Psicologa Organizacional

29 de abril de 2026

 




Mãe: nome que não se divide

 

Por Acimarley Freitas – Psicólogo Clínico

 

Foi uma perícia psicológica, mais uma entre tantas que fazem parte da minha rotina profissional. Ainda assim, como tantas outras vezes, aquele encontro carregava algo de singular. Era uma jovem senhora de 43 anos, moradora do interior desse Brasil tão vasto e, por vezes, tão desafiador. Havia em seu olhar uma mistura de cansaço e dignidade, como quem já enfrentou muito, mas decidiu continuar.

 

Durante a entrevista, sua fala fluía com naturalidade. Em meio à sua narrativa, ela sorriu e disse, quase com leveza: “É, Acimarley… eu sou mãe solo”. A expressão, dita de forma simples, teve em mim um efeito profundo. Não passou despercebida,  atravessou. Com cuidado, perguntei o que significava, para ela, ser uma mãe solo.

 

Ela então explicou: era mãe solteira. Disse que foi mãe, pai, provedora, educadora. Que trabalhou muito para criar o filho. Reconheceu que a sociedade costuma julgar mulheres como ela, mas afirmou, com uma serenidade que impressionava: “Eu sou uma mãe solo e sou feliz”.

 

Seguimos com o processo, como exige a técnica e a ética profissional. Ao final, fiz o encaminhamento necessário. No entanto, mesmo após o término da perícia, aquela fala permaneceu em mim. Ao longo do dia, a expressão “mãe solo” ecoava, como um convite silencioso à reflexão.

 

Passei a pensar nos caminhos que aquela mulher percorreu. Nos desafios enfrentados, muitos deles invisíveis aos olhos alheios. Nas dificuldades financeiras, nas escolhas difíceis, nas noites em que talvez tenha precisado ser forte mesmo estando cansada. Pensei também na ausência de escuta que tantas mulheres vivem, julgadas antes de serem compreendidas, rotuladas antes de serem acolhidas.

 

E então, em meio a essas reflexões, algo se reorganizou dentro de mim. Questionei, em silêncio: “Mãe solo?”. E a resposta veio quase como uma constatação simples, porém profunda: não. Mãe.

 

Porque, no fundo, não existem categorias capazes de definir o que é ser mãe. Os rótulos:  solteira, casada, viúva, adotiva são construções sociais que tentam organizar realidades complexas. Mas a experiência de maternar ultrapassa essas classificações. Ela é inteira, atravessada por cuidado, presença, renúncia e amor.

 

Talvez o que falte, muitas vezes, seja disposição para escutar essas histórias com mais humanidade. Para reconhecer que, por trás de cada termo, existe uma vida marcada por escolhas, lutas e afetos que não cabem em definições simplistas.

 

Naquele dia, eu realizei uma perícia psicológica. Mas, para além do procedimento técnico, vivi um encontro que me convidou a rever conceitos e ampliar meu olhar. Desde então, algo em mim passou a compreender com mais profundidade que, quando falamos de amor, especialmente o amor de uma mãe, não há categorias que deem conta.

 

Existe, simplesmente, mãe.


 


Eu preciso da falta

 

Por Acimarley Freitas, Psicólogo Clínico

 

Há dias em que tudo parece estar no lugar.

 

O diploma na parede, o trabalho conquistado, os títulos que chegaram com esforço graduação, mestrado, talvez até um doutorado. Há também os afetos: a pessoa amada, os vínculos familiares, as amizades que sustentam. As viagens feitas, os bens adquiridos, os planos realizados. Tudo isso compõe aquilo que, por muito tempo, chamamos de “projeto de vida”.

 

E, ainda assim… algo falta.

 

Não é uma falta concreta, daquelas que conseguimos nomear com precisão. Não é necessariamente a ausência de dinheiro, de amor ou de oportunidades. É uma sensação mais sutil, quase silenciosa, mas profundamente presente. Uma espécie de vazio que não grita, mas também não se cala.

 

E então surgem as perguntas:

“Por que me sinto assim, se tenho tudo?”

“Será que me falta fé?”

“Será que estou sendo ingrato?”

 

Mas talvez… talvez a questão não seja eliminar essa falta.

 

Talvez seja compreendê-la.

 

Ao longo da minha caminhada como psicólogo, e também como alguém que sente, que vive e que busca, tenho aprendido que essa sensação não é um defeito da existência. Pelo contrário, ela é parte essencial dela.

 

A falta não é apenas ausência.

A falta é movimento.

 

Na perspectiva da psicologia, especialmente em diálogos com a psicanálise, compreendemos que o ser humano é marcado por um desejo que nunca se satisfaz completamente. Não porque algo esteja errado, mas porque é justamente esse “não preenchimento total” que nos impulsiona a continuar. Se estivéssemos plenamente completos, não haveria motivo para caminhar, sonhar, criar ou amar.

 

Na filosofia, essa inquietação também aparece como condição humana. Somos seres inacabados, em constante construção. E, na teologia, essa falta muitas vezes é interpretada como um espaço onde o transcendente se insinua não como um vazio a ser eliminado, mas como um convite à busca de sentido.

