Psicologa Organizacional

12 de agosto de 2016

Situações Precursoras da Gravidez na Adolescência



Situações Precursoras da Gravidez na Adolescência


 


1. Introdução


Este trabalho pretende abordar um tema atual no mundo das sociedades modernas, muitas vezes sendo visto pelas próprias famílias como um problema social – a gravidez na adolescência. Ocorre, com isso, a união de dois fatores muito importantes, a travessia do período da adolescência e a inevitável vivência de uma gravidez, trazendo implicações, muitas vezes grandes desequilíbrios, pois a maternidade em si, exige reajustes importantes na vida da mulher, tanto em alterações corpóreas, como da inevitável mudança de identidade. É por isso, que a união de gravidez e adolescência pode provocar crises da adolescência e puxando mais uma, a da gravidez, sabendo-se que a mulher fica mais frágil nesta época.

Foi feita uma revisão bibliográfica, através de dissertações de vários autores renomados com o tema de gravidez na adolescência. Nas leituras e pesquisas críticas de diversas obras, foram feitas anotações, incluindo questionamentos e as respectivas respostas, foi observado que o presente título é infindável e apenas haverá mudanças nas gerações, mas as problemáticas oriundas da gravidez na adolescência continuarão. Os objetivos deste trabalho é buscar melhores entendimentos sobre a gravidez na adolescência, em quais contextos ocorre e quais suas consequências, tanto materiais como mentais, para a mãe, filho e famílias.

2. Gravidez na Adolescência


Nas décadas de 70 e 80, verificou-se um acentuado aumento da incidência de relações sexuais entre os jovens e, hoje em dia, a primeira liberação sexual e a segunda a liberação feminina. Mas a educação sexual explícita foi esquecida ou preferencialmente silenciada. A maioria dos jovens tem sido preparada para a vida sexual adulta pela ignorância, auto formação, e pela troca de experiências no seu grupo de pares, igualmente (mal) formados.

Baracho (2007, p.63), afirma a gravidez cada vez mais precoce:

As liberações sexuais dos anos 60, associadas à maior segurança oferecida pelos anticoncepcionais orais, trouxeram mudanças radicais no comportamento sexual dos jovens. Desde então, a atividade sexual é mais frequente e cada vez mais precoce. Além disso, o erótico transmitido aos jovens através da mídia e o menor controle da família e da escola contribuem de forma marcante para a gravidez na adolescência.

Para  Içami Tiba (2005, p.78), “O adolescente tem conhecimentos suficientes, mas acredita em mitos como não há perigo de engravidar na primeira relação amorosa”.

Existem hoje, disponíveis, múltiplas fontes de informação/educação sexual. A mídia é uma fonte importante de informação para os jovens, mas bombardeiam a geração de rapazes e moças com imagens de corpos perfeitos, com sucessos, passando mensagens pouco realistas que podem provocar angústias enquanto negligenciam a comunicação e o apego, provocando, muitas vezes, o que por hora chamamos de “doença do século” a depressão.

Estamos perante uma realidade simultaneamente permitida e negada, dado que nem os pais, nem o sistema educativo, nem o sistema de saúde oferecem condições a estes jovens para que vivam uma sexualidade sem risco (implementando uma verdadeira educação sexual e oferecendo apoio técnico), apesar de vários programas do governo, tentativas no mínimo frustrantes. A adolescência e a juventude convertem-se em grupos de risco, em dois grandes sentidos: a possibilidade de terem experiências sexuais inadequadas; pelos riscos de gravidez não planejada e pelos riscos de contágio de doenças sexualmente transmissíveis.

