Psicologa Organizacional

8 de fevereiro de 2015

CUIDE BEM DE SI MESMO




 “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida. Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios. Os teus olhos olhem direito, e as tuas pálpebras, diretamente diante de ti. Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos. Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal” – (Provérbios 4.23-27).

No Livro de Provérbios o sábio rei Salomão dá ao seu filho inúmeros conselhos que têm o propósito de proporcionar-lhe sabedoria e entendimento para que ele seja também sábio e prudente na maneira de pensar, falar, olhar e agir. Estes ensinamentos continuam vivos e eficazes ensinando-nos como devemos viver a vida cristã.

1 – Guardando o coração acima de tudo – “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (v.23).
Atualmente o nosso cérebro é considerado o centro diretor das atividades humanas, mas para a Bíblia esse centro diretor é o coração, pois segundo ela, no coração que se encontra a fonte dos desejos e das decisões e, para nós, o coração é figurativamente a sede das emoções.
Para termos uma vida de vitória sobre o pecado devemos buscar a pureza da nossa mente. Por isso precisamos guardar o nosso coração para não cedermos aos desejos do pecado, pois o nosso coração é mais enganoso do que todas as coisas (Jr 17.9). Além disso, o mal procede da abundância do nosso coração (Lc 6.45)

2 – Afastando a maldade dos lábios – “Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios” (v.24).
A língua é o membro do nosso corpo mais difícil de ser controlado. O Ap. Tiago afirma que ela é indomável (Tg 3:5-12). As palavras que saem da nossa boca podem gerar bênção ou maldição (Pv 18.21). Por isso, devemos refrear a nossa língua do mal (Sl 34.13).
Só conseguiremos conter a nossa língua através da pureza de mente, pois aquilo que falamos revela a verdadeira condição da nossa mente, se estamos voltados para as coisas celestiais ou se os nossos interesses ainda são terrenos, se estamos nos submetendo à vontade do Senhor ou se a nossa própria vontade ainda nos domina.

3 – Olhos que olham com firmeza – “teus olhos olhem direito, e as tuas pálpebras, diretamente diante de ti” (v.25).
Jesus ensinou que os nossos olhos precisam ser bons para que todo o nosso corpo seja luz (Mt 6.22). Por isso não devemos nos distrair olhando para cada coisa que surgir em nossa frente, pois isso nos afasta da presença de Deus desviando o nosso pensamento para o mal.
A Bíblia ensina que devemos manter nosso olhar "firme" em Jesus, pois Ele é o autor e consumador da nossa fé (Hb 12.2). Foi olhando para Jesus que Pedro conseguiu andar sobre as águas e só afundou quando desviou o seu olhar do mestre. (Mt 14.25-31).

4 – Ponderando a vereda dos pés – “Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos” (v.26).
Devemos sempre meditar e orar antes de agirmos. Nunca devemos agir de maneira intempestiva. Erramos quando não entregamos o nosso caminho nas mãos do Senhor confiando no seu amor e poder.
No versículo 18 Salomão afirma que A Bíblia ensina que "a vereda do justo é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito". Por isso devemos sempre confiar no Senhor, meditando e orando sempre antes de agir, pois assim estaremos desviando os nossos pés do caminho mal.

5 – Ande pelos princípios da Palavra de Deus – “Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal” (v.27).
Andar pelos caminhos do Senhor, que trarão vida longa, paz e prosperidade, é uma decisão pessoal, uma atitude de mudança de vida, deixando a derrota e optando pela vitória.

Sendo assim a pureza de mente, sinceridade no falar, firmeza no olhar e cautela no agir são conselhos que o ajudarão a viver bem consigo mesmo, com as pessoas que convivem com você e, acima de tudo, com o Senhor nosso Deus. Amém.