 

Percebe?

 

Aquilo que você chama de “falta” pode ser, na verdade, o que te mantém vivo por dentro.

 

É ela que te faz levantar em dias difíceis.

É ela que te move a buscar algo além do que já conquistou.

É ela que te lembra, de forma sutil, que a vida não é um ponto de chegada, mas um caminho em constante transformação.

 

O problema não está em sentir a falta.

O sofrimento começa quando acreditamos que não deveríamos senti-la.

 

Quando tentamos preenchê-la a qualquer custo.

Quando nos culpamos por ela.

Quando a interpretamos como fracasso.

 

Mas e se, ao invés disso, você pudesse olhar para essa sensação com mais gentileza?

 

E se você pudesse dizer a si mesmo:

Isso que sinto faz parte de ser humano.”

 

A falta não precisa ser sua inimiga.

Ela pode ser sua orientadora.

 

Ela não te diminui, ela te direciona.

 

Talvez você não precise correr para preencher esse espaço agora.

Talvez precise apenas escutá-lo.

 

Porque, no fundo, a grande verdade da vida é essa: não somos feitos para a completude estática, mas para o movimento contínuo do vir a ser.

 

E, de alguma forma paradoxal, é justamente a falta que nos permite continuar.

 

✨ Se esse texto falou ao seu coração, compartilhe com alguém que também precise escutar isso hoje.

💬 Se quiser conversar sobre isso, estou por aqui.

🙏 Que Deus continue guiando os seus passos com amor e propósito.

 

 

 

Referências Bibliográficas

 

BAUMAN, Zygmunt. Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

 

FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. Petrópolis: Vozes, 2008.

 

FREUD, Sigmund. O Mal-Estar na Civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

 

LACAN, Jacques. O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

 

ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

 

MAY, Rollo. O Homem à Procura de Si Mesmo. Rio de Janeiro: Vozes, 1982.

 

AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Paulus, 2017.


28 de abril de 2026

 



Infância, abandono parental e formação do conceito de amor: implicações para o desenvolvimento da personalidade e dos vínculos afetivos à luz da Abordagem Centrada na Pessoa e de abordagens correlatas

 

O presente estudo tem como objetivo analisar os impactos do abandono parental na infância sobre a formação da personalidade e, especialmente, sobre a construção do conceito de amor ao longo da vida. Parte-se da compreensão de que crianças que vivenciam a ausência de figuras parentais significativas, ainda que posteriormente recebam cuidado de responsáveis substitutos, elaboram suas experiências afetivas de maneira singular, o que repercute diretamente na forma como desenvolvem seus vínculos interpessoais. Fundamentado na Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), proposta por Carl Rogers, e dialogando com outras abordagens psicológicas, como a teoria do apego e a psicanálise, este estudo adota uma metodologia qualitativa de natureza bibliográfica, com base em autores nacionais e internacionais de relevância. Os achados indicam que o abandono parental pode gerar marcas profundas na estrutura do self, influenciando a forma como o indivíduo percebe, oferece e recebe amor, repercutindo em suas relações afetivas ao longo da vida. Ainda assim, observa-se que a presença de vínculos reparadores e de contextos terapêuticos facilitadores pode favorecer a ressignificação dessas vivências.

A infância constitui um período fundamental para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social do indivíduo, sendo nesse estágio que se estabelecem as primeiras relações de apego, responsáveis por moldar a forma como a criança percebe a si mesma, ao outro e ao mundo. Nesse sentido, o abandono parental configura-se como uma experiência potencialmente traumática, capaz de impactar significativamente a formação da personalidade e a construção de vínculos afetivos ao longo da vida. Embora muitas crianças em situação de abandono venham a ser acolhidas por responsáveis substitutos, que lhes oferecem cuidado, proteção e afeto, permanece uma lacuna subjetiva relacionada à ausência das figuras parentais originais. Tal lacuna pode influenciar diretamente a forma como o indivíduo compreenderá o amor, bem como suas expectativas e comportamentos em relacionamentos futuros, como namoro, casamento, relações familiares e amizades. Assim, o presente estudo busca analisar, à luz da Abordagem Centrada na Pessoa e de outras perspectivas teóricas da psicologia, como se dá a construção do conceito de amor em indivíduos que vivenciaram o abandono parental na infância, considerando suas implicações para o desenvolvimento da personalidade e das relações interpessoais.

Nesse contexto, o objetivo geral deste trabalho consiste em analisar os efeitos do abandono parental na infância sobre a formação da personalidade e a construção do conceito de amor, enquanto, de forma específica, busca-se compreender o papel das primeiras relações afetivas no desenvolvimento da personalidade, investigar os impactos do abandono na estrutura psíquica, analisar a constituição do conceito de amor nesses sujeitos, discutir as repercussões dessas vivências nos relacionamentos ao longo da vida e identificar possibilidades de ressignificação por meio de vínculos reparadores e processos terapêuticos.

