Vencer e Perder: Duas Professoras
da Mesma Escola
Por
Acimarley Freitas
Estamos
em época de Copa do Mundo.
De
repente, as ruas ganham novas cores. As camisas saem dos armários. Famílias se
reúnem diante da televisão. Amigos se encontram para torcer. Crianças aprendem
os nomes dos jogadores. Adultos voltam a sonhar como se fossem meninos outra
vez.
E,
quase ao mesmo tempo, nós brasileiros celebramos o São João.
As
bandeirinhas enfeitam as cidades, o cheiro de milho cozido invade as casas, as
quadrilhas tomam conta das praças e a alegria parece encontrar mais espaço para
dançar entre nós. É a nossa cultura pulsando. É o nosso jeito de celebrar a
vida.
O
Brasil é conhecido como o país do futebol. E não por acaso. Somos pentacampeões
do mundo. Carregamos na memória nomes que atravessaram gerações: Pelé,
Garrincha, Zico, Romário, Bebeto, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros
que fizeram multidões sorrirem.
Gostamos
de vencer.
Gostamos
de comemorar.
Gostamos
de sentir aquela explosão de alegria quando a bola encontra a rede e o
impossível parece acontecer diante dos nossos olhos.
E
não há nada de errado nisso.
Celebrar
conquistas é uma das formas mais bonitas de reconhecer nossos esforços, nossos
sonhos e nossas esperanças.
Mas
a Copa do Mundo também nos oferece uma oportunidade silenciosa de aprendizado.
Ela
nos lembra que, assim como no futebol, a vida não é feita apenas de vitórias.
Existe
algo que raramente ensinamos com a mesma intensidade: a arte de lidar com as
derrotas.
Somos
preparados para levantar troféus, mas poucas vezes aprendemos o que fazer
quando precisamos recolher os pedaços de uma expectativa que não se realizou.
A
verdade é que perder também faz parte da jornada.
Faz
parte do crescimento.
Faz
parte da experiência de estar vivo.
Nenhuma
seleção entra em campo pensando em perder. Nenhum atleta treina para ser
derrotado. Da mesma forma, ninguém acorda desejando fracassar em seus projetos,
relacionamentos ou sonhos.
Mas
a possibilidade existe.
E
aceitar essa possibilidade não nos torna pessimistas.
Pelo
contrário.
Nos
torna mais preparados para a realidade.
Ser
otimista não significa acreditar que tudo dará certo o tempo todo.
Significa
continuar acreditando na vida mesmo quando algumas coisas não acontecem como
esperávamos.
Se
a sua seleção vencer, comemore.
Grite.
Abrace
quem está ao seu lado.
Celebre
cada momento.
Mas,
se ela perder, lembre-se de algo importante: a vida continua.
O
sol nascerá no dia seguinte.
As
pessoas que você ama continuarão ao seu lado.
Novas
oportunidades surgirão.
Novos
sonhos poderão ser construídos.
Novas
conquistas ainda estarão esperando por você.
Porque
o futebol é uma parte bonita da nossa vida, mas não é toda a nossa vida.
Somos
muito mais do que o resultado de uma partida.
Somos
muito mais do que uma vitória ou uma derrota.
Somos
seres humanos aprendendo, crescendo, caindo, levantando e seguindo em frente.
Por
isso, nesta Copa do Mundo, cuide das suas emoções.
Observe
seus sentimentos.
Perceba
como você reage quando as coisas acontecem como deseja e também quando não
acontecem.
Talvez
a maior vitória não esteja apenas no placar.
Talvez
ela esteja na capacidade de continuar caminhando com esperança, equilíbrio e
confiança, independentemente do resultado.
Porque,
no grande campeonato da vida, vencer e perder não são adversários.
São
duas professoras da mesma escola.
E
ambas têm algo valioso para nos ensinar.
Que
nesta Copa possamos torcer com paixão, celebrar com alegria e aprender com
maturidade. Afinal, a vida sempre nos convida a jogar muito além dos noventa
minutos.
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