4 de fevereiro de 2015

CÂNCER DE CORAÇÃO



Tumores primitivos do coração

Os tumores primários, ou primitivos do coração, isto é os que se originam no coração, são muito raros. As necrópsias revelam de 0,002 a 0,3 % de tumores primários de coração. Já o envolvimento metastático de tumores originados em outras partes do organismo é mais freqüente.
As manifestações do comprometimento cardíaco nos pacientes portadores de câncer dependem da localização do tumor e do grau de envolvimento. Podemos também ter manifestações cardíacas consequentes ao tratamento dos tumores. Tanto a quimioterapia como a radioterapia podem comprometer o funcionamento do coração.
Dos tumores primários do coração, 75% são benignos, sendo que 46% desses são mixomas e 21% são lipomas. Dos malignos (os 25% restantes) 33% são angiosarcomas e 21% rabdomiosarcomas. Com o advento da ecocardiografia, da tomografia, da ressonância magnética e da cirurgia cardíaca, os casos de tumores cardíacos estão sendo cada vez mais diagnosticados. Mesmo assim são considerados uma raridade.
O seu diagnóstico depende muito de um alto índice de suspeita do médico assistente que é quem deve orientar os exames para fazer esse diagnóstico.
Os sintomas decorrentes dos tumores cardíacos dependem principalmente de que sua localização seja no pericárdio, no miocárdio ou no endocárdio. Por outro lado,as manifestações também dependem de qual a cavidade cardíaca comprometida.
Os tumores originados no endocárdio costumam provocar acidentes embólicos, principalmente no pulmão.
Os tumores que envolvem o miocárdio, o músculo cardíaco, além de comprometerem a função muscular do coração, costumam envolver a parte dita elétrica do coração, provocando arritmias cardíacas as mais variadas, desde as menos até as mais graves.
O envolvimento do pericárdio pode provocar derrames em torno do coração, muitas vezes hemorrágicos, que podem levar ao tamponamento cardíaco.


Fonte: http://www.abcdasaude.com.br/cardiologia/cancer-e-coracao-tumores-primitivos-do-coracao

1 de fevereiro de 2015

EDUCAÇÃO SEXUAL



A educação sexual busca ensinar e esclarecer questões relacionadas ao sexo, livre de preconceito e tabus. Antigamente e ainda hoje, falar sobre sexo provoca certos constrangimentos em algumas pessoas, mas o tema é de extrema importância, pois esclarece dúvidas sobre preservativos, DSTs, organismo masculino e feminino, anticoncepcionais e gravidez.

O objetivo principal da educação sexual é preparar os adolescentes para a vida sexual de forma segura, chamando-os à responsabilidade de cuidar de seu próprio corpo para que não ocorram situações futuras indesejadas, como a contração de uma doença ou uma gravidez precoce e indesejada. Infelizmente o ser humano tende a acreditar que o perigo sempre está ao lado de outras pessoas e que nada irá acontecer com ele mesmo, o que o coloca vulnerável a tais situações.

Os meios de comunicação, entre tantos outros que utilizam o sexo para chamar a atenção das pessoas, acabam por estimular e criar curiosidades precoces até em crianças, o que dificulta bastante o processo de conscientização e responsabilidade individual dessas sobre o assunto. Dessa forma, se torna cada vez mais importante ensinar os adolescentes quanto ao assunto, isso dentro de casa e nas instituições de ensino.

Uma adolescente que engravida nesse período de transição corpórea pode sofrer muitos problemas de saúde, como anemia, parto prematuro, vulnerabilidade a infecções, depressão pós-parto, hipertensão, inchaço, retenção de líquidos, eclampsia, convulsões e até mesmo a morte. Apesar de problemas fisiológicos, quando uma adolescente engravida, ela passa também por problemas psicológicos, pois a mudança de vida rápida exige grande adaptação e isso pode gerar conflitos, pois uma grande etapa de sua vida foi pulada.


