Psicologa Organizacional

10 de agosto de 2026

 


Olá psicólogo(a)... uma provocação.

 

Nós passamos a vida ajudando outras pessoas a construírem uma vida com mais equilíbrio, propósito e qualidade. Mas e nós? Temos feito o mesmo por nós?

 

Talvez esteja na hora de pensarmos estrategicamente sobre nossa carreira, nossa segurança financeira e nossa qualidade de vida. Não apenas sobreviver da profissão, mas criar possibilidades que nos permitam viver com mais tranquilidade, liberdade e dignidade.

 

Uma dessas possibilidades pode ser um concurso público federal. Não como desistência da Psicologia, mas como uma forma de ampliar horizontes, conquistar estabilidade e continuar exercendo nossa vocação com menos peso e mais serenidade.

 

Fica a provocação: quem cuida da saúde mental do psicólogo também precisa cuidar do futuro do psicólogo.

 

Pense nisso. Talvez essa decisão mude não apenas a sua carreira, mas a sua vida.

 

Acimarley Freitas

 


O TEATRO DA VIDA

 

Há momentos em que a vida não pede pressa.

Pede presença.

 

Descansar sem culpa.

Sorrir sem motivo.

Dançar sem se preocupar com os passos.

Curtir as pequenas coisas.

Abraçar o instante.

E, simplesmente, ser feliz.

 

Porque a vida é um grande Teatro, mas não recebemos o roteiro pronto.

 

Somos, ao mesmo tempo, atores, autores e espectadores da nossa própria história.

 

Nem todo dia será aplauso.

Haverá cenas difíceis, silêncios, lágrimas e recomeços.

 

Mas enquanto a cortina estiver aberta, viva!

 

Não espere a última cena para perceber que poderia ter aproveitado mais.

 

Hoje, permita-se sair um pouco da obrigação de ser forte, produtivo e perfeito.

 

Descanse. Sorria. Dance. Curta. Ame. Viva.

 

Afinal, no Teatro da Vida, o espetáculo não está apenas no palco...

 

O espetáculo é a própria vida acontecendo.

 

Acimarley Freitas


 


A conversa que o tempo não apaga

 

— Ei, menino… venha aqui. Sou você. Só que alguns anos depois.

 

— Você? Mas… como assim?

 

— Sim. Sou você aos 50 anos. E antes que você pergunte, eu vim lhe contar algumas coisas que aprendi pelo caminho. Algumas, aprendi com amor. Outras, depois de errar.

 

— E eu vou vencer na vida?

 

— Vai. Mas entenda uma coisa: vencer não é ter tudo. É chegar ao fim da caminhada sem perder aquilo que realmente importa.

 

— Então me ensina.

 

— Primeiro: estude. Estude muito. O conhecimento vai abrir portas que o dinheiro sozinho não consegue abrir. Nunca tenha vergonha de aprender. Leia, pergunte, observe, pense.

 

Respeite as pessoas. Não importa se elas têm dinheiro, poder ou posição. O caráter de alguém aparece, principalmente, na maneira como trata quem não pode lhe oferecer nada em troca.

 

Seja honesto. Às vezes você verá pessoas prosperando pela mentira, pela esperteza e pela falta de ética. Não se deixe seduzir. O caminho correto pode ser mais demorado, mas permite que você durma em paz.

 

— E os amigos?

 

— Ah, menino… tenha cuidado com certas amizades. Nem todo mundo que ri com você deseja o seu bem. Escolha pessoas que celebrem sua vitória sem inveja e que tenham coragem de lhe dizer a verdade quando você estiver errado.

 

Fique longe dos vícios. Não entregue sua liberdade a nada que precise controlar você.

 

Trabalhe. Não tenha medo do esforço. A preguiça pode parecer confortável hoje, mas cobra caro amanhã. Faça o que precisa ser feito, mesmo quando não estiver com vontade.

 

E viva com ética. Porque dinheiro você pode perder e recuperar. Uma oportunidade pode desaparecer e outra surgir. Mas quando você perde a própria dignidade, reconstruí-la pode levar uma vida inteira.

