Psicologa Organizacional

11 de junho de 2026

 


Estou Ansioso

 

 

Outro dia, enquanto esperava minha vez na fila do café, ouvi um rapaz falando ao telefone:

 

— Acho que estou ansioso.

 

A frase parecia simples. Hoje em dia, ela atravessa mesas de bar, corredores de escola, salas de espera, grupos de família e até comentários nas redes sociais. "Estou ansioso."

 

Fiquei pensando na força dessa pequena expressão.

 

Porque existe uma ansiedade que visita a gente como quem bate à porta para avisar que algo importante está para acontecer.

 

A criança que mal consegue dormir na véspera do aniversário.

 

O adolescente contando os dias para a formatura.

 

A jovem ajeitando a roupa antes da entrevista de emprego.

 

O pai esperando o nascimento do filho.

 

O estudante olhando para a porta da sala, minutos antes da prova.

 

O torcedor acompanhando os pênaltis de uma final de campeonato.

 

Há um coração acelerado que faz parte da própria aventura de estar vivo.

 

Talvez a vida tenha colocado essa inquietação dentro de nós como quem coloca vento nas velas de um barco. Sem ela, talvez não estudássemos, não amássemos, não sonhássemos, não saíssemos de casa em busca de novos caminhos.

 

Existe uma ansiedade que não é inimiga. É companheira das expectativas, das esperanças e dos encontros importantes da existência.

 

Mas há dias em que a história parece diferente.

 

A entrevista termina, e a inquietação continua.

 

A prova acaba, mas a mente não descansa.

 

O casamento acontece, o filho nasce, as férias chegam, o problema passa... e, ainda assim, o coração parece não receber a notícia de que o perigo foi embora.

 

É como um guarda de trânsito que continua apitando em uma rua completamente vazia.

 

E talvez seja aí que muita gente faça uma confusão.

 

Confundimos o estado de estar ansioso com a experiência de viver permanentemente em alerta.

 

Uma coisa é a chuva da tarde.

 

Outra é morar dentro de uma tempestade.

 

A sociedade moderna também parece ter dificuldade em perceber essa diferença.

 

Vivemos em um tempo em que tudo precisa ser urgente.

 

As mensagens chegam imediatamente.

 

As notícias correm mais rápido que o pensamento.

 

As redes sociais nos apresentam centenas de vidas aparentemente perfeitas antes mesmo do café da manhã.

 

Os aplicativos contam nossos passos, nosso sono, nossos batimentos e, às vezes, até nossos fracassos.

 

Parece que existe um cronômetro invisível dizendo:

 

"Corra. Você está atrasado."

 

Mas atrasado para quê?

 

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes do nosso tempo.

 

Estamos correndo para conquistar sonhos ou para não sermos esquecidos?

 

Estamos vivendo nossos próprios calendários ou tentando acompanhar o relógio dos outros?

 

Talvez uma parte da nossa inquietação venha desse estranho costume de comparar o capítulo dois da nossa vida com o capítulo vinte da vida alheia.

 

E, no meio disso tudo, muitas pessoas carregam batalhas silenciosas que ninguém consegue enxergar.

 

Há quem diga "estou ansioso" querendo dizer apenas que está esperando uma boa notícia.

 

Há quem diga exatamente a mesma frase enquanto luta, todos os dias, contra um medo constante que parece não encontrar motivo para ir embora.

 

Nenhuma dessas experiências merece julgamento.

 

Nenhuma delas deveria ser motivo de vergonha.

 

Porque sentir faz parte da condição humana.

 


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