CORAGEM




 “Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas” (II Coríntios 4:16-18)

·      A Palavra nos esclarece que ainda que o homem exterior esteja se consumindo, o homem interior se renova diariamente.
·      Essa renovação nos garante, dentre tantas outras coisas, um elemento fundamental para o sucesso em todas as áreas de nossa vida: coragem.

I – Coragem (Atos 23:11  Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: Coragem!...)
·      O que é coragem? firmeza de espírito, energia diante do perigo; intrepidez; ânimo; valentia; perseverança.
1. Um dos maiores inimigos do homem é o medo, um espírito maligno que paralisa a fé e inopera a ação.
2. Mas Deus quer que você saiba que aquele que se renova por dentro perde todo o medo.
3. Portanto, pegue o medo e jogue-o no lixo.
4. Agora, como fazer isso?
·      Pelo amor: o que ama a Deus lança fora todo o medo (I João 4:18).

II – Homem de Coragem
1. A Bíblia diz que Davi era pequenininho, mas o seu homem interior era grande.
2. Isso é tão verdade, que Davi derrubou o gigante Golias (I Samuel 17).
3. Davi não teve problema porque conhecia e amava a Deus.
4. Ele confiou que somente com uma funda e uma pedrinha daria fim ao homem que mais amedrontava e afrontava o exército de Israel.
5. Fé. Hb.11.1 “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem”.

III – O Homem de Deus
1. Não compartilha e não aceita o medo, mas o renuncia, porque conhece o amor de Deus e reconhece que o medo é uma regência espiritual.
2. Satanás planta o medo porque quer paralisar a fé e inibir a ação dos filhos de Deus.
3. Não temos que ser temerosos, mas, sim, ousados, “Porque Deus não nos deu o espírito de covardia, mas de coragem, de amor e de moderação” (II Timóteo 1:7).

Conc.
1. Como fez Davi ao incircunciso Golias, assim devemos fazer.
2. Deus ampliará a medida do nosso homem interior, a ponto de tragarmos e derrubarmos qualquer gigante que queira nos ameaçar.
3. Você dirá para todas as situações adversárias que elas não conhecem a estatura do seu homem interior, que tem uma medida ilimitada.
4. Então, se está sobrando medo e faltando amor em você, comece agora mesmo a buscar socorro em Deus, e você terá autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; e nada lhe fará dano algum (Lucas 10:19). Creia nisso!
5. É necessário vivermos verdadeiramente tudo o que temos ouvido e visto, para que a nossa mente seja renovada a ponto da transformação ser externalizada no espírito, na alma e no corpo.
·      I Ts. 5.23 “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”

·      I Co. 7.1 “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.”

