Psicologa Organizacional

10 de agosto de 2026

 



GRATIDÃO

 

Gratidão não é apenas dizer “obrigado”.

 

É olhar para a vida com um pouco mais de atenção e perceber que, mesmo quando algumas coisas não saíram como planejamos, ainda existem motivos para reconhecer o valor da caminhada.

 

Gratidão é perceber o abraço que chegou na hora certa.

A palavra que acalmou.

A presença que permaneceu.

A oportunidade que apareceu.

A porta que se abriu.

E até mesmo aquela porta que se fechou, porque algumas despedidas também nos conduzem para novos caminhos.

 

Ser grato não significa ignorar a dor, fingir que tudo está bem ou romantizar as dificuldades.

 

Gratidão não é ausência de problemas. É presença de consciência.

 

É conseguir dizer:

 

“Nem tudo está como eu gostaria, mas ainda há muito pelo que agradecer.”

 

Talvez a vida não esteja pedindo de nós grandes discursos.

 

Talvez esteja pedindo apenas que aprendamos a olhar melhor.

 

Porque, muitas vezes, estamos tão ocupados esperando aquilo que ainda não temos que deixamos de perceber a beleza daquilo que já chegou.

 

Agradeça.

 

Pelo hoje.

Pelo caminho percorrido.

Pelas pessoas que ficaram.

Pelas experiências que ensinaram.

Pelas oportunidades que ainda existem.

 

E, principalmente, agradeça por você.

 

Pela coragem de continuar.

Pela capacidade de recomeçar.

Pela força que descobriu justamente quando pensou que não conseguiria.

 

Gratidão é quando o coração aprende a reconhecer que, mesmo em meio às imperfeições da vida, ainda existem presentes escondidos no caminho.

 

E talvez seja isso que transforme a maneira como vivemos:

 

não esperar ter tudo para agradecer,

mas aprender a agradecer por aquilo que torna a vida significativa.

 

Gratidão.

 

Não apenas uma palavra.

 

Uma maneira diferente de olhar para a vida.

 

Acimarley Freitas

 



QUANDO A IGREJA CRESCE, MAS O EVANGELHO DIMINUI

 

Outro dia me peguei pensando em uma pergunta que talvez incomode muita gente:

 

E se a igreja estiver crescendo, mas não necessariamente o Evangelho?

 

Nos Estados Unidos, os templos protestantes enfrentam um fenômeno silencioso: pessoas estão indo embora. Algumas perderam a fé. Outras perderam a confiança nas instituições. Há quem continue acreditando em Deus, mas já não queira pertencer a uma igreja.

 

E os motivos são muitos: escândalos, abusos de poder, crises de liderança, dinheiro, política, incoerência...

 

No Brasil, a história parece diferente.

 

Aqui, os evangélicos continuam crescendo.

 

Temos mais templos, mais pregadores, mais músicas, mais congressos, mais seguidores, mais transmissões ao vivo, mais influência política.

 

Mas uma pergunta insiste em bater à porta:

 

Estamos crescendo em quantidade ou em profundidade?

 

Porque uma igreja pode lotar seus bancos e, ainda assim, deixar vazios os corações.

 

Pode aumentar seus seguidores e diminuir sua credibilidade.

 

Pode conquistar poder político e perder sua autoridade moral.

 

Pode falar muito sobre Deus e pouco sobre o ser humano.

 

Pode ensinar prosperidade e esquecer a compaixão.

 

Pode defender a família e não saber acolher uma família destruída.

 

Pode falar de cura e não compreender a dor de quem sofre.

 

Pode combater o pecado dos outros enquanto não consegue enxergar suas próprias contradições.

 

E talvez o problema não esteja na igreja crescer.

 

O problema começa quando crescer se torna mais importante do que transformar.

 

Quando o número de membros passa a valer mais do que a maturidade deles.

 

Quando o tamanho do templo importa mais que o tamanho do caráter.

 

Quando o poder do líder se torna maior que o serviço.

 

Quando a política ocupa o lugar que deveria pertencer à consciência.

 

Quando quem pensa diferente deixa de ser irmão e passa a ser inimigo.

 

Talvez estejamos diante de uma das maiores crises espirituais do nosso tempo:

 

não uma crise de religião, mas uma crise de coerência.

 

Porque o mundo não precisa apenas de pessoas que falem sobre Jesus.

 

Precisa de pessoas que façam lembrar Jesus.

 

Talvez a próxima geração não esteja necessariamente abandonando Deus.

 

Talvez esteja abandonando uma determinada maneira de apresentar Deus.

