Psicologa Organizacional

10 de agosto de 2026

 


A conversa que o tempo não apaga

 

— Ei, menino… venha aqui. Sou você. Só que alguns anos depois.

 

— Você? Mas… como assim?

 

— Sim. Sou você aos 50 anos. E antes que você pergunte, eu vim lhe contar algumas coisas que aprendi pelo caminho. Algumas, aprendi com amor. Outras, depois de errar.

 

— E eu vou vencer na vida?

 

— Vai. Mas entenda uma coisa: vencer não é ter tudo. É chegar ao fim da caminhada sem perder aquilo que realmente importa.

 

— Então me ensina.

 

— Primeiro: estude. Estude muito. O conhecimento vai abrir portas que o dinheiro sozinho não consegue abrir. Nunca tenha vergonha de aprender. Leia, pergunte, observe, pense.

 

Respeite as pessoas. Não importa se elas têm dinheiro, poder ou posição. O caráter de alguém aparece, principalmente, na maneira como trata quem não pode lhe oferecer nada em troca.

 

Seja honesto. Às vezes você verá pessoas prosperando pela mentira, pela esperteza e pela falta de ética. Não se deixe seduzir. O caminho correto pode ser mais demorado, mas permite que você durma em paz.

 

— E os amigos?

 

— Ah, menino… tenha cuidado com certas amizades. Nem todo mundo que ri com você deseja o seu bem. Escolha pessoas que celebrem sua vitória sem inveja e que tenham coragem de lhe dizer a verdade quando você estiver errado.

 

Fique longe dos vícios. Não entregue sua liberdade a nada que precise controlar você.

 

Trabalhe. Não tenha medo do esforço. A preguiça pode parecer confortável hoje, mas cobra caro amanhã. Faça o que precisa ser feito, mesmo quando não estiver com vontade.

 

E viva com ética. Porque dinheiro você pode perder e recuperar. Uma oportunidade pode desaparecer e outra surgir. Mas quando você perde a própria dignidade, reconstruí-la pode levar uma vida inteira.

 

— E a família?

 

— Honre seu pai e sua mãe. Reconheça aqueles que caminharam antes de você.

 

Quando amar alguém, não seja apenas namorado. Seja um bom esposo. Aprenda a ouvir, a dialogar, a pedir perdão e a cuidar. Amor não é apenas sentimento; é também responsabilidade.

 

E quando tiver filhos, lembre-se de uma coisa:

 

eles não precisarão de um pai perfeito. Precisarão de um pai presente.

 

Seja um ótimo pai. Ensine pelo exemplo. Abrace. Converse. Brinque. Coloque limites quando necessário. Diga “eu te amo”. Porque um dia você perceberá que os filhos crescem depressa demais.

 

— E depois dos 50?

 

— Depois dos 50 você entende que viver é muito mais importante do que parecer vencedor.

 

Cuide da sua saúde. Cuide da mente. Cuide do corpo. Não adie a vida esperando o momento perfeito.

 

Viaje quando puder. Sorria. Tenha amigos verdadeiros. Seja também um amigo verdadeiro. Perdoe algumas coisas. Deixe outras para trás.

 

E, principalmente, não permita que a correria da vida roube de você a capacidade de viver.

 

— Então, qual é o segredo?

 

O homem de 50 anos olha para o menino, sorri e responde:

 

— Não existe segredo. Existe caminho.

 

Estude. Trabalhe. Seja honesto. Respeite. Ame. Cuide. Perdoe. Escolha bem suas companhias. Afaste-se dos vícios. Honre sua família. Seja ético. Não dê lugar à preguiça.

 

Mas, acima de tudo…

 

não perca a criança que existe dentro de você.

 

Porque chegar aos 50 anos com dinheiro, diplomas e conquistas é bom.

 

Mas chegar aos 50 em paz consigo mesmo, amando sua família, tendo amigos verdadeiros, saúde para viver e uma consciência tranquila…

 

Isso, menino, é uma das maiores formas de vencer na vida.

 

— E você está em paz?

 

O homem olha para a criança.

 

Respira.

 

Sorri.

 

— Estou aprendendo. Afinal, a vida inteira é uma escola.

 

Acimarley Freitas

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