De próprio punho
Acimarley Freitas

31 de janeiro de 2015

HISTÓRIA DA LOUCURA






       Seja ela chamada de furor, mania, delírio, fúria, frenesi ou alienação, seja o insano designado por um termo popular (doido, pancada, degringolado, maluco, biruta, tantã), a loucura sempre foi considerada como o outro da razão. Extravagância, perda do juízo, perturbação do pensamento, divagação do espírito, domínio das paixões, tais são as imagens dessa doença que atinge os homens desde a noite dos tempos e cuja origem é buscada ora na magia (possessão demoníaca ou divina), ora no cérebro ou nos humores (medicina hipocrática), ora, ainda, nos movimentos da alma (psicologia). Foi com Descartes e a famosa primeira frase das Meditações que se concretizou, no século XVII, a idéia de que a loucura talvez fosse inerente ao próprio pensamento: “E como poderia eu negar que estas mãos e este corpo são meus, a não ser que me compare àqueles insensatos cujo cérebro é tão perturbado e ofuscado pelos negros vapores da bile, que eles constantemente asseguram ser reis, quando são muito pobres, estar vestidos de ouro e púrpura, quando estão nus, ou imaginam ser cântaros ou ter um corpo de vidro? Mas, qual! Eles são loucos, e eu não seria menos extravagante se me pautasse por seus exemplos.”
       Há três maneiras de pensar o fenômeno da loucura desde que ela foi arrancada do universo da magia ou da religião: a primeira consiste em introduzi-la no quadro nosológico construído pelo saber psiquiátrico e considerá-la uma psicose (paranóia, esquizofrenia, psicose maníaco-depressiva [transtorno bipolar do humor]); a segunda visa elaborar uma antropologia de suas diferentes manifestações de acordo com as culturas (etnopsiquiatria, etnopsicanálise, sociologia, psiquiatria transcultural); a terceira, finalmente, propõe abordar a questão pelo ângulo de uma escuta transferencial da fala, do desejo ou da vivência do louco (psiquiatria dinâmica, análise existencial, fenomenologia, psicanálise, antipsiquiatria).
       De fato, essas três maneiras de conceber a loucura sempre se cruzaram. É difícil, com efeito, conceber a verdade da loucura independentemente da razão que a pensa, mesmo que essa verdade ultrapasse a razão. E, se a psicanálise nasceu de um grande desejo de tratar e curar as doenças nervosas, ela sempre se implantou, ao mesmo tempo, no campo do tratamento da loucura, numa reação contra o niilismo terapêutico de uma psiquiatria mais preocupada em classificar entidades clínicas do que em escutar o sofrimento dos enfermos. Testemunho disso, se necessário, foi a experiência princeps de Eugen Bleuler, em Zurique.

II – A LOUCURA DA PRÉ-HISTÓRIA   Estudos de tribos primitivas permitiram que se observassem os primórdios de vários conceitos atualmente utilizados em Psiquiatria. Evidenciaram a influência modificadora da cultura sobre expressões sintomatológicas das psicopatologias. Assim, permitiram esclarecer as deficiências de certas explicações teóricas do comportamento humano que, embora se pretendessem universais, carregavam marcas dos padrões de uma determinada cultura e de um determinado período.
       O homem primitivo atribuía todas as doenças à ação de forças externas ao corpo humano, forças sobrenaturais como os maus espíritos, os bruxos, os demônios, os deuses. Essas explicações demonológicas eram particularmente usadas para explicar doenças que afetavam a conduta, ou seja, as doenças mentais. Talvez o sonho com o retorno dos mortos e as lembranças de ameaças, pedidos e afeições destes tenham encorajado a crença na influência do além. A observação de comportamentos insensatos, destituídos de sentido, impertinentes e destrutivos de indivíduos delirantes, bem como a apreensão causada por ataques convulsivos e o esforço para explicar o fenômeno podem ter fortalecido o conceito de possessão demoníaca como causa das mudanças peculiares ou assustadoras no comportamento percebidas por familiares.
       Acredita-se que nos tempos pré-históricos, as pessoas com distúrbios de comportamento eram atendidas em rituais tribais ou simplesmente abandonadas à própria sorte.

III – A LOUCURA NA ANTIGUIDADE
       A Antigüidade é o período que abrange o desenvolvimento das antigas civilizações orientais e clássicas (egípcia, mesopotâmica, hebraica, persa e principalmente greco-romana), terminando com a queda do Império Romano do Ocidente. Na Grécia e na Roma antigas, os loucos gozavam de certo grau de “extraterritorialidade”: não existiam procedimentos e espaços sociais destinados especificamente a eles. Os de famílias mais abastadas eram mantidos em suas residências, com a atenção de acompanhantes. Já os pobres circulavam livremente pelas ruas, tendo sua subsistência garantida pela caridade pública ou pela realização de trabalhos simples para particulares. A loucura era experimentada em “estado livre”, no convívio com toda a sociedade, que freqüentemente considerava as crises de agitação, manifestações de cunho sobrenatural, decorrentes de possessões demoníacas, e não resultantes de doenças mentais.
       A atenção aos loucos era diluída porque, por um lado, havia um pequeno número de indivíduos que hoje chamaríamos de doentes mentais e estes, como o restante da população, tinham uma baixa expectativa de vida; para outros, a loucura era conceituada com base nos aspectos exteriores, no comportamento diretamente observável do indivíduo __ principalmente quando este se traduzia em embaraço para a família ou para a comunidade. Isso não significa que sociedades da Antiguidade fossem benevolentes em relação aos loucos, pois há inúmeros relatos históricos de violências aplicadas na época, como flagelação, acorrentamento, prisão etc.
       O indivíduo louco ou insano era visto como um problema privado ou familiar, não como problema social. Por isso, o poder público só interferia quando a loucura envolvia assuntos ligados ao Direito, como invalidação ou anulação de casamentos por enlouquecimento de um dos cônjuges ou proteção patrimonial de insanos perdulários.