A metodologia adotada caracteriza-se como qualitativa, de natureza bibliográfica, fundamentada na análise de livros, artigos científicos e publicações acadêmicas. Foram utilizados autores de relevância nas áreas da psicologia humanista, psicanálise e teoria do apego, tais como John Bowlby, Donald Winnicott, além de contribuições nacionais como Mauro Martins Amatuzzi, Ana Mercês Bahia Bock e Luís Cláudio Figueiredo. A análise foi realizada por meio de leitura crítica e interpretação teórica, buscando integrar diferentes perspectivas sobre o desenvolvimento emocional e relacional.

A relevância deste estudo justifica-se pela necessidade de compreender os efeitos do abandono parental na infância, especialmente no contexto da prática clínica. Em uma sociedade marcada por rupturas familiares e múltiplas configurações de cuidado, torna-se fundamental investigar como essas experiências iniciais influenciam a vida emocional dos indivíduos. Assim, amplia-se o olhar sobre o desenvolvimento humano, considerando tanto os impactos das vivências adversas quanto as possibilidades de transformação e crescimento.

No campo teórico, John Bowlby destaca que os vínculos estabelecidos na infância com figuras cuidadoras são fundamentais para o desenvolvimento emocional saudável, sendo que sua ausência ou inconsistência pode gerar padrões de apego inseguros, influenciando negativamente a capacidade de estabelecer relações afetivas estáveis. Na perspectiva psicanalítica, Donald Winnicott enfatiza a importância de um ambiente suficientemente bom para o desenvolvimento do self, sendo que falhas nesse ambiente, como no abandono, podem comprometer a integração psíquica e a confiança no outro; contudo, o autor reconhece a possibilidade de experiências reparadoras ao longo da vida.

Por sua vez, a Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers, compreende o ser humano como dotado de uma tendência atualizante, isto é, uma capacidade inata de crescimento e realização. Entretanto, experiências de rejeição e abandono podem gerar incongruência entre o self real e o self ideal, distorcendo o conceito de amor, que passa a ser associado à dor, à perda ou à insegurança. Nessa direção, autores brasileiros como Mauro Martins Amatuzzi e Ana Mercês Bahia Bock reforçam que o amor é uma construção relacional, desenvolvida nas interações humanas. Assim, indivíduos que vivenciaram o abandono podem apresentar dificuldades em confiar, se entregar ou manter vínculos duradouros, ainda que exista um desejo profundo de serem amados.

Entretanto, é fundamental destacar que a presença de vínculos afetivos posteriores, como aqueles estabelecidos com responsáveis substitutos, amigos ou parceiros, pode atuar como fator de proteção e reparação. Além disso, o processo psicoterapêutico, especialmente quando fundamentado na Abordagem Centrada na Pessoa, pode oferecer um espaço seguro de escuta empática, aceitação incondicional e autenticidade, favorecendo a ressignificação das experiências e a reconstrução do conceito de amor.

Diante do exposto, conclui-se que o abandono parental na infância exerce influência significativa sobre a formação da personalidade e a construção do conceito de amor. Ainda que cuidadores substitutos possam oferecer suporte emocional, a ausência das figuras parentais originais pode deixar marcas subjetivas que se manifestam nos relacionamentos ao longo da vida. Contudo, à luz da Abordagem Centrada na Pessoa, reconhece-se que o indivíduo possui potencial para ressignificar suas experiências e desenvolver formas mais saudáveis de amar e se relacionar. Para isso, torna-se essencial a presença de vínculos empáticos, autênticos e acolhedores, tanto no contexto social quanto no terapêutico, promovendo, assim, crescimento, integração e autonomia.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AMATUZZI, Mauro Martins. O resgate da fala autêntica. Campinas: Papirus, 2001.

 

BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva, 2002.

 

BOWLBY, John. Apego e perda: apego. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

 

FIGUEIREDO, Luís Cláudio. Psicologia: uma introdução. São Paulo: EDUC, 1991.

 

ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1961.

 

ROGERS, Carl R. Um jeito de ser. São Paulo: EPU, 1983.

 

WINNICOTT, Donald W. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artmed, 1983.


 



Desvio de caráter: compreensão teórica e possibilidades de reestruturação à luz da Abordagem Centrada na Pessoa

 

O presente artigo tem como objetivo analisar o conceito de desvio de caráter sob a perspectiva da psicologia, especialmente à luz da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). Busca-se compreender os fatores que contribuem para a formação de padrões comportamentais considerados desviantes, bem como investigar a possibilidade de reestruturação psíquica e moral do indivíduo. A partir de uma metodologia de natureza qualitativa, baseada em pesquisa bibliográfica com autores clássicos e contemporâneos da psicologia humanista, como Carl Rogers, Abraham Maslow, Rollo May, além de contribuições brasileiras como Bock, Figueiredo e Amatuzzi, este estudo se propõe a oferecer uma leitura mais aprofundada e humanizada do tema. Os resultados indicam que o chamado “desvio de caráter” não deve ser compreendido como uma condição fixa ou essencial do sujeito, mas como uma construção relacional e histórica, passível de transformação mediante condições facilitadoras de crescimento. Dessa forma, parte-se do pressuposto de que, dentro da ACP, a reestruturação é possível quando há um ambiente terapêutico que favoreça autenticidade, aceitação incondicional e compreensão empática.