 

— E a família?

 

— Honre seu pai e sua mãe. Reconheça aqueles que caminharam antes de você.

 

Quando amar alguém, não seja apenas namorado. Seja um bom esposo. Aprenda a ouvir, a dialogar, a pedir perdão e a cuidar. Amor não é apenas sentimento; é também responsabilidade.

 

E quando tiver filhos, lembre-se de uma coisa:

 

eles não precisarão de um pai perfeito. Precisarão de um pai presente.

 

Seja um ótimo pai. Ensine pelo exemplo. Abrace. Converse. Brinque. Coloque limites quando necessário. Diga “eu te amo”. Porque um dia você perceberá que os filhos crescem depressa demais.

 

— E depois dos 50?

 

— Depois dos 50 você entende que viver é muito mais importante do que parecer vencedor.

 

Cuide da sua saúde. Cuide da mente. Cuide do corpo. Não adie a vida esperando o momento perfeito.

 

Viaje quando puder. Sorria. Tenha amigos verdadeiros. Seja também um amigo verdadeiro. Perdoe algumas coisas. Deixe outras para trás.

 

E, principalmente, não permita que a correria da vida roube de você a capacidade de viver.

 

— Então, qual é o segredo?

 

O homem de 50 anos olha para o menino, sorri e responde:

 

— Não existe segredo. Existe caminho.

 

Estude. Trabalhe. Seja honesto. Respeite. Ame. Cuide. Perdoe. Escolha bem suas companhias. Afaste-se dos vícios. Honre sua família. Seja ético. Não dê lugar à preguiça.

 

Mas, acima de tudo…

 

não perca a criança que existe dentro de você.

 

Porque chegar aos 50 anos com dinheiro, diplomas e conquistas é bom.

 

Mas chegar aos 50 em paz consigo mesmo, amando sua família, tendo amigos verdadeiros, saúde para viver e uma consciência tranquila…

 

Isso, menino, é uma das maiores formas de vencer na vida.

 

— E você está em paz?

 

O homem olha para a criança.

 

Respira.

 

Sorri.

 

— Estou aprendendo. Afinal, a vida inteira é uma escola.

 

Acimarley Freitas

 



GRATIDÃO

 

Gratidão não é apenas dizer “obrigado”.

 

É olhar para a vida com um pouco mais de atenção e perceber que, mesmo quando algumas coisas não saíram como planejamos, ainda existem motivos para reconhecer o valor da caminhada.

 

Gratidão é perceber o abraço que chegou na hora certa.

A palavra que acalmou.

A presença que permaneceu.

A oportunidade que apareceu.

A porta que se abriu.

E até mesmo aquela porta que se fechou, porque algumas despedidas também nos conduzem para novos caminhos.

 

Ser grato não significa ignorar a dor, fingir que tudo está bem ou romantizar as dificuldades.

 

Gratidão não é ausência de problemas. É presença de consciência.

 

É conseguir dizer:

 

“Nem tudo está como eu gostaria, mas ainda há muito pelo que agradecer.”

 

Talvez a vida não esteja pedindo de nós grandes discursos.

 

Talvez esteja pedindo apenas que aprendamos a olhar melhor.

 

Porque, muitas vezes, estamos tão ocupados esperando aquilo que ainda não temos que deixamos de perceber a beleza daquilo que já chegou.

 

Agradeça.

 

Pelo hoje.

Pelo caminho percorrido.

Pelas pessoas que ficaram.

Pelas experiências que ensinaram.

Pelas oportunidades que ainda existem.

 

E, principalmente, agradeça por você.

 

Pela coragem de continuar.

Pela capacidade de recomeçar.

Pela força que descobriu justamente quando pensou que não conseguiria.

 

Gratidão é quando o coração aprende a reconhecer que, mesmo em meio às imperfeições da vida, ainda existem presentes escondidos no caminho.

 

E talvez seja isso que transforme a maneira como vivemos:

 

não esperar ter tudo para agradecer,

mas aprender a agradecer por aquilo que torna a vida significativa.