IV – A LOUCURA NA IDADE MÉDIA
       A Idade Média é um imenso intervalo de tempo entre a Antigüidade Clássica e a Idade Moderna ou modernidade. Alguns historiadores situam seu início entre o ataque dos bárbaros a Roma, após a morte de Teodósio (395 d.C.) e a tomada de Roma por Alarico (410 d.C.). Termina em torno de 1453, ano da tomada de Constantinopla pelos turcos.
        Nesse período, sob a influência do cristianismo, acreditava-se que o mundo era um todo organizado de acordo com os desígnios de Deus. Por isso, tudo e todos obedeciam à ordem divina. Os insanos, assim como os retardados e os miseráveis, eram considerados parte da sociedade e o principal alvo da caridade dos mais abastados, que assim procuravam expiar seus pecados.
Os doentes mentais eram chamados de insanos, “lunáticos” (do latim luna = Lua, pois acreditava-se que a mente das pessoas era influenciada pelas fases da lua) ou “pecadores” (do latim peccatu = pecado, indicando a transgressão de qualquer preceito religioso  ou a existência de certos defeitos ou vícios nos indivíduos).
A doença mental era decorrente de uma relação defeituosa entre o homem e a divindade, um castigo por faltas morais e pecados cometidos, ou provocada pela penetração de um espírito maligno no organismo do indivíduo ou, ainda, pela evasão da alma do corpo da pessoa.
Ainda assim, os loucos desfrutavam de relativa liberdade de ir e vir: suas famílias confiavam na caridade alheia para garantir a sobrevivência de seus filhos e aceitavam seus impulsos e características peculiares como expressão da vontade de Deus. Muitas vezes, esses “insanos”, “lunáticos” ou “pecadores” eram submetidos a rituais religiosos de exorcismo ou adorcismo.  Os padres, beatos, “homens santos” e membros da nobreza que praticavam esses rituais não agiam com crueldade física.
       Doentes com distúrbios mentais mais graves ou mais agressivos eram flagelados, acorrentados, escorraçados, submetidos a jejuns prolongados, sob a alegação de estarem “possuídos pelos demônios”. Podiam até ser queimados, por serem considerados feiticeiros. No final da Idade Média, vários indivíduos de comportamento “desviante”, de loucos a contestadores, foram assim perseguidos, julgados e queimados vivos nas fogueiras da Santa Inquisição.

