Psicologa Organizacional

8 de junho de 2026

 

 


Vencer e Perder: Duas Professoras da Mesma Escola

 

Por Acimarley Freitas

 

Estamos em época de Copa do Mundo.

 

De repente, as ruas ganham novas cores. As camisas saem dos armários. Famílias se reúnem diante da televisão. Amigos se encontram para torcer. Crianças aprendem os nomes dos jogadores. Adultos voltam a sonhar como se fossem meninos outra vez.

 

E, quase ao mesmo tempo, nós brasileiros celebramos o São João.

 

As bandeirinhas enfeitam as cidades, o cheiro de milho cozido invade as casas, as quadrilhas tomam conta das praças e a alegria parece encontrar mais espaço para dançar entre nós. É a nossa cultura pulsando. É o nosso jeito de celebrar a vida.

 

O Brasil é conhecido como o país do futebol. E não por acaso. Somos pentacampeões do mundo. Carregamos na memória nomes que atravessaram gerações: Pelé, Garrincha, Zico, Romário, Bebeto, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros que fizeram multidões sorrirem.

 

Gostamos de vencer.

 

Gostamos de comemorar.

 

Gostamos de sentir aquela explosão de alegria quando a bola encontra a rede e o impossível parece acontecer diante dos nossos olhos.

 

E não há nada de errado nisso.

 

Celebrar conquistas é uma das formas mais bonitas de reconhecer nossos esforços, nossos sonhos e nossas esperanças.

 

Mas a Copa do Mundo também nos oferece uma oportunidade silenciosa de aprendizado.

 

Ela nos lembra que, assim como no futebol, a vida não é feita apenas de vitórias.

 

Existe algo que raramente ensinamos com a mesma intensidade: a arte de lidar com as derrotas.

 

Somos preparados para levantar troféus, mas poucas vezes aprendemos o que fazer quando precisamos recolher os pedaços de uma expectativa que não se realizou.

 

A verdade é que perder também faz parte da jornada.

 

Faz parte do crescimento.

 

Faz parte da experiência de estar vivo.

 

Nenhuma seleção entra em campo pensando em perder. Nenhum atleta treina para ser derrotado. Da mesma forma, ninguém acorda desejando fracassar em seus projetos, relacionamentos ou sonhos.

 

Mas a possibilidade existe.

 

E aceitar essa possibilidade não nos torna pessimistas.

 

Pelo contrário.

 

Nos torna mais preparados para a realidade.

 

Ser otimista não significa acreditar que tudo dará certo o tempo todo.

 

Significa continuar acreditando na vida mesmo quando algumas coisas não acontecem como esperávamos.

 

Se a sua seleção vencer, comemore.

 

Grite.

 

Abrace quem está ao seu lado.

 

Celebre cada momento.

 

Mas, se ela perder, lembre-se de algo importante: a vida continua.

 

O sol nascerá no dia seguinte.

 

As pessoas que você ama continuarão ao seu lado.

 

Novas oportunidades surgirão.

 

Novos sonhos poderão ser construídos.

 

Novas conquistas ainda estarão esperando por você.

 

Porque o futebol é uma parte bonita da nossa vida, mas não é toda a nossa vida.

 

Somos muito mais do que o resultado de uma partida.

 

Somos muito mais do que uma vitória ou uma derrota.

 

Somos seres humanos aprendendo, crescendo, caindo, levantando e seguindo em frente.

 

Por isso, nesta Copa do Mundo, cuide das suas emoções.

 

Observe seus sentimentos.

 

Perceba como você reage quando as coisas acontecem como deseja e também quando não acontecem.

 

Talvez a maior vitória não esteja apenas no placar.

 

Talvez ela esteja na capacidade de continuar caminhando com esperança, equilíbrio e confiança, independentemente do resultado.

 

Porque, no grande campeonato da vida, vencer e perder não são adversários.

 

São duas professoras da mesma escola.

 

E ambas têm algo valioso para nos ensinar.

 

Que nesta Copa possamos torcer com paixão, celebrar com alegria e aprender com maturidade. Afinal, a vida sempre nos convida a jogar muito além dos noventa minutos.

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