 

Uma maneira marcada pelo espetáculo, pela disputa, pelo medo, pela polarização e, algumas vezes, pela transformação da fé em produto.

 

E aqui está a pergunta que considero mais importante:

 

Se amanhã todos os templos desaparecessem, aquilo que aprendemos dentro deles continuaria existindo em nossa maneira de viver?

 

Se a resposta for sim, talvez tenhamos construído uma fé.

 

Se a resposta for não, talvez tenhamos construído apenas uma instituição.

 

Porque igreja não é apenas aquilo que acontece dentro de quatro paredes.

 

Igreja é aquilo que permanece quando saímos delas.

 

É o modo como tratamos quem não pode nos oferecer nada.

 

É a maneira como educamos nossos filhos.

 

É a honestidade quando ninguém está olhando.

 

É o perdão quando seria mais fácil vingar.

 

É a compaixão diante da dor.

 

É a capacidade de amar sem perguntar em quem o outro votou.

 

É permanecer humano quando temos poder para desumanizar.

 

Talvez seja por isso que a pergunta do nosso tempo não deva ser:

 

“Quantos estamos levando para a igreja?”

 

Mas:

 

“Que tipo de pessoas estamos formando?”

 

Porque, no final das contas, uma igreja verdadeiramente viva não é aquela que apenas cresce.

 

É aquela que transforma pessoas e, através delas, transforma o mundo.

 

 Acimarley Freitas


5 de agosto de 2026

 


Teatro da Vida

 

A vida é palco, luz e emoção,

Mistura de sonhos, coragem e chão.

Em cada cena, um novo papel,

Ora tempestade, ora pedaço do céu.

 

Há dias de riso, há noites de dor,

Há lágrimas regando as flores do amor.

Vivemos, choramos, sorrimos também,

Aprendendo que o tempo é o maior mestre que tem.

 

Amamos, perdoamos, erramos sem ver,

Caímos, erguemo-nos para renascer.

Ganhamos, perdemos, voltamos a lutar,

Pois quem crê na esperança não deixa de sonhar.

 

Estudamos, trabalhamos, o suor vem cair,

Mas cada conquista nos faz prosseguir.

O pão da vitória tem gosto de fé,

De quem nunca desiste, de quem fica de pé.

 

O sol nasce manso, depois vai dormir,

E a vida nos ensina que tudo há de partir.

Acordar é um presente, dormir é confiar,

Que um novo amanhã Deus fará despertar.

 

Há saúde que canta, doença a ensinar,

Há silêncios profundos que nos fazem mudar.

Prazeres e espinhos caminham de mãos dadas,

Tecendo a beleza das nossas jornadas.

 

No grande teatro que a vida compôs,

Não importa o aplauso que venha depois.

Importa viver com verdade e paixão,

Fazendo do amor o roteiro do coração.

 

Porque, no fim da peça, quando a cortina cair,

Não será o sucesso que irá definir;

Mas a forma sincera de amar e servir...

Pois viver é a mais bela arte de existir.

 

 Acimarley Freitas

 



Norte de Minas

 

Do sertão da Bahia um dia eu parti,
Levando sonhos, coragem e o peito a florir.
Foi Deus quem guiou meus passos na estrada,
Até encontrar, em Minas, uma nova morada.

 

Por aqui cheguei e amigos logo encontrei;
Laços sinceros com carinho plantei.
Percorri caminhos de rara beleza,
Descobrindo um povo de alma e nobreza.

 

Salinas me acolheu com um abraço sem fim;
Taiobeiras sorriu e fez morada em mim.
Rio Pardo de Minas, São João do Paraíso,
Guardam lembranças que jamais desperdiço.

 

Conheci Porteirinha de encanto singelo,
Fruta de Leite com seu povo tão belo.
Novorizonte e Montezuma também visitei;
Que imenso é este Norte por onde caminhei!

 

Vi homens e mulheres de mãos calejadas,
Pela luta da terra, pela vida marcadas.
No rosto, o sol desenhava o cansaço do chão,
Mas nos olhos brilhava uma viva esperança em oração.

 

Quantas vezes sentei à sombra do terreiro,
Ouvindo histórias de um povo verdadeiro.
Recebi tantos convites para entrar em cada lar,
Onde um café coado era motivo de celebrar.

 

Quando chegam as chuvas, tudo volta a florescer;
O verde renasce, ensinando a viver.
A terra fecunda reparte seus dons,
Entre lavouras, frutos, aromas e sons.