V – A IDADE MODERNA E A SEGREGAÇÃO
       A idade moderna inicia-se com a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1493 e termina com a Revolução Francesa de 1789.
       A partir do século XIV as instituições e as idéias da época feudal começaram a apresentar sinais de decadência. Iniciava-se então a fase conhecida como Renascimento ou Renascença, em que a filosofia escolástica e religiosa medieval foi substituída por uma retomada do pensamento e da cultura greco-latina nas artes, na literatura e nas ciências. Isso significou a retomada de princípios racionalistas na observação e descrição das doenças mentais, em oposição ao misticismo religioso.
       Com o final do feudalismo, que caracterizou a Idade Média, e o desenvolvimento do mercantilismo, iniciou-se um processo de acelerada formação de cidades, com o início da concentração de população. Por volta do século XVII problemas sociais e sanitários começaram a afligir as cidades que, cada vez mais populosas e afastadas das fontes de abastecimento, vêem os gêneros alimentícios encarecer e crescer o número de mendigos. Surge a mentalidade materialista, tipicamente burguesa, e novos valores se impõem, substituindo a prática da caridade pública.
       A situação para os doentes mentais já havia sido agravada a partir do século XVI porque, em meio às mudanças provocadas pela Reforma protestante, mosteiros e igrejas deixaram de abrigar os insanos nas casas de caridade e asilos seculares. Os doentes mentais violentos, não violentos, não podendo permanecer nas ruas das cidades, foram trancados em celas e masmorras de prisões.
       Nesse período, pobres e loucos, passaram a ser vistos como desocupados e como séria ameaça a toda a sociedade. Como não trabalhavam e não produziam riquezas, eram considerados marginais e improdutivos, não podendo compartilhar o espaço dessa nova sociedade. O fato de a doença mental não ser uma enfermidade apenas orgânica dificultava ainda mais uma mudança de concepção sobre os loucos que, considerados doentes de “alma”, eram vistos como uma ameaça a toda a humanidade.
       Para eliminar a pobreza, as cidades passaram a expulsar os mendigos. Os loucos, que vagavam em relativa liberdade pelas propriedades e vilas medievais, auxiliados pela caridade pública, passaram a ser considerados responsabilidade privada de suas famílias, a quem cabia mantê-los. Para os doentes mentais e os miseráveis sem família, o isolamento.
       Surgiram então os hospitais gerais, instalados nos antigos leprosários, já que a lepra epidêmica praticamente desaparecera da Europa. Nesses hospitais eram internados não só os loucos, mas toda a população marginalizada pelos padrões da época.
       Mesmo durante o renascimento, a “demonologia” ainda inspirou os piores excessos nessas instituições. Os mais inofensivos saíam às ruas para pedir esmolas e alguns executavam pequenos serviços para os mais afortunados, mas os insanos que se rebelavam contra o aprisionamento eram submetidos a procedimentos cruéis, como ingestão excessiva de purgantes, flagelamentos e sangrias. Como tais “tratamentos” obviamente os tornavam mais agressivos, eram acorrentados em terríveis masmorras, junto a bandidos e assassinos, como animais.
       Henrique VIII, rei da Inglaterra de 1509 a 1547 e fundador do anglicanismo, tentou remediar a situação e criou, em Londres, o Hospital Bethlehem, um asilo exclusivo para lunáticos ou insanos. No entanto, ali eles continuaram a ser maltratados.
       Muitas resistências tiveram de ser vencidas para que se aceitasse a idéia de que feiticeiras, bruxos, magos e “possuídos” pudessem estar sofrendo de uma doença mental. Essa mudança de perspectiva em relação aos doentes mentais foi sendo construída com o passar do tempo, com a contribuição da Reforma religiosa e a formulação dos princípios de “Liberdade Individual” que marcaram a passagem da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. Só então a Psiquiatria se estabeleceu como ciência na França. Porém, apesar de a psiquiatria passar a ser considerada uma ciência médica e de os indivíduos portadores de patologias serem vistos como “alienados”, a proposta de tratamento continuava a ser o isolamento em celas ou cubículos, com os doentes quase sempre acorrentados.