Inicialmente, é importante destacar que o conceito de “desvio de caráter” é frequentemente utilizado no senso comum para designar comportamentos moralmente inadequados, antiéticos ou socialmente reprováveis. Entretanto, no campo científico da psicologia, tal expressão carece de uma definição precisa, exigindo uma análise mais criteriosa que considere os aspectos subjetivos, sociais e históricos envolvidos na constituição da personalidade. Nesse sentido, a psicologia humanista, especialmente por meio da Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers, propõe uma compreensão do ser humano como um organismo em constante processo de desenvolvimento, dotado de uma tendência atualizante. Assim, comportamentos considerados desviantes podem ser compreendidos não como manifestações fixas de um “caráter corrompido”, mas como respostas adaptativas a contextos adversos vivenciados pelo indivíduo ao longo de sua trajetória.

Dando continuidade à análise, torna-se fundamental compreender que, segundo Carl Rogers (1961), todo indivíduo possui uma tendência inata à atualização, ou seja, uma força interna que o impulsiona ao crescimento e à realização de seu potencial. Contudo, essa tendência pode ser distorcida quando o sujeito é submetido a condições de valor, isto é, quando sua aceitação passa a estar condicionada a determinados comportamentos impostos pelo meio. Como consequência, o indivíduo pode internalizar tais condições, desenvolvendo uma incongruência entre sua experiência real e seu autoconceito, o que, por sua vez, pode resultar em comportamentos considerados disfuncionais ou desviantes. Portanto, o chamado “desvio de caráter” pode ser compreendido como uma manifestação dessa incongruência interna.

Além disso, ao dialogar com outros teóricos da psicologia humanista, observa-se que Abraham Maslow (1970), ao tratar da hierarquia das necessidades, destaca que a frustração de necessidades básicas pode comprometer o desenvolvimento saudável da personalidade. Em consonância com essa perspectiva, Rollo May (1983) enfatiza a importância da liberdade e da responsabilidade na construção do ser, apontando que a ausência de sentido existencial pode levar o indivíduo a adotar comportamentos destrutivos. No contexto brasileiro, Bock, Furtado e Teixeira (2002) ressaltam que o comportamento humano é resultado de múltiplas determinações, incluindo fatores sociais, culturais e históricos, enquanto Amatuzzi (2001) destaca a importância da escuta empática no processo terapêutico como meio de facilitar a reorganização interna do sujeito.

Dessa forma, à luz da Abordagem Centrada na Pessoa, compreende-se que a reestruturação do indivíduo é possível, desde que ele esteja inserido em um ambiente que ofereça condições facilitadoras adequadas. Especificamente, Rogers propõe três condições fundamentais para o crescimento terapêutico: a congruência, que se refere à autenticidade do terapeuta; a consideração positiva incondicional, caracterizada pela aceitação do cliente sem julgamentos; e a compreensão empática, que envolve a capacidade de compreender o mundo interno do outro como se fosse o seu, sem, contudo, perder a própria referência. Tais condições favorecem a redução da incongruência e promovem o desenvolvimento de um self mais integrado e funcional.

Ademais, a relevância deste estudo se justifica pela necessidade de superar visões reducionistas e deterministas acerca do comportamento humano, especialmente em um contexto social marcado por julgamentos e estigmatizações. Ao propor uma compreensão mais empática e fundamentada, este trabalho contribui para a valorização da subjetividade e da possibilidade de transformação, reconhecendo o indivíduo como um ser em constante construção.

Por fim, conclui-se que o conceito de “desvio de caráter” deve ser abordado com cautela no campo da psicologia, uma vez que não representa uma essência fixa do sujeito, mas sim uma construção dinâmica, influenciada por experiências de vida, relações interpessoais e contextos socioculturais. À luz da Abordagem Centrada na Pessoa, torna-se possível afirmar que a reestruturação do indivíduo é não apenas viável, mas também inerente à sua natureza, desde que sejam oferecidas condições facilitadoras que promovam autenticidade, aceitação e empatia. Nesse sentido, o processo terapêutico configura-se como um espaço privilegiado para a reconstrução do self, favorecendo o desenvolvimento pessoal, a autonomia e a realização humana.

 

REFERÊNCIAS

AMATUZZI, Mauro Martins. O resgate da fala autêntica. Campinas: Papirus, 2001.

BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva, 2002.

FIGUEIREDO, Luís Cláudio. Psicologia: uma introdução. São Paulo: EDUC, 1991.

MASLOW, Abraham H. Motivação e personalidade. Rio de Janeiro: Harper & Row do Brasil, 1970.

MAY, Rollo. O homem à procura de si mesmo. Petrópolis: Vozes, 1983.

ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1961.

ROGERS, Carl R. Um jeito de ser. São Paulo: EPU, 1983.


