O Poder Terapêutico da Oração
Há
dias em que a vida parece falar alto demais.
São
contas para pagar, notícias difíceis, saudades que apertam, medos que não têm
nome e perguntas que insistem em permanecer sem resposta. Nessas horas, a alma
faz o que pode. Uns choram. Outros se calam. Há quem caminhe sem destino, quem
procure um amigo e quem coloque uma música para tocar.
E
há quem ore.
Como
psicólogo, já escutei muitas histórias. Algumas delas carregavam a certeza de
que tudo estava perdido. Outras traziam a dor de quem havia tentado ser forte
por tempo demais. Curiosamente, em muitos desses encontros, a oração aparecia
não como uma obrigação religiosa, mas como um lugar de descanso.
Talvez
porque a oração seja uma das poucas experiências da vida em que não precisamos
fingir.
Podemos
chegar diante de Deus sem maquiagem emocional.
Não
é preciso parecer forte.
Não
é necessário organizar as palavras.
Não
há exigência de discursos bonitos.
A
oração aceita lágrimas, silêncios e até revoltas.
Há
pessoas que acreditam que orar é convencer Deus a fazer a nossa vontade. Com o
passar dos anos, tenho pensado diferente. Talvez a oração tenha menos a ver com
mudar os planos do céu e mais com reorganizar os nossos próprios sentimentos.
Enquanto
falamos, vamos nos ouvindo.
Enquanto
choramos, vamos nos acolhendo.
Enquanto
esperamos, vamos descobrindo que ainda existe esperança.
A
psicologia nos ensina que colocar emoções em palavras diminui o peso daquilo
que carregamos. A espiritualidade, por sua vez, acrescenta uma dimensão ainda
mais profunda: a sensação de que não estamos sozinhos na caminhada.
Não
são poucos os pacientes que me dizem:
—
Doutor, depois que orei, o problema continuou o mesmo, mas eu já não me sentia
da mesma forma.
Essa
frase sempre me faz refletir.
Talvez
esse seja um dos maiores milagres da oração.
Ela
nem sempre muda as circunstâncias imediatamente, mas pode mudar a maneira como
atravessamos as circunstâncias.
A
tempestade continua.
Mas
o coração encontra abrigo.
O
diagnóstico ainda existe.
Mas
o medo perde um pouco da sua força.
A
saudade permanece.
Mas
a lembrança ganha um toque de gratidão.
É
como se a oração acendesse uma pequena luz dentro da gente, lembrando que há
caminhos que os olhos ainda não conseguem enxergar.
Penso
também que a oração tem uma curiosa semelhança com o encontro terapêutico. Em
ambos os espaços existe alguém disposto a ouvir. Na terapia, um ser humano
oferece escuta, presença e acolhimento. Na oração, a fé nos convida a acreditar
que existe um Deus atento até às palavras que nunca saíram da boca.
Talvez
por isso o salmista tenha escrito que Deus recolhe as lágrimas.
Que
imagem bonita.
Um
Deus que não despreza o sofrimento, não apressa o luto e não diz que sentir é
sinal de fraqueza.
Um
Deus que permanece.
Vivemos
em uma época em que quase tudo precisa ser rápido. Mensagens instantâneas,
respostas imediatas, entregas no mesmo dia. Mas existem dores que não obedecem
ao relógio e feridas que não cicatrizam com pressa.
A
oração nos ensina a arte da espera.
Ela
nos lembra que há processos que acontecem em silêncio, como a semente que
cresce debaixo da terra antes de aparecer em forma de flor.
Talvez
você esteja vivendo um desses dias difíceis.
Talvez
tenha perdido alguém, recebido uma notícia inesperada, enfrentado uma crise
familiar ou simplesmente acordado cansado da vida.
Se
for assim, permita-se orar.
Não
porque a oração seja uma fórmula mágica contra o sofrimento.
Mas
porque ela pode ser um abraço quando ninguém souber o que dizer.
Pode
ser um descanso quando as forças acabarem.
Pode
ser uma ponte entre a sua dor e a esperança.
E,
quem sabe, ao terminar sua oração, você descubra que Deus não retirou
imediatamente o peso dos seus ombros.
Mas
caminhou ao seu lado, ajudando você a carregá-lo.
E
isso, para muitos corações cansados, já é uma forma profunda de cura.
Se
esta crônica encontrou espaço no seu coração, compartilhe com alguém que talvez
esteja precisando de um pouco de esperança hoje.
Se você está atravessando um momento difícil,
lembre-se: pedir ajuda, conversar e cuidar da saúde emocional também são formas
de coragem e de fé.
"Lancem sobre Ele toda a sua ansiedade,
porque Ele tem cuidado de vocês." (1 Pedro 5:7).
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