O Poder de uma Escolha
Por
Acimarley Freitas
Todos
os dias acordamos diante de uma encruzilhada.
Algumas
são pequenas. Outras mudam destinos.
Escolhemos
a roupa que vamos vestir, o caminho que vamos percorrer, as palavras que
diremos, as pessoas com quem vamos conviver. Escolhemos o que assistir, o que
ouvir, o que consumir, em quem acreditar e, muitas vezes sem perceber,
escolhemos até os pensamentos que alimentaremos ao longo do dia.
A
vida é um convite permanente à escolha.
Curiosamente,
existe uma escolha que quase ninguém percebe estar fazendo: a escolha de não
escolher.
Sim.
Quando
adiamos uma decisão, estamos decidindo.
Quando
permanecemos em um lugar que já não nos faz bem, estamos decidindo.
Quando
deixamos que outras pessoas conduzam nossa vida, estamos decidindo.
Não
tomar uma decisão continua sendo uma decisão.
Desde
cedo somos cercados por vozes.
A
família nos orienta sobre qual profissão seguir.
Os
amigos opinam sobre com quem devemos nos relacionar.
A
sociedade nos apresenta modelos de sucesso.
A
cultura define padrões de beleza.
As
redes sociais sugerem como devemos viver.
Há
quem escolha ser médico para realizar o sonho dos pais.
Há
quem faça um concurso porque toda a família acredita ser o caminho mais seguro.
Há
quem permaneça em relacionamentos que já terminaram por dentro, apenas porque
teme decepcionar alguém.
Há
quem abandone sonhos legítimos para atender expectativas que nunca foram suas.
E,
aos poucos, sem perceber, muitas pessoas passam a viver uma vida que parece
correta aos olhos dos outros, mas estranha ao próprio coração.
Talvez
uma das perguntas mais difíceis da existência seja justamente esta:
Quem
é você quando todas as vozes se calam?
Não
quem esperam que você seja.
Não
quem ensinaram você a ser.
Não
quem os outros desejam que você se torne.
Mas
quem é você?
Parece
uma pergunta simples.
Não
é.
Muitos
chegam à vida adulta sem conseguir respondê-la.
Passaram
tanto tempo tentando agradar, corresponder, atender expectativas e evitar
desapontamentos que perderam o contato com aquilo que realmente desejavam.
E
então surge um vazio difícil de explicar.
A
pessoa possui trabalho.
Possui
estabilidade.
Possui
reconhecimento.
Mas
não possui pertencimento à própria história.
É
como morar numa casa bonita construída para outra pessoa.
Por
fora tudo parece perfeito.
Por
dentro algo continua faltando.
Escolher
não significa ter certeza absoluta.
Nenhum
ser humano recebe garantias antes de dar um passo importante.
Escolher
é, muitas vezes, caminhar sem enxergar completamente o destino.
É
assumir a responsabilidade pela própria vida.
É
compreender que algumas escolhas produzirão alegrias e outras produzirão
aprendizados.
Mas
todas elas ajudarão a construir quem estamos nos tornando.
Talvez
por isso a liberdade assuste tanto.
Porque
ser livre significa reconhecer que nem sempre podemos controlar as
circunstâncias, mas podemos assumir uma posição diante delas.
E
essa posição também é uma escolha.
Ao
longo da vida, descobri algo curioso observando pessoas.
As
maiores dores raramente surgem das escolhas que deram errado.
As
maiores dores costumam nascer das escolhas que nunca foram feitas.
Dos
sonhos adiados.
Das
palavras não ditas.
Dos
caminhos não percorridos.
Das
vidas que poderiam ter sido vividas.
Por
isso, hoje quero lhe fazer um convite.
Pare
por alguns instantes.
Silencie
as vozes externas.
Desligue
os ruídos.
Afaste-se
das expectativas.
E
pergunte a si mesmo:
O
que eu realmente quero?
Talvez
a resposta não venha imediatamente.
Talvez
ela esteja escondida sob anos de condicionamentos, medos e obrigações.
Mas
ela existe.
Dentro
de você existe alguém esperando ser ouvido.
E
talvez o primeiro passo para encontrá-lo seja justamente este:
Escolher.
Porque,
no final das contas, a vida não é apenas aquilo que acontece conosco.
A
vida também é aquilo que fazemos com as escolhas que temos.
E
você?
Tem
vivido como resultado das suas próprias escolhas?
Ou
tem permitido que outros escolham por você?
Essa
é uma pergunta que ninguém pode responder em seu lugar. Afinal, escolher é um
dos atos mais corajosos da existência humana.
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