 

Mas quando o tempo da seca insiste em chegar,
O cinza domina o horizonte e o olhar.
A aroeira resiste, altiva na amplidão,
Como símbolo eterno da força do sertão.

 

Mesmo diante da poeira e da estiagem severa,
A esperança floresce e jamais desespera.
Porque esse povo aprendeu, desde cedo, a acreditar
Que Deus sempre faz o impossível brotar.

 

Aqui, um aperto de mão vale mais que um contrato;
Um dedo de prosa transforma qualquer retrato.
Acolhimento sincero é riqueza sem igual,
Tesouro escondido no sertão de Minas Gerais.

 

Hoje compreendo o motivo da minha jornada:
Não foi apenas trabalho, nem simples caminhada.
Foi plantar sementes de afeto, respeito e gratidão,
Enquanto este povo também cultivava meu coração.

 

Sou baiano de origem, nordestino por tradição;
Mas o Norte de Minas conquistou meu coração.
Entre montanhas, veredas e gente de tanto valor,
Descobri que também se pertence onde se encontra amor.

 

E se um dia o destino pedir que eu vá além,
Levarei comigo o que este chão me fez bem.
Pois foi no Norte de Minas, com fé e simplicidade,
Que plantei minha semente e colhi fraternidade.

 

Acimarley Freitas

 

30 de julho de 2026

 


Quem sou eu?

 

 

Não gosto de caber em rótulos.

 

Sou psicólogo, porque acredito que ouvir alguém é uma das formas mais profundas de amar.

 

Sou filósofo, porque as respostas definitivas quase sempre empobrecem as grandes perguntas.

 

Sou sociólogo, porque nenhum ser humano existe sozinho; somos filhos da história, da cultura, das relações e dos encontros.

 

Sou teólogo, porque, para mim, Deus não é uma hipótese acadêmica. É presença. É fundamento. É esperança.

 

Sou letrólogo, porque as palavras constroem pontes, curam feridas, despertam consciências e, às vezes, salvam vidas.

 

Mas, acima de tudo, sou professor por vocação.

 

Ensinar nunca foi apenas transmitir conhecimento. Sempre foi aprender enquanto ensino, crescer enquanto caminho e descobrir que cada aluno também é um mestre disfarçado.

 

Amo ouvir pessoas.

 

Cada história é um universo. Cada lágrima possui uma gramática. Cada sorriso guarda um capítulo que ninguém mais consegue escrever.

 

Continuo acreditando que o ser humano pode evoluir.

 

Não porque seja perfeito, mas porque é capaz de reconhecer seus erros, recomeçar e reinventar a própria existência.

 

Creio que Deus existe.

 

Não porque eu consiga explicá-Lo completamente, mas porque a vida seria pequena demais sem a possibilidade do eterno.

 

Creio que o amor é um dos pilares da existência humana.

 

Ele não elimina a dor, mas dá sentido ao sofrimento. Não impede a queda, mas ensina a levantar.

 

E a fé...

 

A fé é o porto seguro quando todas as bússolas deixam de funcionar.

 

Entre todas as realizações da minha vida, poucas se comparam ao privilégio de ser pai.

 

Pedro e Augusto Freitas não são apenas meus filhos.

 

São orações que ganharam nome, rosto, abraço e voz.

 

Quanto aos meus relacionamentos...

 

Amei cada pessoa à minha maneira.

 

Nem sempre acertei. Nem sempre fui compreendido. Mas posso dizer, com serenidade, que entreguei o melhor que eu sabia oferecer em cada tempo da minha vida.

 

A vida?

 

Não é um problema a ser resolvido.

 

É um mistério a ser vivido, um dia de cada vez.

 

O futuro?

 

Não tenho pressa de alcançá-lo.

 

Estou ocupado vivendo o presente, porque, quando ele chegar, também será chamado de hoje.

 

O passado?

 

Não desejo morar nele.

 

Prefiro transformá-lo em professor.

 

O perdão é um doce remédio para a alma.

 

Ele não muda os fatos, mas muda quem escolhe continuar vivendo.

 

A morte?

 

Não é inimiga da vida.

 

É parte dela.

 

Talvez seja justamente por saber que somos finitos que aprendemos a valorizar o tempo, os afetos e os abraços.

 

E o prazer?

 

É uma das mais belas expressões da existência humana quando vivido com responsabilidade, respeito e consciência.

 

No fim das contas, continuo sendo apenas um aprendiz.

 

Alguém que acredita que pensar é um ato de coragem, amar é um ato de fé, ensinar é um ato de esperança e viver é a maior filosofia de todas.

 

Acimarley Freitas