VI – A CONTEMPORANEIDADE
       O início do século XX foi caracterizado como um momento de reação à nosografia que vinha se constituindo. A chamada nosografia clássica havia avançado nas descrições das doenças mentais (monomanias, mania de perseguição, psicoses periódicas ou maníaco-depressivas, demência precoce etc.) como “doenças essenciais”. Bleuler, Meyer e outros psiquiatras, entretanto, propuseram outra abordagem, considerando as doenças mentais síndromes semiológicas ou evolutivas que indicam etiologias diversas. Para eles, portanto, a tipicidade de estrutura e evolução dessas síndromes só poderia ser assimilada a uma especificidade absoluta da natureza.
       A superposição de conceitos e suas manifestações gerou dois grandes movimentos no começo do século:
1.  A afirmação de concepções psicogênicas ou psicodinâmicas que paulatinamente se sobrepuseram ao enfoque orgânico e anatomopatológico. As descobertas fundamentais da estrutura do inconsciente e de seu papel patogênico, feitas por Freud, revolucionaram a psiquiatria clássica ou Kraepeliana.
2.  O estabelecimento da psiquiatria dinâmica que, tendo por eixo a descoberta do inconsciente, faz uma interpretação mais dinâmica do papel da atividade psíquica na formação dos quadros clínicos. Na verdade, os primórdios dessa corrente foram lançados por volta de 1775 em Ellenberg por Mesmer, que, em seus trabalhos sobre o magnetismo animal, já destacava a idéia de “doenças nervosas causadas por um fluido”. O termo “fluido” tinha, à época, o significado que hoje é dado a “espírito”, pelo espiritismo, e a “sugestão”, pelo hipnotismo.