Ao contrário de algumas culturas, podemos citar a cigana, nas sociedades ocidentais a gravidez na adolescência é vista como um grave problema. Qualquer gravidez extra-matrimonial é quase sempre motivo de marginalização e estigma social. Porém, enquanto as sociedades ditas primitivas encorajam precocemente o processo de autonomia e independência, na nossa sociedade a tendência é para prolongar cada vez mais a dependência econômica dos filhos em relação aos pais. Há ainda uma alta percentagem de mulheres jovens que engravidam sem desejarem, embora difícil de estimar devido à prática dos abortos clandestinos e porque, por motivos culturais, esta realidade tende a ser ocultada.

3. Gravidezes na Adolescência e seus Principais Fatores


Os adolescentes são bombardeados continuamente com mensagens e modelos de comportamento sexual, ora irresponsáveis ora nada saudáveis. A família e o sistema educativo lhes negam a formação e os serviços que precisam para poder decidir de forma responsável sobre a sua sexualidade. Isto faz com que os jovens se encontrem indefesos perante a poderosa “falta de educação” sexual que se desenvolve sistematicamente nos meios de comunicação social.

De acordo com estudos, a “menarca”, primeira menstruação, hoje chega aproximadamente com dez meses de antecedência, se levar em conta a geração anterior, esquecemos que antigamente as mulheres menstruavam, ou seja, possivelmente entravam em dias férteis aproximadamente 40 vezes em sua vida e hoje em tempos de anticoncepcionais e métodos contraceptivos, menstruam por volta de 400 vezes. Isso tudo e mais a questão higiênica das melhorias sanitárias e de estilo de vida, seja socioeconômica e nutricional, podendo ter nestes as causas do início precoce das relações sexuais, consequentemente adiantando a idade em que a criança passa a ser adolescente e já pula uma fase para se tornar mãe.

 As atitudes individuais são condicionadas, seja pela família como pela sociedade. Sendo a segunda, passando por profundas mudanças em sua estrutura, tornou-se cada vez mais tolerante e permissiva em relação à aceitação das relações sexuais na adolescência e antes do casamento, por vezes até mesmo permitindo ou preferindo que tudo aconteça em seus lares e, também, em relação à gravidez na adolescência. Os tabus desapareceram e a atividade sexual disparou. A isto acresce uma forte pressão social exercida pelos meios de comunicação, pelas amizades e por alguns membros adolescentes da própria família (BARACHO, 2007).

Charboneau (1987), para as gerações anteriores, as relações pré- conjugais eram consideradas como deslize ou uma “exceção”, mas hoje (nos dias atuais) esta sendo considerada como algo natural e normal. É importante que o adolescente tenha consciência das consequências que tal prática pode acarretar e decidir se isso  realmente irá ser importante, pois é algo que pode influenciar sua vida inteira. O argumento usado para justificar tal prática consiste na necessidade de se ter uma identidade. São movidos pelo desejo do prazer e não por amor, “porque o amor nasce devagar, enquanto o desejo que se torna cobiça estoura no começo da puberdade”.

Em certos casos uma atitude incorreta das mães que, para evitarem a gravidez, acabam por se tornarem as principais fornecedoras de contraceptivos para as suas filhas, ao invés de terem um diálogo aberto e esclarecedor sobre sexualidade e métodos anticonceptivos. Esta prática banaliza a sexualidade e deformam a consciência, consequências que aumentam a vulnerabilidade das adolescentes não apenas a gravidez quanto a doenças sexualmente transmissíveis.

A ausência da presença materna ou do bem cuidar materno pode ser também um fator relevante, já que muitas destas adolescentes não têm presente a tal membro. A isto, há que juntar que muitas delas concebem as relações sexuais como forma de vingança ou castigo em relação aos pais.

As jovens que engravidam apresentam um perfil pessoal caracterizado por rendimento escolar baixo ou já desistente, desinteresse pela aprendizagem, ausência de aspirações profissionais, entre outros, os quais podem perceber que sempre as levam ironicamente para um elo onde pessoas não as podem aconselhar, o que em contra partida, para evitar a solidão, algumas adolescentes creem que ter um filho satisfará as necessidades afetivas, que não conseguiram alcançar em suas famílias. Outras, pelo contrário, acreditam que ter um filho ajudará a “prender” o namorado, a sair de casa, a mostrar que já não é uma criança ou até para provar que também pode ser mãe. Noutras circunstâncias, o início das relações sexuais é mais um ato de rebeldia contra as normas sociais estabelecidas. Outros fatores ligados ao início precoce das relações sexuais estão a diminuição do prestígio e do valor familiar.