 

Gratidão.

 

Não apenas uma palavra.

 

Uma maneira diferente de olhar para a vida.

 

Acimarley Freitas

 



QUANDO A IGREJA CRESCE, MAS O EVANGELHO DIMINUI

 

Outro dia me peguei pensando em uma pergunta que talvez incomode muita gente:

 

E se a igreja estiver crescendo, mas não necessariamente o Evangelho?

 

Nos Estados Unidos, os templos protestantes enfrentam um fenômeno silencioso: pessoas estão indo embora. Algumas perderam a fé. Outras perderam a confiança nas instituições. Há quem continue acreditando em Deus, mas já não queira pertencer a uma igreja.

 

E os motivos são muitos: escândalos, abusos de poder, crises de liderança, dinheiro, política, incoerência...

 

No Brasil, a história parece diferente.

 

Aqui, os evangélicos continuam crescendo.

 

Temos mais templos, mais pregadores, mais músicas, mais congressos, mais seguidores, mais transmissões ao vivo, mais influência política.

 

Mas uma pergunta insiste em bater à porta:

 

Estamos crescendo em quantidade ou em profundidade?

 

Porque uma igreja pode lotar seus bancos e, ainda assim, deixar vazios os corações.

 

Pode aumentar seus seguidores e diminuir sua credibilidade.

 

Pode conquistar poder político e perder sua autoridade moral.

 

Pode falar muito sobre Deus e pouco sobre o ser humano.

 

Pode ensinar prosperidade e esquecer a compaixão.

 

Pode defender a família e não saber acolher uma família destruída.

 

Pode falar de cura e não compreender a dor de quem sofre.

 

Pode combater o pecado dos outros enquanto não consegue enxergar suas próprias contradições.

 

E talvez o problema não esteja na igreja crescer.

 

O problema começa quando crescer se torna mais importante do que transformar.

 

Quando o número de membros passa a valer mais do que a maturidade deles.

 

Quando o tamanho do templo importa mais que o tamanho do caráter.

 

Quando o poder do líder se torna maior que o serviço.

 

Quando a política ocupa o lugar que deveria pertencer à consciência.

 

Quando quem pensa diferente deixa de ser irmão e passa a ser inimigo.

 

Talvez estejamos diante de uma das maiores crises espirituais do nosso tempo:

 

não uma crise de religião, mas uma crise de coerência.

 

Porque o mundo não precisa apenas de pessoas que falem sobre Jesus.

 

Precisa de pessoas que façam lembrar Jesus.

 

Talvez a próxima geração não esteja necessariamente abandonando Deus.

 

Talvez esteja abandonando uma determinada maneira de apresentar Deus.

 

Uma maneira marcada pelo espetáculo, pela disputa, pelo medo, pela polarização e, algumas vezes, pela transformação da fé em produto.

 

E aqui está a pergunta que considero mais importante:

 

Se amanhã todos os templos desaparecessem, aquilo que aprendemos dentro deles continuaria existindo em nossa maneira de viver?

 

Se a resposta for sim, talvez tenhamos construído uma fé.

 

Se a resposta for não, talvez tenhamos construído apenas uma instituição.

 

Porque igreja não é apenas aquilo que acontece dentro de quatro paredes.

 

Igreja é aquilo que permanece quando saímos delas.

 

É o modo como tratamos quem não pode nos oferecer nada.

 

É a maneira como educamos nossos filhos.

 

É a honestidade quando ninguém está olhando.

 

É o perdão quando seria mais fácil vingar.

 

É a compaixão diante da dor.

 

É a capacidade de amar sem perguntar em quem o outro votou.

 

É permanecer humano quando temos poder para desumanizar.

 

Talvez seja por isso que a pergunta do nosso tempo não deva ser:

 

“Quantos estamos levando para a igreja?”

 

Mas:

 

“Que tipo de pessoas estamos formando?”

 

Porque, no final das contas, uma igreja verdadeiramente viva não é aquela que apenas cresce.

 

É aquela que transforma pessoas e, através delas, transforma o mundo.

 

 Acimarley Freitas