 


Violência religiosa em comunidades terapêuticas: uma análise interdisciplinar à luz da Abordagem Centrada na Pessoa sobre o uso da espiritualidade no tratamento de pessoas dependentes de álcool e outras drogas

 

O presente texto tem como objetivo analisar criticamente a ocorrência de violência religiosa em comunidades terapêuticas destinadas ao tratamento de pessoas dependentes de álcool e outras drogas, especialmente quando uma única tradição religiosa é imposta como referência institucional. A partir de uma abordagem interdisciplinar que integra psicologia, teologia e sociologia, busca-se compreender os impactos dessa imposição sobre a subjetividade do indivíduo, bem como discutir a possibilidade de utilização da espiritualidade como ferramenta terapêutica de forma ética, respeitosa e centrada na pessoa. Para tanto, adota-se uma metodologia qualitativa de natureza bibliográfica, fundamentada na análise de livros, artigos científicos e revistas acadêmicas, com base em autores de reconhecida relevância nacional e internacional. Nesse sentido, parte-se do pressuposto de que a dependência de álcool e outras drogas constitui um fenômeno complexo, envolvendo dimensões biológicas, psicológicas, sociais e espirituais, o que exige uma compreensão ampliada e integrada do cuidado.

Inicialmente, é importante destacar que as comunidades terapêuticas têm se consolidado como dispositivos amplamente utilizados no Brasil, muitas vezes vinculadas a instituições religiosas. Contudo, observa-se que, em determinados contextos, tais espaços adotam práticas que impõem uma única visão religiosa como condição para o tratamento, o que pode configurar formas de violência simbólica e institucional. Diante disso, torna-se fundamental refletir sobre o lugar da espiritualidade no cuidado terapêutico, distinguindo-a da religiosidade institucionalizada. A Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers, oferece fundamentos teóricos consistentes para essa análise, ao propor uma compreensão do ser humano como um sujeito singular, dotado de liberdade, potencial de crescimento e necessidade de aceitação incondicional.

Dando continuidade à análise, à luz da sociologia, a violência religiosa pode ser compreendida como uma forma de violência simbólica, conforme proposto por Bourdieu (1989). Segundo o autor, essa forma de violência ocorre quando estruturas de poder impõem significados e valores de maneira naturalizada, levando os indivíduos a internalizarem tais imposições como legítimas. No contexto das comunidades terapêuticas, a imposição de uma única prática religiosa pode comprometer a autonomia do indivíduo, especialmente em situações de vulnerabilidade, como no caso da dependência química, podendo gerar conflitos internos, sentimentos de inadequação e resistência ao processo terapêutico.

Sob a perspectiva psicológica, Carl Rogers (1961) destaca que o desenvolvimento saudável do indivíduo depende de condições facilitadoras como a consideração positiva incondicional, a empatia e a congruência. Dessa forma, a imposição religiosa contraria os princípios da Abordagem Centrada na Pessoa, uma vez que desconsidera a experiência subjetiva do indivíduo e impõe condições de valor externas. Em continuidade, Viktor Frankl (2008), ao desenvolver a logoterapia, enfatiza a dimensão espiritual como central na busca de sentido da vida; contudo, ressalta que essa dimensão deve ser acessada de forma livre e pessoal, e não imposta. Assim, a espiritualidade pode ser compreendida como uma força existencial que auxilia na superação do sofrimento, desde que respeitada em sua singularidade.

No campo teológico, Leonardo Boff (2006) propõe uma espiritualidade libertadora, centrada no cuidado, na compaixão e no respeito à dignidade humana. Tal perspectiva dialoga diretamente com a proposta de uma abordagem terapêutica que utilize a espiritualidade como recurso de acolhimento, e não como instrumento de dominação. Ademais, autores brasileiros como Safra (2004) e Amatuzzi (2001) reforçam a importância de uma escuta sensível, ética e profunda, que considere o ser humano em sua totalidade. Dessa maneira, a integração entre psicologia, teologia e sociologia permite uma compreensão mais ampla do fenômeno, favorecendo práticas interdisciplinares que respeitem a singularidade do sujeito e promovam seu desenvolvimento integral.

Além disso, é importante ressaltar que a utilização da espiritualidade como ferramenta terapêutica pode ser extremamente benéfica quando conduzida de forma ética e centrada na pessoa. Nesse sentido, ao invés de impor uma crença específica, o profissional pode acolher e valorizar a espiritualidade já existente no indivíduo, utilizando-a como recurso subjetivo de fortalecimento, ressignificação e enfrentamento do sofrimento. Tal postura está em consonância com os princípios da Abordagem Centrada na Pessoa, que valoriza a autonomia, a liberdade e o potencial de crescimento do ser humano.

Diante do exposto, conclui-se que a violência religiosa em comunidades terapêuticas constitui um problema ético e clínico relevante, que pode comprometer significativamente o processo de recuperação de indivíduos em situação de dependência química. A imposição de uma única visão religiosa, especialmente em contextos de vulnerabilidade, configura uma forma de violência simbólica que fere a autonomia e a dignidade do sujeito. Por outro lado, a espiritualidade, quando compreendida como dimensão subjetiva e existencial, pode constituir-se como um importante recurso terapêutico. Assim, à luz da Abordagem Centrada na Pessoa, é possível afirmar que o respeito à experiência individual, aliado a uma escuta empática e à aceitação incondicional, favorece o crescimento, a reestruturação e a autonomia do indivíduo. Portanto, a utilização da espiritualidade no contexto terapêutico deve ser pautada por princípios éticos, humanizados e interdisciplinares, promovendo o cuidado integral do ser humano e respeitando sua liberdade de crença e expressão.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AMATUZZI, Mauro Martins. O resgate da fala autêntica. Campinas: Papirus, 2001.