4. Repercussões da Gravidez na Adolescência


4.1 Nível físico e psicológico


A gravidez é um período de grandes mudanças e para a adolescente é ainda  maior, pois tem que se tornar adulta mais depressa, significando ter de abrir mão da infância. É na adolescência que ocorrem as últimas e mais importantes transformações do corpo, sabemos que uma gravidez entre os 12 e os 18 anos, mesmo com todas as tecnologias na área hospitalar, é uma gestação considerada de risco, quanto mais baixa a faixa etária da adolescente maior é a proporção de complicações obstétricas e maiores são os níveis de mortalidade, tanto da criança quanto da mãe. Os riscos para o futuro bebê são: a prematuridade, maior mortalidade, baixo peso à nascença, anomalias no sistema nervoso central, dificuldade respiratória, hiperglicemia, convulsões, entre outras.

Na Coletânea de Leis e Resoluções (2009, p. 187), esclarece a gravidez na adolescência é considerada de alto risco:

O comportamento reprodutivo das mulheres brasileiras vem mudando nos últimos anos, com o aumento da participação das mulheres mais jovens no padrão da fecundidade do país. Chama a atenção o aumento da proporção de mães com idades abaixo de 20 anos. Este aumento é verificado tanto na faixa de 15 a 19 anos de idade como na de 10 a 14 anos de idade da mãe. A gravidez na adolescência é considerada de alto risco, com taxas elevadas de mortalidade materna e infantil.

Normalmente as novas mulheres, ficam com uma estatura definitiva inferior às que amadurecem mais tarde, com todos os sofrimentos e alegrias advindos de uma gravidez. O desequilíbrio nutritivo pode manifestar-se por emagrecimento ou obesidade, o que ocorre na maior parte dos casos, ocasionando também a depressão pós-parto.

Bolsanello, A., Bolsanello, M. (1996, p.403), esclarece que: “O fato é que a gravidez inesperada costuma deixar marcas irreparáveis nas grávidas adolescentes”. Ao descobrir que está grávida sem planejamento, a mesma entra em pânico, algumas garotas tem a esperança de estarem enganadas com a tal situação, a maioria das jovens se abre com sua melhor amiga, uma professora, as reações são bem variadas. Quanto mais cedo se descobrir a gravidez mais fácil será de controlar as emoções, o pânico e de tomar decisões (COATES 1994).

A instabilidade psicológica e insegurança podem conduzi-la a estados de ansiedade e depressão para os quais contribuem o afastamento dos amigos e a relação instável com o namorado e com a família (PEIXOTO, 2004).

Podemos considerar que as adolescentes grávidas têm que enfrentar graves e grandes crises: os problemas e conflitos de identidade, dependência, autonomia e autocontrole que todo o adolescente tem; a crise de aceitação a rápidas mudanças corporais acentuadas pela gravidez, sobretudo por se tratar de uma idade em que o aspecto fisco é tão importante e desafiador; e finalmente, a dificuldade em aceitar o papel de mãe precisamente no momento em que começava a poder chamar-se "mulheres", mais que outra coisa pelo seu desenvolvimento físico, bem como em alguns casos aceitar o papel de esposa.

De acordo com Charbonneau (1987), As alternativas a serem tomadas pela adolescente grávida são três escolhas para a tal gestação, ou aborta, que é doloroso, ou ela será mãe solteira, condição detestável que ela carregará durante toda a sua existência, ou fará um casamento dificultoso que será frustrante para os dois.  Como resultado destas crises a adolescente sente-se frustrada, desamparada e com baixa autoestima, com manifestações de ansiedade, depressão e hostilidade, sendo a taxa de suicídio relativamente alta nesta populações.