Paralelamente, entretanto, desenvolveram-se também as teorias de cunho heredobiológico da loucura, isto é, que associavam a doença mental à constituição biológica – de caráter hereditário – do indivíduo. Isso ocorreu num período de intensificação dos processos migratórios, que acentuou a discriminação e a segregação racial. E a psiquiatria muitas vezes foi usada como instrumento de marginalização dos imigrantes: vale lembrar que, em 1893, 67% dos internados no Hospital de Worcester, nos Estados Unidos, eram estrangeiros. Essa tendência perde terreno a partir do final da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
Sigmund Freud (1853-1939) é considerado o pai da teoria psicanalítica por ter descoberto que o homem possui um inconsciente e que este tem manifestações próprias que podem ser utilizadas no tratamento psiquiátrico. Ele descobriu ainda a sexualidade infantil e como sua experiência se apresenta nas disfunções sexuais adultas. Os discípulos e sucessores de Freud, sobretudo Karl Abraham, Melanie Klein e seus alunos, foram os primeiros a elaborar uma clínica da loucura. Jacques Lacan, por seu lado, foi o único dentre os herdeiros de Freud a realizar uma verdadeira reflexão filosófica sobre o estatuto da loucura. Desde 1932, preconizou em sua tese que o saber psiquiátrico fosse repensado segundo o modelo do inconsciente freudiano e, em 1946, comentou a famosa frase das Meditações, sustentando que a fundação do pensamento moderno por Descartes não excluía o fenômeno da loucura.
No campo da Psicanálise destacam-se outros nomes importantes, como os de Adler, Ericsson, Jung e Meyer. Suas contribuições foram essenciais para que os estudiosos das doenças mentais passassem a ver o homem de um ponto de vista holístico, lançando mão dos avanços efetuados por outras ciências, como a Neurologia, a Psicologia, a Sociologia e a Antropologia.
       Por volta de 1960, a generalização da farmacologia no tratamento das doenças mentais pôs fim à nosografia oriunda de Kraepelin e à abordagem freudo-bleuleriana, substituindo o manicômio pela camisa-de-força química, a clínica pelo diagnóstico comportamental e a escuta do sujeito pela “tecnologização” dos corpos. Daí o esfacelamento do vínculo dialético e crítica que unia as três antigas maneiras de pensar a loucura. É dessa crise e dessa ruptura que dá conta o livro de Michel Foucault (1926-1984) intitulado História da loucura na idade clássica. Este livro não pretendeu fazer a história dos loucos ao lado das pessoas sensatas, perante elas, nem tampouco a história da razão em sua oposição à loucura. Tratava-se de escrever a história da separação incessante, mas sempre modificada entre elas. Partindo dessa idéia de separação, Foucault produziu a separação entre a desrazão e a loucura, entre a loucura ameaçadora e a loucura domesticada, entre uma consciência crítica (onde a loucura se transforma em doença) e uma consciência trágica (onde ela se abre para a criação, como em Goya, Van Gogh ou Artaud), e separação interna, enfim, no cogito cartesiano, onde a loucura é excluída do pensamento no momento em que deixa de por em perigo os direitos deste último.
       Nesse contexto, Franco Basaglia, médico e psiquiatra, precursor do movimento de reforma psiquiátrica italiano conhecido como Psiquiatria Democrática, no ano de 1961 assumiu a direção do Hospital Psiquiátrico de Gorizia, iniciando mudanças com o objetivo de transformá-lo em uma comunidade terapêutica. Sua primeira atitude foi melhorar as condições de hospedaria e o cuidado técnico aos internos em Gorizia.
       Porém, à medida que se defrontava com a miséria humana criada pelas condições do hospital, percebia que uma simples humanização deste não seria suficiente. Ele notou que eram necessárias transformações profundas tanto no modelo de assistência psiquiátrica quanto nas relações entre a sociedade e a loucura.
       Basaglia criticava a postura tradicional da cultura médica, que transformava o indivíduo e seu corpo em meros objetos de intervenção clínica. No campo das relações entre a sociedade e a loucura, ele assumia uma posição crítica para com a psiquiatria clássica e hospitalar, por esta se centrar no princípio do isolamento do louco (a internação como modelo de tratamento), sendo, portanto excludente e repressora.
       Após a leitura da obra do filósofo francês Michel Foucault História da Loucura na Idade Clássica, Basaglia formulou a “negação da psiquiatria” como discurso e prática hegemônicos sobre a loucura. Ele não pretendia acabar com a psiquiatria, mas considerava que apenas a psiquiatria não era capaz de dar conta do fenômeno complexo que é a loucura.
       O sujeito acometido da loucura, para ele, possui outras necessidades que a prática psiquiátrica não daria conta. Basaglia denunciou também o que seria o “duplo da doença mental”, ou seja, tudo o que se sobrepunha à doença propriamente dita, como resultado do processo de institucionalização a que eram submetidos os loucos no hospital, ou manicômio.
       A partir de 1970, quando foi nomeado diretor do Hospital Provincial na cidade de Trieste, iniciou o processo de fechamento daquele hospital psiquiátrico.
       Em Trieste ele promoveu a substituição do tratamento hospitalar e manicomial por uma rede territorial de atendimento, da qual faziam parte serviços de atenção comunitários, emergências psiquiátricas em hospital geral, cooperativas de trabalho protegido, centros de convivência e moradias assistidas (chamadas por ele de “grupos-apartamento”) para os loucos.
       No ano de 1973, a Organização Mundial de Saúde (OMS) credenciou o Serviço Psiquiátrico de Trieste como principal referência mundial para uma reformulação da assistência em saúde mental.
       Franco Basaglia esteve algumas vezes no Brasil realizando seminários e conferências. Suas idéias se constituíram em algumas das principais influências para o movimento pela Reforma Psiquiátrica no país.
       Precipitando o declínio da psiquiatria clássica por um ato “psiquiatricida”, como diria Henri Ey, o livro de Michel Foucault, História da Loucura na Idade Clássica, abriu caminho para uma nova abordagem historiográfica da loucura, cujo impacto podemos avaliar pela acolhida negativa que ele recebeu e pelas múltiplas resistências que suscitou. Ele foi, sem sombra de dúvida, o ponto de partida para uma inversão de perspectiva entre a razão e a loucura, a qual foi levada em conta na quase totalidade dos trabalhos posteriores sobre o assunto, fossem eles foucaultianos ou não. Entretanto, essa abordagem não surtiu nenhum efeito no tratamento psiquiátrico da loucura, que evolui cada vez mais, nos dias de hoje, para um niilismo terapêutico e um organicismo comparáveis aos que Freud combateu cem anos atrás.

Autor: Marco Antonio Gasparetto