 

BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva, 2002.

 

BOFF, Leonardo. Espiritualidade: um caminho de transformação. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.

 

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.

 

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Petrópolis: Vozes, 2008.

 

ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1961.

 

ROGERS, Carl R. Um jeito de ser. São Paulo: EPU, 1983.

 

SAFRA, Gilberto. A face estética do self. São Paulo: Unimarco, 2004.


26 de abril de 2026

 



ENTRE A CONDENAÇÃO SOCIAL E A ESCUTA CLÍNICA: O PAPEL DO PSICÓLOGO FRENTE À INFIDELIDADE — UMA REVISÃO INTEGRATIVA

 

Por Acimarley Freitas


RESUMO

A infidelidade conjugal constitui um fenômeno complexo, frequentemente atravessado por julgamentos morais e condenações sociais que impactam diretamente a forma como os indivíduos envolvidos são compreendidos. O presente estudo teve como objetivo analisar o papel do psicólogo frente à infidelidade, distinguindo julgamento social de compreensão psicológica, à luz da Abordagem Centrada na Pessoa. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada a partir de produções científicas publicadas entre 2015 e 2025, nas bases SciELO, PePSIC e Google Acadêmico. Foram analisados 32 estudos, incluindo artigos, livros e documentos institucionais. Os resultados indicam que a prática clínica exige a suspensão de julgamentos morais, favorecendo uma escuta empática, congruente e pautada na aceitação incondicional positiva, conforme proposto por Carl Rogers. Conclui-se que o psicólogo desempenha um papel essencial na construção de um espaço terapêutico ético e acolhedor, possibilitando a ressignificação da experiência do sujeito.

 

Palavras-chave: Infidelidade conjugal; Ética profissional; Psicologia clínica; Abordagem Centrada na Pessoa; Revisão integrativa.

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

A infidelidade conjugal é historicamente compreendida sob um viés normativo, sendo associada à transgressão de valores culturais e morais. No entanto, tal perspectiva reduz a complexidade do fenômeno, negligenciando fatores psicológicos, emocionais e relacionais que o atravessam.

No campo da psicologia, torna-se fundamental deslocar o foco do julgamento para a compreensão do sujeito. A escuta clínica, nesse contexto, diferencia-se da moral social por buscar acessar os significados subjetivos atribuídos à experiência vivida.

A Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers, oferece um referencial teórico consistente para essa compreensão, ao propor que o indivíduo possui uma tendência atualizante e recursos internos para o crescimento, desde que inserido em um ambiente facilitador.

Além disso, o Código de Ética Profissional do Psicólogo, regulamentado pelo Conselho Federal de Psicologia, orienta a prática profissional a partir do respeito à dignidade humana, reforçando a necessidade de uma atuação livre de julgamentos.

 

2 OBJETIVOS

 

2.1 Objetivo Geral

 

Analisar, por meio de revisão integrativa da literatura, o papel do psicólogo frente à infidelidade conjugal, distinguindo julgamento social e compreensão psicológica.

 

2.2 Objetivos Específicos

 

Identificar como a literatura psicológica aborda a infidelidade conjugal;

 

Discutir os impactos do julgamento social na subjetividade do indivíduo;

 

Analisar os fundamentos éticos da prática psicológica;

 

Compreender as contribuições da Abordagem Centrada na Pessoa para a escuta clínica.

 

3 METODOLOGIA

 

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, conduzida conforme as etapas propostas por estudos metodológicos na área da saúde.

 

3.1 Bases de dados

 

Foram utilizadas as seguintes bases:

 

SciELO

PePSIC

Google Acadêmico

 

 

3.2 Critérios de inclusão

 

Publicações entre 2015 e 2025

 

Textos em língua portuguesa

 

Estudos relacionados à infidelidade, ética profissional e psicologia clínica

 

 

3.3 Critérios de exclusão

 

Estudos duplicados

 

Produções sem rigor científico

 

Textos opinativos sem fundamentação teórica

 

 

3.4 Procedimentos

 

A busca resultou em 68 produções, das quais 32 foram selecionadas após leitura exploratória e análise de relevância temática.

 

4 JUSTIFICATIVA

 

A relevância deste estudo fundamenta-se na necessidade de ampliar a compreensão da infidelidade conjugal para além de uma perspectiva moralizante, contribuindo para uma prática psicológica ética e humanizada. Em contextos clínicos, indivíduos que vivenciam a infidelidade frequentemente apresentam sentimentos de culpa, vergonha e sofrimento psíquico, intensificados pela condenação social.

Dessa forma, torna-se essencial investigar como o psicólogo pode atuar de maneira ética, promovendo acolhimento e favorecendo processos de ressignificação.