4.2 Nível social e familiar


Acarretam vários problemas, nomeadamente a exclusão, com a consequente pressão que a adolescente sente na escola e a imposição do casamento. A maior parte dos adolescentes não possui educação sexual, dado que provêm de matrizes familiares desestruturadas, onde os problemas a nível emocional são uma constante, aliados ainda a fracos recursos socioeconômicos.

Com a gravidez muitas adolescentes deixam a escola, ou após o nascimento do filho, são muitos fatores precursores que levam a jovem abandonar os estudos, são eles; os cuidados a serem tomados a respeito da criança fazem a adolescente não ter tempo para estudar, o preconceito dos colegas da escola, depressão, falta de interesse, a proibição do marido, entre outros (PEIXOTO, 2004).

A adolescente grávida vive um desajustamento a nível social suscitando sentimentos entre; vergonha e culpa, medo e insegurança, face aos comportamentos dos familiares, amigos e da própria sociedade. Todos estes aspectos levam a adolescente a não procurar desenvolver projetos de vida para si e para o seu bebê. O abandono escolar provoca uma obtenção precoce de uma ocupação profissional, cuja remuneração é baixa e com fracas possibilidades de satisfação profissional. Por vezes, a adolescente depende de ajuda econômica da família, do estado, enfim de outras instituições que possa lhe dar o que realmente precisa. As mães adolescentes que continuam a viver sobre tutela dos pais, têm índices mais elevados de estudos, porque possuem possibilidades de completá-los, devido ao suporte para sustentar o seu filho.

Peixoto (2004, p.1089), O adolescente, será prejudicado no plano profissional como:

A maioria das adolescentes do nível social menos favorecido que engravida não completou o ensino fundamental, o que limita sua possibilidade de emprego futuro às atividades braçais e de menor remuneração. O parceiro geralmente está em condições escolar semelhante e também interrompe seus estudos pra trabalhar e colaborar com as despesas advindas da nova situação. Os planos profissionais para o futuro se tornam inviáveis, pois o ingresso precoce no mercado de trabalho inviabiliza a formação profissional mais especializada. Entretanto, a não realização dos planos profissionais para o futuro não significa que, obrigatoriamente, não vencerão as primeiras dificuldades e conseguirão se emancipar economicamente; isso pode ocorrer, mas em condições precárias.

A adolescente tem o futuro profissional mais prejudicado que o homem, pois interrompe os estudos, não ingressa no mercado, acomodando-se na situação de dependente dos pais ou do parceiro.

A maternidade precoce leva certo ar de estigma destas jovens, a causa desta censura acontece na maioria das ocasiões porque esta situação ocorre muitas vezes em subgrupos específicos, nomeadamente em contextos sociais caracterizados por fracos recursos econômicos.

Segundo Coates (1994, p. 21) esclarece que: “Os dois podem estar desempregados e descobrir que o esforço de ficarem juntos 24 horas por dia é maior do que esperavam”. Igualmente resultado da maternidade precoce é a imposição de um compromisso, o casamento. A união com o parceiro, quando ocorre, é instável e imatura. Este por sua vez, pela própria imaturidade e pela ausência de um vínculo afetivo com frequência abandona a mãe e o filho.

O acontecimento de uma gravidez, associado a todas as pressões a nível psicossocial que uma adolescente tem de enfrentar conduz por vezes, à tomada de decisões no sentido de continuar ou não essa gravidez, contudo, podemos observar que por vezes o recurso ao aborto surge como a solução mais viável. Esta solução de interrupção da gravidez através do aborto varia do nível socioeconômico da adolescente. As adolescentes provenientes de meios sociais desfavorecidos possuem uma taxa mais baixa de abortos em comparação com as de estratos mais elevados.

