Psicologa Organizacional

8 de junho de 2026

 


 

O Poder de uma Escolha

 

Por Acimarley Freitas

 

Todos os dias acordamos diante de uma encruzilhada.

 

Algumas são pequenas. Outras mudam destinos.

 

Escolhemos a roupa que vamos vestir, o caminho que vamos percorrer, as palavras que diremos, as pessoas com quem vamos conviver. Escolhemos o que assistir, o que ouvir, o que consumir, em quem acreditar e, muitas vezes sem perceber, escolhemos até os pensamentos que alimentaremos ao longo do dia.

 

A vida é um convite permanente à escolha.

 

Curiosamente, existe uma escolha que quase ninguém percebe estar fazendo: a escolha de não escolher.

 

Sim.

 

Quando adiamos uma decisão, estamos decidindo.

 

Quando permanecemos em um lugar que já não nos faz bem, estamos decidindo.

 

Quando deixamos que outras pessoas conduzam nossa vida, estamos decidindo.

 

Não tomar uma decisão continua sendo uma decisão.

 

Desde cedo somos cercados por vozes.

 

A família nos orienta sobre qual profissão seguir.

 

Os amigos opinam sobre com quem devemos nos relacionar.

 

A sociedade nos apresenta modelos de sucesso.

 

A cultura define padrões de beleza.

 

As redes sociais sugerem como devemos viver.

 

Há quem escolha ser médico para realizar o sonho dos pais.

 

Há quem faça um concurso porque toda a família acredita ser o caminho mais seguro.

 

Há quem permaneça em relacionamentos que já terminaram por dentro, apenas porque teme decepcionar alguém.

 

Há quem abandone sonhos legítimos para atender expectativas que nunca foram suas.

 

E, aos poucos, sem perceber, muitas pessoas passam a viver uma vida que parece correta aos olhos dos outros, mas estranha ao próprio coração.

 

Talvez uma das perguntas mais difíceis da existência seja justamente esta:

 

Quem é você quando todas as vozes se calam?

 

Não quem esperam que você seja.

 

Não quem ensinaram você a ser.

 

Não quem os outros desejam que você se torne.

 

Mas quem é você?

 

Parece uma pergunta simples.

 

Não é.

 

Muitos chegam à vida adulta sem conseguir respondê-la.

 

Passaram tanto tempo tentando agradar, corresponder, atender expectativas e evitar desapontamentos que perderam o contato com aquilo que realmente desejavam.

 

E então surge um vazio difícil de explicar.

 

A pessoa possui trabalho.

 

Possui estabilidade.

 

Possui reconhecimento.

 

Mas não possui pertencimento à própria história.

 

É como morar numa casa bonita construída para outra pessoa.

 

Por fora tudo parece perfeito.

 

Por dentro algo continua faltando.

 

Escolher não significa ter certeza absoluta.

 

Nenhum ser humano recebe garantias antes de dar um passo importante.

 

Escolher é, muitas vezes, caminhar sem enxergar completamente o destino.

 

É assumir a responsabilidade pela própria vida.

 

É compreender que algumas escolhas produzirão alegrias e outras produzirão aprendizados.

 

Mas todas elas ajudarão a construir quem estamos nos tornando.

 

Talvez por isso a liberdade assuste tanto.

 

Porque ser livre significa reconhecer que nem sempre podemos controlar as circunstâncias, mas podemos assumir uma posição diante delas.

 

E essa posição também é uma escolha.

 

Ao longo da vida, descobri algo curioso observando pessoas.

 

As maiores dores raramente surgem das escolhas que deram errado.

 

As maiores dores costumam nascer das escolhas que nunca foram feitas.

 

Dos sonhos adiados.

 

Das palavras não ditas.

 

Dos caminhos não percorridos.

 

Das vidas que poderiam ter sido vividas.

 

Por isso, hoje quero lhe fazer um convite.

 

Pare por alguns instantes.

 

Silencie as vozes externas.

 

Desligue os ruídos.

 

Afaste-se das expectativas.

 

E pergunte a si mesmo:

 

O que eu realmente quero?

 

Talvez a resposta não venha imediatamente.

 

Talvez ela esteja escondida sob anos de condicionamentos, medos e obrigações.

 

Mas ela existe.

 

Dentro de você existe alguém esperando ser ouvido.

 

E talvez o primeiro passo para encontrá-lo seja justamente este:

 

Escolher.

 

Porque, no final das contas, a vida não é apenas aquilo que acontece conosco.

 

A vida também é aquilo que fazemos com as escolhas que temos.

 

E você?

 

Tem vivido como resultado das suas próprias escolhas?

 

Ou tem permitido que outros escolham por você?

 

Essa é uma pergunta que ninguém pode responder em seu lugar. Afinal, escolher é um dos atos mais corajosos da existência humana.

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