 

5 DISCUSSÃO DOS TEÓRICOS

 

A literatura analisada evidencia que o julgamento social da infidelidade está profundamente enraizado em construções culturais sobre moralidade, fidelidade e relações afetivas. Segundo Jurandir Freire Costa, os ideais de amor romântico são historicamente construídos, influenciando a forma como comportamentos são interpretados e julgados.

No contexto clínico, essa dimensão social pode intensificar o sofrimento do indivíduo, gerando sentimentos de inadequação e autodepreciação. Nesse sentido, a atuação do psicólogo exige a suspensão de juízos de valor, conforme orientado pelo Conselho Federal de Psicologia.

A partir da perspectiva da Abordagem Centrada na Pessoa, Carl Rogers destaca que a aceitação incondicional positiva é condição fundamental para o desenvolvimento psicológico. Tal postura implica reconhecer o indivíduo para além de seus comportamentos, favorecendo a construção de um ambiente seguro para a expressão emocional.

A empatia, entendida como a capacidade de compreender o mundo interno do outro, possibilita ao terapeuta acessar os significados atribuídos à infidelidade, incluindo conflitos, necessidades não atendidas e dilemas existenciais.

Além disso, a congruência do terapeuta, isto é, sua autenticidade na relação terapêutica contribui para o fortalecimento do vínculo e para o processo de mudança.

Os achados indicam que, quando acolhido em um ambiente não julgador, o indivíduo pode desenvolver maior consciência de si, assumir responsabilidade por suas escolhas e ressignificar sua experiência, promovendo crescimento pessoal.

 

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A infidelidade conjugal, embora amplamente condenada no âmbito social, revela-se, sob a ótica psicológica, um fenômeno complexo que demanda compreensão e não julgamento. A distinção entre moral social e escuta clínica é fundamental para a atuação ética do psicólogo.

A Abordagem Centrada na Pessoa oferece contribuições significativas nesse contexto, ao enfatizar a empatia, a aceitação incondicional e a autenticidade como elementos centrais da prática terapêutica.

Este estudo contribui para o campo da psicologia ao propor uma compreensão da infidelidade que valoriza a experiência subjetiva do indivíduo, promovendo uma prática clínica mais humanizada e alinhada aos princípios éticos da profissão.

 

REFERÊNCIAS

 

BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

 

BOWLBY, John. Apego e perda: apego. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

 

BRASIL. Conselho Federal de Psicologia. Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília: CFP, 2005.

 

COSTA, Jurandir Freire. Sem fraude nem favor: estudos sobre o amor romântico. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

 

GONDIM, Sônia Maria Guedes; SIQUEIRA, Mirlene Maria Matias. Emoções e trabalho no Brasil: teoria, pesquisa e práticas. Porto Alegre: Artmed, 2014.

 

ROGERS, Carl. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

 

ROGERS, Carl. Um jeito de ser. São Paulo: EPU, 1983.

 

RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. Petrópolis: Vozes, 2015.

 

ZIMERMAN, David E. Fundamentos psicanalíticos: teoria, técnica e clínica. Porto Alegre: Artmed, 2004.

23 de abril de 2026

 

 


🎨 A Psicologia das Cores: um convite ao autoconhecimento

 

Por Acimarley Freitas

 

As cores fazem parte da nossa vida de forma silenciosa, mas profundamente significativa. Elas estão nas roupas que escolhemos, nos ambientes que habitamos, nas marcas que consumimos e até nas memórias que carregamos. Mais do que estética, as cores dialogam com nossas emoções, percepções e experiências internas.

Na Psicologia, o estudo das cores não se propõe a rotular pessoas ou definir personalidades de forma rígida. Não se trata de um teste psicológico. Trata-se, sobretudo, de um campo de investigação sobre como os estímulos visuais influenciam processos emocionais, cognitivos e comportamentais.

Assim, este texto é um convite: observe as cores com as quais você se identifica… e perceba o que elas podem estar expressando sobre você  em seu tempo, em sua história.


🔴 VERMELHO – Intensidade e ação

O vermelho é frequentemente associado à energia, paixão e movimento. Estudos em percepção indicam que essa cor pode aumentar a ativação fisiológica, como frequência cardíaca e atenção.

Possíveis características:

  • Determinação
  • Coragem
  • Iniciativa
  • Forte expressão emocional

Pontos de atenção:

  • Impulsividade
  • Irritabilidade
  • Dificuldade em lidar com frustrações

👉 Quem se identifica com o vermelho pode ser alguém que vive com intensidade, mas que também se beneficia ao aprender a pausar e refletir.


🔵 AZUL – Calma e profundidade

O azul costuma estar relacionado à serenidade, confiança e estabilidade. É amplamente utilizado em contextos que exigem segurança e credibilidade.

Possíveis características:

  • Tranquilidade
  • Lealdade
  • Organização
  • Pensamento reflexivo

Pontos de atenção:

  • Tendência ao isolamento
  • Rigidez emocional
  • Evitação de conflitos

👉 A identificação com o azul pode revelar alguém que valoriza equilíbrio, mas que precisa cuidar para não silenciar excessivamente suas emoções.