Contudo, na maioria dos casos, os pais deixam transparecer uma posição de desapontamento, vergonha e até mesmo agressividade, isto pode levar adolescente a pôr-se à parte. No caso de famílias desestruturadas a gravidez pode agravar a falta de estrutura. Os pais da adolescente grávida são subitamente transformados em avós, em muitos casos terão que ser eles a assumir parcial ou integralmente a responsabilidade pelo neto.

No início da gestação, a jovem deixa de conviver com os amigos, pois sua atenção se volta para o namorado e seus próprios pais diante do fato, as adolescentes começam a se afastar dos amigos e do circulo de amizades (PEIXOTO, 2004).

A adolescente grávida precisa de todo o apoio familiar, pois as mudanças físicas, psicológicas e sociais da adolescência, aliadas a uma gravidez precoce e à aproximação do parto desencadeiam na adolescente necessidade de afeto e apoio.

5.Conclusão


A desinformação e a fragilidade da educação sexual são fatores relevantes na gravidez precoce. Ter um filho requer desejo tanto do pai quanto da mãe, além de muita consciência, responsabilidade e um amplo planejamento, quando isso não acontece a iminência de acontecerem problemas é muito grande. Na procura de uma identidade e de um reconhecimento com o mundo exterior, os jovens descobrem a sexualidade, o envolvimento, a revelação e muitas vezes com atitudes e comportamentos que geram consequências, por vezes imprevistas ou indesejadas. É neste âmbito que surge a gravidez, que vem como uma barreira no desenvolvimento normal dos jovens, das meninas em particular; podendo acarretar implicações que isso causará para sua saúde física, emocional e social. As repercussões são muitas, como o fator social, aceitação em geral, evasão escolar, aborto, estatura física que esta em desenvolvimento, e as dificuldades para sobreviver, a maioria não têm uma definição profissional. Em relação à família, acarreta transtornos principalmente no aspecto emocional, e a fase de adaptação da adolescência e ainda a gravidez sem planejamento.

Após a execução deste estudo com o auxílio da pesquisa literária realizada para este fim, considera-se que os objetivos propostos no início do trabalho foram alcançados, contudo as épocas mudam e com elas a forma de pensar e analisar as situações que surgem em cada geração, portanto é necessário que apesar da modernidade e da evolução de costumes entre jovens; os pais e responsáveis procurem aproximar se de seus filhos, dialogar e criar laços de amizade para que essa cumplicidade livre-os de atos impensados e de suas consequências.

28 de julho de 2016

Depressão pós-traição





































































Ballone, GJ - Depressão pós-traição, in. PsiqWeb, Psiquiatria Geral, disponível na Internet em http://www.psiqweb.med.br/, 2011

 



 

 

 

27 de julho de 2016

A Importância da Assistência Psicológica no Pré e Pós Operatório de Pacientes Submetidos à Cirurgia Bariátrica


 

A Importância da Assistência Psicológica no Pré e Pós Operatório de Pacientes Submetidos à Cirurgia Bariátrica


 


A obesidade pode ser definida, de forma simplificada, como uma doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, sendo consequência de balanço energético positivo e que acarreta repercussões à saúde com perda importante não só na qualidade como na quantidade de vida (MENDONÇA; ANJOS, 2004).

Para reduzir este acúmulo de gordura, obesos mórbidos buscam a cirurgia bariátrica a fim de melhorar a qualidade de vida e a própria autoestima. No entanto, é necessário acompanhamento do profissional terapeuta antes, durante e após a cirurgia, pois esses pacientes ficam vulneráveis a distúrbios psíquicos e alimentares. A psicoterapia também reintroduz os indivíduos na sociedade, visto que eram marginalizados pelo preconceito, pelas piadas e pelo padrão físico imposto no cotidiano.

O papel do terapeuta foi trabalhado no artigo dividido em dois momentos: pré-operatório e pós-operatório, e, se mostra de extrema relevância nestes períodos.

