalidade.



Bibliografía
Brockman DD - The fate of Don Juan: the myth and the man - Adolesc Psychiatry,
1992, 18:, 44-62
Holzbach E - Don-Juanism. Sexual formation of style as a culture-historical phenomenon and psychiatric problem - Schweiz Arch Neurol Neurochir Psychiatr,
1977, 120:2, 227-41
Kaplan H, Sadock B, Grebb J - Sinópse de Psiquiatria, Koogan, 4ª ed. 1994.
Sapetti A - Los varones que saben amar, Buenos Aires - Galerna, 1996.
Sapetti A, Rosenszvaig R - Sexualidad en la pareja - Buenos Aires, Galerna, 1987.
Smith CU - Don Juan and the vision of Vision - Perception, 1981, 10:4, 435-53