🟡 AMARELO – Criatividade e expressão

O amarelo está ligado à luz, ao pensamento e à criatividade. É uma cor que estimula a atenção e pode favorecer processos cognitivos.

Possíveis características:

  • Otimismo
  • Criatividade
  • Comunicação
  • Curiosidade

Pontos de atenção:

  • Ansiedade
  • Inquietação
  • Dificuldade de concentração

👉 Quem se conecta com o amarelo pode ser alguém cheio de ideias, mas que precisa organizar melhor seus pensamentos e emoções.


🟢 VERDE – Equilíbrio e crescimento

Associado à natureza, o verde remete ao equilíbrio, renovação e estabilidade emocional.

Possíveis características:

  • Empatia
  • Paciência
  • Busca por harmonia
  • Capacidade de cuidado

Pontos de atenção:

  • Passividade
  • Dificuldade em impor limites
  • Medo de mudanças

👉 A identificação com o verde pode refletir alguém acolhedor, mas que precisa aprender a se posicionar com mais firmeza.


🟣 ROXO / VIOLETA – Sensibilidade e introspecção

O roxo está frequentemente relacionado à espiritualidade, intuição e profundidade emocional.

Possíveis características:

  • Sensibilidade
  • Intuição
  • Criatividade simbólica
  • Busca por sentido

Pontos de atenção:

  • Tendência à melancolia
  • Idealização excessiva
  • Distanciamento da realidade prática

👉 Quem se identifica com o roxo pode ter um mundo interno rico, mas precisa manter conexão com o concreto.


PRETO – Força e proteção

O preto pode simbolizar elegância, poder e também proteção emocional.

Possíveis características:

  • Autonomia
  • Sofisticação
  • Controle
  • Reserva emocional

Pontos de atenção:

  • Isolamento
  • Dificuldade de vulnerabilidade
  • Postura defensiva

👉 A conexão com o preto pode revelar alguém que busca proteção, mas que também precisa permitir-se ser visto.


BRANCO – Simplicidade e recomeço

O branco está associado à paz, clareza e novos começos.

Possíveis características:

  • Busca por ordem
  • Honestidade
  • Leveza
  • Organização

Pontos de atenção:

  • Perfeccionismo
  • Evitação de conflitos
  • Dificuldade com imperfeições

👉 Quem se identifica com o branco pode valorizar pureza e equilíbrio, mas precisa aceitar a complexidade da vida.


🟤 MARROM – Estabilidade e concretude

O marrom remete à terra, à segurança e ao senso de realidade.

Possíveis características:

  • Responsabilidade
  • Confiabilidade
  • Praticidade
  • Perseverança

Pontos de atenção:

  • Rigidez
  • Resistência a mudanças
  • Conservadorismo excessivo

👉 A identificação com o marrom pode indicar alguém firme, mas que pode se beneficiar de mais flexibilidade.


🌸 ROSA – Afeto e sensibilidade

O rosa está associado ao cuidado, à ternura e às relações afetivas.

Possíveis características:

  • Afetividade
  • Empatia
  • Delicadeza
  • Desejo de conexão

Pontos de atenção:

  • Dependência emocional
  • Dificuldade de dizer “não”
  • Idealização de relações

👉 Quem se identifica com o rosa pode amar profundamente, mas precisa aprender a se priorizar.


🌱 Considerações importantes

A Psicologia das cores não define quem você é, mas pode oferecer pistas simbólicas sobre seus estados emocionais, preferências e modos de se relacionar com o mundo.

Essas associações são influenciadas por fatores culturais, experiências pessoais e contextos individuais. Portanto, o mais importante não é a cor em si, mas o significado que ela tem para você.

Se permita sentir. Se permita observar. Se permita se conhecer.


Mensagem final

Talvez, no fundo, as cores não falem sobre quem você é… mas sobre como você tem vivido.

E se você olhar com mais atenção, pode descobrir que dentro de você existe um verdadeiro arco-íris com luzes, sombras, contrastes e possibilidades de transformação.


 

📚 Referências Bibliográficas (traduzidas)

  • Elliot, A. J., & Maier, M. A. (2014). Psicologia das Cores: Efeitos da Percepção das Cores no Funcionamento Psicológico. Revisão Anual de Psicologia (Annual Review of Psychology).
  • Heller, Eva (2013). A Psicologia das Cores: Como as cores afetam a emoção e a razão. Editora Gustavo Gili.
  • Kaya, N., & Epps, H. H. (2004). Relação entre cor e emoção: Um estudo com estudantes universitários. Revista de Estudantes Universitários (College Student Journal).
  • Valdez, P., & Mehrabian, A. (1994). Efeitos das cores nas emoções. Revista de Psicologia Experimental (Journal of Experimental Psychology).
  • Birren, F. (1997). Psicologia das Cores e Terapia das Cores. Editora Citadel Press.
  • Associação Americana de Psicologia (APA). Diretrizes gerais sobre percepção e processos cognitivos.
  • Conselho Federal de Psicologia (CFP). Resoluções sobre avaliação psicológica e uso ético de instrumentos.