 


Em alguns casos, na obesidade mórbida, pode ser observada a alimentação como objeto adicto. O indivíduo que não se desenvolve emocionalmente de forma adequada apresenta dificuldades em lidar com suas angústias, medos e decepções, e, com a intenção de inibir esses sentimentos negativos, abusa na comida. O alimento passa a ser visto como algo que gere prazer e um remédio para o psíquico, atingindo um nível de compulsão que ultrapassa a real necessidade da quantidade ingerida. É aqui que se faz necessário a psicoterapia no período pré-operatório, visando mostrar ao paciente que seus problemas e sentimentos que o fazem alimentar excessivamente não se resolverão com a cirurgia. Ele precisará aprender a lidar com o que lhe aflige sem descontar na alimentação, já que sua massa corporal poderá ser reduzida, mas se repetir as mesmas atitudes pode engordar outra vez.

Os obesos se veem fora do padrão físico imposto pela sociedade e comumente são vítimas de preconceito e piadas reproduzidas em ambientes que frequentam, fazendo com que haja retraimento social, e, cabe ao terapeuta a introdução deste paciente na sociedade novamente, permitindo-lhe o desenvolvimento da autoconfiança que fora perdida.

O paciente, inicialmente, é direcionado ao tratamento clínico baseado em aumento de atividade física combinada a dietas hipocalóricas e uso de medicações, porém, muitas vezes essa tentativa não obtém sucesso em pacientes obesos grau III, sendo a cirurgia bariátrica considerada a abordagem mais eficaz até o momento.

A cirurgia bariátrica é realizada visando restringir significativamente a quantidade de alimento ingerido, combinado a desabsorção de nutrientes e, dessa maneira, ela acaba por interferir apenas no lado metabólico da patologia (AKAMINEI; ILIASII, 2013).

O terapeuta possui papel fundamental no período pré-operatório, pois ele é responsável por analisar o comportamento do paciente e o que o levou à obesidade, esclarecer a necessidade de mudanças nos hábitos alimentares e explicar a possibilidade de surgimento de distúrbios psíquicos recorrente dessa restrição alimentar, compreender o motivo pela qual o indivíduo engordou e auxiliar na tomada de decisão a respeito da operação. Juntamente a esse terapeuta, deve-se estar presente uma equipe multidisciplinar composta por cirurgião, endocrinologista e nutricionista, segundo as diretrizes decretadas pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Esta equipe é responsável, principalmente, por auxiliar o paciente psicologicamente, visto que os danos psíquicos pré e pós-operatórios podem ser severos, como o desenvolvimento de depressão.

No período pós-operatório, a psicoterapia é necessária para ensinar ao paciente a lidar com as novas mudanças metabólicas, físicas e psíquicas. Com a redução do estômago, a alimentação se torna uma tarefa muito difícil já que são sentidos muitos desconfortos, logo, os alimentos devem ser líquidos ou pastosos e em pequenas quantidades.

De acordo com (JR.; CHAIM; TURATO, 2009), a obesidade vivida por todos como um grande problema, é também, no fundo, uma resposta para todos problemas e o fato de abdicar de diferentes alimentos que antes davam prazer ao paciente impede que ocorra todo o sistema defensivo em torno da alimentação.  Isso obriga o indivíduo a lidar com suas mágoas e angústias por outros meios, o que nem sempre é possível, e, caso essa pessoa não seja bem auxiliada, inicia-se os problemas psíquicos.

(JR.; CHAIM; TURATO, 2009) ainda afirma que a primeira reação da maioria dos pacientes é sentirem-se vitoriosos ao conseguirem reverter a condição anterior de sobrepeso, pensam como se todo os problemas tivessem sido resolvidos na cirurgia, condição essa reforçada pela mudança drástica do corpo no primeiro momento, compensando qualquer sofrimento. Porém, com o passar do tempo, caso o indivíduo não tenha passado por um eficiente auxilio terapêutico, a ameaça de que o peso pode voltar se impõe e o sintoma “obesidade” que foi impedido pela cirurgia pode começar a aparecer em novas vias de expressão sendo elas a depressiva e a compulsiva.

A via depressiva pode apresentar sintomas iniciais como angústia e sensação de vazio e evoluir para transtornos depressivos manifestos. Por outro lado, a via compulsiva pode levar o paciente de volta ao encontro com o excesso alimentar, passando a ingerir sorvetes, leite condensado e chocolate que são alimentos digeridos facilmente, não causando incômodo gastrointestinal e, a partir desse momento, começa o “temido” aumento de peso que, se não revertido, pode levar o indivíduo novamente ao quadro de obesidade (JR.; CHAIM; TURATO, 2009).

 


Portanto, é de extrema importância a ação conjunta da equipe multidisciplinar e, principalmente, o trabalho terapêutico em pacientes que pretendem aderir à cirurgia bariátrica para reverter o quadro de obesidade. Este profissional é responsável por auxiliar na manutenção do equilíbrio psíquico e reintrodução social dos pacientes nos momentos pré e pós-cirúrgico.

21 de julho de 2016

Os Entraves da Educação no Brasil


 
 
Os Entraves da Educação no Brasil

 

A educação é entendida através de diferentes etapas de escolarização que se apresentam de modo sistemático por meio do contexto escolar. De um modo geral, pode-se defini-la como um processo que visa o crescimento e desenvolvimento em qualquer estágio da vida do ser humano (SANTOS, 2015).

O Brasil cresceu muito no século XX, em um período relativamente curto, e a educação também cresceu bastante, mas não o suficiente, diante das necessidades da economia, portanto os entraves em sua prática também aumentaram. Nos últimos tempos aumentou bastante não apenas a necessidade de mais escolas e vagas, mas, sobretudo, a necessidade de ter uma população dotada de conhecimento, competências e atitudes adequadas aos desafios da sociedade contemporânea (CASTRO, 2009 p.10).

Ao falar dos entraves encontrados na educação no Brasil é importante ressaltar que essa problemática se inicia desde a formação dos professores, que saem de um deficiente sistema universitário que não prepara o professor para os mais complexos problemas sociais vividos por seus futuros alunos, e consequentemente a má formação acadêmica reflete em professores despreparados para ensinar.

Para melhorar a qualidade de ensino nas escolas brasileiras, é necessário criar um novo modelo escolar, nossa educação é ruim em todos os níveis, inclusive o universitário, que ainda formam professores para o século XX e não para a nossa sociedade contemporânea. É fundamental e preciso uma mudança profunda no sistema de ensino, uma mudança conceitual, onde a escola ensina o aluno a aprender a criar conhecimento, e para isso os professores precisam novamente aprender para ensinar (MOSÉ, 2013).

Ainda Mosé (2013) afirma que:

Os nossos alunos precisam aprender a aprender. Escolas contemporâneas estão mais preocupadas com a aprendizagem do que com o ensino. Hoje, a educação é centrada na figura do professor e não no aluno. Temos que buscar estimular nas nossas crianças a capacidade de reflexão, de argumentação e criticidade.  E oferecê-las, dentro das diversas possibilidades, caminhos para que elas encontrem seus principais interesses. É possível incorporarmos essas ideias dentro das nossas escolas.

Portanto, outro entrave na educação é a acomodação do aluno na busca do conhecimento, e da escola em aceitar essa acomodação, afinal, nesse mundo moderno é possível encontrar tudo pronto, a busca pelo conhecimento já não é tão empolgante e reflexiva. Contudo, é necessária uma mudança aprofundada nas escolas para que saiam alunos críticos, capazes de construir conhecimentos e não apenas reproduzirem o que o professor ensina, afinal o educador é um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. Ele precisa construir conhecimento a partir do que faz e, para isso, também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o que fazer dos seus alunos (GADOTTI, 2000).

Freire (1996 citado por Moura 2013 p. 15) coloca à escola o dever de não só respeitar os saberes com que os educandos chegam a ela, mas também, discutir com os alunos a razão de ser de alguns desses saberes em relação com o ensino de conteúdos. Para ele, transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador.

Santos e colaboradores (2015) apresentaram em sua obra que a qualidade do ensino depende muito da qualidade do professor, ou seja, o mesmo precisa ter gosto por ensinar e sentir satisfação em aprender para passar adiante. Assim, a escola deve oferecer condições materiais, físicas e pedagógicas para criar um ambiente propício à aprendizagem (p. 32).

Gadotti (2009 citado por Santos e colaboradores 2015 p. 19) refere que existem três condições que devem estar presentes numa escola de qualidade: professores bem formados, condições de trabalho e um projeto, ou seja, a autoestima dos professores é outro fator que influencia bastante na qualidade da educação nas escolas brasileiras, cada vez mais o professor se sente desmotivado por baixos pisos salariais, pouca estrutura e um desconforto com o sistema educacional, onde a meta é passar alunos e não criar cidadãos para a sociedade.

Em geral, temos a tendência de desvalorizar o que fazemos na escola e de buscar receitas fora dela, quando é ela mesma que deveria governar-se. É dever da escola ser cidadã e desenvolver na sociedade a capacidade de governar e controlar o desenvolvimento econômico e o mercado

Segundo Dourado (2007 citado por Santos 2015):

Ao Estado ou Governo cabe assegurar o direito à mesma para todos os indivíduos, incluindo a igualdade de condições de acesso e permanência na escola; ampliar a obrigatoriedade da educação básica; definição de diretrizes para os níveis, ciclos e modalidades de ensino; definir e garantir padrões de qualidade; implementação de programas suplementares onde estejam incluídos a disposição de recursos tecnológicos, segurança nas escolas, etc (p.35).

A educação é um fenômeno relativamente complexo pois está associada a uma natureza multidimensional, são várias problemáticas e a qualidade da educação envolve a interacção simultânea dos vários agentes intervenientes, a formação de professores para que entrem nas escolas preparados para os desafios contemporâneos, a valorização dos agentes transmissores do saber e o estado que precisa garantir o direito de uma educação de qualidade.

O objetivo desse estudo é conhecer os principais entraves no processo da educação brasileira, que variam desde a formação acadêmica dos professores até os desafios contemporâneos, desafios esses que são fazer com que o professor aprenda novamente para ensinar, que o aluno aprenda a criar conhecimento e que as escolas formem cidadãos formadores de conhecimentos e não apenas reprodutores de conhecimento. O estudo reitera as dificuldades enfrentadas pela escola, os professores e os alunos no processo de educação.

Para desenvolver o presente estudo foi efetuado um levantamento de informação através de diversos artigos e outras fontes, como livros, que abordavam as questões das dificuldades enfrentadas na educação brasileira. Procedeu-se, deste modo, a uma metodologia de revisão da literatura.

2. Considerações Finais


Em virtude dos fatos aqui mencionados percebemos que a educação brasileira cresceu bastante, porém juntamente com ela cresceu as problemáticas, a falta de estrutura nas escolas e, principalmente, a falta de acompanhamento desse crescimento juntamente com os avanços da sociedade. Há, portanto, muitos profissionais ingressando no meio educacional completamente despreparados, com uma má formação acadêmica e um desânimo frente à profissão, o que consequentemente reflete na qualidade da educação atual.  Portanto, faz-se necessário que a educação seja administrada de maneira em que possa formar cidadãos capazes de pensar por si só, criar e refletir. É necessário também um trabalho na formação dos professores, acompanhar as mudanças da sociedade, fazendo com que as escolas aprendam antes de ensinar, reformulando o sistema educacional, para que possam preparar pessoas, não apenas para o mercado de trabalho, mas também para a vida.